O Sutra Diamante

Veja o Sutra Diamante – Vajra Prajna Paramita em sua íntegra, comentado pelo Venerável Mestre Hsuan Hua, traduzido ao português brasileiro. Click na imagem para download do site original da Asociación Budista Reino del Dharma

Sutra Diamante

Namo Mestre Original Buda Shakyamuni

Diamante

Exausto, esgotado, pulverizado pelo Diamante,

minúsculas partículas sem natureza própria.

Apenas a natureza do vento permanece:

inefável, sem substância real, o vento do Dharma Maravilhoso.

Poeira a dar umas voltas por aí.

Fim do Sutra Vajra Prajna Paramita

Sutra:

Após o Buda ter pregado esse sutra o Longevo Subhuti, todos os monges, monjas, leigos, leigas, e o mundo com seus deuses, humanos e asuras, ouviram o que o Buda pregara, regozijaram, acreditaram, receberam, reverenciaram, e praticaram com alegria.

Comentário:

Após o Buda encerrar a pregação da Prajna da verdadeira vacuidade, o Sutra Diamante, o Longevo Subhuti, que tinha dez tipos de condutas virtuosas; os monges, monjas, leigos, leigas, os deuses, pessoas, bem como os asuras, que tinham as bênçãos dos céus mas não o status (de seres celestiais); ao ouvirem a Prajna da existência maravilhosa e a verdadeira vacuidade, sentiram grande alegria, acreditaram, aceitaram, e respeitosamente praticaram o sutra. Todos estavam tão felizes como se tivessem obtido uma gema preciosa, e de fato a obtiveram: a joia da sabedoria, a joia do dharma da Prajna. Eles acreditaram. Perderam todos os seus desejos, colocando-os de lado. Eu espero que quando terminarmos o estudo do Sutra Diamante você possa afastar para longe todos os seus pensamentos de cabeça-para-baixo. Livre-se do prazer da comida. Livre-se do desejo pelo sono. Bane seus esforços pela fama. Abole seu desejo de tornar-se rico. Afaste todos os aspectos dos desejos do seu coração para algum lugar bem distante. Se você pode livrar-se dos desejos pela riqueza, sexo, fama, comida e sono, você pode cortar as raízes do inferno, e avançar para a posição da fruição do Estado de Buda – a Eternamente Brilhante Terra Pura.

Isto é o fim do Sutra Diamante. Qualquer um que estude este sutra deve transformar o seu corpo de tal forma que ele se torne tão resistente quanto o Diamante. Ele deve fazer o seu voto, sua determinação e sua fé tão afiadas quanto o Diamante. E deve fazer sua sabedoria tão brilhante quanto o Diamante.

Ele deve aceitar completamente o princípio maravilhoso da Prajna, e praticá-lo pessoalmente para que alcance a prajna paramita, chegue à outra margem.

Aqueles que praticarem não cairão para trás. Não caia para trás! Seja corajoso e siga em frente. Avance, cada um de vocês, com vigor. Esteja determinado a ser o primeiro a atingir o Estado de Buda!

Por que então, você perguntaria, o Mestre fez o voto de não atingir o Estado de Buda até que cada um dos seus discípulos se tornasse um Buda?

Não me imite: eu sou apenas um pessoa ordinária. Eu já me esqueci. A razão de ter vindo é ajudar aos outros. Vim plantar os campos, mas não me preocupo com o meu próprio campo. Assim, não se preocupem comigo. Para que todos saibam, talvez eu já o tenha atingido antes de vocês!

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios.

Original

O Verso Adamantino

E por quê? Por que se necessita da prajna literária, da contemplativa, e da marca real? O Buda Shakyamuni falou um verso de quatro linhas que aqueles que estudam o Sutra Diamante devem recitar regularmente:

Todos os Dharmas Condicionados,

São Como Sonhos, Ilusões, Bolhas, Sombras,

Como Gotas de Orvalho e um Lampejo:

Contemple-os assim.

