A Devastação do Meio Ambiente

“Isto que a sociedade (dita civilizada) está construindo é um grande hospital”

Paulo Paiacã – Representante de nação índígena no FSM2009.

Sim!
Primeiro, destroem suas defesas, o seu abrigo natural.
Depois, tecem caprichosamente as redes da insalubridade.
E então, quando os inimigos lhes invadem, não encontram remédios para suas mazelas.

Todos morreremos!

Mas,
há uma enorme diferença entre estar em harmonia e equilíbrio com o meio ambiente, e fundir-se com este no instante final;
e morrer doente, numa inglória contenda com os demônios dos cinco elementos.

Não sabem o que significa defesa. Armam-se…
Não sabem o que significa abrigo. Trancam-se…
Não sabem o que são inimigos. Acolhem-nos…
Confundem veneno com remédio.

Todos morreremos!

Mas, há uma enorme diferença entre Nirvana;
e o cárcere do ciclo do nascimento e da morte.

Grande é o hospital.

Por favor, não deixe de ler A Espera do Shramana Gautama.

Marcos Ubirajara.
Em 28/01/2009, ainda no Fórum Social Mundial 2009.

De Onde Viemos

Teve início nesta data o IX Fórum Social Mundial em Belém-PA, Brasil. Homenagem a Darcy Ribeiro, quem sabe, o maior antropólogo brasileiro.

De Onde Viemos - Darcy Ribeiro

De Onde Viemos - Darcy Ribeiro

Um Dia na Vida

A vida é a mais preciosa de todas as posses. Se a senhora for capaz de estender sua vida mesmo por um dia, será mais valioso do que dez milhões de ‘ryo’ de ouro. É por causa do Capítulo Juryo (CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata) que o Sutra de Lótus é superior a todos os outros sutras. O maior príncipe no mundo seria de menor importância do que a grama, se não fosse capaz de viver além da sua infância. Mesmo um homem com sabedoria tão brilhante como o sol seria de menor significado do que um cão vivo, se morresse ainda jovem. Apresse-se em acumular o tesouro de sua fé e conquiste sua doença sem um momento de atraso.

Se agir com inveja, será muito difícil curar a doença. Um dia de vida é mais valioso do que todos os tesouros do universo. Antes de mais nada, deve expressar sua sinceridade. Este é o significado da passagem do sétimo volume do Sutra de Lótus que diz que há muito mais significado em queimar seu dedo mínimo como um oferecimento ao Buda e ao Sutra de Lótus do que oferecer todos os tesouros do universo. Portanto, sua vida igualmente é mais preciosa do que o universo inteiro.

Nitiren Daishonin: “A Transformação do Carma Determinado”, em 1279.
Fonte: As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. I.

Méritos que Conduzem ao Sutra de Lótus

Este post é comemorativo do 2º. aniversário de Cristal Perfeito.

O Buda disse ao Bodhisattva Universalmente Meritório: “Se um bom homem, ou uma boa mulher, alcançar as Quatro Leis, ele obterá o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa após a extinção do Tathagata. Primeira Lei, ele é o objeto da proteção e de preocupação do Buda. Segunda Lei, ele detém as raízes das virtudes. Terceira Lei, ele penetra o conjunto de concentrações corretas. Quarta Lei, ele concentra-se na intenção de salvar todos os seres viventes ”.

“Se um bom homem ou uma boa mulher alcançar dessa forma estas Quatro Leis, é certo que ele obterá este Sutra após a extinção do Tathagata”.

Excerto do CAP. 28: O Encorajamento do Bodhisattva Universalmente Meritório, pág. 416.

