A Meditação Grosseira

“O Bodhisattva que recém aspirou ao Bodhi, quando ele medita sobre a imagem do não-eterno, pensa: ‘Há dois tipos de coisa que se obtém no mundo: 1) interna, e 2) externa. O que é interno é não-eterno e muda. Quando se nasce, vê-se que as coisas que se obtém são diferentes conforme as fases da vida como ao nascer, quando se é pequeno, grande, no auge da vida, na velhice, e quando se morre. Vejo que em todas essas fases da vida, as coisas não são as mesmas. Por isso, tenho que saber que o que está comigo é não-eterno’.

Também, esse pensamento lhe ocorre: ‘Quando olho para os seres, um é bem nutrido e jovem, é perfeito na força física e nos movimentos do ir e vir, no caminhar adiante ou parar; e todas as coisas se procedem de forma desimpedida e sem obstáculos. Ou por causa da doença, a força física de uma pessoa é fraca e seu semblante é caído e assustador, nada de altivez e liberdade. Ou vejo que os armazéns de uma pessoa estão abarrotados, ou que outra pessoa é pobre e indigente. Ou vejo alguém que é pleno em virtudes, ou vejo alguém cheio de maldades. Assim, definitivamente sei que o que está dentro de alguém é não-eterno. Também, com respeito ao mundo externo, vejo que as coisas são diferentes umas das outras como, por exemplo, nas fases de semente, broto, haste, folha, flor, e fruto. Tudo o que se estabelece [lá] no mundo externo, ou é perfeito ou imperfeito. E sei que todas as coisas definitivamente são não-eternas’.

Ao assim perceber que todas as coisas são não-eternas, em seguida se medita sobre o que se ouve nos sermões: ‘Ouvi que embora os devas [deuses, seres celestiais] desfrutem dos melhores prazeres, e embora sejam desimpedidos nos poderes divinos, eles estão sujeitos aos cinco presságios de declínio [indicação do seu eventual declínio pessoal do status de ser um deva]. Devido a isto, sabe-se que o que existe é não-eterno’.

‘Também, ouvi que nos primórdios do kalpa [aeon, era], havia muitos seres. Cada um era trajado nas melhores virtudes. A luz que emanava dos seus corpos era tão intensa que não se dependia em nada das luzes do sol e da lua. [Mas,] devido ao poder do não-eterno, a luz desvaneceu e as virtudes diminuíram. Também, ouvi que viveu, em tempos passados, um Chakravartin [imperador do mundo] que governou sobre os quatro continentes. As sete gemas [que ele possuía] eram perfeitas, e seu poder era altamente irrestrito. E ainda assim, ele não podia derrotar o não-eterno’.

Também, ele medita que sobre a grande terra, num tempo passado, inumeráveis seres estavam totalmente estabilizados na vida e desfrutavam de paz, tal que nenhum sulco de roda se sobrepunha a outro. Remédios maravilhosos estavam à mão, e as pessoas cresciam e prosperavam. Arbustos, árvores e frutos eram abundantes. Os seres foram [gradualmente] menos abençoados e essa grande terra tinha pouca força. Tudo o que crescia se desperdiçava. Por isso, deve-se saber que todas as coisas são não-eternas.

Isto é o que chamamos (de imagem) ‘grosseira’ e não-eterna.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

the coarse meditation.mp3

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