A Origem de Nossas Ofensas

Comentário:

Esta parte do texto do sutra fala de uma pessoa com graves ofensas que recebe uma retribuição leve. Preocupado com que os seres viventes possam não compreender a Marca Real, o Dharma Maravilhoso do Grande Veículo, e consequentemente darem origem às dúvidas, o Buda Shakyamuni assim falou para dirimir quaisquer dúvidas. Que dúvidas teriam os seres viventes? Eles se perguntariam como é possível que alguém ao recitar o Sutra Diamante, o qual o Buda Shakyamuni afirmou ser profundo e maravilhoso, ainda fosse ridicularizado pelos outros por assim fazer.

“Vazio Nato”, o Buda disse: “Por que um homem ou mulher que tenha cultivado os cincos preceitos e as dez boas ações, e que receba o sutra com seu coração, e o ostente com o seu corpo, seria ridicularizado pelas pessoas ao ler e recitar o sutra?” Por que as pessoas depreciariam-no e diriam: “Olhem-no, ele ainda recita sutras! Ele ainda recita o nome do Buda! É só fachada. Ele está içando uma cabeça de carneiro, mas vendendo carne de cachorro. Ele estuda o Budadharma e recita o nome do Buda, e ainda assim ele rouba,mata, envolve-se em práticas sexuais impróprias, e uso tóxicos. Ele fará qualquer coisa, e ainda assim recitará os sutras. É blasfêmia! Isto equivale a caluniar o Buda.”

Alguém que ouvisse tal discurso perguntaria por que alguém ao recitar um sutra estaria sujeito a tal ridicularização. O Buda Shakyamuni explicou que tal pessoa teria cometido incalculáveis ofensas cármicas no passado – talvez até as cinco ofensas graves:

  1. matar um pai
  2. matar uma mãe
  3. matar um Santo (Arhat)
  4. destruir a harmonia da Sangha
  5. derramar o sangue do Buda

Talvez aquela pessoa tivesse caluniado outros ou tivesse sempre causado-lhes problemas. Como resultado de tais ações essa pessoa basicamente deveria cair nos três maus caminhos do inferno, espíritos famintos, e animalidade. Mas um vez que ela tenha recebido o sutil, maravilhoso e profundo Budadharma da Marca Real do Grande Veículo, a retribuição pelas suas graves ofensas anteriores é aliviada. A retribuição toma a forma de ter pessoas a ridicularizarem-na quando ela recita sutras. Assim aquela pessoa tem graves ofensas, mas um retribuição leve.

Sutra Diamante – Capítulo 16 – Obstruções Cármicas Podem Ser Purificadas.

Original

A Torre Diamantina

Sutra:

“E por quê? Subhuti, aquele que se deleita em dharmas menores é apegado a uma visão do ‘eu’, uma visão dos outros, uma visão dos seres viventes, e uma visão de uma vida. Ele não pode ouvir, receber, ostentar, ler, ou recitar o sutra e explicá-lo para outros.”

 “Subhuti, os deuses, os humanos, e os asuras do mundo fazem oferecimentos em qualquer lugar onde este sutra seja encontrado. Você deve saber que tal lugar é uma Torre (Stupa) onde todos deveriam respeitosamente curvar-se, circundá-la, e espalhar incenso e flores.”

Comentário:

Uma pessoa que assume a responsabilidade do trabalho do Buda não é alguém que desfruta dos dharmas do Pequeno Veículo. Aqueles estudam os dharmas do Pequeno Veículo são apegados a uma visão do ‘eu’, que é uma espécie de cobiça. Eles são apegados a uma visão dos outros, que é uma espécie de hostilidade. Eles são apegados a uma visão dos seres viventes e a uma vida, o que é uma espécie de estupidez. Tal pessoa não pode ouvir, receber ou recitar o conteúdo do Sutra Diamante. Em razão de nutrirem afeição apenas pelos dharmas do Pequeno Veículo, são incapazes de receber os princípios maravilhosos do Grande Veículo, o dharma da Marca Real que é destituído de marcas. Tais pessoas não podem (elas mesmas) acreditar no Sutra Diamante e nem podem explicá-lo para outros. Seus corações também são pequenos, e sua capacidade mental é estreita demais para compreender o dharma do Grande Veículo.

Todos os seres viventes mundanos e transcendentais do reino do dharma, os deuses, humanos e asuras, sendo que estes últimos são seres com as bênçãos dos céus mas carentes das qualidades virtuosas dos deuses, devem fazer oferecimentos ao sutra onde quer que o encontrem.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa

Sutra:

“Subhuti, o dharma obtido pelo Tathagata é nem verdadeiro e nem falso.”

“Subhuti, um Bodhisattva cujo coração reside (persiste) nos dharmas quando ele pratica a doação (quando os concede) é como um homem que entra na escuridão, que não pode ver uma coisa. Um Bodhisattva cujo coração não reside nos dharmas quando ele doa é como um homem com olhos na luz do sol, que pode ver todos os tipos de forma.”

“Subhuti, no futuro, se um bom homem, ou uma boa mulher, puder receber, ostentar, ler e recitar esse sutra, então o Tathagata, através de toda a Sabedoria-Búdica, conhecerá e verá completamente aquela pessoa. Aquela pessoa alcançará ilimitado e incomensurável mérito e virtude.”

Comentário:

O dharma real que o Tathagata obteve é verdadeiro, sabedoria real, nem verdadeiro nem falso. O dharma é Verdadeira Vacuidade, destituído de substância existente real. Nem falso significa que embora o dharma não possua substância, dentro da verdadeira vacuidade está contida a Existência Maravilhosa da Marca Real. Como o dharma é existência maravilhosa, também é dito não ser vazio. A verdadeira vacuidade não obstrui a existência maravilhosa, a existência maravilhosa não obstrui a verdadeira vacuidade. Assim, o dharma é nem verdadeiro nem falso.

Isso significa que não há apego às marcas. O abandono do apego às marcas é o princípio da Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

O Buda em seu Assento

Então, ele arrumava seu assento e sentava. Encerrada a mendicância, a refeição, depois de guardar o seu robe e a tigela, e limpar os pés – após essa rotina básica ter sido atendida – o Buda então arrumava o seu assento e sentava. Isto não significa que ele empilhou almofadas ao chão e nos encostos ao redor e então relaxou-se sobre um almofadado macio como algumas pessoas fazem. Significa que ele fez um gesto ou dois – endireitou um tapete, arrumou o assento um pouco, e então sentou-se.

O Prajna da Marca Real estava expresso no cumprimento da rotina diária do Buda. Isto não quer dizer que a ênfase era colocada no cumprimento (da rotina) em si, para anunciar: “Eu cultivo!” Ao invés, se alguém compreende o dharma, tudo é cultivação. Não se trata de alguém que simula os modos de um cultivador experiente declarando: “Olhem para mim, eu sento aqui assim!”, ao passo que no próximo minuto encontra-se inquieto, contorcendo-se, e falando a mil por hora. Pessoas que cultivam a Via raramente falam. Não falam muito. Se você fizer isso, irá prejudicar o cultivo das outras pessoas tanto quanto o seu próprio cultivo. Num lugar onde a Sangha vive não se pode ouvir o som de uma simples voz. Se a conversa é necessária, esta é feita em muito baixos tons, de modo a não perturbar os outros. Pessoas que desejam empreender esforços no cultivo da Via devem estudar (a conduta de) o Buda e em cada movimento, cada gesto, evitar a obstrução dos outros.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

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