Para Ser Lótus – Fascículo IX

“Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é supremo dentre os ensinamentos do Tathagata. Em meio a todos os ensinamentos ele é o mais profundo, e somente é concedido em última instância, como é o caso daquela pérola brilhante que o poderoso rei há muito a detém e finalmente a concede. Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o tesouro secreto de todos os Budas, Tathagatas. Dentre todos os Sutras ele é o mais elevado. Na longa noite do tempo ele foi guardado e nunca descuidadamente exposto. Hoje, pela primeira vez, eu o estou pregando para você”.

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Conteúdo deste Fascículo:

O Voto dos Sábios, Sobre Ostentar o Corpo do Buda

O Voto dos Mahasattvas, O Rugido do Leão

Cultivando Pensamentos Pacíficos

Os Grandes Mestres dos Últimos Dias da Lei

O Ato Derradeiro do Honrado pelo Mundo

Compreendendo o Vazio

O Gestual dos Bodhisattvas da Terra

Os Líderes dos Bodhisattvas da Terra

As Virtudes Douradas dos Grandes Bodhisattvas

O Grande Amor-Benevolente

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! É assim, é assim! É exatamente como você, o Sagrado, diz. O que se obtém no mundo de Todos os Budas-Tathagatas não está ao alcance de Sravakas e Pratyekabudas. Oh Honrado pelo Mundo! Um Bodhisattva reside no Mahayana Mahaparinirvana e obtém um coração de amor-benevolente. Isto é um grande coração de amor-benevolente e compaixão ou não?”

O Buda disse: “É! Oh bom homem! O Bodhisattva vê três coisas na medida em que vive com todos os seres, quais sejam: 1) pessoas de relações íntimas [com ele], 2) pessoas de relações indesejáveis, e 3) pessoas que estão entre esses extremos. Com aqueles das relações íntimas, existem três classificações, que são: 1) alta, 2) média, e 3) baixa. O mesmo acontecendo com aqueles envolvendo relações indesejáveis. Esse Bodhisattva-Mahasattva dá a mais elevada consideração àqueles com os quais ele mantém as mais íntimas relações. Ele igualmente dá a mais alta consideração àqueles de médio e baixo grau (de intimidade). Ele dá algum grau de consideração àqueles que ele mais odeia, e para uma pessoa cujo ódio é de grau médio ele dá uma consideração de médio grau, e a quem cujo ódio é de baixo grau, ele dá a mais alta consideração. O Bodhisattva praticando assim, evolui de um grau para outro e (passa a dar) a alguém que ele mais odeia um médio-grau de consideração; e àqueles a quem ele odeia num nível tolerável e num nível menor, ele dá a mais alta consideração. Ele (segue) praticando e (passa) a dar a mais alta consideração igualmente àqueles de alto, médio e baixo grau. Quando a mais alta consideração é dada a alguém a quem ele mais odeia, dizemos que o coração de amor-benevolente foi realizado. O Bodhisattva, então, seja na presença dos seus pais ou daqueles a quem ele mais odeia, tem uma mesma mente, e não existe um estado mental de discriminação. Oh bom homem! Obtêm-se o amor-benevolente, mas isto não é chamado grande amor-benevolente.”

(O Bodhisattva Kashyapa disse: ) “Oh Honrado pelo Mundo! Por que é que o Bodhisattva encontra esse amor-benevolente e ainda não podemos chamá-lo de grande amor-benevolente?”

