O Que é Danaparamita

“Oh bom homem! O que é dana, e o que não é danaparamita? Vê-se que alguém mendiga, e alguém doa. Isto é doação, mas não paramita. Quando não há ninguém que mendigue, mas abre-se o coração e se doa da própria vontade, isto é danaparamita. Alguém doa de acordo com a ocasião. Isto é doação, mas não paramita. Alguém que pratique a doação eterna, isto é danaparamita. Dá-se aos outros e depois se lastima. Isto é doação, mas não paramita. Alguém dá e não lastima. Isto é danaparamita.

O Bodhisattva-Mahasattva ganha quatro destemores nas coisas. Ao rei, ao ladrão, à água e ao fogo, ele tem o prazer de dar. Isto é danaparamita. Se alguém dá esperando um retorno, isto é doação, mas não danaparamita. Se alguém dá, mas não espera por qualquer recompensa, isto é danaparamita. Alguém dá quando sente medo; dá-se pela fama e pelo lucro, para um legado da família, para satisfação dos cinco desejos no céu, pela vaidade, pelo orgulho de ser superior aos outros, pelo conhecimento, pela recompensa na vida que virá. Todas essas modalidades (de doação) são como fazer negócios.

Oh bom homem! Isto é como uma pessoa que planta árvores para obter sombra fresca e flores, frutos e madeira. Se pratica-se dessa maneira, isso é doação, mas não qualquer paramita.

O Bodhisattva-Mahasattva que pratica o Grande Nirvana não vê doador, beneficiário, ou o que é dado, nem em que ocasião é dado, nem qualquer fonte para bênçãos, nem uma não-fonte para bênçãos, nem qualquer causa, relação, efeito, feitor, receptor, nem muito e nem pouco em números, nem pureza e nem impureza. Ele não desmerece o beneficiário, a si próprio, ou o que é dado. Ele não se importa com o que vê ou com o que não vê. Ele não faz distinções entre ele próprio e os outros. Ele somente pratica dana para o benefício do Dharma Eterno do Vaipulya Mahaparinirvana. Ele dá para o benefício de todos os seres. Ele dá para erradicar as impurezas de todos os seres. Ele pratica dana sem olhar o doador, o beneficiário, ou que é dado.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

O Nascimento no Mundo Imutável

Então o Honrado pelo Mundo disse num gatha:

“Alguém que não injurie a vida dos seres
e fortemente defenda as proibições,
e que aprenda o ensinamento todo-maravilhoso do Buda,
ganha o nascimento no mundo imutável.

Não roubando a riqueza dos outros,
e sempre dando a todos os outros,
e erigindo a catur-desa
[uma residência onde Monges visitantes de outros lugares possam ficar e viver],
ganha-se o nascimento no mundo imutável.

Não violentando outras mulheres,
não agindo indevidamente para com a própria esposa,
e oferecendo aposentos àqueles que defendem os shila (preceitos),
ganha-se o nascimento no mundo imutável.

Não buscando lucros para si próprio,
ou para o benefício de outros,
não tendo medo, e vigiando a própria boca,
não dizendo mentiras,
assim se nascerá no mundo imutável.

Não ferindo um bom mestre da Via,
mantendo maus aparentados a certa distância,
e usando palavras gentis,
ganha-se nascimento no mundo imutável.

Como todos os Bodhisattvas,
alguém que se aparte da maledicência,
as pessoas desejam ouvir o que diz.
Essa pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável.

Mesmo em tom de brincadeira
nenhuma palavra inoportuna é usada,
e fala-se sempre no momento adequado.
Essa pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável.

Alguém que esteja sempre satisfeito
quando vê outros ganhando benefícios
e não tem um pensamento invejoso.
Essa pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável.

Alguém que não cause preocupações aos outros,
que seja sempre compassivo,
e nunca ordene o mal como um meio.
Essa pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável.

Se sem maldade na mente,
não dizendo que não pode haver dana,
nem presente, nem passado, e nem futuro,
e se não se apega a essa visão da vida,
ganha-se nascimento no mundo imutável.

À margem do caminho de uma ampla e extensa área da terra,
alguém que cultive, plante árvores frutíferas,
faça jardins e sempre ofereça alimento àqueles que pedem.
Essa pessoa ganha nascimento no mundo imutável.

