A Purificação do Carma

Em ‘A Purificação do Carma’

“Oh bom homem! Dentre os dez poderes do Buda, o poder do carma tem peso maior”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

PI, ao pensar apenas em si, será possível amenizar os resultados cármicos devidos às ações do passado, através das boas ações no presente. Mas esse será o novo carma de um Sravaka, Pratyekabuda ou, quem sabe, uma razão para o nascimento nos céus? Porém, a ação baseada na Grande Compaixão determinará o carma de um Bodhisattva, cujo mérito será transferido para o Annutara-Samyak-Sambodhi (Iluminação Insuperável) de todos os seres. Isto sim tem um peso maior, uma vez que o verdadeiro ensino do Grande Veículo destina-se aos Bodhisattvas, os verdadeiros e reais discípulos do Buda.

Você falou sobre Purificação do Carma, o que literalmente significa Purificação das Ações ou a prática de Ações Puras. O que são Ações Puras? No Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o Buda fala extensivamente sobre essas ações. Lá, no TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, você encontrará os seguintes ensinamentos:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], compaixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equanimidade [‘upeksha’].”

Também naquele capítulo, mais adiante, você saberá sobre a prática do amor-benevolente, a qual abrange todas as outras:

A Prática do Amor-Benevolente

E para o benefício de Kashyapa, ele disse num gatha:

“Se não se sente a ira,
mesmo contra um simples ser,
e roga-se para dar felicidade a esses seres,
isto é amor-benevolente.
Se sente-se compaixão
por todos os seres,
isto é a semente sagrada.
Interminável é a recompensa.
Mesmo que os Rishis (Grandes Sábios) dos cinco poderes
preenchessem essa terra
e dessem a Mahesvara (Grande Lorde) elefantes, cavalos
e suas várias posses,
a recompensa ganha não seria igual
a uma décima-sexta parte de um [impulso de] amor-benevolente
que seja praticado.”

“Oh bom homem! A prática do amor-benevolente é verdadeira e não provém de um pensamento falso. É claramente a verdade. O amor-benevolente dos Sravakas e Pratyekabudas é aquele que é falso. Com todos os Budas e Bodhisattvas, o que existe é o verdadeiro, e não o que é falso. Como sabemos isso? Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via do Grande Nirvana, ele medita sobre a terra e [mentalmente] a transforma em ouro, e medita sobre o ouro e o transforma em terra, terra em água, água em fogo, fogo em água, terra em vento (ar), e vento em terra. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Ele medita sobre seres reais e transforma-os em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Oh bom homem! Saiba que as quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva vêm de um pensamento verdadeiro e não são o que é falso.

Também, além disso, oh bom homem! Por que é chamado pensamento verdadeiro? Porque ele acaba completamente com todas as impurezas. Oh bom homem! Ora, uma pessoa que pratique amor-benevolente erradica toda a cobiça; alguém que pratique a compaixão erradica a ira; alguém que pratique a intenção-amável (alegria-simpática) erradica a infelicidade; alguém que pratique equanimidade erradica a cobiça, a ira e todos os aspectos das coisas que os seres têm. Por essa razão, chamamos isto de pensamento verdadeiro.

Também, além disso, oh bom homem! As quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva-Mahasattva constituem a raiz de todas as boas ações. Oh bom homem! Se um Bodhisattva-Mahasattva não vê um ser oprimido pela pobreza, não poderá haver qualquer surgimento da compaixão. Se a mente compassiva não surge, não surgirá qualquer pensamento de doação. Através das relações causais da doação, ele concede aos seres paz e felicidade. Trata-se de bebida, comida, veículos, roupas, flores, incenso, camas, casas e lâmpadas.

Quando a doação é feita dessa maneira, não existe apego na mente e nenhuma cobiça surge. Ele definitivamente transfere o mérito disto para a Iluminação Insuperável. A mente não para no tempo. Acaba-se com o pensamento falso para sempre; aquilo que é feito não é por medo, por fama ou por lucro. Não visa o mundo dos humanos ou dos deuses; qualquer prazer que seja ganho não suscita a arrogância; não visa recompensas; a doação não é feita para enganar os outros; não busca a riqueza ou o respeito. Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação [distinção] é feita quanto a saber se o destinatário tem observado os preceitos morais ou os têm transgredido, se ele é um verdadeiro campo de prosperidade ou um mau campo de prosperidade, se é instruído ou iletrado. 

Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação é feita entre o certo e o errado do repositório; nenhuma diferença é vista entre o tempo ou o lugar certo ou errado. Não se pensa sobre se existe fome ou fartura das coisas e felicidade. Nenhuma discriminação é feita quanto à causa ou o resultado (efeito) disto, ou preocupação quanto àquilo que é certo [meritório] ou não com relação ao destinatário (repositório), ou se ele é rico ou não. Também, o Bodhisattva não se dá o trabalho de olhar qualquer diferença como se o destinatário é uma pessoa que dá ou alguém que recebe, o que é dado ou cedido, ou a recompensa por aquilo que é dado. A única coisa que se faz é que a doação seja realizada sem cessação.

Oh bom homem! Se o Bodhisattva olhasse para a observância ou infração dos preceitos, ou os seus resultados, não poderia haver qualquer doação até o fim. Se não há doação, não pode haver realização do danaparamita [doação transcendente]. Se não há danaparamita, não pode haver qualquer chegada à Iluminação Insuperável.

Sutra do Nirvana – TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1.

Selo Comemorativo

A Equanimidade de Todos os Dharmas

3.    A equanimidade de todos os dharmas. O Sutra Diamante diz: “Esse dharma é liso e plano, sem altos ou baixos, porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Isto é equanimidade de todos os dharmas. “O Tathagata nem vem ou vai”. Isto é equanimidade de todos os dharmas.

Disto advém,

4.    A equanimidade de um e muitos.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

Original

Não Cortado e Não Extinto

Sutra:

“Subhuti, você pode ter o pensamento de que o Tathagata não atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi através da perfeição das marcas. Subhuti, não pense que o Tathagata não atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi através da perfeição das marcas. Subhuti, você não deve pensar que aqueles que devotaram seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi asseveram a aniquilação de todos os dharmas. Não tenha esse pensamento. E por quê? Aqueles que devotaram os seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi não asseveram a aniquilação das marcas”.

Comentário:

Essa parte do texto foi pregada para aqueles que, após ouvirem que não se pode contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas, podem se perguntar como o Buda atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Pensar que o Tathagata não usou a perfeição de todas as marcas das bênçãos e virtudes para atingir a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta é incorreto. O Buda admoestou Subhuti para ser cuidadoso e não pensar daquela maneira. E por quê? Se o Anuttara-Samyak-Sambodhi fosse a aniquilação das marcas, então isso significaria que o Tathagata, embora desprovido de plenas bênçãos, plena sabedoria, e desprovido das marcas da perfeição, atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Dizer que o Anuttara-Samyak-Sambodhi é a aniquilação de todos os dharmas é cair na extrema visão do aniquilacionismo. Alguém que tenha devotado seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi sempre assevera o significado ultimado do Caminho Médio. Ele não assevera o dharma do aniquilacionismo ou o dharma da permanência. As visões do aniquilacionismo e da permanência não são o Budadharma, e qualquer um que não esteja de acordo com o Budadharma não pode realizar o Estado de Buda. Assim, os cultivadores do Budadharma devem compreender o Caminho Médio, e não manter visões extremadas.

Sutra Diamante – Capítulo 27 – Não Cortado e Não Extinto.

Original

O Coração Puro Pratica o Bem

Sutra:

“Além disso, Subhuti, esse dharma é liso e plano, sem altos e baixos. Porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi. Cultivar todos os dharmas sem um ‘eu’, nem outros, nem seres viventes e nem uma vida é atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Subhuti, bons dharmas são pregados pelo Tathagata como nenhuns bons dharmas. Porquanto são chamados bons dharmas”.

Comentário:

Desejando falar em maiores detalhes, o Buda Shakyamuni disse a Subhuti: “Não há nada superior a esse dharma, e nada inferior”. Porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi. Embora seja chamada Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta, é um dharma sem uma marca do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, ou de uma vida. É destituído do apego ao ‘eu’, do apego aos dharmas (fenômenos), e do apego à vacuidade. Você deve cultivar dharmas saudáveis e abster-se de praticar dharmas insalubres. Assim é dito:

Faço votos de erradicar todo o mal.

Faço votos de praticar todo o bem.

Faço votos de salvar todos os seres viventes.

Se você erradica o mal e cultiva o bem, suas boas raízes aumentarão e crescerão. Ao cultivar bons dharmas você obtém naturalmente a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta.