(O Buda disse: ) “Oh bom homem! Não chamamos amor-benevolente de grande amor-benevolente por que este [o grande amor benevolente] é difícil de obter. Por que á assim? Durante um longo tempo passado, através de inumeráveis kalpas, acumularam-se as ‘asvaras’ [impurezas, ilusões] e não se praticou o bem. Por essa razão, uma pessoa é incapaz de dominar a mente num dia. Oh bom homem! Quando uma ervilha está seca, pode-se tentar transpassá-la com um estilete, mas não se consegue. É como isto. As ‘asvaras’ são tão duras quanto aquilo (a ervilha seca). Mesmo que se tente obstinadamente ao longo de um dia e de uma noite inteira, não se pode dominá-las (subjugá-las). Também, o cão de uma casa não teme as pessoas, e o cervo da floresta teme o homem e foge. É difícil acabar com a ira, assim como com o cão que guarda uma casa. Portanto, é difícil subjugar essa mente. Este é o porquê não dizemos ‘grande amor-benevolente’.

Também, além disso, oh bom homem! Quando desenhamos uma figura numa pedra, ela sempre permanecerá ali. Mas se a desenharmos na água, ela desaparecerá imediatamente e o seu vigor não permanecerá lá. É tão difícil acabar com a ira, quanto com um desenho que foi feito na pedra. Uma boa ação facilmente desaparece, como uma figura desenhada na água. Este é o porquê não é fácil dominar essa mente. Uma grande bola de fogo provê luz por um longo tempo; o brilho do flash de um relâmpago não pode durar muito. O mesmo é o caso aqui. A ira é uma bola de fogo; o amor-benevolente é como um relâmpago. Este é o porquê essa mente é difícil de ser dominada. Por essa razão, não dizemos ‘grande amor-benevolente’.

Oh bom homem! Quando um Bodhisattva-Mahasattva atinge o primeiro patamar [‘byhumi’ – nível superior do Bodhisattva], isto é chamado ‘grande amor-benevolente’. Por quê? Oh bom homem! A última das pessoas más é o icchantika. Quando um Bodhisattva do primeiro ‘bhumi’ pratica grande amor-benevolente, nenhuma discriminação existe na sua mente – nem mesmo com relação ao icchantika. Como nada que é errado é visto, a ira não surge. Por esta razão, chamamos isso verdadeiramente de ‘grande amor-benevolente’. Oh bom homem! Ele despoja todos os seres daquilo que não os beneficia. Isto é grande amor-benevolente. Ele deseja dar uma imensurável quantidade de benefícios e felicidade a todos os seres. Isto é grande compaixão. Ele implanta a alegria na mente de todos os seres. Isto é grande intenção-amável (alegria-simpática). Não há guarda ou proteção. Isto é grande equanimidade [‘upeksha’]. Meu Dharma não vê a existência própria ou o eu de quem quer que seja; nele, todos os seres são vistos igualmente e sem mente dividida. Isto é grande equanimidade. Abandona-se a própria felicidade e se a dá para outros. Isto é grande equanimidade [ou grande renúncia].

Oh bom homem! A única coisa que existe aqui é que essas quatro mentes ilimitadas podem permitir ao Bodhisattva crescer e realizar os seis paramitas. As coisas não são necessariamente assim com relação às ações dos outros. Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva primeiro ganha as quatro mentes ilimitadas que pertencem ao mundo. Mais tarde, ele aspira ao insuperável Bodhichitta [decisão pela Iluminação]. E por degraus ele ganha aquilo que concerne ao mundo supramundano. Oh bom homem! A partir da finitude do mundo secular, obtêm-se infinitude do mundo supramundano. Portanto, dizemos ‘grande infinitude’.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

Mensagem a Marcos Dupim

Há dias em que perdemos a referência dos reais benefícios da Lei. Eles não podem ser encontrados no pequeno mundo de cada um, mas resplandecem no caminho das pessoas de fé pura que nos cercam.

Marcos Ubirajara.
Em 26/10/2009.

Amor-Benevolente e Compaixão

“Oh bom homem! Como você diz, ‘o amor-benevolente realmente acaba com a ira. Se as coisas são assim com a compaixão, podemos dizer (que são) três’. Não faça tal contestação. Por que não? Oh bom homem! Existem dois tipos de ira. Um toma (rouba) a vida; o outro encoraja uma pessoa. Oh bom homem! Em razão disto, como não seriam quatro (ações puras: amor-benevolente, compaixão, intenção amável (alegria simpática) e equanimidade)?

