A Parábola das Irmãs Inseparáveis

“Oh Kashyapa! Certa vez existiu uma mulher que veio à casa de uma pessoa. Ela se enfeitou esplendidamente. Parecia linda e seu corpo estava adornado com colares de pedras variadas. O chefe da casa a viu e indagou: ‘Qual é o seu nome? A quem você representa?’ A mulher respondeu: ‘Eu sou Gunamahadevi’. O homem da casa indagou: ‘O que você faz onde quer que vá’? A devi (Devi é sinônimo de Shakti, o aspecto feminino do divino) respondeu: ‘Onde quer que eu vá, dou às pessoas várias coisas, tais como ouro, prata, berílio (água marinha), cristal, pérolas, coral, lápis-lazúli, ágata, elefantes, cavalos, veículos, empregados homens ou mulheres e meninos mensageiros’. Ouvindo isto, o homem da casa sentiu-se extremamente satisfeito: ‘Agora a fortuna está do meu lado. Este é o porquê você está em minha casa’. Ele queimou incenso, espalhou flores, fez oferecimentos e a reverenciou. Também, do lado de fora do portão, ele encontrou uma mulher, feia e maltratada, cujas roupas estavam esfarrapadas, rasgadas, e com a aparência corrompida pela gordura e a sujeira. Sua pele estava ressecada e ela parecia pálida e branca. Vendo-a, ele indagou: ‘Qual é o seu nome? A quem você representa?’ A mulher respondeu: ‘Meu nome é ‘Escuridão’.’ Ele ainda indagou: ‘Por que ‘Escuridão’?’ A mulher respondeu: ‘Onde quer que eu vá, a fortuna daquela casa desaparece’. Ouvindo isto, o homem brandiu uma espada afiada e disse: ‘Vá embora! Se você não for, eu a matarei’. A mulher disse: ‘Você é um tolo e carente de sabedoria’. O homem indagou: ‘Por que sou tolo e carente de sabedoria?’ A mulher respondeu: ‘A mulher em sua casa é minha irmã mais velha. Eu sempre a acompanho. Se você me expulsar, ela o deixará’. O dono da casa entrou e indagou a Gunadevi: ‘Do lado de fora da casa há uma mulher que diz ser sua irmã. Isso é verdade?’ Gunadevi disse: ‘De fato ela é minha irmã. Eu sou sempre acompanhada por ela, nas idas e vindas; nunca nos separamos. Onde quer que eu vá, eu sempre faço o bem e ela sempre faz o mal. Eu concedo benefícios e ela os retira. Se você me ama, a ama também. Se você me respeita, a respeita também’. O homem disse de uma só vez: ‘Se tem que haver ambos, o bem e o mal, não quero ter nada (nenhum deles). Sigam seu caminho, ambas!’ Então as duas mulheres foram para onde estavam antes. Quando elas deixaram o lugar onde estavam antes, o homem (daquela) casa se tornou feliz e muito alegre (e não as queria mais). Então as duas mulheres foram para uma cabana de um homem pobre. Vendo-as, o homem convidou-as para entrar e disse: ‘Doravante, fiquem em minha casa’. Gunadevi disse: ‘Nós fomos expulsas. Por que você nos convida a entrar?’ O homem pobre disse: ‘Você agora cuida de mim. Eu respeito a sua irmã por sua causa. Assim, permito a ambas entrar’. A situação é como esta. Oh Kashyapa! O mesmo se passa com o Bodhisattva-Mahasattva. Ele não deseja nascer no céu. Nascer significa que lá (no céu), também, existem envelhecimento, doença e morte. Assim, ele abandona ambas; ele não tem a intenção de recebê-las. Os mortais comuns e os ignorantes não se apercebem dos males do envelhecimento, doença e morte. Assim, eles buscam avidamente o nascimento e a morte.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

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