O Buda Supremo Encontra os ex-Discípulos

O Bem-Aventurado entrou na grande cidade de Benares. Ele perambulou pelas ruas, pedindo por esmolas; comeu o alimento que a ele foi oferecido, e então foi para o Parque do Cervo onde ele sabia que encontraria os ex-discípulos de Rudraka.

Os cinco discípulos viram-no à distância. Eles pensaram que o reconheciam, e disseram um ao outro:

“Não conhecemos esse homem, caminhando em nossa direção? Não é aquele que, anteriormente, se utilizou das austeridades para nos impressionar, e que, um dia, revoltou-se com a severidade da auto-disciplina que ele havia imposto? Se suas mortificações não lhe mostraram o caminho para a suprema sabedoria, então como podem suas idéias trazerem algum proveito para nós agora que ele está seduzido pela ganância e covardia? Não vamos ao seu encontro, ou levantar-nos quando ele se aproximar; não vamos aliviá-lo do seu manto ou de sua tigela de donativos; não vamos sequer oferecer-lhe um assento. Nós lhe diremos: ‘todos os assentos aqui estão tomados’. E não lhe daremos nada para comer ou beber.”

Assim eles decidiram. Mas o Bem-Aventurado veio se aproximando, e quanto mais próximo chegava, mais desconfortáveis eles se sentiam. Eles ficaram tomados por um grande desejo de se levantarem de seus assentos. Ficaram como pássaros tentando escapar freneticamente de uma gaiola sob a qual um fogo foi aceso. Ficaram inquietos; pareciam estar doentes. Finalmente, eles romperam a sua resolução. Levantaram como se fossem um; correram para o Bem-Aventurado, e saudaram-lhe. Um pegou a sua tigela de donativos, outro o seu manto, e o terceiro ofereceu-lhe assento. Trouxeram-lhe água para banhar os pés, e em uníssono bradaram:

“Bem-vindo, amigo, bem-vindo. Tome um assento em meio a nós.”

O Bem-Aventurado sentou-se e banhou seus pés. Então ele disse aos cinco eremitas:

“Não se dirijam a mim como amigo, oh monges. Eu sou o Santo, o Realizado, o Buda Supremo. Abram seus ouvidos, oh monges; está descoberto o caminho que conduz à libertação. Eu lhes mostrarei o caminho; Eu lhes ensinarei a lei. Ouçam bem, e aprenderão a verdade sagrada.”

Mas eles responderam:

“Anteriormente, a despeito das suas práticas de austeridades, você não chegou ao perfeito conhecimento; sendo assim, como você poderia tê-lo atingido, agora que você leva uma vida de auto-indulgência?”

“Oh monges”, respondeu o Bem-Aventurado, “Eu não levo uma vida de auto-indulgência; de maneira alguma eu renunciei as bênçãos às quais eu aspirava. Eu sou o Santo, o Realizado, o Buda Supremo. Abram seus ouvidos, oh monges; está descoberto o caminho que conduz à libertação. Eu lhes mostrarei o caminho; Eu lhes ensinarei a lei. Ouçam bem, e aprenderão a verdade sagrada.”

E acrescentou: “Oh monges, vocês admitirão que jamais me dirigi a vocês dessa maneira antes?”

“Nós admitiremos, Mestre.”

“Digo-vos: Eu sou o Santo, o Realizado, o Buda Supremo. Abram seus ouvidos, oh monges; está descoberto o caminho que conduz à libertação. Ouçam bem.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Caminho de Benares

No Monte Gaya ele encontrou um monge chamado Upaka. À vista do Bem-Aventurado, Upaka soltou um grito de admiração.

“Quão maravilhoso é você!”, ele exclamou. “Sua face está radiante. Uma fruta amadurecida no sol tem menos esplendor. Vossa beleza é de um (dia) claro (de) outono. Meu senhor, posso indagar-lhe quem foi seu mestre?”

“Eu não tenho mestre”, respondeu o Bem-Aventurado. “Não há alguém como eu. Sou um sábio solitário, tranquilo, incorruptível.”