Subhuti, bons dharmas são pregados pelo Tathagata como nenhuns bons dharmas. Ao falar do ponto de vista do Tathagata não há bons dharmas  que possam ser obtidos. Porquanto são chamados bons dharmas. A eles são meramente dados falsos nomes. Você não deve ter apego a quaisquer bons dharmas. Apego a bons dharmas ainda é apego. Você deve contemplar todas as coisas como uma ilusão, uma transformação, um sonho, uma bolha, ou uma miragem – como sendo irreais.

Sutra Diamante – Capítulo 23 – O Coração Puro Pratica o Bem.

Original

Não Há Dharma Que Possa Ser Obtido

Sutra:

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, então o Tathagata ao atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi não atingiu nada?”

O Buda disse: “É assim, é assim, Subhuti. Quanto ao Anuttara-Samyak-Sambodhi, não há sequer o menor dharma que eu pudesse atingir, porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

Comentário:

Após o Buda ter dito que seres viventes eram não seres viventes e não não seres viventes, Subhuti indagou: “Ao atingir a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta, o dharma resultante do Estado de Buda, não há sequer o menor dharma a ser atingido? Porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Isto é meramente um falso nome, nada mais. Não há substância real que se possa apontar e dizer: “Isto é Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Por que não há sequer o menor dharma a ser atingido? O princípio já foi discutido antes: se você quer saber se algo é atingível, você primeiro deve saber se ele foi perdido. Se fosse certo que o Anuttara-Samyak-Sambodhi tivesse sido perdido, então você poderia recuperá-lo. Mas basicamente você não o perdeu. É o que você sempre teve – sua natureza básica. “Em sua roupa está uma gema preciosa, não a procure mais do lado de fora”. Não vá para fora à busca do que quer que seja. A gema preciosa está dentro de sua roupa. Rasgue sua roupa e você a verá.

Anuttara-Samyak-Sambodhi, a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta, é um nome especial para a perfeita e plena Fruição-do-Buda. Sua Fruição-do-Buda certamente não é algo que possa ser atingido a partir de fora. Isto a que se chama Anuttara-Samyak-Sambodhi também não é algo que vem de fora. É o que você sempre teve: sua herança (tesouro de família) inerente. As riquezas estão dentro de sua própria casa. Se você se afasta (da sua casa) e busca do lado de fora, você estará abandonando o que você teve o tempo todo. Você não encontrará nada dessa maneira.

Sutra Diamante – Capítulo 22 – Não Há Dharma Que Possa Ser Obtido.

Original

A Qualidade Intrínseca de Todos os Fenômenos

Sutra:

“E por quê? ‘Tathagata’ significa a qualidade intrínseca (talidade – por exemplo, a qualidade intrínseca de todos os fenômenos é o vazio, sua verdadeira natureza, tal como são – N.T.) de todos os dharmas. Se alguém dissesse que o Tathagata atinge o Anuttara-Samyak-Sambodhi, Subhuti, de fato, não há um dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi que o Buda atinge. Subhuti, o Anuttara-Samyak-Sambodhi que o Tathagata atinge é nem verdadeiro e nem falso. Por esta razão o Tathagata fala de todos os dharmas como Budadharmas. Subhuti, todos  os dharmas são pregados como não dharmas. Porquanto são chamados dharmas.”

Comentário:

Tathagata, que se traduz como Assim Advindo (Thus Come One ou Assim Sucede), significa que todos os dharmas são “Assim”. Todos os dharmas estão num estado de ‘imobilidade intrínseca’.

Com o que se parece a ‘imobilidade intrínseca’?

Ela não tem aparência. Portanto, ele ainda diz que não há um dharma que possa ser atingido. Se você atingiu um dharma, com o que ele pareceria? Seria verde? Amarelo? Vermelho? Longo? Curto? Quadrado? Redondo? Quando não há nome, nem cor, e nem aparência, então todos os dharmas são assim. Se houver qualquer dharma aparente, então não é assim.

Realmente, não há o menor dharma que possa ser atingido. Não há um dharma da Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta que o Buda possa atingir.

O Anuttara-Samyak-Sambodhi que o Tathagata atinge. Se você forçá-lo e disser que o Tathagata atinge algo chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi, aquele Anuttara-Samyak-Sambodhi é nem verdadeiro e nem falso. Sendo nem verdadeiro e nem falso, ele é o significado ultimado do Caminho Médio; é a Prajna da Marca Real.

Sutra Diamante – Capítulo 17 – Em Última Análise, Não Há Um Eu.

