Homenagem Póstuma

Richie Havens (1941 – 2013): “I WAS EDUCATED BY MYSELF”

Faleceu Richie Havens a 22 de abril de 2013. Em 1977, quando estive nos Estados Unidos em programa de treinamento em Berkeley, comprei esse disco “quentinho” e o trouxe para o Brasil. Meu irmão, o Hamiraldo, ouvia essa música e sempre dizia: “Marcos, não entendo nada de inglês, mas eu sei o que ele está dizendo. Por favor, quando eu morrer, quero que toque essa música“.

O tempo passou, o disco sumiu e, quando Hamiraldo morreu, a música não tocou. A morte desse fabuloso Richie Havens me leva a prestar essa dupla homenagem, trazendo a recordação do “post” abaixo, o qual publiquei quando Hamiraldo morreu.

Eis o “post”.

A vida é uma escrita. Um dia, a tinta acaba, como de fato aconteceu quando escrevia uma homenagem póstuma ao meu irmão Hamiraldo do Amaral Camargo, no dia do seu falecimento. A escrita fica.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

the ink ran out.mp3

A Tinta Acabou

Missiva a William Garcia

Naquela ocasião, mantive correspondência com um grande amigo, hoje membro da HBS – Honmon Butsuryu Shu, e também ex-membro da Nitiren Shoshu, onde nos conhecemos, com o seguinte teor:

Belo Horizonte, 16 de janeiro de 2008.

Estimado William,

Estou anexando a esta missiva uma cópia do eBook do futuro livro “Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”. Reverentemente, é para o vosso deleite e benefício, e também das muitas outras pessoas amigas que buscam o caminho, para as quais você poderá enviá-lo desde já. Desfrute da Paz do Dharma Maravilhoso!

Estive imensamente atribulado nos últimos tempos. A razão é uma só: o livro do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, em sua íntegra, ficará pronto nos próximos dias. Imagine o que isso exigiu de esforços e concentração para obtermos o polimento adequado da Jóia do Sutra de Lótus. Esse trabalho, agora, é a minha vida. Para sempre, e sem descanso, trabalharei para o seu aperfeiçoamento e para a propagação dos ensinos dourados do Buda, em benefício de todos os seres. A propósito, o eBook que estou anexando tem o exato objetivo de conduzir as pessoas às profundas doutrinas do Sutra de Lótus.

Considero-me um discípulo do Grande Mestre Nitiren Daibossatsu. Suas escrituras e seus muitos ensinamentos me conduziram ao Sutra de Lótus. Se não tivermos em mente que ele, Nitiren Daishonin, se utilizou dos meios hábeis do Buda para conduzir-nos ao Grande Veículo; o que pensar, então? Com toda a certeza, tudo isso se deu pela graça e benevolência do Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo. Portanto, se eu puder dar alguma contribuição no trabalho de tradução das escrituras de Nitiren Daishonin, o farei com imensa alegria. Todavia, há que considerar as minhas limitações.

Entenda! Para fazer esse tipo de tradução, antes que saber inglês, você precisa ser penetrado pela intenção do Buda. Você tem que saber o que está escrito lá, e como deve ser vertido em outro idioma. Essa penetração não se dá ao nosso bel prazer. No caso do Sutra de Lótus, de posse dos originais em inglês, durante um ano, empreendi esforços de leitura, escrita e recitações. Acima de tudo, orava muito, fazia oferecimentos para os volumes dos originais, até que um dia comecei a sentir que sabia o que o Buda dizia. Dai em diante, passei um ano escrevendo e revisando.

Então, a ajuda que posso oferecer a partir do acesso aos textos originais das escrituras, passa pela minha prática diária. Não poderia fazê-lo atrelado a compromissos de prazos. Você entende, né? Mas, vamos estudar as escrituras sim.

Fico muito contente em saber que você, freqüentemente, encontra-se com a minha filha Fernanda. Considero isso um benefício pelo zelo que sempre tivemos por nossas relações. Respeito-os profundamente, você e sua família, por continuarem a recitar o Namu-Myoho-Rengue-Kyo a despeito dos percalços deste caminho. Lembranças a todos.

