“Porque dizemos Tathagata, Merecedor-de-Ofertas, Todo-Iluminado e assim por diante, até ‘Bagaba’; e atribuímos-lhe tantos epítetos (títulos honoríficos) de inumeráveis virtudes? Oh bom homem! O Bodhisattva, ao longo de inumeráveis kalpas passados, respeitou seus pais, os honrados [‘upadhyaya’ – mestres Budistas responsáveis pelos ritos, regras e disciplina numa comunidade monástica], todos os mestres, idosos e anciãos; e sempre praticou dana, por inumeráveis kalpas, para o benefício dos seres; observou os preceitos morais, praticou a paciência, envidou esforços, praticou meditação, atingiu a Sabedoria, tem sido repleto de grande amor-benevolente e compaixão, e é perfeito na alegria-simpática (intenção amável) e na equanimidade. Em razão disto, o Bodhisattva agora possui as 32 marcas da perfeição e as 80 características menores de excelência. E também, o Bodhisattva, ao longo de inumeráveis asamkhyas de kalpas, praticou esforços, fé, concentração (pensamento único), meditação, Sabedoria [‘panca-indriya’ – os cinco sentidos orgânicos ou raízes], respeitou e fez oferecimentos aos mestres e anciãos; sempre cuidadoso com os alimentos para o bem do Dharma. O Bodhisattva ostenta, lê e recita os doze tipos de escrituras e, para o benefício de todos os seres, trabalha pela emancipação, pela paz e felicidade, não se importando nem um pouco consigo próprio. Por quê? Porque o Bodhisattva sempre cultiva a idéia [atitude mental, estado mental] de escapar do mundo, renunciar à vida doméstica, (cultiva) as idéias do não-criado, não-disputa, não-impureza, não-vínculo, não-apego, não-proteção, não-indefinível, não-nascimento-e-morte, não-cobiça, não-ira, não-ignorância, não-arrogância, não-ilusão, não-sofrimento, pensamento ilimitado, pensamento amplo, pensamento do Todo-Vazio, a mente vazia, a mente não-vazia, a mente não-treinada, a mente não-protegida, a mente descoberta, a mente não-secular, a mente que está eternamente em meditação, a mente sempre-praticante, a mente sempre-emancipada, a mente que busca não-recompensa, a mente sem desejos, a mente que deseja fazer o bem, a mente não-falante, a mente aliviada, a mente não-permanente, a mente desimpedida [livre, sem restrições], a mente da impermanência [mente desperta para a impermanência dos fenômenos], a mente honesta, a mente não-lisonjeira, a mente do puro bem e que não anseia por mais ou menos [isto é, a mente satisfeita], a mente não-difícil, a mente que não é do mortal comum, que não é dos Sravakas, que não é do Pratyekabuda, que é boa conhecedora, a mente do conhecimento-limitado [que sabe que uma existência tem seu próprio limite], a mente que conhece o mundo do nascimento e da morte, a mente que conhece o mundo eterno, a mente do mundo sem impedimentos. Em razão disto, ele (o Bodhisattva) agora possui os dez poderes, os quatro destemores, a grande compaixão, os três estados mentais, e o Eterno, o Êxtase, o Eu, e o Puro. Este é o porquê o chamamos de ‘Tahagata’ até ‘Bagaba’. Essa é a maneira do Bodhisattva-Mahasattva pensar sobre o Buda.”
Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.
