O Mahasattva cultivou a Grande Conduta

5.    O Mahasattva cultivou a Grande Conduta. No cultivo, não se deve ao obter um pequeno sucesso, dar-se por satisfeito, confundindo a cidade transformada (metáfora da cidade fantasma) com a  realidade última. Pessoas dos dois veículos obtêm pequenas vantagens e dão-se por satisfeitas. Sua satisfação com a certificação para a primeira, segunda, terceira ou quarta fruição do Arhatship, impede-lhes de transitar do pequeno para o grande.

Alguns chegam à metade do caminho e pensam que alcançaram o objetivo. Há o caso do monge ignorante que obteve o estágio do quarto dhyana e pensou que ele havia se certificado para a quarta fruição do Arhatship, dizendo: “Eu já atingi minha meta”. De fato, ele estava apenas a meio caminho dela.

Pessoas comuns vão até metade do caminho, e então voltam. Sem sequer alcançar os céus do quarto dhyana, começam a se arrepender: “É tão distante, tão difícil, para os nossos semelhantes”, eles dizem.

Alguns são emboscados numa cidade transformada (fantasma), como aquela descrita no Capítulo 7 do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Por que essa cidade insurgiu? Seguidores dos dois veículos cultivaram um ou dois dias à busca da Via do Bodhisattva sem atingi-la. Então eles cultivaram um outro dia, e ainda não se tornaram Bodhisattvas. No dia seguinte, embora tenham encontrado a Via do Bodhisattva, eles não encontraram o seu fim, e decidiram que o processo era muito longo. Esses “dias” representam anos, décadas, kalpas de dedicação. Quanto mais os cultivadores procuravam atingir sua meta, mais amargos se tornavam seus sofrimentos. Quanto mais cansados se tornavam, menos capazes de continuar se sentiam: “Não posso seguir. É muito longe. Não sabia que esse caminho era tão longo. Estou muito cansado”, eles lamentavam.

Vendo a sua situação, o Buda conjurou uma cidade por transformação e lhes chamou: “Olhem! Existe uma cidade adiante onde podemos descansar por alguns dias. Nosso objetivo está a uma curta distância além da cidade”. Quando eles entraram na cidade, as pessoas dos dois veículos ficaram extasiadas com a abundância em ouro, prata e gemas preciosas, e decidiram se estabelecer lá. “Este lugar é uma verdadeira casa do tesouro”, eles pensaram.

No cultivo, deve-se ser paciente com o sofrimento e a fadiga. Ao se praticar a grande conduta, deve-se ser paciente, complacente, e generoso. Deve-se praticar as Seis Perfeições, a primeira das quais é a doação para o benefício dos outros e não buscar apenas ajudar-se.

“Eu vi membros da Sangha esmolando”, alguém diz: “Seu cultivo da Via está envolvido unicamente com o pedido por dinheiro, e não com a sua doação”.

Ah, mas quando os monges dão dinheiro eles não o anunciam. Eu conheci Mestres do Dharma que eram tão sinceramente empenhados em ajudar as pessoas que, se solicitados, ofereceriam a sua carne para comer, e o sangue para beber. Para o benefício dos outros, eles se disporiam a oferecer sua própria carne e ossos para céus e terra. É justo que você não tenha conhecido uma pessoa que tenha realmente devotado seu coração ao Bodhi, e que cultive a Grande Conduta. Ou talvez você tenha conhecido, mas não o reconheceu, pois tal pessoa não pode lhe dizer: “Eu sou alguém que cultiva a Grande Conduta”. Uma vez que ele não pode dizer-lhe, você não tem meios de saber que ele é alguém que pode resistir ao vento, chuva, frio, calor, fome e sede; suportanto o que as pessoas não podem suportar, concedendo o que as pessoas não podem conceder, comendo o que as pessoas não podem comer, e resistindo ao que as pessoas não podem resistir.

Por outro lado, aqueles que imitam o estilo de um cultivador experiente visando impressionar as pessoas são inúteis. “Olhe para mim. Eu posso comer o que outros não podem comer”. Isso é falsa doação. Fingir ser o grande mártir, abandonar a casa e o lar, família e riqueza em prol das aparências, é falsa doação. Não importa quão boa é sua propriedade, ou quão bela é sua esposa; se o auto-sacrifício é feito como uma exibição pública, a doação não é verdadeira. Se não é feito em prol das aparências, então o doador está cultivando a Grande Conduta.

Sutra Diamante – Capítulo 3 –A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Original

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: