Pierre e Marie Curie

Marie, Pierre and Irene Curie Deutsch: Marie, ...

Marie, Pierre and Irene Curie Deutsch: Marie, Pierre und Irene Curie (Photo credit: Wikipedia)

No ano de 1878, no pequeno laboratório de Schutzenberger, na Escola Municipal de Paris, nascia a precursora da física do estado sólido. Era o resultado de uma longa série de pesquisas levadas a cabo por Pierre Curie e seu irmão Jacques. Certos cristais como o quartzo, por exemplo, têm a propriedade de converter tensões mecânicas em impulsos elétricos e vice-versa: às alterações de um campo elétrico respondem com vibrações. A descoberta da piezeletricidade não encerrou os trabalhos de Pierre. Continuando os seus estudos sobre o estado cristalino, determinou a temperatura acima da qual as substâncias perdem as propriedades ferromagnéticas: o ponto de Curie.

Homem esquivo, Pierre vivia exclusivamente em função da física, dedicando à pesquisa todo o seu tempo. Essa situação mudou, porém, quando conheceu uma jovem polonesa – Marja Sklodowska – que, em 1891, com apenas 24 anos, havia deixado sua cidade natal – Varsóvia – e procurado em Paris um clima mais compatível com sua inteligência e seus ideais científicos. Apesar de uma série de fatores adversos que tivera de enfrentar, matriculara-se na Sorbonne.

Entre Pierre e Marja – agora Marie – as afinidades eram perfeitas, tanto sob o aspecto social, como do ponto de vista científico.

Marie, ao lado do homem, via também um físico eminente a quem poderia pedir opinião. Pierre, por sua vez, reconhecia a inteligência de Sklodowska, seu raciocínio rigoroso e, principalmente, uma acentuada vocação para a pesquisa. Nessa altura Pierre já havia conquistado certo renome científico, tanto na França como no exterior. Marie era apenas uma estudante de física e matemática. Mas, entre os dois, desenvolveu-se uma amizade profunda, consolidada um ano depois com o casamento. Nesse mesmo ano, 1895, Pierre defendia sua tese de doutoramento sobre magnetismo a temperaturas variáveis.

Casada, Marie Curie passou a cuidar do lar, não se descuidando todavia de suas pesquisas. Em 1897 nascia lrène, futuro Prêmio Nobel de Química.

Marie publicava os resultados de suas primeiras pesquisas e preparava sua tese de doutoramento. Foi atraída pelos trabalhos de Becquerel que, dois anos antes, descobrira que um minério de urânio colocado sobre uma chapa fotográfica envolta em papel preto, produzia uma impressão análoga à que poderia produzir a luz. Becquerel percebeu que essa impressão era devida a uma radiação que atravessava o papel. Essa propriedade não dependia de uma insolação preliminar e persistia quando o minério era conservado no escuro durante meses. Mas de onde provinha a energia emitida em forma de radiação pelos minerais de urânio?

Hangar

Hangar da Escola de Física e Química

Instalando num lugar úmido da Escola de Física e Química uma câmara de ionização e alguns instrumentos de detecção criados por Pierre, o casal procurou a resposta. Por meio de um eletrômetro conseguiram medir tais radiações, afirmando que elas eram uma propriedade atômica do elemento urânio. Sua intensidade era proporcional à quantidade de urânio presente na substância, não dependendo do estado de combinação química, nem de circunstâncias exteriores.

O casal Pierre-Marie foi mais além: o urânio não era o único elemento que apresentava tal propriedade. Os sais de tório emitiam radiações análogas.

Como resultado de todo esse longo trabalho, iniciado pelo físico alemão Konrad von Roentgen, continuado por Becquerel e concluído pelo casal, nascia o estudo do fenômeno da radiatividade.

Pierre e sua companheira deram mais um passo à frente. Em uma comunicação à Academia de Ciências, a 12 de abril de 1898, anunciaram que a pechblenda – óxido de urânio – era bem mais ativa que o próprio metal. Tal fato levava a crer que o minério continha, além do urânio, outro elemento.

Conseguiram do governo austríaco uma tonelada de pechblenda, proveniente das minas de Joachimsthal. Quebrar, ferver, filtrar o minério, lutar contra os gases asfixiantes, foi um trabalho árduo, mas compensador. Em julho do mesmo ano informavam que haviam conseguido isolar da pechblenda um metal que, na tabela periódica, seria vizinho do bismuto. Em homenagem à pátria de Marie, foi designado como polônio.

O casal, porém, tinha razões suficientes para acreditar que a presença do polônio não explicava o excesso de radiatividade do minério. Impunha-se repetir toda a tarefa que conduzira à descoberta do polônio. E, novamente, os resultados foram positivos. Não havia mais segredos na radiatividade da pechblenda. Quase no final de 1898, uma comunicação assinada por Marie, Pierre e seu colaborador G. Bémont anunciava a descoberta do segundo elemento radiativo – o rádio.