Marcos Ubirajara.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Em 21 de janeiro de 2008, no blog Cristal Perfeito,

Mattuzalem Lopes Cançado disse:

21/01/2008 às 6:28

PREZADO ILMO. SENHOR MARCOS CAMARGO,

JÁ LI OUTRAS ESCRITURAS DO GRANDE FAROL DA HUMANIDADE, O SUPREMO ENSINO DO BUDA, O GRANDE SUTRA DE LÓTUS DA BOA LEI MARAVILHOSA. DO QUAL NASCI DEVOTO, MANTENHO-ME DEVOTO E ETERNAMENTE SEREI DEVOTO. MAS, CONFESSO QUE NÃO VÍ NADA TÃO MARAVILHOSO QUANTO A SUA TRADUÇÃO. O HONRADO PELO MUNDO DEVE TER MANIFESTADO EM SUA NOBRE MENTE E DERRAMADO SOBRE SUA MENTE SUAS VERDADEIRAS PALAVRAS. PENSO QUE O NOSSO SANTO E AMADO MESTRE, MANIFESTOU EM SUA DIGNA VIDA, E SOBRE VOS, DERRAMOU SUA EXCELÇA E MARAVILHOSA FALA DO GRANDE VEICULO DA ILUMINAÇÃO.

HONRO-ME DE ESTAR VIVO E LER TÃO PERFEITA TRADUÇÃO. AGRADEÇO AOS TRÊS TESOUROS DE MINHA HONRADA FÉ, POR MERECER VER, LER, TÃO MAGNIFICO TRABALHO.

REZAREI SEMPRE POR VOSSA VIDA.

“SE O SUTRA DE LÓTUS CONDÚZ À ILUMINAÇÃO QUEM DEVOTAR-SE A UM SÓ VERSO, UMA SÓ LINHA, PENSO QUE O SENHOR É UM ILUMINADO.”

OBRIGADO, MUITO OBRIGADO!

NAM-MYO-HO-RENGUE-KYO,

Abade Mattuzalem Lopes Cançado

BASSAI-JI TEMPLO DE KARATE-DO DO BUDISMO NICHIREN da
Associação Budista Vajramushti de Karate-Do

Em resposta,no dia 22 de janeiro de 2008:

Essa missiva é uma resposta ao vosso comentário no post “eBook de Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2008.

Prezado Senhor Abade Mattuzalem Lopes Cançado,

O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é um espelho. Como ele poderia estar revelando algo que não fosse o Verdadeiro Aspecto dos Fenômenos?

Com relação a isso, senhor, veja a nobreza das vossas palavras. O senhor mesmo as escreveu. Veja como o Sutra de Lótus é capaz de iluminar e revelar a natureza de um grande ser humano. Esse iluminado, ao qual o senhor se refere, e que de fato está em vossa mente, é o senhor mesmo. A isso podemos chamar “Consistência do Princípio ao Fim”, o décimo aspecto, que na sua manifestação é simultâneo e coerente com os demais.

O Bodhisattva Sem-Desprezo, que via Budas em quaisquer pessoas que encontrasse, era o próprio Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo, Leão dos Shakyas, quando certa vez cumpria seus votos de Bodhisattva.

O senhor me faz experimentar a verdadeira alegria do Dharma, que é servir àqueles possuidores da genuína Fé.

Com reverência,

Homenagem aos Budas do Universo!

Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

Marcos Ubirajara.

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por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

O Avatar

Minha vida vinha passando por grandes transformações. Andava solitário, introspectivo, não era mais aquele urbanóide de outrora. Buscava lugares quietos, longe das multidões e de muita conversa. Inclinava-me para uma vida mais despojada, quando em janeiro de 2004, eu e a Dôra, fizemos uma visita ao seu irmão Júlio, um ambientalista militante, que vive em André do Mato Dentro, um subdistrito isolado pertencente ao município de Santa Bárbara-MG, diga-se de passagem, de difícil acesso. Adorei aquele lugar. Andamos no mato e, instruídos por Júlio, um profundo conhecedor da flora do cerrado, viríamos a estreitar os laços com a natureza daquele lugar maravilhoso.

Visitamos então uma cachoeira após longa caminhada. Na volta, no dia 07 de janeiro de 2004, Júlio fez essa foto que adotei como meu avatar. Aquela pessoa caminhando à frente é Maria Auxiliadora (Dôra).

