A Parábola do Bom Filho

“Também, além disso, oh bom homem! Isto é como o doutor que envida esforços e compartilha conhecimentos médicos básicos com o seu filho, dizendo que este é o remédio-raiz, este é para o sabor, aquele é para a cor etc., assim permitindo que o seu filho se torne familiarizado com as várias propriedades [dos remédios]. O filho presta atenção àquilo que o seu pai diz, esforça-se, aprende e vem a compreender todos os [diferentes] tipos de remédios. Chega o tempo em que seu pai morre. O filho se enternece, chora e diz: ‘o pai ensinou-me dizendo que este é o remédio-raiz, este é a haste, este é a flor e este é a cor’. O mesmo se passa com o Tathagata. No sentido de guiar-nos, ele impõe aos seres muitas restrições. Dessa forma, devemos tentar agir em concordância [com essas restrições] e não contrariá-las. Para aquelas pessoas dos cinco pecados mortais, para aqueles caluniadores do Dharma Maravilhoso, para os icchantikas e para aqueles que podem cometer tais ações (caluniosas) nos dias que virão, ele manifesta-se de acordo. Tudo isso é para os dias após a morte do Buda, para os Monges saberem que estes são pontos importantes nos sutras, estes são os aspectos pesados e leves dos preceitos, estas são as passagens do Abhidharma que são importantes ou não importantes. Isto é para permitir-lhes ser como o filho do doutor.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

Lua de Outono

“Empenhe-se no desenvolvimento da fé até o último dia da sua vida. Caso contrário, arrepender-se-á. Por exemplo, a viagem de Kamakura a Quioto leva doze dias. Se viajar durante onze dias e parar antes de completar o décimo-segundo dia, como poderá admirar a lua da linda capital? Em qualquer circunstância, aproxime-se do sacerdote que conhece a essência do Sutra de Lótus, continue aprendendo dele a verdade do Budismo e prossiga a sua viagem de fé.

Como passam depressa os dias! Isso nos faz perceber como são curtos os anos que deixamos. Os amigos admiram as flores de cerejeira nas manhãs de primavera e então partem, levados como as flores pelos ventos da impermanência, nada deixando senão os nomes. Embora as flores tenham sido dispersadas, as cerejeiras florescerão outra vez com a chegada da primavera, mas quando renascerão aquelas pessoas? Os companheiros com quem compusemos poemas admirando a lua, nas noites de outono, desapareceram com a lua atrás das nuvens passageiras. Somente suas imagens mudas continuam em nossos corações. A lua se pôs atrás das montanhas do ocidente, mas nós iremos compor poemas sob a mesma no próximo outono. Mas onde estão os nossos companheiros que faleceram? Mesmo quando o Tigre da Morte ruge próximo a nós, não o ouvimos. Quantos dias restam ainda ao cordeiro destinado ao sacrifício?”

Nitiren Daishonin em Carta a Niike, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Budismo, Religião e Física – Fascículo IV

Conteúdo deste Fascículo:

Religião? O quê é?

As Três Verdades

O Verdadeiro Aspecto do Carma Original

“Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, através da lua-cheia, todas as coisas aparecem. Em todos os lugares como nas cidades, aldeias, montanhas, pântanos, sob as águas, lagos, poços e recipientes de água, a lua manifesta-se. Os seres podem viajar uma centena ou uma centena de milhar de yojanas, e a lua sempre os acompanha. Os mortais comuns e os ignorantes pensam erroneamente e dizem: ‘Eu vejo tudo isso no castelo da cidade, na casa e aqui no pântano. É a verdadeira lua ou não é a verdadeira?’ Cada pessoa pensa acerca do tamanho da lua e diz: ‘É como a boca de uma chaleira’. Ou uma pessoa diz: ‘É como uma roda’. Ou alguém pode dizer: ‘É algo em torno de 45 yojanas’. Todos vêem a luz da lua. Alguns a vêem tão redonda quanto uma bacia de ouro. A natureza dessa lua é somente uma, mas diferentes seres a vêem de formas diferentes. Oh bom homem! O mesmo é o caso com relação ao Tathagata. Ele aparece no mundo. Humanos e deuses podem pensar: ‘O Tathagata está agora diante de nós e vive’. O surdo e o mudo vêem o Tathagata como alguém surdo e mudo. Diversas são as linguagens que os seres falam. Cada um pensa que o Tathagata fala como ele ou ela, ou pensa: ‘Na minha casa, o Tathagata recebeu oferecimentos’. Ou uma pessoa pode ver o tamanho do Tathagata como sendo muito grande e imensurável; ou alguém pode vê-lo como muito pequeno; ou uma pessoa pode confundi-lo com um Sravaka ou um Pratyekabuda; ou vários tirthikas podem pensar e dizer: ‘O Tathagata está agora na minha linha de pensamento [seguindo minha linha de pensamento] e está praticando a Via’. Ou uma pessoa pode pensar: ‘O Tathagata apareceu somente para mim’. A verdadeira natureza do Tathagata é como aquela da lua. Isto significa dizer que ela é o Corpo-de-Dharma, o Corpo do não-nascimento, ou aquele do expediente. Ele responde ao chamado do mundo, sendo inumeráveis as suas manifestações. O Carma Original manifesta-se de acordo com as diferentes localidades. Isto é como no caso da lua. Por essa razão, o Tathagata é Eterno e Imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

