Olhos do Mundo

Bons homens,

após a minha extinção,

quem poderá receber, ostentar,

ler e recitar este Sutra?

Agora, na presença dos Budas,

façam seu voto.

 

Este Sutra é difícil de ostentar,

se alguém ostentá-lo mesmo que por um instante,

eu rejubilarei,

bem como todos os outros Budas.

 

Uma pessoa assim será elogiada por todos os Budas:

‘Isto é coragem!

Isto é diligência,

isto é o que se chama observar os preceitos e praticar Dhutas[1]’.

 

Essa pessoa obterá rapidamente a suprema Via do Buda.

Se, no futuro,

alguém puder ler e ostentar este Sutra,

essa pessoa será então um verdadeiro discípulo do Buda,

residindo num estado de pureza e benevolência.

 

E alguém que, após a extinção do Buda,

puder compreender o seu significado,

será como olhos para todos os seres celestiais e humanos no mundo.

 

Na era do terror,

alguém que possa expô-lo mesmo que por um instante,

será merecedor de oferecimentos de todos os seres celestiais e humanos[2]”.

 


[1]prática dhuta” significa prática ascética, de austeridades e de profundo desapego às coisas deste mundo. Neste contexto, significa também libertar-se completamente, emancipar-se. Nesta passagem o Buda descarta as noções de valor, da diligência, da observação de preceitos e das práticas de austeridades, – todas essas relacionadas com os ensinos provisórios – exaltando unicamente a ostentação do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa como a verdadeira Via do Buda.

[2] Assim, o Buda convoca aqueles dispostos e empreender a difícil tarefa atribuindo-lhes distinções como pessoas já possuidoras de valor, diligência, observadoras de preceitos, discípulo do Buda, olhos do mundo e merecedoras de oferecimentos de todos os seres celestiais e humanos.

Extraído do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro

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Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

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