O Todo-Maravilhoso dos Três Tesouros

“Também, além disso, oh bom homem! Pratique os ensinamentos do Buda, do Dharma e da vida da Sangha (que são os Três Tesouros), e persevere no pensamento sobre o Eterno. Essas três coisas não se contradizem. Não existe forma do não-eterno, nem mudança. Qualquer pessoa praticando essas três (coisas) como coisas que diferem (entre si), falha nos Três Refúgios que são puros. Isto nós deveríamos saber. Isto quer dizer que tal pessoa carece de um lugar para se abrigar. (Se) o preceito não for completamente compreendido; nenhum fruto poderá advir de sravakas ou pratyekabudas. Qualquer um que persevere no pensamento do Eterno neste Todo-Maravilhoso tem um lugar para se refugiar. Oh bom homem! É como a sombra acompanhando uma árvore. O mesmo é o caso com o Tathagata. Como existe o Eterno, existe um refúgio que pode ser buscado. Não é não-eterno. Uma vez que se diga que o Tathagata é não-eterno (impermanente), ele não poderá ser um refúgio para todos os seres celestiais e pessoas do mundo.”

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Por exemplo, é como o caso de uma árvore na escuridão, onde não há sombra.”

“Oh Kashyapa! Não diga que existe uma árvore e que ela não tem sombra. Isto é meramente porque os olhos carnais não podem vê-la. O mesmo ocorre com o Tathagata. Sua natureza é eterna, é imutável. Não podemos vê-la sem os olhos da Sabedoria. Isto é como no caso onde nenhuma sombra da árvore aparece na escuridão. Os mortais comuns, após a morte do Buda, poderão dizer: ‘O Tathagata é não-eterno’. É o mesmo caso. Se dizemos que o Tathagata difere do Dharma e da Sangha, não poderá haver os Três Refúgios. Isto é como no caso em que, seus pais como são diferentes um do outro, existe o não-eterno.”

O Bodhisattva Kashyapa disse novamente ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Daqui por diante, eu, pela primeira vez, com a Eternidade do Buda, do Dharma e da Sangha; iluminarei os pais por eras, até a sétima geração. É realmente maravilhoso! Oh Honrado pelo Mundo! Eu agora aprenderei o Todo-Maravilhoso do Tathagata, do Dharma e da Sangha. Tendo me satisfeito, exporei isto amplamente para todos os outros. Se eles não tiverem fé no ensinamento, saberei que eles têm praticado extensivamente o não-Eterno. Para pessoas assim, serei como a geada e o granizo.”

Então o Buda elogiou o Bodhisattva Kashyapa e disse: “Disse bem, disse bem! Você agora realmente protege e ostenta o Dharma Maravilhoso. Esta proteção do Dharma não está fraudando as pessoas. Pela boa ação de não fraudar os outros, obtemos uma longa vida e nos tornamos aptos a ler as nossas vidas passadas.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 04: Sobre Longa Vida.

Sobre Devotar a Vida

“Se uma pessoa está preparada para consagrar sua própria vida, por que deverá poupar qualquer outro tesouro pela causa do Budismo? Pelo contrário, se uma pessoa tem pena do seu tesouro, como poderá sacrificar sua própria vida que é muito mais valiosa? É costume da sociedade que uma pessoa deve retribuir ao imenso favor de outra, mesmo ao custo de sua vida. Há realmente muitos – embora pareça serem poucos – que devotam suas vidas aos seus soberanos. Os homens sacrificam-se para salvar suas honras e as mulheres morrem por seus maridos. Os peixes em um lago desejam viver em segurança e, deplorando a sua pouca profundidade, cavam buracos no fundo para se esconderem. Porém, iludidos pela isca, mordem o anzol. Os pássaros em uma árvore têm medo que ela seja muito baixa e escolhem seus ramos superiores para viver. Contudo, cativados pela isca, são apanhados em armadilhas. O mesmo mantém-se verdadeiro com os seres humanos. É geralmente por assuntos seculares insignificantes e raramente pelo importante Budismo que as pessoas sacrificam suas vidas. Daí, somente poucas pessoas podem atingir o Estado de Buda.”

Nitiren Daishonin: “Carta de Sado”, em 1271.
Fonte: As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. I.

Sementes da Paz

É sábio, ainda que da parte de um tolo, nunca atacar.

Em 19/11/2008.

Paramartha-satya: A Verdade da Realidade Transcendente

O Bodhisattva Kashyapa disse novamente ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Como você, o Tathagata, obteve a vida eterna?”