A Eterna Lua-Cheia

“Oh bom homem! Do outro lado dessa lua-cheia, temos a meia-lua; se deste lado temos a meia-lua, do outro lado a lua-cheia é vista. As pessoas do Jambudvipa, quando vêem a lua-nova, dizem que é o primeiro dia, e têm no pensamento a idéia de um novo mês. Vendo a lua-cheia, eles dizem que é o décimo-quinto dia do mês e criam a noção de lua-cheia. Mas essa lua não tem, para dizer a verdade, nem enchimento e nem esvaziamento. Oh bom homem! O mesmo é o caso com o Tathagata. No Jambudvipa, ele manifesta-se nascendo e entrando no Nirvana. Seu primeiro aparecimento (nascimento) é o primeiro dia do mês. Todos dizem que esse menino é recém-nascido. Ele caminha sete passos. Isso é como a lua no segundo dia. Ou ele mostra-se estudando. Isto é como a lua no terceiro dia. Ele demonstra a renúncia. Isto é como a lua do oitavo dia. Ele emite a luz toda-maravilhosa da Sabedoria e subjuga um incontável número de seres e os exércitos de Mara. Isto pode ser comparado com a lua-cheia do décimo quinto dia. Ou ele manifesta os 32 sinais de perfeição e as 80 características menores de excelência. Assim ele adorna-se e manifesta-se entrando no Nirvana. Ele (o Nirvana) é como o eclipse da lua. Assim, o que cada um dos seres vê não é o mesmo. Alguns vêem a meia-lua, outros a lua-cheia, e ainda outros um eclipse. Mas essa lua, por sua natureza, não conhece crescimento (enchimento) ou eclipse. Ela é sempre Lua-Cheia. O corpo do Tathagata é assim. Por essa razão, dizemos eterno e imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

A Parábola da Lua

O Buda disse a Kashyapa: “Como um exemplo: existe um homem aqui que, como ele vê que a lua ainda não saiu, diz que a lua foi embora, e nutre o pensamento de que a lua sucumbiu. Mas essa lua, pela sua natureza, jamais sucumbe. Quando ela aparece no outro lado do mundo, as pessoas do outro lado dizem que a lua nasceu. Por quê? Uma vez que o Monte Sumerú obstrui [a visão], a lua não pode revelar-se. A lua está sempre lá. Ela, por natureza, não nasce ou sucumbe. O mesmo é o caso com o Tathagata, o Merecedor de Ofertas, o Todo-Iluminado. Ele manifesta-se nos três mil grandes sistemas de mil mundos, e dá a entender que possui pais no Jambudvipa (que nasce) ou que entra no Nirvana no Jambudvipa (que morre). O Tathagata, por natureza, não entra no Nirvana. Mas todos os seres dizem que ele verdadeiramente entra no Parinirvana. O caso é análogo ao da sucumbência da lua. Oh bom homem! O Tathagata, por natureza, não possui a natureza do nascimento e da morte. Para socorrer os seres, ele manifesta-se nascendo e morrendo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

O Preceito do Cálice de Diamante

“Os cinco caracteres do Myoho-Rengue-Kyo, o âmago do ensino essencial do Sutra de Lótus, contém todos os benefícios acumulados pelas práticas benéficas e atos meritórios de todos os Budas por todo o passado, presente e futuro. Deste modo, como que esta frase não incluiria os benefícios obtidos através da observação de todos os preceitos do Buda? Uma vez que o praticante abrace este preceito perfeitamente dotado, ele não pode quebrá-lo mesmo que tente. É, portanto, denominado Preceito do Cálice de Diamante.”

Nitiren Daishonin, em Ensino, Prática e Prova, em 1275.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Interessante ler O Sutra do Cálice Vazio de Cristal Perfeito.

Sutra do Nirvana – Cap.5 – O Corpo Adamantino

Um Rei Chamado Virtuoso

“Oh Kashyapa! Qualquer pessoa que quebre os preceitos e que não proteja o Dharma Maravilhoso deve ser chamada de falso Monge. Alguém que mantenha estritamente em observância as regras (monásticas), não ganha tal designação (falso). Oh bom homem! No passado, há inumeráveis, ilimitados asamkhyas de kalpas atrás, apareceu nesta cidade de Kusinagara um Buda que era Merecedor de Ofertas, Todo-Iluminado, Plenamente Realizado, Bem Aventurado que Conhece o Mundo, Grande Mestre Insuperável, Mestre dos Céus e da Terra, Buda, Honrado pelo Mundo, e cujo nome era ‘Tathagata do Aumento da Alegria e Benefícios’. Naquela ocasião, o mundo era amplo e gloriosamente puro, rico e pacífico. As pessoas estavam no auge da prosperidade e nenhuma fome era sentida. Elas pareciam Bodhisattvas da Terra da Paz e da Felicidade. Aquele Buda, Honrado pelo Mundo, permaneceu no mundo por uma inumerável extensão de tempo. Tendo instruído as pessoas, ele entrou no Parinirvana entre duas árvores sala.

