O Coração Diamantino

O coração que é diamantino (vajra) não se refere ao coração dentro do peito. Aquele coração é carne e tem pouca utilidade quando comparado com o coração diamantino.

O coração de diamante também não é o coração do falso-pensamento, a sexta consciência mental. Os olhos, ouvidos, olfato, paladar, corpo e mente; cada um tem uma consciência.

Os olhos possuem a consciência-da-visão,

os ouvidos possuem a consciência-da-audição,

o nariz possue a consciência-do-olfato,

a língua possue a consciência-do-paladar,

o corpo possue a consciência-do-tato, e

a mente possue a consciência-mental.

As pessoas comuns, cuja consciência não vai além da sexta consciência mental, consideram o coração carnal como se fosse seu verdadeiro coração. Esse é o primeiro engano. O segundo engano é pensar que o seu coração do falso-pensamento é também o seu verdadeiro coração, como fez Ananda no Sutra Surangama.

O Buda disse a Ananda: “Aquele não é o seu coração. É a poeira diante de você, são as marcas do falso vazio da mente que delude a sua verdadeira natureza. Em razão disto, desde tempos imemoriais até a presente vida, você tem tomado um ladrão como seu filho, perdeu a sua fonte original e, desse modo, sujeita-se ao giro da roda.”

Essa passagem do Sutra Surangama é muito importante. Fala da sexta consciência mental que tem uma capacidade excepcional para preocupar-se com pensamentos triviais e inconsequentes. Aqueles falsos pensamentos que são produzidos, remetem a sexta consciência mental subitamente para leste, oeste, norte, sul; e de repente para cima, e de repente para baixo. Não se necessita embarcar num foguete para ir à lua; a mente sozinha dá origem ao pensamento: “Ah, a lua…” e instantaneamente se está lá. Um simples falso pensamento envia alguém direto para a India, um simples falso pensamento e se vai para a China. Produz-se um falso pensamento e as ruas do Japão estão diante dos nossos olhos. O mesmo é verdadeiro com relação à Alemanha, França ou onde quer que se queira; um simples falso pensamento e se está lá.

Ananda pensou que o coração do falso-pensamento fosse o coração real. O Buda disse a Ananda: “Aquele não é o seu coração. O que ele é? Apenas as aparições do falso vazio das partículas de pó diante de você. Essas aparições se manifestam a partir do seu falso pensamento e deludem a sua verdadeira natureza. Desde kalpas imemoriais até agora você tem sempre entendido aquilo como seu coração. Agir assim é como admitir um ladrão como seu filho, e faz com que você perca o conhecimento de sua Fonte (origem) eterna. Aquela fonte é a natureza preciosa eternamente indestrutível, o brilhante coração iluminado. Por essa razão, você aparece e desaparece incessantemente nos seis caminhos do giro da roda.”

O terceiro coração é o coração da verdadeira talidade (suchness) que é a marca real da sabedoria (prajna). O coração da verdadeira talidade é tão grande que não há nada para além dele, e é tão pequeno que não há nada dentro dele. Não se encontrará nada menor ou maior que a verdadeira talidade. O coração da verdadeira talidade é o coração diamantino, a natureza real de cada um de nós.

Original

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