A Visão Correta de um Bodhisattva Mahasattva

“Dizemos que a mente da Sabedoria é reta e sem curvas. Se a mente duvida, o que é visto não pode ser correto. Se todos os seres não ouvem esse Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o que é visto torna-se distorcido. Isto se aplica desde baixo até aos Sravakas e Pratyekabudas, cujas visões também devem ser distorcidas. Por que dizemos que aquilo que todos os seres vêem é distorcido? Eles vêem o Eterno, o Êxtase, o Eu e o Puro naquilo que é falho [impuro, corrompido]; e (vêem) impermanência, sofrimento, impureza e não-Eu no Tathagata; e pensam que os seres possuem uma vida, conhecimento e visão. Eles interpretam o Nirvana como irreflexão-não-irreflexão (thoughtlessness-non-thoughtlessness), e interpretam Isvara (Deidade) como tendo o Nobre Caminho Óctuplo. O que existe é o ‘é’ e o ‘não-é’, e todas essas visões distorcidas. Se o Bodhisattva ouve esse Sutra do Grande Nirvana e pratica o Nobre Caminho, ele pode acabar com todas essas visões distorcidas.

Quais são as visões distorcidas de Sravakas e Pratyekabudas? Pensam que o Bodhisattva desce do Céu Tushita, que ele monta num elefante branco, que se encontra no útero de uma mãe, que o nome do pai era Suddhodana, e o da mãe era Maya, que por dez meses (lunares) completos ele esteve em Kapilavastu e nasceu, que quando nasceu e ainda não havia tocado a terra Sakrodevendra o pegou, e os reis nagas Nanda e Upananda jorraram água e banharam-no, que o grande rei demônio Manibadra segura um parasol de jóias e fica atrás dele, que o deus da terra segura flores nas quais a criança coloca os seus pés, que ele deu sete passos nas quatro direções, que é satisfeito, que quando ele vai ao templo dos devas, os devas saem e recebem-no, que Asita o pegou e profetizou, que tendo visto os sinais ele ficou todo entristecido e disse: ‘Pena que eu não serei abençoado com o testemunho da ascensão do ensinamento Budista’, que ele vai ao professor onde aprende escrita, cálculo, tiro com arco, leitura de presságios e das mãos, que vivendo no harém real ele brinca com as 60.000 criadas e diverte-se, que ele sai do castelo e se encontra no jardim de Kapila, que no caminho ele vê um homem velho e também um Shramana caminhando pela beira da estrada trajando um robe sacerdotal, que ele retorna ao palácio real onde ele vê os corpos das mulheres do palácio parecendo ossos brancos, que todas as edificações palacianas agora não passavam de túmulos para ele, que ele as despreza e renuncia ao lar, que à noite ele foge do castelo, que ele vê grandes Rishis como Udrakaramaputra e Aradakalama e ouve deles sobre consciência-ilimitada e irreflexão-não-irreflexão (thoughtlessness-non-thoughtlessness). Tendo (o Bodhisattva) ouvido e meditado sobre tudo isso, ele vê que todas as coisas são não-eternas, sofrimento, não-puras, e não-Eu. Ele abandona isso, pratica penitência sob uma árvore e, após seis anos, vê que a penitência não lhe traz a Iluminação Insuperável. Então ele banha-se nas águas do Rio Hiranyavati [Nairanjana] e toma um pouco de mingau de leite cozido das mãos de uma pastora. Após tomá-lo, ele vai à Árvore Bodhi, onde, derrotando Marapapiyas, ele atinge a Iluminação Insuperável; [então,] em Varanasi ele gira a Roda-da-Lei e vê que, aqui em Kusinagara, ele entra no Nirvana. Todas essas coisas são visões distorcidas de Sravakas e Pratyekabudas.

Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva, quando ele ouve e compreende o Sutra do Grande Nirvana, erradica imediatamente todas essas visões. E como ele escreve, copia, recita, compreende e o explica aos outros, e reflete sobre o seu significado, ele se torna corretamente-orientado e acaba com as visões distorcidas. Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via desse Sutra do Grande Nirvana, ele vem a compreender claramente que o Bodhisattva, por inumeráveis kalpas, jamais desceu do Céu Tushita para um útero materno e entrou no Nirvana em Kusinagara. Essa é a visão correta de um Bodhisattva-Mahasattva.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 27 – Sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 1.

Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

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