Original

O Mais Profundo Significado do Caminho Médio

Subhuti, de fato não há um dharma de devoção do coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi. Originalmente não há um dharma que possa ser obtido. Devotar o coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi é apenas uma expressão, nada mais. “Não há basicamente uma coisa: então, onde pode a poeira assentar-se?” Todavia, o Buda percebeu que os seres viventes poderiam tornar-se cépticos e dizerem: “Uma vez que não há dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi – e nem um dharma da realização do Estado de Buda – que possa ser atingido, então por que alguém necessitaria devotar-se? Portanto, o Buda ainda explicou: “Quando o Buda Tocha Ardente concedeu-me uma profecia, Eu obtive um dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi? Houve algum dharma que Eu atingi?” Compreendendo que de acordo com a doutrina do prajna não há dharma que possa ser atingido, Subhuti respondeu: “Não, Honrado pelo Mundo”. Mas então, ele respaldou a sua declaração com as palavras: “(De acordo) como eu entendo o que o Buda tem dito”, indicando que ele não se atreveu a fazer uma afirmação absoluta. “Isto é como o compreendo”, ele disse, “mas não sei se estou certo ou não. Não há o menor dharma da Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta que possa ser atingido”.

Sutra:

O Buda disse: “É assim, é assim, Subhuti. De fato não houve um dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi que o Tathagata atingiu. Subhuti, se houvesse um dharma do Anuttara-Samya-Sambodhi que o Tathagata tivesse atingido, então o Buda Tocha Ardente não teria concedido-me uma profecia: ‘No futuro, você atingirá o Estado de Buda e será chamado Shakyamuni’. Uma vez que não havia um dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi atingido, o Buda Tocha Ardente concedeu-me a profecia dizendo essas palavras: ‘No futuro, você atingirá o Estado de Buda e será chamado Shakyamuni’.”

Comentário:

O Buda respondeu a declaração de Subhuti de forma afirmativa: “É assim, é assim, Subhuti.  Você explica o dharma daquela maneira; Eu também explico o dharma daquela maneira. De fato, não há dharma”. Não houve absolutamente um dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi que o Tathagata tenha atingido. Subhuti, você não deve dar origem às dúvidas e pensar que quando o Buda viveu naquele tempo do Buda Tocha Ardente ele obteve algum dharma secreto. Isto seria um engano. Quando o Buda Shakyamuni encontrou-se com o Buda Tocha Ardente, no final do segundo Asamkhya do kalpa da cultivação, não houve algum dharma secreto da Isuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta.

“Subhuti”, disse o Buda: “se houvesse tal dharma, então o Buda Tocha Ardente não teria concedido uma profecia e dado-me um nome. Se Eu tivesse obtido mesmo que um simples dharma, ele não teria dito: ‘No futuro, no mundo Saha, você tornar-se-á um Buda chamado Shakyamuni’.”  O nome Shakyamuni do Sânscrito traduz-se por “Aquele que é Capaz de Humanidades” e “Aquele que é Quieto e Silencioso”. “Capaz de Humanidades” significa que ele concorda com as condições e representa movimento. “Quieto e Silencioso” significa que ele é imóvel, e representa quietude. Embora ele concorde com as condições, ele é imóvel. Embora ele seja imóvel, ele concorda com as condições. Movimento não obstrui a quietude; a quietude não obstrui o movimento. Movimento e quietude estão ambos dentro do Samadhi.

De fato não há um dharma na posição de fruição da Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta que possa ser atingido.

Por quê?

Você pessoalmente cultiva e pessoalmente certifica-se para a posição. (Essa posição) não é obtida a partir de fora, porque basicamente você já a possui. Não é que você tenha se envolvido em condições externas ou tenha dependido de forças externas. As condições e a força estão dentro de você. Você cultiva e você pode atingir. Naturalmente, dizer que você atinge é apenas uma maneira de falar, porque basicamente você nunca perdeu nada em primeiro lugar, por isso não é possível para você atingir algo (que não perdeu). Uma vez que foi assim para com o Buda Shakyamuni, o Buda Tocha Ardente concedeu-lhe uma profecia e um nome especial.

Sutra Diamante – Capítulo 17 – Em Última Análise, Não Há Um Eu.

Original

Em Última Análise, Não Há Um Eu

Sutra:

Então Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, se um bom homem, ou uma boa mulher, devota seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi, como ele deve viver, como ele deve subjugar o seu coração?”