O Buda disse ao Bodhisattva Kashyapa: “Oh bom homem! Existem oito grandes rios, quais sejam: 1) Ganges, 2) Yamuna, 3) Sarabhu, 4) Ajitavati, 5) Mahi, 6) Indus, 7) Pasu, e 8 ) Sita. Todos estes grandes rios e outros rios menores correm para o grande oceano. Oh Kashyapa! Todos os grandes rios da vida de todas as pessoas, dos seres celestiais, da terra e dos céus correm para o oceano da vida do Tathagata. Sendo assim, a longevidade da vida do Tathagata é incalculável. Além disso, ainda ocorre o seguinte, oh Kashyapa! Como uma ilustração: é como o caso do Lago Anavatapta, que abarca (as águas de) quatro rios. O mesmo se passa com o Tathagata. Ele abarca todas as vidas. Oh Kashyapa! Como um exemplo: dentre todas as coisas eternas, a (eternidade) do espaço é suprema. O mesmo é o caso com o Tathagata. Ele é supremo dentre todas as coisas eternas. Oh Kashyapa! Isto é como no caso do sarpirmanda [o mais delicioso e eficaz remédio], o primeiro dentre todos os remédios. O mesmo é o caso com o Tathagata. Ele é dotado da mais longa vida.”

O Bodhisattva Kashyapa disse novamente ao Buda: “Se a vida do Tathagata é assim, você deveria viver por um kalpa, ou menos que um kalpa, e proferir sermões da forma como a grande chuva cai.”

“Oh Kashyapa! Não distorça a idéia da extinção com respeito ao Tathagata. Oh Kashyapa! Pode haver em meio aos monges, monjas, leigos e leigas; ou mesmo em meio aos tirthikas [seres deludidos, não-Budistas], uma pessoa que possua os cinco poderes divinos ou o poder ilimitado de um rishi (Grande Sábio). Essa pessoa pode viver um kalpa ou menos que um kalpa; ela pode ser capaz de voar através do ar, e ser imperturbável se estiver reclinado ou sentado. Ela pode soltar fogo do lado esquerdo do seu corpo e água do seu lado direito. Seu corpo pode soltar fumaça e labaredas como uma bola de fogo. Se ela desejar viver longamente, ela poderá fazê-lo como desejar. Ela pode prolongar ou encurtar a sua vida livremente. Com tais poderes divinos, ela possui liberdade de poder. Como isso não seria possível com o Tathagata, que possui ilimitado poder sobre todas as coisas? Como não seria possível que ele pudesse viver a metade de um kalpa, um kalpa, 100 kalpas, 100 mil kalpas, ou inumeráveis kalpas? Em razão disto, saiba que ‘o Tathagata é uma existência eterna e imutável’. O corpo do Tathagata é um corpo transformado (não nascido de um ventre, mas da transformação) e não é nutrido pelos vários tipos de alimentos. No sentido de conduzir os seres à outra margem, ele manifesta-se em meio às árvores venenosas. Dessa forma, ele manifesta-se descartando seu corpo carnal e entrando no Nirvana. Saiba, oh Kashyapa, que o Buda é uma existência eterna e imutável. Oh todos vocês! Pratiquem a Via neste Paramartha-satya [Verdade da Realidade Transcendente], façam um esforço, e pratiquem a Via com pensamento único; tendo praticado a Via, exponha-a amplamente aos outros.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 04: Sobre Longa Vida.

O Atalho Para o Anuttara-Samyak-Sambodhi

“Grande Força, o Bodhisattva Mahasattva Sem-Desprezo fez oferecimentos a tantos Budas quanto aqueles citados[1]: reverenciando-os, honrando-os e louvando-os; e assim plantando as raízes da benevolência. Mais tarde ele encontrou mil miríades de Budas, e durante a vigência da Lei daqueles Budas, ele pregou este Sutra. Quando seus méritos e virtudes se completaram, ele tornou-se um Buda”.

 “Grande Força, o que você pensa? Poderia o Bodhisattva Sem-Desprezo ser desconhecido para você? Ele não era outro senão eu mesmo! Não tivesse eu nas vidas anteriores recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra, e lhe explicado para outros, não seria capaz de atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi tão rapidamente. Em razão de ter recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra na presença dos Budas anteriores, e lhe explicado para outros, eu rapidamente alcancei o Anuttara-Samyak-Sambodhi[2]”.