Avatar de Muccamargo

A Trilha do Grande Veículo

Foi aí! Aí que eu começaria a empreender a longa jornada. Entendi que essa trilha era o Caminho. Por essa razão, o primeiro blog chamaria “Cristal Perfeito – A Trilha do Grande Veículo”, o Veículo Único, o veículo da igualdade entre todas as coisas. Ideias que eu vinha fomentando desde os idos de 1979 começavam a se cristalizar. A tão procurada Natureza de Buda não estava em lugar algum, mas eu é que estava nela, imerso, como a impureza num Cristal Perfeito.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Último Dia

Era um domingo, resolvi ir ao hospital. Peguei um ônibus para o centro da cidade de Belo Horizonte, e lá peguei um taxi. A motorista era uma mulher idosa, aparentando mais de 70 anos, vestia uma roupa branca, olhos claros, cabelo arrumado, brincos e uma sandália elegante. “Bom dia!”, disse ela. “Bom dia!”, respondi. “A senhora pode me levar ao Hospital Felício Roxo? Lá está uma amiga que preciso visitar”. E permanecemos em silêncio durante o trajeto. Ao chegar ao hospital, paguei a corrida e disse: “Obrigado!”. Nisto, ela me surpreendeu ao dizer: “Obrigado ao senhor que, num domingo ensolarado como esse, ao invés de procurar a diversão, vem a este lugar”. E foi embora.

Entrei no hospital e, ao anunciar o nome da paciente, o acesso estava liberado. Ao entrar no quarto, o que vi não era mais vida. Eram os últimos momentos da luta de um ser contra o demônio da morte. Ainda balbuciei NAMU-MYOHO-RENGUE-KYO durante cerca de 10 minutos. Estava desconcertado, desabei pelos corredores do hospital. Entrei no elevador, havia duas pessoas que me olharam com piedade. Silvia morreria na segunda-feira, dia seguinte, em julho/2004.

O que resultara, então? Minha amiga falecida, e o Sutra de Lótus com as muitas anotações que fizera à busca de uma resposta para o mistério da vida e da morte. Senti que a morte estava lá no necrotério, e a vida estava aqui em minhas mãos. Então transformei essas anotações em notas de rodapé nos originais da tradução de João Rodrigues, e continuei a estudar. É importante dizer que essas anotações vieram desse período difícil, conforme acima descrevi.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

Introdução

Essa história tem como objetivo resgatar fatos e eventos ocorridos durante o trabalho de tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para o português brasileiro, e nos anos posteriores. Como se poderá ver nos episódios que seguem, essa memória, que somente agora vem à luz, revela fatos intimamente ligados aos profundos significados dos ensinamentos do Buda, cristalizados neste que é considerado o Rei dos Sutras. Imensa é a minha gratidão pela oportunidade que tive de realizar esse trabalho, e maior ainda é o débito de gratidão por poder compartilhar aqui neste espaço, os conteúdos e significados dos ensinamentos do Honrado pelo Mundo; e também essa história a discorrer sobre o período mais importante da minha vida, e talvez o motivo de estar de passagem por este Mundo Saha.

Namu Budas! – Minha Homenagem aos Budas do Universo!

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

Estabeleci-me em Belo Horizonte no ano de 2000, levado pelo trabalho de consultoria que vinha exercendo há anos em várias cidades brasileiras. Devido às relações de trabalho, logo se formou um círculo de boas amizades, as quais eu preservo até os dias de hoje. Era final do ano de 2003, início de 2004. Um câncer muito agressivo foi diagnosticado em uma grande amiga, a Silvia Anísio, médica que então conhecera através de minha companheira Maria Auxiliadora. Minha prática naquela ocasião andava estagnada, isto é, sem objetivos claros. Havia me afastado de São Paulo por motivos de trabalho, e fazia as orações diárias de forma burocrática, como se fosse uma obrigação.

Diante daquela notícia, imediatamente reforcei minhas orações, e conversei com a Silvia. Propus-me ir à sua casa todas as manhãs, antes de ir para o trabalho, e lá realizar as orações, basicamente a recitação do NAMU-MYOHO-RENGUE-KYO. Ela aceitou, lembrando que naquela ocasião, por estar já bastante abatida pela doença, ela encontrava-se hospedada e amparada na casa da Cecília e da Cléria, amigas inseparáveis, e assim foi. Ela me dizia que a oração lhe dava conforto, sentia-se melhor.

Em 1987, quando recitei o Daimoku pela primeira vez, no terceiro dia, a Márcia que esperava nosso terceiro filho, teve uma eclampse e ficou entre a vida e a morte na UTI do Hospital Maternidade de Campinas-SP. Isto aconteceu a 13 de fevereiro de 1987, exatos 25 anos atrás. Márcia já era Budista desde 1968, e eu acabara de tomar a decisão de praticar. Naquela ocasião, a Sra. Luzia Koike, que era líder do grupo que passamos a freqüentar, me amparou, não permitindo que eu deixasse de orar o NAMU-MYOHO-RENGUE-KYO ao Gohonzon, indo todas as manhãs antes do trabalho à minha casa, e fazia as orações comigo. Isto foi até Márcia se recuperar, não obstante perdêssemos o bebê. Então, o que fiz por Silvia foi um ato de retribuição dos débitos de gratidão acumulados desde os primórdios da minha prática lá em Campinas.