Tudo é dharma condicionado. Comer, vestir, caminhar, parar, sentar, reclinar, tocar um negócio – todas as atividades são dharmas condicionados. Aqueles são exemplos de dharmas condicionados externos. Há também os Cinco Skandhas: forma, sentimento, pensamento, atividades, e consciência; os quais são dharmas condicionados. Os quatro elementos principais: terra, água, fogo e ar são dharmas condicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoito reinos são todos dharmas condicionados. Todos esses dharmas, quer sejam externos ou internos, são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras.

O que é um sonho? Ninguém sabe. Se soubéssemos, então não sonharíamos. As pessoas encontram-se num sonho perpétuo. Quando você cai no sono e sonha, você não tem conhecimento das coisas que existem (ou acontecem) em seu estado desperto comum, e quando você desperta do sonho, normalmente você não consegue lembrar de todos os eventos do sonho. Da mesma maneira, somos incapazes de relembrar os eventos de nossas vidas anteriores, porque eles desapareceram no sonho da vida presente.

Alguém pode ter um sonho no qual ele se torna rico, é nomeado para um alto cargo, e está à beira de tornar-se presidente, quando subitamente alguém lhe diz: “Senhor, você está realmente tendo um sonho”. Mas em meio ao seu sonho de riqueza e posição, a pessoa não pode acreditar no que lhe é dito.

“Todas as coisas que estão acontecendo para mim são reias”, ele diz, “estou rico, tenho um alto cargo, e sou candidato a presidente. Como você pode dizer que estou sonhando?” Todavia, quando ele desperta do seu sonho, saberá sem que lhe seja dito que todos aqueles eventos aconteceram num sonho.

Assim também nós, pessoas, somos como se estivéssemos num sonho. Agora eu lhe direi: “isto é um sonho”. Embora lhe tenha dito, certamente você responderá: “O que quer dizer, um sonho? Isto é tudo real. Essas coisas estão de fato acontecendo. Como pode dizer que isto é um sonho? Você engana as pessoas”.

Quando a sua cultivação estiver realizada, você despertará desse sonho e saberá sem que lhe seja dito que todas as coisas que você fez no passado era um sonho. A razão de você não acreditar quando lhe disse que você estava sonhando é que você ainda não havia despertado do seu sonho. Quando você despertar, você concordará: “Sim, era tudo um sonho”.

Ilusões são irreais, são como os truques de um mágico. O mágico recita um mantra e uma flor de lótus aparece subitamente na água, ou em meio ao fogo. Ou ele pode fazer com que uma pedra de jade subitamente apareça como se viesse do nada. Um mágico parece possuir poderes espirituais e talento maravilhoso, mas o que ele faz é irreal. Embora pareça real, se você investigar, verá que é ilusório, não-existente. Tais atos como o lótus no fogo podem levar crianças ou tolos a acreditar que o lótus é real. Mas um adulto pode dar uma olhada e saber que é um truque.

Quando você compreende o Budadharma, você sabe que todas as coisas são vazias e ilusórias. O mundo é vazio e ilusório, feito de uma conjunção de fatores (condições) que apenas parece ser real. Quando você não compreende o Budadharma, você é como a criança ou o tolo que considera todas as coisas como sendo reais. Isto não é menosprezar as pessoas! É um simples fato. Pessoas que não compreendem o Budadharma pensam que estar rico é real e pensam que uma posição em alto cargo realmente existe. Na realidade, todas as coisas são uma. Uma pessoa é a mesma quer seja rica ou pobre. Se você compreende que todas as coisas são vazias e ilusórias, então você não pode ser confundido por nada. Não se tornará apegado a situações irreais.

Bolhas são também basicamente irreais, e rapidamente desaparecem para mostrar a sua vacuidade.

Sombras seguem as pessoas. Quando existe a forma, então existe a sombra. A forma é uma substância real, a sombra é vazia. Se explicado em maior profundidade, mesmo a forma em si é vazia e totalmente irreal. Se você não acredita nisto, então continue a apegar-se ao seu corpo, proteja-o e mantenha-o, e veja se ele morre ou não.

Como gotas de orvalho e um lampejo. Se você olhar para fora ao amanhecer, você encontrará o orvalho mas, após o sol nascer, o orvalho desaparecerá. Um lampejo também é impermanente.