Se alguém oferece uma vela fragrante ou uma flor
ao Buda, ao Dharma, e à Sangha,
ganha-se nascimento no mundo imutável.

Se por medo, ou por lucro, ou por bênçãos,
uma pessoa escreve mesmo que um único verso desse sutra,
esse alguém ganhará nascimento
no mundo imutável.

Se, mesmo por lucro,
uma pessoa num dia recita esse sutra,
aquela pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável

Se alguém, em prol da Via Insuperável,
por um dia ou noite
envida as oito ações puras,
esse alguém ganha nascimento
no mundo imutável.

Se alguém não senta junto com aqueles
que cometem as ofensas graves
e reprova aqueles que caluniam o Vaipulya,
esse alguém ganha nascimento
no mundo imutável.

Se alguém dá mesmo que um pedaço de fruta
para alguém que está sofrendo por doença
e lança sobre essa pessoa um olhar feliz e terno,
esse alguém ganhará nascimento
no mundo imutável.

Se alguém não espolia o manto sacerdotal,
e protege bem as coisas pertinentes,
ou que são oferecidas ao Buda,
e varre o chão onde o Buda e a Sangha vivem,
essa pessoa ganhará nascimento
no mundo imutável.

Se alguém contrói grandes estatuas
e erige grandes torres Budistas
e encontra-se feliz em seu coração,
essa pessoa ganha nascimento
no mundo imutável.

Se alguém, por este sutra,
Dá de si ou riqueza para aqueles que pregam,
essa pessoa ganha nascimento
no mundo imutável.

Se alguém dá ouvido a,
e copia o repositório secreto de todos os Budas,
protege-o e recita-o,
essa pessoa ganha nascimento
no mundo imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

Sutra do Nirvana – Cap. 22 – Ações Puras 2

“Também, além disso, oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva vê e sabe. O que ele vê? Ele vê que os seres realizam práticas distorcidas e infalivelmente caem no inferno. Isto é visto. O que ele sabe? Ele sabe que todos os seres emergem do inferno e ganham vida como um ser humano, praticam o danaparamita e se tornam perfeitos nos outros paramitas. Ele sabe que essas pessoas infalivelmente atingirão a Iluminação Correta. Isso é sabido.

Também, além disso, oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva vê e sabe ainda mais. O que ele vê? Ele vê o Eterno e o não-Eterno, o sofrimento, o Êxtase, o Puro e o não-Puro, o Eu e o não-Eu. Isto é visto. O que ele sabe? Ele sabe que todos os Tathagatas definitivamente não entram no Nirvana [isto é, não morrem de fato e abandonam o mundo]. O corpo do Tathagata é adamantino e indestrutível. Não é aquele (feito) de impurezas. Não é também um corpo que exala maus odores e deterioração. Assim ele sabe. Também, ele sabe que todos os seres possuem a Natureza-de-Buda. Isto é sabido.”

Leia mais em …

Destaques deste Capítulo:

A Prática dos Paramitas

O Que o Bodhisattva Vê e Sabe

Retribuições Cármicas na Vida Presente

A Quádrupla Sabedoria Sem-Obstruções

O Cativeiro do Apego

As Obstruções dos Dois Veículos

O Porquê Proteger a Mente

Os Dois Tipos de Visão

Parinirvana: O Mais Profundo dos Significados

“Dizemos que obtemos o profundo significado (o repositório hermeticamente-guardado) do Tathagata. Isto nada mais é que Parinirvana. Todos os seres possuem a Natureza-de-Buda. Eles se arrependem das quatro graves ofensas, acabam com os pensamentos que caluniam o Dharma, colocam um fim aos cinco pecados mortais, e acabam com o icchantika [dentro de si próprios]. Então podem atingir a Iluminação Insuperável. Isto é o que se entende por um pensamento extremamente profundo e hermeticamente-guardado. Também, além disso, oh bom homem! O que se entende por significado extremamente profundo? Os seres sabem que não existem coisas como o ‘eu’. Mesmo assim, eles não podem acabar com o fogo do carma dos dias que virão. Embora eles saibam que os cinco skandhas (forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência) morrem aqui, o carma do bem e do mal não morre aqui. Embora existam todas as ações do carma, não há agora um executor (das ações – um sujeito). Embora existam lugares para ir, não há quem vá. Embora exista vínculo (ligação), não há ninguém que esteja vinculado. Embora exista Nirvana, não há ninguém que tenha que morrer. Isto é o que se entende pelo mais profundo dos significados.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