Também, além disso, existem ainda (outros) dois tipos de ira. Um é estar irado com os seres, e o outro com os não-seres. Através da prática do amor-benevolente, afasta-se completamente a ira contra os seres; através da pratica da compaixão, afasta-se completamente a ira contra os não-seres.

Também, além disso, existem (outros) dois tipos de ira. Um está baseado nas relações causais e o outro não está. Através da prática do amor-benevolente, acaba-se com aquela que está baseada nas relações causais; através da prática da compaixão, acaba-se com aquela que não está baseada nas relações causais.

Também, além disso, existem ainda dois tipos de ira. Um é a ira que foi acumulada desde o remoto passado, e o outro é aquela recém adquirida. Através da prática do amor-benevolente, acaba-se com a ira do passado, e através da prática da compaixão, acaba-se com a ira do presente.

Também, além disso, existem ainda dois tipos de ira. Um é a ira das pessoas sagradas, e o outro (é a ira) dos mortais comuns. Através da prática do amor-benevolente, acaba-se com a ira das pessoas sagradas; através da prática da compaixão, acaba-se com a ira dos mortais comuns.

Também, além disso, existem ainda dois tipos de ira. Um é de alto-grau, e outro é de grau-médio. O praticante do amor-benevolente afasta a ira de alto-grau, enquanto o praticante da compaixão afasta a ira de grau-médio. Oh bom homem! Por esta razão, Eu digo quatro. Como você pode me reprovar e falar de três e não de quatro? Assim, oh Kashyapa, nesta Mente Ilimitada, a antítese está em oposição à outra (antítese), e em resumo, temos quatro.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Corpo e a Sombra

Sabedoria e humildade são como o corpo e a sombra. Jamais se separam. A sabedoria é ereta, a sombra é prostrada no chão. Por quê? Porque a sabedoria, a verdade, quando a descortinamos sentimos vergonha, nunca orgulho.

Marcos Ubirajara.

Em 23/10/2009.

Sutra do Nirvana – Cap. 14 – A Parábola dos Pássaros

“Também, oh bom homem! É como no caso da mangueira. Quando suas flores aparecem, o que existe [naquele momento] é a fase de transformação. Quando ela dá os frutos e quando concede os maiores benefícios, falamos do eterno. Oh bom homem! Dessa forma, uma pessoa poderá ser verdadeira e fiel a todos os sutras, ou poderá ter praticado Samadhis, mas enquanto ela não der ouvidos a este Sutra do Grande Nirvana, tudo estará baseado no não-eterno. Quando uma pessoa der ouvidos a este sutra, embora [ainda] possuindo ilusões, é como se ela não as tivesse. Este é o porquê digo que ele beneficia a ambos, humanos e celestiais. Como? Porque aquela pessoa sabe claramente que possui a Natureza-de-Buda dentro dela. Isto é o Eterno.”

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Destaques deste Capítulo:

A Consciência de Possuir a Natureza de Buda

A Parábola do Pato Mandarin e do Kacalindikaka

A Sabedoria da Mente Ilimitada

“Oh bom homem! Pode haver uma pessoa que almeje riqueza. Eu então, para o benefício daquela pessoa, me transformo num Chakravartin e por inumeráveis eras dou coisas a ela de várias maneiras. Depois, ensino-a e permito-lhe residir na Iluminação Insuperável. Se existe uma pessoa que se apegue aos cinco desejos, eu atendo ao apego daquela pessoa por inumeráveis eras com coisas maravilhosas de acordo com o que ela deseja ter, e depois a ensino e faço-lhe atingir a Iluminação Insuperável. Se existe uma pessoa rica, forte e orgulhosa, eu lhe sirvo por inumeráveis centenas de milhares de anos, mandando mensagens e esperando-lhe, e após ter conquistado a mente daquela pessoa, faço-lhe atingir a Iluminação Insuperável. Se existe uma pessoa que transgride, é auto-afirmativa, pensa que ela está no caminho correto e discute com os outros, eu a aconselharei por inumeráveis eras, protestarei com ela, a persuadirei e, então, lhe farei atingir a Iluminação Insuperável. Oh bom homem! O Tathagata, por inumeráveis eras, promulga vários meios (expedientes), assim fazendo com que os seres encontrem a Iluminação Insuperável. Como poderia haver algo errado aqui? O Buda-Tathagata pode viver em meio a todas as maldades, mas, como o lótus, ele não é manchado [por elas]. Oh bom homem! Você deveria compreender as quatro imensuráveis (ações puras) assim.

Oh bom homem! Existem quatro qualidades nesta Mente Ilimitada. Uma vez realizada a prática, obtêm-se o nascimento no mundo do Grande Brahma. Oh bom homem! Dessa forma existem quatro tipos dentro da Mente Ilimitada. Este é o porquê falamos de quatro. Através da prática do amor-benevolente [‘maitri’], uma pessoa extirpa completamente a cobiça. Através da prática da compaixão [‘karuna’], uma pessoa extirpa a ira. Através da prática da intenção amável (alegria simpática), uma pessoa extirpa a não-felicidade. Através da prática da equanimidade, uma pessoa afasta profundamente os seres da cobiça e da ira. Oh bom homem! Por esta razão, dizemos quatro. Não é uma, nem duas, e nem três.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Respeitável e o Desprezível (As Sete Boas Leis)

“Oh bom homem! De que maneira um Bodhisattva-Mahasattva sabe a diferença entre ‘respeitável’ e ‘desprezível’? Oh bom homem! Existem dois tipos de pessoas: um é aquele que tem fé, e o outro, aquele que não tem. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que tem fé é bom, e aquele que não tem fé não é bom. Também, além disso, existem dois tipos de pessoas fiéis (crentes). Um sempre faz visitas aos viharas (monastérios), e o outro não. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que vai (ao vihara) é bom, e o outro que não vai não deveria ser chamado de bom. Existem dois tipos de pessoas que vão aos viharas. Um é aquele que adora, e o outro é aquele que não (adora). Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que adora é bom, e o outro que não (adora) não deve ser chamado de bom. Existem dois tipos de adoradores. Um é aquele que ouve os sermões, e o outro é aquele que não ouve os sermões. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que ouve os sermões é alguém que é bom, e o outro é alguém que não pode ser chamado de bom. Novamente, existem dois tipos de pessoas que ouvem os sermões. Um é aquele que ouve com uma mente verdadeira, e o outro é aquele que não possui uma mente verdadeira. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que ouve com uma mente verdadeira é alguém que é bom, e aquele com a mente não verdadeira não deve ser chamado de bom. Dos ouvintes com mente verdadeira, existem dois tipos. Um pensa sobre o significado, e o outro não pensa sobre o significado. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que pensa sobre o significado é bom, e aquele que não pensa sobre o significado não é bom. E existem dois tipos em meio àqueles que pensam sobre o significado. Um é aquele que pratica a Via como ensinado, e o outro é aquele que não pratica a Via como ensinado. Aquele que pratica a Via como ensinado é alguém que é bom, e aquele que não pratica a Via como ensinado é alguém que não é bom. Existem, ainda, dois tipos de pessoas que praticam a Via como ensinado. O primeiro é aquele que segue a Via do Sravaka, que é incapaz de libertar todos os seres de todas as aflições e dar-lhes paz e benefícios; o segundo é aquele que segue o Mahayna insuperável e confere benefícios e paz para muitos. Oh Bodhisattva! Saiba que aquele que concede benefícios e paz para muitos é insuperável e é o melhor.