O Buda disse a Subhuti: “Um bom homem, ou uma boa mulher, que tenha devotado o seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi deve pensar assim: ‘Eu devo levar todos os seres viventes à travessia para a extinção. No entanto, mesmo quando todos os seres viventes tenham sido levados à travessia para a extinção, não haverá de fato um único ser vivente que tenha sido levado à travessia para a extinção’. E por quê? Subhuti, se um Bodhisattva tem uma marca do eu, uma marca dos outros, uma marca dos seres viventes ou a marca de uma vida, então ele não é um Bodhisattva. Por que razão? Subhuti, de fato não há um dharma de devoção do coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi.”

“Subhuti, o que você pensa? Enquanto o Tathagata estava com o Buda Tocha Ardente, havia qualquer dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi atingido?”

“Não, Honrado pelo Mundo. (De acordo) como eu entendo o que o Buda tem dito, enquanto o Buda estava com o Buda Tocha Ardente não havia Anuttara-Samyak-Sambodhi atingido”.

Comentário:

Quando Subhuti ouviu o Buda louvar o inconcebível mérito e virtude do sutra e a retribuição igualmente inconcebível resultante de receber, ostentar, recitar e falar o sutra para outros, ele indagou: “como podem todos os bons homens e boas mulheres que tenham devotado seus corações à Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta capacitarem seus corações a não residir em lugar algum? Como eles podem apartarem-se das marcas e subjugar seus corações?”

Numa seção anterior do texto, Subhuti havia indagado a mesma questão ao Buda. Naquele momento, Subhuti estava de fato indagando como ele próprio poderia devotar o seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi. Era para o seu próprio benefício. Agora ele está indagando como todos os seres viventes em toda a parte podem devotar seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi, como podem domar seus corações, e onde seus corações devem residir.

O Buda respondeu que as pessoas que tenham devotado seus corações à Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta devem levar todos os seres viventes à travessia para a extinção – resgatar e libertar todos os seres viventes tal que possam realizar a Via do Buda. Mas, o Buda ainda salienta: após ter-lhes levado à travessia para a extinção, um Bodhisattva não deve reconhecer quaisquer seres viventes como tendo sido levados à travessia. Ele não tem qualquer apego. Se um Bodhisattva diz: “Eu sou capaz de levar os seres viventes à travessia para a extinção”, ele tem a marca do eu. Se ele diz: “eu posso levar outros à travessia”, ele tem a marca dos outros. Com um ‘eu’ a levar ‘outros’ à travessia, a marca dos seres viventes surge. Uma vez que há distinção entre a iluminação própria de alguém e a iluminação dos outros, então há a marca de uma vida. Todavia, não há alguém que leve os seres à travessia, nem há quaisquer seres viventes que sejam levados à travessia, nem há uma ação de levá-los. Não se deve então estar apegado a tais marcas. Se há apego, então não apenas não se atingiu a vacuidade dos dharmas, como não se atingiu também a vacuidade das pessoas, e não se é um Bodhisattva.

Sutra Diamante – Capítulo 17 – Em Última Análise, Não Há Um Eu.

Original

Curve-se para seu Algoz

O texto diz ser certo, e sem nenhuma sombra de dúvida, que as ofensas cármicas anteriores de uma pessoa que ostenta este sutra e sofre ridicularização serão dissolvidas, e que ela obterá a fruição da Insuperável, Própria e Plena Iluminação Correta (Anuttara-Samyak-Sambodhi) do Buda. Não há dúvida. Todos vocês que recitam sutras devem compreender que ser criticado é excelente. Se você for espancado, curve-se para seu algoz. Diga: “Buda Amitabha! Você é realmente um Buda. Você me bate e minhas ofensas cármicas anteriores dissolvem-se como a neve no sol quente”. Com o seu carma erradicado, você pode certificar-se para a fruição do Buda, e obter o Anuttara-Samyak-Sambodhi.

Sutra Diamante – Capítulo 16 – Obstruções Cármicas Podem Ser Purificadas.

Original

Obstruções Cármicas Podem Ser Purificadas

Sutra:

“Além disso, Subhuti, se um bom homem, ou uma boa mulher, recebe, ostenta, lê e recita esse sutra, se as pessoas ridicularizarem-na, (é porque) aquela pessoa tem ofensas cármicas de vidas anteriores que a destinaram aos maus caminhos. Mas em virtude de na presente vida ela ser ridicularizada por outros, suas ofensas cármicas anteriores serão destruídas e ela atingirá o Anuttara-Samyak-Sambodhi.”

Sutra Diamante – Capítulo 16 – Obstruções Cármicas Podem Ser Purificadas.

Original

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