[1] Aqui, “tantos Budas quanto aqueles citados” indica também as pessoas comuns às quais esse Bodhisattva sempre fez reverência. Portanto, servir a um vasto número de Budas, segundo este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, significa fazer reverência, honrar e louvar todos os seres. Esta revelação, certamente, constitui um dos mais profundos segredos deste sutra. Encontrar um Buda neste mundo é extremamente raro. Então, como servir a incontáveis Budas para, somente então, atingir a iluminação? Este é um longo caminho que exigiria incontáveis kalpas para se atingir a iluminação. Este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, todavia, revela o caminho curto através desta passagem. Servir a incontáveis Budas é uma tarefa que pode ser levada ao cabo numa existência momentânea da vida, bastando para isso “enxergar” o Buda que existe inerentemente em todos os seres, reverenciá-lo e louvá-lo. Isto estará sendo feito ao expor e ensinar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa por toda a parte, a todos os seres, revelando-lhes que, infalivelmente, tornar-se-ão Budas. Mesmo seres insensíveis, aos quais não cabe ensinar o sutra, poderão ser beneficiados uma vez o sutra lhes seja exposto.

[2] Tão rapidamente em comparação com a necessidade de incontáveis kalpas para se atingir a iluminação através dos três veículos praticados por aqueles monges de grande arrogância. O Veículo Único é o caminho curto seguido pelo Buda Shakyamuni desde o infinito passado.

Excerto do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo, pág. 345.

A Parábola do Pai Rigoroso

O Buda disse a Kashyapa: “Uma ilustração, oh bom homem! O rei, o ministro e o primeiro-ministro podem desejar promover seus filhos que são corretos no comportamento e refinados no intelecto. Um daqueles pais pega um, dois, três, quatro filhos e encaminha-os para um rigoroso professor e diz-lhe: ‘Por favor, ensine aos meus filhos bom comportamento, artes, escrita e cálculo. Estes meus quatro filhos estudarão sob seus cuidados. Mesmo que três desses meus filhos morram sob o rigor dos ensinamentos, ensine o último através de quaisquer meios que você pense ser adequado. Eu posso perder os três, mas não me envergonharei.’ O Kashyapa! O pai e o professor são responsáveis pelas mortes?”

“Não, Honrado pelo Mundo! Por que não? Por que um sentimento de amor era a base [das suas ações]. O que existe é um desejo de realização, mas não um mau pensamento. Tais ensinamentos serão bem ministrados, e sua extensão será ilimitada.”

“Oh bom homem! O mesmo é o caso com o Tathagata. Ele olha aqueles que transgridem o Dharma como olha seu filho único. Agora, o Tathagata confia o insuperável Dharma Maravilhoso às mãos de reis, ministros, primeiro-ministros, monges, monjas, leigos e leigas. Todos esses reis, ministros, e as quatro classes da Sangha Budista encorajarão aqueles que praticam os ensinamentos Budistas e permitir-lhes-ão gradativamente manter em observância os preceitos morais, as práticas meditativas e a sabedoria. Se houver alguém que fracasse nesses três aspectos (dos ensinamentos) do Dharma e se houver aqueles que são indolentes e que violem os preceitos morais; os reis, ministros, e as quatro classes da Sangha Budista trabalharão duro e recuperarão tais pessoas. Oh bom homem! Poderiam todos esses reis, ministros, e as quatro classes da Sangha Budista serem culpados ou não?”

“Realmente, não, Honrado pelo Mundo!”

“Oh bom homem! Esses reis, ministros e as quatro classes da Sangha Budista não podem ser culpados. Como poderia ser culpado o Tathagata? Oh bom homem! O Tathagata observa a tudo com tal imparcialidade, considerando todas as pessoas como se fossem seu filho único. Chama-se praticante da Via aquele que pratica o pensamento igualitário de um Bodhisattva e aquele que possui o sentimento de quem ama seu filho único. Oh bom homem! O Bodhisattva, praticando assim, obtém uma longa vida e está apto a ver o que aconteceu no passado.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 04: Sobre Longa Vida.

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