Desde então, embora em muitas outras ocasiões em que assim procedi tivera alcançado resultados surpreendentes, nesse caso, o estado de saúde da Silvia só piorava. Senti impotência e recorri aos estudos; pois aprendera que Budismo é Fé, Prática e Estudo, e esse pilar do estudo estava fraco, estava cedendo. Voltei às escrituras que possuía em meu acervo pessoal, mas sentia ser insuficiente diante da situação. Pesquisei na internet e encontrei uma tradução do Sutra de Lótus para o português de Portugal, feita por João Rodrigues a partir do original em inglês de Burton Watson, que eu já conhecia. Baixei o arquivo, formatei, imprimi e encadernei. Isto aconteceu em 03/03/2004.

Mas, por que o Sutra? Porque decidi abandonar as idéias próprias, minhas e de outras pessoas do mundo secular. Por quê? Juntos, ou dentre todos os sábios do mundo secular, quem poderia salvar a vida daquela pessoa? E mais: o que é salvar uma vida? Seria devolver um náufrago e seu barco despedaçado às águas tormentosas de Samsara, o Mundo Tríplice? Estava cansado, e já sabia como tudo aquilo iria terminar. Mas senti conforto ao mergulhar na leitura dos ditos dourados do Buda.

Entre 03/03/2004 e 29/09/2004, fiz quatro leituras do Sutra de Lótus em sucessão, e muito concentradamente, grifando trechos importantes, os quais eu repassava para a Silvia entre as orações, com o intuito de ensinar-lhe o desapego às coisas do mundo, dando-lhe força e esperança em sua luta. Finalmente, em seus últimos dias, passei a recitar-lhe o Dharani do Rei da Medicina, que ela ouvia concentradamente, até tornar-se inconsciente.

Eis o Dharani:

“Naquela ocasião, o Bodhisattva Rei da Medicina disse ao Buda: ‘Honrado pelo Mundo, eu agora darei aos pregadores do Dharma um mantra dharani para a sua proteção’.

Ele então falou o mantra, dizendo:

An er. Man er. Mo mi. Mo mo mi. Zhi li. Zhe li di. She li. She li duo wei. Shan di. Mu di. Mu duo li. Suo li. E wei suo li. Sang Ii suo Ii. Cha yi. E cha yi. E chi ni. Shan di. She li. Tuo la ni. E lu qie pe suo. Bo zhe pi cha ni. Mi pi ti. E bian duo luo mi li ti. E tan duo bo li shu di. E jiu li. Mu jiu li. E luo li. Bo luo li. Suo jia cha. E san mo san li. Fo tuo pi ji li zhi di. Da mo bo li cha di. Seng qie nye jyu sha mi. Po she po she shu di. Man duo luo. Man duo luo cha ye duo. You lou duo. You lou duo qiao she liao. E cha luo. E cha ye duo ye. E po lu. E mo rao nuo duo ye.

‘Honrado pelo Mundo, este dharani, este mantra espiritual, este encantamento, foi recitado por Budas iguais em número às areias de sessenta e dois kotis de rios Ganges. Se alguém fizer mal a este Mestre da Lei, ele terá, por conseguinte, feito mal a estes Budas’.”

[Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, Capítulo 26 – Dharani].

Busquei assim proteção para o duro embate contra os demônios da morte.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

A Tinta Acabou

A vida é uma escrita. Um dia, a tinta acaba, como de fato aconteceu quando escrevia uma homenagem póstuma ao meu irmão Hamiraldo do Amaral Camargo, no dia do seu falecimento. A escrita fica.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

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A Tinta Acabou

Ensinamentos de Nitiren Daishonin

“O ovo de um pássaro não contém senão líquido, mas dele se desenvolve um bico, dois olhos e todas as partes que formam um pássaro, e pode voar pelos céus. Nós também somos como o ovo, ignorantes e vis, mas, quando nutridos pela recitação do Namu Myoho Rengue Kyo, desenvolvemos o bico das trinta e duas feições do Buda e as penas das suas oitenta características, e ficamos livres para voar nos céus da realidade última. O Sutra do Nirvana afirma que todas as pessoas estão envolvidas pela casca da ignorância, faltando-lhes o Bico da Sabedoria. O Buda volta a este mundo, tal como o pássaro-mãe retorna ao seu ninho e quebra a casca para que todas as pessoas, como aqueles filhotes, possam deixar seu ninho e voar nos céus da Iluminação.”

