O Melhor das Habilidades

O Bem-Aventurado estava caminhando há longo tempo. Estava cansado. Chegando a um pequeno bosque, ele entrou e sentou aos pés de uma árvore. Estava prestes a cair no sono quando um grupo de trinta homens jovens entrou no bosque. Ele os viu.

Com base em suas palavras e comportamento, era evidente que eles procuravam por alguém. Finalmente, eles dirigiram-se ao Buda.

“Você viu uma mulher passar por aqui?”, eles indagaram. “Não. Quem são vocês?” (respondeu o Bem-Aventurado).

“Somos músicos. Vagamos de cidade em cidade. Frequentemente temos nos apresentado diante de reis, pois nossas habilidades são muito admiradas. Trouxemos uma jovem conosco hoje, para nosso prazer e diversão, mas enquanto estávamos dormindo lá, à beira da estrada, ela roubou tudo o que pudesse carregar e fugiu. É ela que estamos procurando.”

“O que é melhor?”, perguntou o Buda: “que vocês sigam em busca dessa mulher, ou que vocês sigam em busca de si mesmos?”

Os músicos riram do Mestre.

“Toque o seu alaúde”, ele então disse a quem estava rindo mais alto.

O músico tocou. Ele era habilidoso; era fácil acreditar que reis se deleitassem ao seu tocar. Quando ele terminou, o Mestre disse:

“Dê-me seu alaúde.”

E tocou. Os músicos ouviram com espanto. Eles jamais imaginaram que notas tão doces pudessem ser arrancadas de um alaúde. Até o vento aquietou-se, e as deusas da floresta deixaram seus retiros verdejantes para melhor ouvi-lo.

O Bem-Aventurado parou de tocar.

“Mestre”, disseram os músicos, “pensávamos que éramos habilidosos em nossa arte, mas somos ignorantes dos seus mais básicos princípios. Digne-se a ensinar-nos tudo o que você sabe.”

O Bem-Aventurado respondeu: “Vocês suspeitam, agora, que o vosso conhecimento de música é superficial, embora pensassem que haviam dominado a arte. Assim vocês pensam que conhecem a si mesmos, mas vosso conhecimento é apenas superficial. Vocês sinceramente solicitaram-me que ensinasse a vocês tudo o que sei sobre música, no entanto riram quando disse-lhes para seguirem em busca de si mesmos!”

Os músicos não estavam rindo mais.

“Nós o compreendemos, Mestre”, eles clamaram, “nós o compreendemos! Iremos à busca de nós mesmos.”

“Muito bem”, disse o Buda. “Vocês aprenderão a lei de mim. Então, como o Rei Padmaka, que sacrificou seu corpo para salvar seu povo, vocês darão a sua inteligência (o melhor de suas habilidades) para salvar a humanidade.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

2 Comentários

  1. 08/12/2011 às 19:18

    quando eu resolvi há anos abandonar o budismo minha mestre e amiga disse-me: “a semente foi plantada, um dia ela era brotar no seu coração”
    Hoje, quando me encontrro tomada pela ira volto-me ao budismo para buscar o nirvana e ver a flor de lotus brotar na minha vida e tornar-me uma pessoa realizada e feliz.

    posso pedir que me ajude a não fracassar nos meus propositos?

  2. muccamargo said,

    09/12/2011 às 10:22

    Prezada amiga,

    Lembro-me do que me disse um mestre orientador: “Para obter coisas (neste mundo Samsarico – o parêntesis é meu) as outras religiões também servem. Pratica-se o Budismo para atingir a Iluminação”.

    Sugiro a leitura da mensagem contida no post de 09/12/2011.

    Grande abraço! Seja feliz!

    Marcos Ubirajara.


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