Namo Buddhaya! Benefícios Equânimes

“Também, além disso, oh bom homem! No castelo de Varanasi, existia uma Monja chamada Mahasenadatta, que já havia feito antes várias boas ações no lugar (função) de inumeráveis Budas. Essa Monja convidou a Sangha [para serem seus hóspedes] por 90 dias no verão, e ofereceu remédios à Sangha. Naquela ocasião, havia um Monge que estava seriamente adoecido. Um bom médico o viu e prescreveu carne humana. Se a carne fosse dada, a doença seria imediatamente afastada. Se não o fosse, sua vida estaria em jogo. Ouvindo as palavras do doutor, a Monja pegou uma quantidade de ouro e foi cidade afora, dizendo: ‘Quem pode me vender carne humana? Eu quero comprar alguma (carne humana). Darei em ouro a quantidade de carne’. Ela foi cidade afora, mas ninguém lhe deu qualquer atenção. Então a Monja cortou uma parte da sua própria coxa. Ela preparou um cozido, temperou-o, e deu-lhe ao Monge. Após ele tê-lo comido, a sua doença foi curada. [Mas,] a dor que a Monja sentia da sua ferida era tão grande que ela não a suportava e gritava: ‘Namo Buddhaya, namo buddhaya!’ Eu estava em Sravasti naquela ocasião e ouvi sua voz. Uma grande piedade tomou conta de mim por essa Monja. A mulher, recebendo de mim um bom remédio, aplicou-o em sua ferida. Procedeu-se a cura, e tudo voltou a ser como antes. Disse-lhe coisas maravilhosas sobre a Via. Ouvindo-as, ela ficou enlevada e aspirou ao supremo Bodhi. Oh bom homem! Eu, naquela ocasião, não fui ao Castelo de Varanasi, ou levei o remédio comigo e o passei sobre o corpo da Monja. Oh bom homem! Saiba que tudo isto veio do poder inerente às boas ações de amor-benevolente, que permitiu à Monja experimentar essas coisas.

Também, além disso, oh bom homem! Devadatta, o malvado, era ganancioso para além das medidas. Ele comeu uma quantidade de manteiga, teve uma dor de cabeça, um inchaço da barriga e a dor era tão grande que ele não podia suportá-la. Ele dizia: ‘Namo Buddhaya, namo buddhaya!’ Naquela ocasião, eu estava vivendo na cidade-castelo de Ujjaini. Ouvindo a sua voz, a piedade tomou conta de mim. Então Devadatta viu-me chegar até ele, esfregar a sua cabeça e barriga, lhe dar salmoura quente e fazer-lhe tomá-la. Tendo tomado-a, ele recuperou a sua saúde. Oh bom homem! Eu não fui para onde Devadatta estava, esfreguei a sua cabeça e barriga, ou dei-lhe salmoura quente. Oh bom homem! Tudo isto surgiu do poder da virtude inerente às boas ações de amor-benevolente, de tal forma que Devadatta foi capaz de ver tudo isto.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

Deixar um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s