Nitiren Daishonin em Carta a Niike, em 1280.
As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Leia mais em …

Conteúdo deste Fascículo:

Tatsunokuti, A Boca do Dragão

A Natureza de Nossas Vidas

Impermanência

O Espelho das Verdades Imutáveis

O Respeito Devido à Sangha

Sobre Devotar a Vida

Um Dia na Vida

A Teoria e a Prática

Respeito-os Profundamente

A Herança da Lei Última da Vida

Por Que Devemos Respeitar Uns aos Outros

A Felicidade Real

Quando Devemos Calar

O Presente de Arroz

O Sutra de Lótus e a Crise Mundial

Amor Filial e Lealdade

Em Busca do Ideal Supremo

O Grande Caminho

Uma Vida Pacífica Neste Mundo

A Felicidade Neste Mundo

Um Navio Para Atravessar o Mar do Sofrimento

A Terra Sagrada

Admoestação Contra o Apego

O Verdadeiro Itinen Sanzen

A Doutrina Máxima do Itinen Sanzen

O Preceito do Cálice de Diamante

Lua de Outono

Os Ventos da Fama e da Fortuna

O Bico da Sabedoria

A Flor do Lótus

O Bico da Sabedoria

“O ovo de um pássaro não contém senão líquido, mas dele se desenvolve um bico, dois olhos e todas as partes que formam um pássaro, e pode voar pelos céus. Nós também somos como o ovo, ignorantes e vis, mas, quando nutridos pela recitação do Nam-Myoho-Rengue-Kyo, desenvolvemos o bico das trinta e duas feições do Buda e as penas das suas oitenta características e ficamos livres para voar nos céus da realidade última. O Sutra do Nirvana afirma que todas as pessoas estão envolvidas pela casca da ignorância, faltando-lhes o Bico da Sabedoria. O Buda volta a este mundo, tal como o pássaro-mãe retorna ao seu ninho e quebra a casca para que todas as pessoas, como aqueles filhotes, possam deixar seu ninho e voar nos céus da Iluminação.”

Nitiren Daishonin em Carta a Niike, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Um Navio Para Atravessar o Mar do Sofrimento

“Nos últimos dias da Lei, o devoto do Sutra de Lótus surgirá infalivelmente. Quanto maiores sofrimentos lhe sobrevêm, maior a alegria que ele sente, devido à sua forte fé. O fogo não queima mais vivamente quando se adiciona lenha? Todos os rios fluem para o mar. Entretanto, a sua abundância faz com que os rios retrocedam? As correntezas do sofrimento desaguam no mar do Sutra de Lótus e precipitam-se contra o seu devoto. O rio não é rejeitado pelo oceano, nem o devoto recusa o sofrimento. Se não houvesse os rios fluentes não haveria mar. Do mesmo modo, sem adversidades não haveria devoto do Sutra de Lótus.

Uma passagem do Sutra de Lótus diz: ‘…como se a pessoa tivesse encontrado um navio para fazer a travessia’. Esse ‘navio’ poderia ser descrito da seguinte forma: O Lorde Buda, um construtor de navios de sabedoria infinitamente profunda, coletou a madeira dos quatro sabores e oito ensinos, projetou-o descartando honestamente os ensinos provisórios, cortou e mostrou os bordos, usando tanto o certo como o errado, e completou a embarcação usando os pregos do ensino único, supremo. Deste modo, ele lançou o navio ao mar do sofrimento. Largando as velas das três mil condições sobre o mastro da doutrina do Caminho Médio, impelido pelo favorável vento de ‘todos os fenômenos revelam a verdadeira entidade’, a embarcação navega à frente, transportando todos os praticantes que conseguem penetrar no Estado de Buda através da sua pura fé. O Buda Shakyamuni e o timoneiro, o Buda Muitos Tesouros, maneja as velas, e os quatro Bodhisattvas liderados por Jogyo (Práticas Superiores) movem harmoniosamente os remos rangentes. Esse é o navio de ‘um navio para fazer a travessia’, a embarcação do Myoho-Rengue-Kyo. Aqueles a bordo dele são os discípulos e seguidores de Nitiren.”

Nitiren Daishonin em Um Navio Para Atravessar o Mar do Sofrimento, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. III.

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