Contemple-os assim. Você deve contemplar todas as coisas condicionadas dessa maneira. Se você o fizer, então o céu será vazio e a terra será uma cavidade. O tamanho do seu coração será tão vasto quanto os céus e tão amplo quanto o espaço vazio, livre de impedimentos. Sem impedimentos não há medo.

Eu não tenho medo. Nunca tive medo de nada desde o momento em que nasci. Homens mortos, homens vivos, essências ou criaturas estranhas, tigres, leões – não tenho medo deles. Traga-me um tigre e o transformarei num gatinho. Experimente. Posso ser desta maneira porque não tenho obstruções. Comigo, está tudo OK. Se todas as coisas são como gotas de orvalho e um lampejo, como sonhos, ilusões, bolhas ou sombras, então o que pode (me) obstruir? Não há obstruções, e assim não há medo. O Sutra Coração diz: “Quando não há impedimentos não há medo”. Sem medo, “Pensamentos como sonhos de cabeça-para-baixo são deixados para trás”. Portanto eu digo: “Não tenho medo de tigres”. Se você não acredita em mim, traga um tigre e eu sentarei em meditação ao lado dele.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios.

Original

A Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

Sutra:

Como ele deveria ser explicado para outros? Sem apego às marcas: assim, assim, imóvel. E por quê?

Todos os dharmas condicionados

são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras,

como gotas de orvalho e um lampejo:

contemple-os assim.

Comentário:

Explicá-los extensivamente para outros refere-se à prajna literária. Sem apego às marcas refere-se à prajna contemplativa. Assim, assim, imóvel refere-se à prajna da marca real. A prajna foi discutida no início do sutra, e no fim o texto novamente faz referência à prajna.

Quando você explica um sutra para outros, você não deve apegar-se às marcas. Você não deve pensar: “Eu estou ganhando um bocado de mérito e virtude ao explicar esse verso de quatro linhas para eles”. Embora você esteja certo que seu mérito e virtude são grandes, você não deve nutrir uma marca do seu tamanho. Se o fizer, você adere às marcas e torna-se apegado a elas. Se você for capaz de evitar a adesão às marcas, então o existente é como se não-existente, e o real é como se fosse vazio. Basicamente, alguém com virtude da Via é como se fosse destituído da virtude da Via. Uma pessoa verdadeiramente educada é como se fosse destituída de educação. Isso significa que em todas as ocasiões, em todos os lugares, você deve estar livre da marca de um ‘eu’.

Assim, Assim, Imóvel é a prajna da marca real. É a verdadeira, real sabedoria. Através do princípio da talidade pode-se compreender a sabedoria da talidade, e com a sabedoria da talidade, pode-se compreender o princípio da talidade. Não há dharma que não seja assim: isso é a prajna da marca real.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios.

Original

A Suprema Doação

Sutra:

“Subhuti, alguém poderia preencher imensuráveis asamkhyas de sistemas de mundos com as sete gemas preciosas e oferecê-las como uma doação. Mas se um bom homem, ou uma boa mulher, que tenha devotado seu coração ao Bodhi pegasse mesmo que tão pouco quanto um verso de quatro linhas deste sutra e recebesse, ostentasse, lesse, recitasse e extensivamente explicasse-lhe para outros, suas bênçãos superariam aquelas do outro alguém”.

Comentário:

Percebendo que algumas pessoas estariam dispostas a oferecer como doação tantas das sete gemas preciosas quanto as que preencheriam imensuráveis asamkhyas de mundos, você se perguntaria: “Posso doar toda a minha riqueza?” Se você não pode, seu mérito e virtude não são tão grandes quanto os daquela pessoa mencionada aqui. Todavia, se você não pode doar sua riqueza, isto não importa. Mantenha-a e venha estudar o Budadharma. Então, você poderá doar o dharma.

Quem sabe ao estudar o Budadharma aprenda-se a recitar o Sutra Diamante; ou tão pouco quanto um verso de quatro linhas dele. Aceite-o com o seu coração, mantenha-o com o seu corpo, leia-o de um livro, recite-o de memória, e extensivamente explique-o para outros. Se você puder fazê-lo, suas bênçãos e virtudes serão maiores do que aquelas de alguém que doe gemas que preencheriam ilimitados, inumeráveis mundos. Isso não é fácil? Esse é o porquê eu digo que você pode obter grande mérito e virtude sem necessariamente doar sua riqueza.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios.