Perfeitamente identificados em suas pesquisas, tornando assim difícil saber o que pertence a um ou a outro, Pierre e Marie não foram, de início, notados pelos meios científicos. Seus trabalhos eram acolhidos com reservas, pois implicavam a destruição de um conjunto de noções até então plenamente aceitas. E, se a existência do rádio tinha sido comprovada, o seu isolamento ainda não tinha sido concluído. Mas, após quatro anos de luta, o resultado foi feliz: obtiveram 1 decigrama de rádio puro e determinaram o seu pêso atômico: 226. Elemento espontaneamente luminoso, dois milhões de vezes mais radiativo que o urânio, teve seu valor terapêutico rapidamente comprovado. Sua ação sobre o câncer foi testada por Pierre e pelos professores Charles Bouchard e Balthasard.

A essa altura dos acontecimentos, qualquer dúvida sobre o gênio e valor do casal seria gratuita. Em todo o mundo o seu mérito era reconhecido. Mas as maiores honras eram sempre dirigidas a Pierre. O governo francês condecorou-o, e a Sorbonne ofereceu-lhe uma de suas cátedras.

A 25 de julho de 1903, Marie enfrentou o julgamento da Sorbonne. Sua tese Recherches sur tes substances radioo-actives, brilhantemente defendida, concedeu-lhe o título de Doutora em Ciências Físicas, com menção de alto louvor. A Royal Society de Londres solicitou a presença do casal. Nesse mesmo ano foi lançada a segunda edição da memorável tese de Marie, que, juntamente com Pierre e Antoine Henri Becquerel, recebeu o Prêmio Nobel de Física.

A França e o mundo inteiro despertaram para a importância do casal. Criou-se uma cátedra para o cientista na Faculdade de Ciências e Marie foi nomeada chefe de pesquisas do departamento.

Um mês depois nasceu a segunda filha Ève, que seria pianista e, mais tarde, escritora, tendo como obra de maior repercussão a biografia de sua mãe.

A 19 de abril de 1906 um trágico acidente separou o casal: Pierre, ao atravessar a Rua Dauphine, rumo à Sorbonne, foi colhido por uma carruagem.

Marie, profundamente chocada, ocupou a cátedra deixada vaga pelo marido, e, sozinha, continuou sua grande obra científica. Era a primeira vez que uma mulher ocupava tal lugar na Sorbonne.

Em 1908 organizou, reviu e prefaciou as Obras de Pierre. Em 1910 publicou um longo trabalho intitulado Traité de radio-activité.

Nessa época, dividia suas pesquisas entre a física e a química. Em 1911 foi distinguida com um segundo Prêmio Nobel: o de química.

Durante a Primeira Guerra Mundial organizou centros de assistência radiológica para os feridos. Em 1918, restabelecida a paz, Marie retorna às suas pesquisas. Começaram, então, as viagens ao estrangeiro. Em 1921, acompanhada por lrène, visitou os Estados Unidos, onde recebeu das mulheres americanas 1 grama de rádio, que doou ao Instituto Curie de Radioterapia, criado na França. Alguns anos mais tarde chegou mais 1 grama, dessa vez destinado ao Instituto de Rádio de Varsóvia, que Madame Curie dirigia de Paris. Em agosto de 1926, o Brasil também conheceu a famosa cientista.

Pesquisas, viagens e, novamente, o laboratório. Em 1933 publicou Les rayons alfa, bêta et gama des corps radioactifs en relation avec la structure nucléaire: era um esquema de todos os progressos realizados na física nuclear.

Morreu com 67 anos, a 4 de julho de 1934, no sanatório de Sancellemoz, vítima das radiações do próprio elemento que anos antes descobrira. Os precursores da era atômica estavam mortos, mas sua obra não. lrène Curie e seu marido, Fréderic Joliot, assumiriam a responsabilidade de continuar o grande edifício estruturado pelo casal.

Em 1935 receberiam o Prêmio Nobel de Química, pela criação de novos elementos radiativos, isto é, pela descoberta da radiatividade artificial.

Informações obtidas em http://geocities.yahoo.com.br/saladefisica9/. Por razões que desconheço, esse site não está mais disponível.

1 Comentário

  1. 16/06/2011 às 11:28

    Assim é a relação entre irmãos na sociedade humana. Equanto alguns são brilhantes na dedicação perseverente da edificação do bem, outros só fazem enganar, trair ou tirar proveito.
    O casal Curie, diferente de muitos casais, lutaram juntos até serem separados por uma fatalidade. De posse do bastão passado pelo seu marido falecido, Marie Curie assume o comando com a competencia e obstinação invejável, dando um destino honroso para as idéias do marido, bem como as suas próprias. Magnífico! Faz-me lembrar do casal Theóphilo e Yolanda


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