As Respostas do Buda para as questões de Aniruddha

Ananda foi direto aos aposentos do Buda. Embora ele não tivesse lavado o seu rosto, seus olhos estavam enxutos e seu nariz limpo, e ele não estava tão decomposto quanto quando estava a chorar. O Buda estava prestes a entrar em samadhi, e Ananda não tinha tempo a perder. “Buda?”, disse ele: “Honrado pelo Mundo? Tenho algumas questões muito importantes a respeito das quais necessito do seu conselho. Poderia responder-me agora?”

O Buda já sabia que seu primo e mais jovem discípulo estava a caminho para indagar sobre as questões, e disse: “Certamente posso lhe responder. Quais são os seus problemas?”

“Estes não são problemas propriamente meus, mas são problemas do Buda, problemas do Budadharma, problemas de todos os Mestres Superiores! Não posso resolvê-los, e dessa forma vim à busca da instrução compassiva do Buda. Tenho ouvido muitos sutras e descortinado muita sabedoria, mas agora, face a este momento solene, não posso lidar com isto. Preciso do seu conselho, Buda.”

“Muito bem, fale!”, disse o Buda.

“A primeira questão é: após a entrada do Buda no Nirvana, desejamos compilar os sutras. Com quais palavras devemos iniciá-los para mostrar que os sutras são do Buda?”

O Buda disse: “Use as palavras ‘Assim eu ouvi’.”

“ ‘Assim eu ouvi’. Certo, eu lembrarei”, disse Anada: “qual é a resposta para a segunda questão?”

“Qual é a segunda questão? Você não a formulou ainda, Ananda.”

“Não o fiz? Oh! A próxima questão é onde deveremos viver? Há tantos de nós. Como vamos conviver? Onde residiremos?”

“Este é um problema pequeno.”, disse o Buda: “Vocês devem residir nas Quatro Moradas da Mente Desperta.”

São estas:

  1. Contemplação do corpo como impuro,
  2. Contemplação dos sentimentos como sofrimento,
  3. Contemplação dos pensamentos como impermanentes, e
  4. Contemplação dos dharmas como destituídos do eu.

“A Terceira questão: Você tem sido nosso Mestre, mas quando você entrar no Nirvana, quem sera nosso Mestre? Será o mais velho? O Grande Kashyapa é o mais velho. Será alguém de meia-idade? No caso seria Ajnatakaundinya. Se deve estar entre os mais jovens, eu sou o mais jovem, mas não posso ser o Mestre. Não posso sê-lo, Buda.”

O Buda disse: “Você não precisa ser o Mestre, e nem Ajnatakaundinya ou o Grande Kashyapa.”

“Quem será, então?”

O Buda disse: “Tome o Pratimoksa como seu Mestre”. O Pratimoksa é o Vinaya – os preceitos e regras monásticas. “Tome os preceitos como Mestre.”

O Buda disse que todas as pessoas que deixaram seus lares devem tomar o Pratimoksa como Mestre. Portanto, se você pretende deixar a vida familiar, certamente deve receber os preceitos. Se você não recebe os preceitos, então você não tem um mestre. Quando alguém deixa a vida familiar, essa pessoa deve receber os preceitos do Shramanera, os preceitos do Bodhisattva, e os preceitos monásticos. Alguém que tenha apenas os preceitos do Shramanera e os preceitos do Bodhisattva, mas não tenha os preceitos monásticos, deixou seu lar apenas parcialmente. Para deixar o lar por completo, deve-se tomar todos os preceitos como Mestre.

“Agora temos um Mestre”, disse Ananda, “mas em meio a nós há monges de má índole. Enquanto você esteve no mundo, você lhes conduziu, Buda. O que deveremos fazer com eles quando você tiver partido?”

Durante o tempo do Buda houve seis monges que eram muito indisciplinados. Eles constantemente interferiam no desenvolvimento dos outros. Se as pessoas vinham mantendo os preceitos e regras, aqueles monges tentavam impedi-los. Embora aqueles seis monges não seguissem as regras, nenhum deles era tão desobediente quanto um monge mediano dos dias de hoje.

“O que devemos fazer com relação aos monges de má índole?”, indagou Ananda.

“Oh, isso”, disse o Buda, “é muito fácil. Você deve permanecer em silêncio, e eles irão embora. Não converse com eles. Afinal de contas, eles não são maus? Eles não são falastrões e desobedientes? Ignore-os. Não lhes dirija a palavra. Eles vão se aborrecer e partirão por vontade própria.”

Essas são as respostas do Buda para as quatro questões de Aniruddha.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

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