A Equanimidade de Todas as Visões

 5.    A equanimidade de todas as visões. O que é a visão do ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida? Não há nenhuma. Isto é a equanimidade de todas as visões. O remédio é prescrito de acordo com a doença mas, uma vez curado, você não precisa mais tomar o remédio. Se você ficar sob medicação após a doença ter sido curada, uma nova doença surgirá. Isto é equanimidade de todas as visões.

Esses cinco aspectos expressam a essência de todo o Sutra Diamante, mas para compreender a Prajna, o princípio da vacuidade, necessita-se de mais uma coisa: . Se você não acredita no princípio da vacuidade, então não importa quão a miúde ele seja explicado, ele não lhe fará bem. O Budadharma é como um grande oceano. Somente através da fé se pode adentrá-lo.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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A Equanimidade de Todos os Dharmas

3.    A equanimidade de todos os dharmas. O Sutra Diamante diz: “Esse dharma é liso e plano, sem altos ou baixos, porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Isto é equanimidade de todos os dharmas. “O Tathagata nem vem ou vai”. Isto é equanimidade de todos os dharmas.

Disto advém,

4.    A equanimidade de um e muitos.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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A Equanimidade de Vazio e Existência

2.    A equanimidade de vazio e existência. O Sutra do Sexto Patriarca diz: “Quando indagado sobre vacuidade, responda com existência”.

O que é vacuidade?

Vacuidade é existência.

O que é existência?

Existência é vacuidade.

Como você pode dizer que vacuidade é existência e existência é vacuidade? Isto é muito confuso”, você diria.

O princípio que é confuso, você, ou eu? Quando você está confuso você pensa que vacuidade é vacuidade e existência é existência. Quando a confusão é esclarecida, você sabe que vacuidade e existência são iguais. Não se apegue nem ao aniquilismo e nem ao eternalismo. A equanimidade e não-dualidade do vazio e existência é chamada Caminho Médio. Aqui a verdadeira vacuidade não obstrui a existência maravilhosa e a existência maravilhosa não obstrui a verdadeira vacuidade. A verdadeira vacuidade é existência maravilhosa; existência maravilhosa é verdadeira vacuidade. Quando há existência, então a vacuidade se manifesta; quando há vacuidade, então a existência é aparente. Não há vacuidade, e não há existência. Elas não são duas. A não-dualidade de vacuidade e existência é a equanimidade de vacuidade e existência.

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A Equanimidade de Seres Viventes e Budas

  1. A equanimidade dos seres viventes e Budas. Quando eu tinha dezesseis anos, eu escrevi um dístico (estrofe de dois versos) combinado após a leitura do Sutra do Sexto Patriarca. Tendo estudado o lugar onde o texto diz: “O dharma não é súbito ou gradual, confusão e iluminação são lentas e rápidas”. Eu pensei: “Como pode ainda haver um súbito e um gradual? O que é súbito? O que é gradual? Súbito e gradual são diferentes? São duas coisas?” Assim, escrevi o seguinte:

Embora súbito e gradual sejam diferentes,

após a realização eles são um.

Por que fazer divisões de Norte e Sul?

 

Sábios e comuns são partes de um:

a natureza básica é absolutamente a mesma.

Não discuta Leste e Oeste.

“Embora súbito e gradual sejam diferentes, após a realização eles são um”. Súbito se refere à realização instantânea do Estado de Buda; gradual se refere à lenta cultivação para o Estado de Buda. Súbito e gradual são dois métodos distintos, mas quando se encerra o trabalho, não há nem súbito e nem gradual em evidência. Eles não mais existem.

“Por que fazer divisões de Norte e Sul?” O sul se refere ao Sexto Patriarca, o Grande Mestre Hwei Neng que ensinou dharmas súbitos; norte se refere ao Grande Mestre Shen Syou que advogou dharmas graduais. No sul os discípulos do Sexto Patriarca diziam: “Nós somos a verdadeira, a autêntica seita Zen (Chan)”. No norte, os discípulos do Grande Mestre Shen Syou diziam: “Nosso Mestre esteve com o Quinto Patriarca durante várias décadas. Todo o âmago do dharma do Quinto Patriarca lhe foi transmitido”. Cada seguidor dos discípulos arguia que seu mestre era autêntico. Deixe-me esclarecer neste ponto que não importa quem você conheça, você não deve defender o seu Mestre pleiteando o seu caso. Ao invés de afirmar que o seu Mestre transmite o dharma apropriado (correto), você pode dizer: “Nosso Mestre é vazio, falso, e irreal. Não há dharma que possa ser pregado. Não há nem verdadeiro, nem falso, nem certo e nem errado. Não se deve falar dos pontos positivos das pessoas ou de suas falhas”. Isto é o que você deve dizer. Não seja como os discípulos do Sexto Patriarca e do Grande Mestre Shen Syou que levaram adiante uma constante batalha na qual eles criticavam um o mestre do outro. A sua contenda cresceu até que se transformou nas divisões dos ensinamentos Súbito e Gradual, Norte e Sul. Quando eu li o Sutra do Sexto Patriarca, eu pensei que a referência ao Súbito e Gradual carecia de equanimidade, assim eu escrevi a linha: “Embora súbito e gradual sejam diferentes, após a realização eles são um”. Qual é a origem do súbito? Embora se atinja subitamente a iluminação, cultiva-se vida após vida por um longo tempo dentro do Budadharma antes daquela iluminação. Quando se colhe o fruto do longo processo de cultivação, isto é chamado súbito. Gradual se refere ao longo processo de cultivação, mas o dia em que a cultivação se completa, há a iluminação súbita. Por essa razão eu digo que não há súbito ou gradual.

“Por que fazer divisões de Norte e Sul?” Quanto mais fazer divisões como localidades. O que é sul? Você pode chamar um certo local de sul, mas se você vai ao sul dele, ele torna-se norte. No Sutra Sarangama há uma discussão do meio (intermédio), “quando visto do leste, ele é oeste, e quando visto do sul, ele é norte”. Sul e norte também são assim. Não há realmente norte ou sul, então por que fazer tais distinções em seu coração?

“Sábio e comum são partes de Um”. Sábio refere-se ao Buda; comum refere-se aos seres viventes. O mundo é dividido nesses dois tipos, mas “a natureza básica é absolutamente a mesma”. Estado de Buda é a realização da Natureza de Buda. Os seres viventes também podem revelar a sua Natureza de Buda.

“Não discuta leste e oeste”. Não diga que no oeste Amitabha é um Buda, e no leste todas as criaturas são apenas seres viventes. Não faça tais discriminações em seu coração. A Canção da Certificação para o Caminho do Grande Mestre Yung Jya diz: “Não existem pessoas e nem Budas. Os reinos como os grãos de areia em mil mundos são como uma bolha no oceano”. Se você compreende o Budadharma, não há nada a que você possa se apegar. Se você ainda tem um apego, você ainda não compreendeu o Budadharma.

“Não discuta leste e oeste”. Por que inventar tantas questões? Afinal, de onde vêm tantas questões? Essas questões nos lembram de Yajnadatta, que olhou no espelho em certa manhã e viu que a pessoa refletida tinha uma cabeça, momento em que ele compreendeu que nunca havia visto a sua própria cabeça, e concluiu que ela estava perdida. O pensamento levou-o à loucura, e ele correu desesperadamente à procura de sua cabeça. Realmente a sua cabeça não estava perdida. Ele mesmo havia chegado a essa conclusão. As pessoas que se tornam apegadas ao Budadharma são também assim. Elas se envolvem na busca pelo Budadharma. Como você realmente encontra o Budadharma? Volte-se para si; isto é o Budadharma. Voltar-se para si significa despertar. Desperte! Isto é o Budadharma. Se você não despertou, você ainda está dentro do Budadharma, mas você não compreende o que você é.

Para continuar a discussão sobre a equanimidade de seres viventes e o Buda, seres viventes são Budas pretéritos que tornaram-se seres viventes. Para seres viventes tornarem-se Budas novamente, eles necessitam apenas retornar à origem e estabelecer o Estado de Buda. Portanto ele diz: “Sábio e comum são partes de Um. A natureza básica é absolutamente a mesma”.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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O Princípio Maravilhoso da Verdadeira Vacuidade

O Sutra Diamante expressa a Prajna, o princípio maravilhoso da verdadeira vacuidade, e também expressa o portal do dharma da equanimidade encontrada dentro do princípio maravilhoso da prajna. Em geral, há Cinco Aspectos da Equanimidade evidentes no sutra:

  1. A equanimidade dos seres viventes e Budas.
  2. A equanimidade da vacuidade e existência.
  3. A equanimidade de todos os dharmas.
  4. A equanimidade de um e muitos.
  5. A equanimidade de todas as visões.

A maioria das pessoas não compreende os portais do dharma da equanimidade, e assim colocam uma cabeça no topo de uma cabeça, adicionam marcas às marcas, e trocam (confundem) o que é basicamente igual com o que é desigual.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

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