“Que grande mestre você deve ser!”, disse Upaka.

“Sim, eu sou o único mestre neste mundo; ninguém igual a mim pode ser encontrado na terra ou no céu.”

“Para onde vai?”, perguntou Upaka

Varanasi

Varanasi, também conhecida como Benares

“Estou a caminho de Benares”, disse o Bem-Aventurado, “E lá eu acenderei a lâmpada que trará luz ao mundo, uma luz que irá deslumbrar até os olhos do cego. Estou a caminho de Benares, e lá soarei os tambores que despertarão a raça humana, os tambores que ressoarão até mesmo nos ouvidos do surdo. Estou a caminho de Benares, e lá ensinarei a lei.”

Ele continuou em seu caminho, e veio para as margens do Ganges. O rio estava em cheia, e o Bem-Aventurado procurou por um barqueiro para atravessá-lo. Ele encontrou um, a quem disse:

“Amigo, você me levaria em travessia do rio?”

“Certamente”, respondeu o barqueiro, “mas primeiro me pague pela viagem”.

“Não tenho dinheiro”, disse o Bem-Aventurado.

E voou através do ar para a margem oposta.

O barqueiro ficou com o coração partido. Gritou: “Não o atravessei o rio, ele que era um homem santo! Oh, ai de mim!” E rolou no chão em sua grande aflição.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Sexto Tipo de Pessoas

“A sexta pessoa aspira atravessar o grande rio do nascimento e da morte. Desprovida de bem acumulado, ela afunda em meio às águas. Aproximando-se de um Bom Mestre da Via, ela adquire fé. Adquirir fé é vir à tona. Devido à fé, ela protege, recita, copia e fala extensivamente a respeito [do Dharma] para o benefício dos seres. Ela sente prazer na doação e pratica a Sabedoria. Nascida com a mente aguçada, ela baseia-se firmemente na fé e na Sabedoria, e sua mente não retroage. Não retroagindo, ela prossegue e finalmente alcança águas rasas. Chegando às águas rasas, ela permanece lá e não se move. Dizemos que ela permanece. Isto significa que o Bodhisattva, com o objetivo de salvar todos os seres, reside lá e medita sobre as impurezas. Ele é como a sexta pessoa às margens do Rio Ganges.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.

sixth kind of people.mp3

Sete Tipos de Pessoas às Margens do Ganges

Ganges

O Ganges em Varanasi - Imagem Wikipedia

O Buda disse: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! Ao longo do Ganges vivem sete tipos de pessoas. Eles temem os ladrões porque estão se banhando. Ou o caso pode ser como com aqueles que entram no rio para apanhar flores. A primeira pessoa afogou-se conforme entrou nas águas. A segunda pessoa afunda em meio às águas, mas vem acima e afunda novamente nas águas. Por quê? Porque seu corpo é poderoso e forte, e ela é capaz de subir. Mas, aquele que não tem aprendizado para flutuar vem acima e então afunda novamente. O terceiro (tipo) vem acima após afundar. Emergindo, ela não afunda novamente. Por que não? Em razão do seu corpo ser pesado, então ela afunda, mas como o seu poder é grande, ela vem acima. Tendo aprendido a flutuar, ela permanece acima. A quarta pessoa, ao mergulhar nas águas, vem acima novamente. Ao emergir, ela olha ao redor. Por quê? Como ela é pesada, ela afunda, mas como tem grande poder, ela vem acima; como aprendeu a flutuar, ela permanece acima; não sabendo por onde sair, ela olha ao redor. A quinta pessoa, ao entrar nas águas, afunda, e ao afundar, emerge. Ao emergir, ela olha ao redor; ao olhar ao redor, ela se vai. Por quê? Porque ela tem medo. A sexta pessoa entra nas águas, vem acima, e fica em águas rasas. Por quê? Porque ela vê os ladrões que estão próximos e [também] distantes. A sétima pessoa já está de pé na outra margem e encontra-se sobre uma grande montanha. Ela nada teme; fora do alcance dos ladrões, ela está abençoada com grande felicidade.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.

seven kinds of people on the banks of the ganges.mp3

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