Original

A Equanimidade de Todas as Visões

 5.    A equanimidade de todas as visões. O que é a visão do ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida? Não há nenhuma. Isto é a equanimidade de todas as visões. O remédio é prescrito de acordo com a doença mas, uma vez curado, você não precisa mais tomar o remédio. Se você ficar sob medicação após a doença ter sido curada, uma nova doença surgirá. Isto é equanimidade de todas as visões.

Esses cinco aspectos expressam a essência de todo o Sutra Diamante, mas para compreender a Prajna, o princípio da vacuidade, necessita-se de mais uma coisa: . Se você não acredita no princípio da vacuidade, então não importa quão a miúde ele seja explicado, ele não lhe fará bem. O Budadharma é como um grande oceano. Somente através da fé se pode adentrá-lo.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

Original

A Equanimidade de Todos os Dharmas

3.    A equanimidade de todos os dharmas. O Sutra Diamante diz: “Esse dharma é liso e plano, sem altos ou baixos, porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Isto é equanimidade de todos os dharmas. “O Tathagata nem vem ou vai”. Isto é equanimidade de todos os dharmas.

Disto advém,

4.    A equanimidade de um e muitos.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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A Equanimidade de Vazio e Existência

2.    A equanimidade de vazio e existência. O Sutra do Sexto Patriarca diz: “Quando indagado sobre vacuidade, responda com existência”.

O que é vacuidade?

Vacuidade é existência.

O que é existência?

Existência é vacuidade.

Como você pode dizer que vacuidade é existência e existência é vacuidade? Isto é muito confuso”, você diria.

O princípio que é confuso, você, ou eu? Quando você está confuso você pensa que vacuidade é vacuidade e existência é existência. Quando a confusão é esclarecida, você sabe que vacuidade e existência são iguais. Não se apegue nem ao aniquilismo e nem ao eternalismo. A equanimidade e não-dualidade do vazio e existência é chamada Caminho Médio. Aqui a verdadeira vacuidade não obstrui a existência maravilhosa e a existência maravilhosa não obstrui a verdadeira vacuidade. A verdadeira vacuidade é existência maravilhosa; existência maravilhosa é verdadeira vacuidade. Quando há existência, então a vacuidade se manifesta; quando há vacuidade, então a existência é aparente. Não há vacuidade, e não há existência. Elas não são duas. A não-dualidade de vacuidade e existência é a equanimidade de vacuidade e existência.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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A Equanimidade de Seres Viventes e Budas

  1. A equanimidade dos seres viventes e Budas. Quando eu tinha dezesseis anos, eu escrevi um dístico (estrofe de dois versos) combinado após a leitura do Sutra do Sexto Patriarca. Tendo estudado o lugar onde o texto diz: “O dharma não é súbito ou gradual, confusão e iluminação são lentas e rápidas”. Eu pensei: “Como pode ainda haver um súbito e um gradual? O que é súbito? O que é gradual? Súbito e gradual são diferentes? São duas coisas?” Assim, escrevi o seguinte:

Embora súbito e gradual sejam diferentes,

após a realização eles são um.

Por que fazer divisões de Norte e Sul?

 

Sábios e comuns são partes de um:

a natureza básica é absolutamente a mesma.

Não discuta Leste e Oeste.

“Embora súbito e gradual sejam diferentes, após a realização eles são um”. Súbito se refere à realização instantânea do Estado de Buda; gradual se refere à lenta cultivação para o Estado de Buda. Súbito e gradual são dois métodos distintos, mas quando se encerra o trabalho, não há nem súbito e nem gradual em evidência. Eles não mais existem.