A Visão Correta de um Bodhisattva Mahasattva

“Dizemos que a mente da Sabedoria é reta e sem curvas. Se a mente duvida, o que é visto não pode ser correto. Se todos os seres não ouvem esse Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o que é visto torna-se distorcido. Isto se aplica desde baixo até aos Sravakas e Pratyekabudas, cujas visões também devem ser distorcidas. Por que dizemos que aquilo que todos os seres vêem é distorcido? Eles vêem o Eterno, o Êxtase, o Eu e o Puro naquilo que é falho [impuro, corrompido]; e (vêem) impermanência, sofrimento, impureza e não-Eu no Tathagata; e pensam que os seres possuem uma vida, conhecimento e visão. Eles interpretam o Nirvana como irreflexão-não-irreflexão (thoughtlessness-non-thoughtlessness), e interpretam Isvara (Deidade) como tendo o Nobre Caminho Óctuplo. O que existe é o ‘é’ e o ‘não-é’, e todas essas visões distorcidas. Se o Bodhisattva ouve esse Sutra do Grande Nirvana e pratica o Nobre Caminho, ele pode acabar com todas essas visões distorcidas.

Quais são as visões distorcidas de Sravakas e Pratyekabudas? Pensam que o Bodhisattva desce do Céu Tushita, que ele monta num elefante branco, que se encontra no útero de uma mãe, que o nome do pai era Suddhodana, e o da mãe era Maya, que por dez meses (lunares) completos ele esteve em Kapilavastu e nasceu, que quando nasceu e ainda não havia tocado a terra Sakrodevendra o pegou, e os reis nagas Nanda e Upananda jorraram água e banharam-no, que o grande rei demônio Manibadra segura um parasol de jóias e fica atrás dele, que o deus da terra segura flores nas quais a criança coloca os seus pés, que ele deu sete passos nas quatro direções, que é satisfeito, que quando ele vai ao templo dos devas, os devas saem e recebem-no, que Asita o pegou e profetizou, que tendo visto os sinais ele ficou todo entristecido e disse: ‘Pena que eu não serei abençoado com o testemunho da ascensão do ensinamento Budista’, que ele vai ao professor onde aprende escrita, cálculo, tiro com arco, leitura de presságios e das mãos, que vivendo no harém real ele brinca com as 60.000 criadas e diverte-se, que ele sai do castelo e se encontra no jardim de Kapila, que no caminho ele vê um homem velho e também um Shramana caminhando pela beira da estrada trajando um robe sacerdotal, que ele retorna ao palácio real onde ele vê os corpos das mulheres do palácio parecendo ossos brancos, que todas as edificações palacianas agora não passavam de túmulos para ele, que ele as despreza e renuncia ao lar, que à noite ele foge do castelo, que ele vê grandes Rishis como Udrakaramaputra e Aradakalama e ouve deles sobre consciência-ilimitada e irreflexão-não-irreflexão (thoughtlessness-non-thoughtlessness). Tendo (o Bodhisattva) ouvido e meditado sobre tudo isso, ele vê que todas as coisas são não-eternas, sofrimento, não-puras, e não-Eu. Ele abandona isso, pratica penitência sob uma árvore e, após seis anos, vê que a penitência não lhe traz a Iluminação Insuperável. Então ele banha-se nas águas do Rio Hiranyavati [Nairanjana] e toma um pouco de mingau de leite cozido das mãos de uma pastora. Após tomá-lo, ele vai à Árvore Bodhi, onde, derrotando Marapapiyas, ele atinge a Iluminação Insuperável; [então,] em Varanasi ele gira a Roda-da-Lei e vê que, aqui em Kusinagara, ele entra no Nirvana. Todas essas coisas são visões distorcidas de Sravakas e Pratyekabudas.

Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva, quando ele ouve e compreende o Sutra do Grande Nirvana, erradica imediatamente todas essas visões. E como ele escreve, copia, recita, compreende e o explica aos outros, e reflete sobre o seu significado, ele se torna corretamente-orientado e acaba com as visões distorcidas. Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via desse Sutra do Grande Nirvana, ele vem a compreender claramente que o Bodhisattva, por inumeráveis kalpas, jamais desceu do Céu Tushita para um útero materno e entrou no Nirvana em Kusinagara. Essa é a visão correta de um Bodhisattva-Mahasattva.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

A Erradicação das Dúvidas

“Dizemos que a pessoa erradica as dúvidas. Das dúvidas, existem dois tipos. Um é duvidar do nome e o outro é duvidar do significado. Uma pessoa que ouve este sutra acaba com o pensamento que duvida do nome; uma pessoa que reflete sobre o significado erradica o pensamento que duvida do significado. Também, além disso, oh bom homem! Das dúvidas, existem cinco tipos. Um é duvidar e questionar se o Buda realmente entra ou não no Nirvana. O segundo é duvidar se o Buda é Eterno ou não. O terceiro é duvidar e questionar se o Buda é verdadeiro Êxtase ou não. O quarto é duvidar se o Buda é verdadeiramente Puro ou não. O quinto é duvidar e questionar se o Buda é o Verdadeiro Eu ou não. Quando alguém ouve esse sutra, aparta-se eternamente dessas cinco dúvidas. Também, além disso, existem três tipos de dúvidas. Primeiro, duvida-se se existe o Sravaka ou não. Segundo, duvida-se se existe o Pratyekabuda ou não. Terceiro, duvida-se se existe o Veículo do Buda ou não. Qualquer pessoa que ouça esse sutra extirpa eternamente essas três dúvidas, e nenhuma dúvida permanece. Se alguém escreve, copia, recita e explana-o amplamente para os outros, e reflete sobre o significado, vem a perceber que todos os seres possuem a Natureza-de-Buda.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

O Todo-Vazio como Cristal Perfeito

Nenhum fenômeno possui uma natureza própria, que possa ser chamada de ‘eu’. Por quê? Porque eles, os fenômenos, resultam de uma quebra de simetria de uma ordem superior, devida às impurezas. Essa quebra de simetria impõe a discriminação como um aspecto essencial da realidade. Ora, a assim chamada natureza de todos os fenômenos é um produto de relações causais, nada mais, portanto ‘é’; esses fenômenos, pelo aspecto temporário, têm como destino inexorável a sua ‘dissolução’ no Todo-Vazio, portanto ‘não-é’.

Vejamos as imperfeições, ou defeitos, ou falhas em cristais ordinários. E, então, entenderemos o inconcebível Cristal Perfeito, o Todo-Vazio.

O Lótus emerge do lodo da mente de uma pessoa.

Foto em 14/03/2010

Em 18/03/2010.
22:00 hs.

O Dharma e o Seu Significado

Speech

“Oh bom homem! Se o Bodhisattva-Mahasattva ouve esse Sutra do Grande Nirvana, ele virá saber tudo sobre os nomes e letras de todas as coisas. Se ele escreve, copia, recita e o expõe extensivamente aos outros, e pensa sobre o significado, ele conhecerá todos os significados de todas as coisas. Oh bom homem! Alguém que ouve conhece apenas o nome, mas não o que significa. Se alguém realmente escreve, copia, defende, recita e explana-o amplamente para os outros, e pensa a respeito do significado, então esse alguém pode conhecer bem esse significado. Também, além disso, oh bom homem! Alguém que escuta esse sutra ouve que existe a Natureza-de-Buda, mas ele não pode vê-la facilmente. Mas se alguém de fato escreve, copia, recita e o expõe amplamente para os outros, e pensa cuidadosamente sobre o significado, esse alguém pode vê-la bem (a Natureza-de-Buda). Uma pessoa que escuta esse sutra ouve sobre dana, mas ainda não vê o danaparamita. Se alguém de fato escreve, copia, recita, explana-o amplamente para os outros e pensa sobre o significado, essa pessoa verá bem o danaparamita. O mesmo se aplica ao prajnaparamita. Oh bom homem! Se o Bodhisattva ouve bem esse Sutra do Grande Nirvana, ele virá conhecer o Dharma e o seu significado; ele se tornará perfeito em duas desobstruções (Sabedorias sem obstruções) e não terá medo de quaisquer Shramanas, Brahmanes, devas, Maras, Brahma, ou qualquer (ser) do mundo. Ele exporá os 12 tipos de sutras. Não haverá nada que difira. Não seguindo e ouvindo os outros, ele realmente conhecerá e se aproximará da Iluminação Insuperável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso.

