O Quê a Ciência Não Viu e as Três Grandes Barreiras

Quando o objeto de uma pesquisa é a verdade, uma ciência sem religião e que não vise o homem na sua essência existencial, pecará por exacerbar os aspectos observáveis pela limitada visão humana, em detrimento da Verdade Última. O homem, na sua fúria analisadora, conseguiu quebrar as mais íntimas ligações da natureza. Quantificou os átomos e seus micros constituintes; separou os órgãos do corpo humano; decodificou as células e hoje avança no campo da transmutação genética, “programando” e “imitando” a criação nas mais assustadoras experiências. No processo de síntese, entretanto, a ciência luta sem muito sucesso contra uma instabilidade impertinente presente na maioria dos elementos sintetizados em laboratório, e uma rejeição inquietante dos órgãos transplantados. O quê foi que o homem e a sua ciência perderam na análise, que não conseguem colocar na síntese? O quê a ciência não viu?

O Budismo fala em 5(cinco) espécies de visão ou faculdades perceptivas, a saber:

O olho do homem – a visão dos mortais comuns, que distingue cor e forma. Entenda-se a visão física natural dos seres humanos.

O olho celeste – capacidade dos seres celestes de ver além das limitações físicas da escuridão e da distância. A sistematização do uso das recentes descobertas no campo dos fenômenos radiativos ampliou a visão humana para aquém (radiação do infravermelho) e além (radiação do ultravioleta) do espectro da luz visível; com o auxílio, evidentemente, de instrumental adequado. São exemplos as miras de infravermelho e os radiotelescópios.

O olho da sabedoria – capacidade de homens dos 2(dois) veículos (erudição e absorção) de perceber a não-substancialidade de todos os fenômenos. Aqui se encontra a primeira grande barreira: a não-substância (ou vacuidade) como parte da natureza essencial de todos os fenômenos, e já reconhecida pela ciência, é imponderável. Os métodos de detecção, análise e quantificação dos fenômenos baseiam-se na interferência. Como ver algo que não está ali?

Inegavelmente, a ciência do homem realizou grandes façanhas utilizando-se apenas dos 3(três) tipos de olhos que a sua razão comporta. Algumas dessas realizações foram, sem dúvida, frutos da sistematização de idéias. Incontáveis, porém, são aquelas realizações frutos do quê os norte-americanos costumam chamar de feliz casualidade. Contudo, o homem não é feliz e busca através da ostentação uma justificativa para o destino vulgar que se dá a muitos dos mais significativos avanços científicos. São armas, utensílios inúteis, tratamentos de toda sorte de males que resultam de maus hábitos. Por que não inventar os bons hábitos? A bem da verdade, escombros de seres humanos se espalham pelo mundo e o homem não sabe o quê fazer para rejuntá-los na edificação de um novo homem. A violência contra o próximo, as guerras, as pestes, a miséria e a ignorância avançam aos quilômetros enquanto o saber avança aos centímetros. Dizia Nitiren Daishonin em Carta a Niike: “o bem aos centímetros convida o mal aos metros” (11).

Acredito, falta um sentido humanístico amplo e benevolente aos empreendimentos científicos. Quantos dos melhores cérebros vivos não se consomem na busca da fama e da fortuna, ou quantos desses mesmos cérebros não são manipulados pelo poder econômico dos que visam lucros e pelo poder dos dominadores que visam à submissão dos povos.

O olho da Lei – visão altruísta dos que penetram em todos os ensinos para salvar as pessoas. Aqui se encontra a segunda grande barreira: a vaidade dos homens de erudição e absorção, dotados do olho da sabedoria, e a sua subserviência aos poderes estabelecidos.
O olho do Buda – visão que percebe a verdadeira natureza da vida abrangendo o passado, o presente e o futuro; e que engloba todas as outras. Esta é a terceira grande barreira: ver o quê todos vêem.

O olho da lei e o olho do Buda, aos quais nos referimos como visão mística, sugerem algo mais que simplesmente ver; mas, ver-através, ver-além, ver-em-prol. Isto é possível se mudarmos nossa atitude permitindo que o sentimento humanitário evocado pelo olho da Lei prevaleça sobre interesses menores. Falamos da Grande Lei, ou o conjunto de todos os ensinos corretos e verdadeiros. Falamos do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

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