“Por que fazer divisões de Norte e Sul?” O sul se refere ao Sexto Patriarca, o Grande Mestre Hwei Neng que ensinou dharmas súbitos; norte se refere ao Grande Mestre Shen Syou que advogou dharmas graduais. No sul os discípulos do Sexto Patriarca diziam: “Nós somos a verdadeira, a autêntica seita Zen (Chan)”. No norte, os discípulos do Grande Mestre Shen Syou diziam: “Nosso Mestre esteve com o Quinto Patriarca durante várias décadas. Todo o âmago do dharma do Quinto Patriarca lhe foi transmitido”. Cada seguidor dos discípulos arguia que seu mestre era autêntico. Deixe-me esclarecer neste ponto que não importa quem você conheça, você não deve defender o seu Mestre pleiteando o seu caso. Ao invés de afirmar que o seu Mestre transmite o dharma apropriado (correto), você pode dizer: “Nosso Mestre é vazio, falso, e irreal. Não há dharma que possa ser pregado. Não há nem verdadeiro, nem falso, nem certo e nem errado. Não se deve falar dos pontos positivos das pessoas ou de suas falhas”. Isto é o que você deve dizer. Não seja como os discípulos do Sexto Patriarca e do Grande Mestre Shen Syou que levaram adiante uma constante batalha na qual eles criticavam um o mestre do outro. A sua contenda cresceu até que se transformou nas divisões dos ensinamentos Súbito e Gradual, Norte e Sul. Quando eu li o Sutra do Sexto Patriarca, eu pensei que a referência ao Súbito e Gradual carecia de equanimidade, assim eu escrevi a linha: “Embora súbito e gradual sejam diferentes, após a realização eles são um”. Qual é a origem do súbito? Embora se atinja subitamente a iluminação, cultiva-se vida após vida por um longo tempo dentro do Budadharma antes daquela iluminação. Quando se colhe o fruto do longo processo de cultivação, isto é chamado súbito. Gradual se refere ao longo processo de cultivação, mas o dia em que a cultivação se completa, há a iluminação súbita. Por essa razão eu digo que não há súbito ou gradual.

“Por que fazer divisões de Norte e Sul?” Quanto mais fazer divisões como localidades. O que é sul? Você pode chamar um certo local de sul, mas se você vai ao sul dele, ele torna-se norte. No Sutra Sarangama há uma discussão do meio (intermédio), “quando visto do leste, ele é oeste, e quando visto do sul, ele é norte”. Sul e norte também são assim. Não há realmente norte ou sul, então por que fazer tais distinções em seu coração?

“Sábio e comum são partes de Um”. Sábio refere-se ao Buda; comum refere-se aos seres viventes. O mundo é dividido nesses dois tipos, mas “a natureza básica é absolutamente a mesma”. Estado de Buda é a realização da Natureza de Buda. Os seres viventes também podem revelar a sua Natureza de Buda.

“Não discuta leste e oeste”. Não diga que no oeste Amitabha é um Buda, e no leste todas as criaturas são apenas seres viventes. Não faça tais discriminações em seu coração. A Canção da Certificação para o Caminho do Grande Mestre Yung Jya diz: “Não existem pessoas e nem Budas. Os reinos como os grãos de areia em mil mundos são como uma bolha no oceano”. Se você compreende o Budadharma, não há nada a que você possa se apegar. Se você ainda tem um apego, você ainda não compreendeu o Budadharma.

“Não discuta leste e oeste”. Por que inventar tantas questões? Afinal, de onde vêm tantas questões? Essas questões nos lembram de Yajnadatta, que olhou no espelho em certa manhã e viu que a pessoa refletida tinha uma cabeça, momento em que ele compreendeu que nunca havia visto a sua própria cabeça, e concluiu que ela estava perdida. O pensamento levou-o à loucura, e ele correu desesperadamente à procura de sua cabeça. Realmente a sua cabeça não estava perdida. Ele mesmo havia chegado a essa conclusão. As pessoas que se tornam apegadas ao Budadharma são também assim. Elas se envolvem na busca pelo Budadharma. Como você realmente encontra o Budadharma? Volte-se para si; isto é o Budadharma. Voltar-se para si significa despertar. Desperte! Isto é o Budadharma. Se você não despertou, você ainda está dentro do Budadharma, mas você não compreende o que você é.

Para continuar a discussão sobre a equanimidade de seres viventes e o Buda, seres viventes são Budas pretéritos que tornaram-se seres viventes. Para seres viventes tornarem-se Budas novamente, eles necessitam apenas retornar à origem e estabelecer o Estado de Buda. Portanto ele diz: “Sábio e comum são partes de Um. A natureza básica é absolutamente a mesma”.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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