O Remédio de Um Único Sabor

“Também, oh bom homem! Como um exemplo, existe um remédio nos Himalayas chamado ‘paladar agradável’. Seu sabor é muito doce. Ele cresce escondido sob o denso crescimento de plantas, e não podemos vê-lo facilmente. Mas a partir do seu aroma, podemos saber o paradeiro desse remédio. Em tempos passados houve um Chakravartin que, colocando tubos de madeira aqui e ali nos Himalayas, colheu esse remédio. Quando ele amadureceu, ele vazou e entrou nos tubos. Seu sabor era perfeito. Quando o rei (o Chakravartin) morreu, esse remédio tornou-se azedo, salgado, doce, amargo, picante, ou suave. Assim, aquilo que é único (no sabor), apresenta diferentes paladares de acordo com os diferentes lugares. O verdadeiro sabor do remédio permanece nas montanhas; é como a lua cheia. Qualquer mortal comum, estéril em virtudes, pode trabalhar duro, cavar e tentar, mas não pode obtê-lo. Somente um Chakravartin, elevado nas virtudes, ao aparecer no mundo pode chegar ao verdadeiro valor desse remédio devido a uma feliz concatenação circunstancial. O mesmo é o caso [aqui]. Oh bom homem! O sabor do Repositório Secreto do Tathagata é também como isto. Encobertos pelo vicejar das impurezas, vestidos na ignorância, os seres não podem esperar vê-lo (ou senti-lo). Falamos de um ‘Único Sabor’. Isso se aplica, por exemplo, à Natureza-de-Buda. Em razão da presença de impurezas, vários sabores aparecem, tais como os do inferno, da animalidade, dos espíritos famintos, dos devas, dos seres humanos, homens, mulheres, não-homens, não-mulheres, Kshatriya, Brâmanes, Vaishya e Sudra.

A Natureza-de-Buda é forte e vigorosa. Ela é difícil de destruir. Portanto, não há nada que possa matá-la. Se houvesse algo que pudesse realmente matá-la, a Natureza-de-Buda morreria. [Mas] nada pode de fato destruir essa Natureza-de-Buda. Nada dessa natureza jamais poderá ser cortado. ‘A natureza do Eu nada mais é que o Repositório Secreto do Tathagata’. Esse repositório nunca poderá ser esmagado, atirado ao fogo ou extinto. Embora não seja possível destruir ou vê-lo, podemos conhecê-lo quando atingimos a Iluminação Insuperável. Assim, nada existe de fato que possa matá-lo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

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