Oh bom homem! De todas as jóias, a cintamani [a gema da satisfação dos desejos] é a mais soberba; de todos os sabores, o da amrta [ambrosia] é o melhor. Esse Bodhisattva é o mais soberbo e o melhor dentre todos os humanos e devas. Nenhuma comparação pode expressá-lo. Oh bom homem! Isto é o que se entende quando dizemos que o Bodhisattva-Mahasattva reside no Sutra Mahayana do Grande Nirvana e vive nas Sete Boas Leis. O Bodhisattva, residindo nessas sete boas leis, pode se tornar realizado nas ações puras.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Conhecimento do Tempo

“Como um Bodhisattva-Mahasattva conhece o tempo [correto]? Oh bom homem! O Bodhisattva, numa dada ocasião, praticará a quietude. Numa outra ocasião, ele envidará esforços. Numa outra ocasião, ele praticará equanimidade e dhyana. Numa outra, ele fará oferecimentos ao seu mestre. Em outra ocasião, ele praticará dana [doação], observando os preceitos morais, a paciência, os esforços e (a meditação) dhyana, completando assim o Prajnaparamita [Sabedoria transcendente]. Isto é ‘conhecimento do tempo’.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

Os Doze Tipos de Escrituras do Dharma

“Oh bom homem! Como um Bodhisattva-Mahasattva conhece o Dharma? Oh bom homem! Esse Bodhisattva-Mahasattva conhece os doze tipos de escrituras, que são: 1) sutra, 2) geya, 3) vyakarana, 4) gatha, 5) udana, 6) nidana, 7) avadana, 8 ) itivrttaka, 9) jataka, 10) vaipulya, 11) adbhutadharma, e 12) upadesa.

Oh bom homem! O que se entende por ‘sutra’? Um sutra começa com: ‘Assim eu ouvi’ e termina com: ‘praticar com alegria’.

Todos esses são ‘sutras’.

O que é ‘geya’? É algo como isto: ‘O Buda disse a todos os Monges: Em tempos passados, eu, assim como você, era ignorante, não tinha Sabedoria, e não podia ver as Quatro (Nobres) Verdades. Por aquela razão, por longo tempo transmigrei e reciclei entre nascimentos e mortes, e me debati no grande mar do sofrimento. Quais são as Quatro (Verdades)? Elas são: 1) o Sofrimento, 2) a Causa do Sofrimento, 3) a Extinção (do Sofrimento), e 4) a Via para a Extinção do Sofrimento’. Em tempos passados, o Buda falou dos sutras. Naquela ocasião, existiu uma pessoa de percepção-aguçada que veio ao Buda para ser instruído no Dharma. Ele indagou aos outros: ‘O que o Tathagata disse antes?’ O Tathagata, vendo isto, disse num gatha, baseando-se nos sutras:

‘Eu, assim como você, não via as Quatro Verdades
e como resultado eu me debati por longo tempo no mar
do sofrimento do nascimento e morte.
Vendo as Quatro Verdades,
pode-se acabar com nascimento e morte.
Acabando-se com nascimento e morte,
não se ganha mais qualquer existência.’

Isto é ‘geya’.

O que é ‘vyakarana’? Existem sutras e vinayas [regras monásticas] nos quais, quando o Tathagata fala, ele faz profecias para todos os celestiais (aqui denotando pessoas dos dois veículos), tais como: ‘Oh você, Ajita! Nos dias a vir, existirá um rei chamado ‘Sankha’. No seu reinado, você praticará a Via, atingirá o estado de Buda, e será chamado Maitreya’.

Isto é ‘vyakarana’.

O que é ‘gatha’? Em associação com sutras e vinayas, há casos em que um poema de quatro-linhas aparece, tal como:

‘Não faça qualquer maldade;
faça tudo o que é bom.
Purifique sua mente.
Este é o ensinamento de todos os Budas.’

Isto é ‘gatha’.

O que é ‘udana’? O Buda, por volta das quatro da tarde, entra em dhyana [meditação]. Ele fala sobre o Dharma para os devas [divindades]. Naquele momento, os Monges pensam: ‘O que o Tathagata está fazendo?’ O Tathagata desperta do dhyana na manhã seguinte e, sem que seja indagado por ninguém, ele, com o poder do conhecimento que pode ler as mentes dos outros, fala sem ser perguntado: ‘Oh Monges! Saibam que a vida de todos os devas é extremamente longa. Oh todos vocês Monges! É bom que vocês todos ajam em prol dos outros e não busquem o seu próprio ganho (benefício). É bom que busquem, mas pouco; é bom que se sintam satisfeitos; é bom que sejam quietos [pacíficos]!’ É algo como isto. Em todas essas escrituras, o Buda fala sem ser perguntado.

Isto é ‘udana’.

O que é ‘nidana’? Os gathas de todos os sutras falam para outros sobre as raízes básicas de todas as causas. Em Sravasti houve um homem que capturou um pássaro numa rede. Tendo capturado, ele o colocou numa gaiola, deu-lhe água e cereais, e então o deixou ir. O Honrado pelo Mundo conhece todas as histórias do princípio ao fim e fala sobre isso num gatha, tal como:

‘Não subestime pequenas más ações,
e não diga que não há mal que provenha (delas).
Pequena é uma gota de água,
mas [por acumulação] ela enche um grande vaso’.

Isto é ‘nidana’.

O que é ‘avadana’? É como no caso das parábolas que ocorrem no vinaya.

Isto é ‘avadana’.

O que é ‘itivrttaka’? Isto é quando o Buda diz: ‘Oh Monges! Saibam que aquilo que eu falo quando estou no mundo é o sutra. Nos dias do Buda Krakucchanda, ele é chamado ‘amrtadrum’ [tambor da imortalidade]; o que aparece nos dias de Kanakamuni é chamado ‘Dharmamirror’ [espelho do Dharma]; o que aparece nos dias do Buda Kashyapa é chamado ‘Vazio-Penetrante’.

Isto é ‘itivrttaka’.

O que é ‘jataka’? Isto é quando o Honrado pelo Mundo [fala de como ele], em tempos passados, tornou-se um Bodhisattva e praticou a Via, por exemplo: ‘Oh Monges! Saibam que, em tempos passados, eu ganhei a vida como um cervo, um urso pardo, uma rena, uma lebre, o rei de um pequeno estado, um chakravartin, uma naga, e um garuda. Tais são todos os corpos que se recebe quando se pratica a Via de um Bodhisattva’.

Isto é um ‘jataka’.

O que é ‘sutra vaipulya’? Nenhum outro senão os Sutras Mahayana Vaipulya [extensivo]. Aquilo que ele estabelece é em grande escala. É como o espaço em si.

Isto é ‘vaipulya’.

O que é ‘adbhutadharma’? Logo após o Bodhisattva ter nascido, ele dá sete passos sem qualquer ajuda dos outros, emitindo grandes luzes, que resplandecem em todas as dez direções; ou um macaco segura em suas mãos um pote de mel e oferece-o ao Tathagata; ou um cão de cabeça-branca senta ao lado do Buda e ouve os seus sermões; Marapapiyas se transformam em uma vaca azul e caminham entre telhas e tigelas, tocando-as, mas não lhes causando danos; ou, quando da primeira entrada do Buda no templo dos devas, eles prostram-se e prestam-lhe homenagem.

Qualquer sutra tal como esses é chamado ‘adbhutadharma’.

O que entendemos por ‘upadesa’? É uma [escritura] que discute os sutras que contém os sermões do Buda, analisa e expõe amplamente as características.

Qualquer (escritura) assim é um ‘upadesa’.

Se qualquer Bodhisattva é bem versado nos doze tipos de escrituras, isso é ‘conhecimento do Dharma’.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

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