A Reação de Mara

Mas Mara, em vista das legiões que o cercavam, recobrou a sua coragem. Ele disse ao seu filho:

“Para um homem forte, uma batalha pode somente terminar em vitória. Somos bravos; certamente venceremos. Que força esse homem pode ter? Ele está sozinho. Avançarei contra ele com um numeroso exército, e vou derrubá-lo ao pé da árvore.”

“Meros números não constituem o poder de um exército”, disse Sarthavaha, “o sol pode ofuscar uma miríade de vaga-lumes. Se a sabedoria é a fonte do seu poder, um único herói pode derrotar incontáveis soldados.”

Mas Mara não prestou atenção. Ordenou ao seu exército avançar de uma vez, e Sarthavaha pensou:

“Aquele que é insano com orgulho nunca se recuperará.”

O exército de Mara era uma visão temerosa. Armado com lanças, flechas e espadas; muitos carregavam enormes machados de guerra e pesados porretes. Os soldados eram pretos, azuis, amarelos, vermelhos, e suas faces eram aterrorizantes. Seus olhos eram (como) chamas cruéis; suas bocas vomitavam sangue. Alguns tinham as orelhas de bode, outros as orelhas de porco ou de elefante. Muitos tinham corpos semelhantes a um jarro. Um tinha as patas de um tigre, a corcova de um camelo e a cabeça de um burro; um outro tinha a juba de um leão, o chifre de um rinoceronte e a cauda de um macaco. Havia muitos com duas, quatro e cinco cabeças, e outros com dez, doze e vinte braços. Em lugar dos ornamentos, eles usavam mandíbulas, crânios e dedos humanos secos. E balançando suas cabeças peludas, eles avançaram com risadas histéricas e gritos selvagens:

“Eu posso atirar uma centena de flechas de uma só vez; vou agarrar o corpo do monge”. “Minhas mãos podem esmagar o sol, a lua e as estrelas; quão mais fácil será esmagar esse homem e sua árvore”. “Meus olhos estão cheios de veneno (fúria); eles secariam o mar; olharei para ele e queimará até se transformar em cinzas.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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