Após o Buda ter entrado no Nirvana, seu ensinamento permaneceu no mundo por incontáveis bilhões de anos e na última parte dos últimos quarenta anos os ensinamentos Budistas ainda não haviam desaparecido. Naquela ocasião, havia um Bodhisattva chamado ‘Virtuoso Iluminado’, que mantinha bem os preceitos e era cercado por muitos dos seus parentes. Ele emitiu o rugido do leão e pregou todos os nove tipos de sutras. Ele ensinou dizendo: ‘Não possuam empregados, sejam homens ou mulheres, vacas, carneiros ou o que quer que possa ir contra os preceitos’. Naquela ocasião havia muitos Monges que estavam agindo contrariamente aos preceitos. Ouvindo isto, eles conspiraram e vieram para cima desse Monge brandindo espadas e bastões. Naquela ocasião, havia um Rei chamado ‘Virtuoso’. Ele ouviu sobre isto. Para proteger o Dharma, ele veio para onde o Monge estava proferindo o seu sermão e lutou contra os malfeitores de tal forma que o Monge não sofresse. O rei, todavia, foi ferido em todo o seu corpo. Então o Monge Virtuoso Iluminado elogiou o rei, dizendo: ‘Bem feito, bem feito, oh Rei! Você é uma pessoa que protege o Dharma Maravilhoso. Nos dias que virão, você se tornará um insuperável utensílio do Dharma’. O rei ouviu seu sermão e regozijou-se. Então, ele morreu e nasceu na terra do Buda Akshobhya e tornou-se seu principal discípulo. Os subalternos deste rei, seus parentes e soldados eram todos felizes e não retroagiam no seu Bodhichitta. Quando veio o dia de sua partida do mundo, eles nasceram na terra do Buda Akshobhya. Na ocasião em que o Dharma Maravilhoso estava prestes a se extinguir, eles puderam agir e proteger um Dharma como este. Oh Kashyapa! Aquele que protege o Dharma Maravilhoso é recompensado com tal incalculável fruição. Esse é o porquê de hoje eu adornar meu corpo de várias formas e de ter alcançado perfeitamente o indestrutível Corpo-do-Dharma.”

O Bodhisattva Kashyapa ainda disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! O corpo eterno do Tathagata é aquele esculpido em pedra, tal como ele era.”

O Buda disse a Kashyapa: “Oh bom homem! Por esta razão, Monges, Monjas, Leigos e Leigas devem todos se esforçar mais e proteger o Dharma Maravilhoso. A recompensa pela proteção do Dharma Maravilhoso é extremamente grande e inestimável. Oh bom homem! Em razão disto, os leigos que protegem o Dharma deveriam pegar espadas e bastões e protegê-lo como um Monge que guarda o Dharma. Mesmo que uma pessoa mantenha em observância os preceitos, não podemos chamar aquela pessoa de alguém que protege o Mahayana. Mesmo que uma pessoa ainda não tenha recebido os cinco preceitos, se ela protege o Dharma Maravilhoso, tal pessoa pode perfeitamente ser chamada de alguém que protege o Mahayana. Uma pessoa que protege o Dharma Maravilhoso deveria pegar espadas e bastões e defender os Monges.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 5: Sobre o Corpo Adamantino.

A Parábola do Pato Mandarin e do Kacalindikaka

“Também, a seguir, oh bom homem! O ensinamento Budista é como o pato mandarin [e o kacalindikaka] que andam sempre juntos (embora sejam diferentes pássaros). O pato mandarin e o kacalindikaka procuram os planaltos no solstício de verão, quando o nível das águas está alto, e colocam os seus filhotes lá. Isto é para induzir-lhes o crescimento. Mais tarde, eles agirão como originalmente deveriam fazê-lo. O mesmo acontece com o aparecimento do Tathagata. Ele ensina os inumeráveis seres e permite-lhes residir no Dharma Maravilhoso. Isto é como o pato mandarin e o kacalindikaka buscando planaltos e colocando seus filhotes seguramente lá. O mesmo se passa com o Tathagata. Ele permite aos seres agirem como eles deveriam agir e (mais tarde) permite-lhes entrar no Mahaparinirvana. Oh bom homem! Isto significa dizer que o sofrimento é um ensinamento [dharma] e a felicidade é outro diferente (ensinamento). Todas as coisas criadas são tristeza; Nirvana é Felicidade. Ele (o Nirvana) é o mais maravilhoso e destrói as coisas criadas [isto é, eleva-nos para além da esfera da criação].”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 14: Sobre a Parábola dos Pássaros.

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