O Vendedor de Comida

“Também, além disso, oh Kashyapa! Por exemplo, existe um homem que espalha utensílios cheios de alimentos numa encruzilhada; a cor, o aroma e o sabor (dos alimentos) são perfeitos. Ele deseja vendê-los. Um homem chega de um lugar distante e está faminto e debilitado. Ele sente-se arrebatado pela perfeita cor, aroma e sabor. Ele aponta a comida e indaga: ‘Que comida é esta?’ O vendedor da comida diz: ‘Essa é a melhor das comidas; ela possui cor e aroma. Se a comermos, nossa compleição física e força aumentarão. Ela realmente acaba com a fome, e nós [que a comemos] certamente veremos o céu. Mas há um problema. Para isto, temos que morrer!’ Ouvindo isto, o homem diz para si mesmo: ‘Não necessito de qualquer força física para ver o céu, e também não gosto da morte’. Então ele diz: ‘Se comer essa comida eu morrerei. Como você pode vender essa comida aqui para todos?’ O vendedor de comida diz: ‘Aquele que é sábio não a compra absolutamente. Somente os ignorantes não sabem isto. Eles me dão um bocado (de dinheiro) e comem avidamente essa comida’. Então, ele pode vender. O mesmo é o caso com o Bodhisattva-Mahasattva. Ele não deseja nascer no céu. Ele não deseja ter uma grande compleição física, força, e ver todos os devas. Por que não? Porque ele sabe que eles (os devas) não estão livres de todas as aflições lá (no céu). Os mortais comuns e os ignorantes, onde quer que haja vida para ser vivida, a devoram avidamente uma vez que não vêem o envelhecimento, a doença e a morte.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

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Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

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