A Tocha da Sabedoria do Grande Nirvana

Speech

“Dizemos que ganhamos benefícios quando o ouvimos. Se ouvirmos esse Sutra do Grande Nirvana, passamos a conhecer tudo sobre as profundezas daquilo que é dito em todos os Sutras Mahayana Vaipulya. Por exemplo, isso é como um espelho no qual um homem ou uma mulher pode ver claramente a cor e a forma. É o mesmo com o Sutra do Grande Nirvana. O Bodhisattva o apanha e vê claramente através de todas as profundezas das coisas estabelecidas nos Sutras Mahayana. Também, é como alguém com uma grande tocha, que é capaz de ver tudo numa sala escura. É o mesmo com a tocha do Sutra do Nirvana. O Bodhisattva o apanha e alcança as profundezas daquilo que é dito nos Sutras Mahayana. Também, é como o sol. Quando ele aparece, milhares de raios de luz resplandecem sobre montanhas e lugares sombrios, e os homens podem ver claramente o que está muito longe e distante. É o mesmo com a luz pura da Sabedoria desse Grande Nirvana. Ela resplandece sobre todas as profundezas do Mahayana, possibilitando àqueles dos dois veículos verem os ensinamentos Budistas. Como? Porque ouvem a Doutrina Toda-Maravilhosa deste Sutra do Grande Nirvana.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso.

Foto em 14/03/2010 - Sítio da Dôra

Ouvir o Inaudito

“Como é que vamos ouvir o que não ouvimos? Isto se refere às profundezas da doutrina hermeticamente-guardada. Todos os seres possuem a Natureza-de-Buda. Não há nenhuma discriminação entre Buda, Dharma e Sangha. A natureza e características dos Três Tesouros são o Eterno, o Êxtase, o Eu, e o Puro. Todos os Budas, até o final, não entram no Nirvana, e são Eternos e Imutáveis. O Nirvana do Tathagata é: não ‘é’ e não ‘não-é’, não é algo que é criado e nem o que não é criado, nem algo falho [impuro, corrompido] e nem algo sem-falhas [imaculado], não é matéria e nem não-matéria, não é nome e nem não-nome, não é fenômeno e nem não-fenômeno, não ‘é’ e nem ‘não-é’, não é substância e nem não-substância, não é causa e nem efeito, não é oposto e nem não-oposto, não é brilho e nem escuridão, não é aparecimento e nem não-aparecimento, não é eterno e nem não-eterno, não é ruptura e nem não-ruptura, não é começo e nem não-começo, nem passado, nem futuro, e nem presente, nem skandha e nem não-skandha, nem esfera [dos sentidos] e nem não-esfera, nem reino [dos sentidos] e nem não-reino, nem doze elos do surgimento interdependente e nem não-doze elos do surgimento interdependente. Todos esses itens categóricos são de uma natureza profunda e bela na implicação. Pode-se ouvir o que não foi ouvido antes. Também, há ainda coisas que não encontram ouvidos, que são os sutras do tirthikas; isto é, os quatro Vedas, os vyakaranas, os sutras dos Vaisesikas e Kapilas, os trabalhos referentes aos encantamentos, artes médicas, trabalhos das mãos (leitura), dos eclipses do sol e da lua, mudanças nos ciclos das constelações (zodíaco), livros e profecias. Em nenhum destes ouvimos nada do que é secreto. Agora, chegamos a ver isto neste sutra. Também, existem os onze tipos de sutras dos quais o Vaipulya é excluído. E não vemos coisas profundas e secretas estabelecidas lá. Mas chegamos a conhecê-las a partir deste sutra. Oh bom homem! Este é o porquê dizemos que ouvimos aquilo que não ouvimos antes.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso.

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