O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

Introdução

Essa história tem como objetivo resgatar fatos e eventos ocorridos durante o trabalho de tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para o português brasileiro, e nos anos posteriores. Como se poderá ver nos episódios que seguem, essa memória, que somente agora vem à luz, revela fatos intimamente ligados aos profundos significados dos ensinamentos do Buda, cristalizados neste que é considerado o Rei dos Sutras. Imensa é a minha gratidão pela oportunidade que tive de realizar esse trabalho, e maior ainda é o débito de gratidão por poder compartilhar aqui neste espaço, os conteúdos e significados dos ensinamentos do Honrado pelo Mundo; e também essa história a discorrer sobre o período mais importante da minha vida, e talvez o motivo de estar de passagem por este Mundo Saha.

Namu Budas! – Minha Homenagem aos Budas do Universo!

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

Estabeleci-me em Belo Horizonte no ano de 2000, levado pelo trabalho de consultoria que vinha exercendo há anos em várias cidades brasileiras. Devido às relações de trabalho, logo se formou um círculo de boas amizades, as quais eu preservo até os dias de hoje. Era final do ano de 2003, início de 2004. Um câncer muito agressivo foi diagnosticado em uma grande amiga, a Silvia Anísio, médica que então conhecera através de minha companheira Maria Auxiliadora. Minha prática naquela ocasião andava estagnada, isto é, sem objetivos claros. Havia me afastado de São Paulo por motivos de trabalho, e fazia as orações diárias de forma burocrática, como se fosse uma obrigação.

Diante daquela notícia, imediatamente reforcei minhas orações, e conversei com a Silvia. Propus-me ir à sua casa todas as manhãs, antes de ir para o trabalho, e lá realizar as orações, basicamente a recitação do NAMU-MYOHO-RENGUE-KYO. Ela aceitou, lembrando que naquela ocasião, por estar já bastante abatida pela doença, ela encontrava-se hospedada e amparada na casa da Cecília e da Cléria, amigas inseparáveis, e assim foi. Ela me dizia que a oração lhe dava conforto, sentia-se melhor.

Em 1987, quando recitei o Daimoku pela primeira vez, no terceiro dia, a Márcia que esperava nosso terceiro filho, teve uma eclampse e ficou entre a vida e a morte na UTI do Hospital Maternidade de Campinas-SP. Isto aconteceu a 13 de fevereiro de 1987, exatos 25 anos atrás. Márcia já era Budista desde 1968, e eu acabara de tomar a decisão de praticar. Naquela ocasião, a Sra. Luzia Koike, que era líder do grupo que passamos a freqüentar, me amparou, não permitindo que eu deixasse de orar o NAMU-MYOHO-RENGUE-KYO ao Gohonzon, indo todas as manhãs antes do trabalho à minha casa, e fazia as orações comigo. Isto foi até Márcia se recuperar, não obstante perdêssemos o bebê. Então, o que fiz por Silvia foi um ato de retribuição dos débitos de gratidão acumulados desde os primórdios da minha prática lá em Campinas.

Desde então, embora em muitas outras ocasiões em que assim procedi tivera alcançado resultados surpreendentes, nesse caso, o estado de saúde da Silvia só piorava. Senti impotência e recorri aos estudos; pois aprendera que Budismo é Fé, Prática e Estudo, e esse pilar do estudo estava fraco, estava cedendo. Voltei às escrituras que possuía em meu acervo pessoal, mas sentia ser insuficiente diante da situação. Pesquisei na internet e encontrei uma tradução do Sutra de Lótus para o português de Portugal, feita por João Rodrigues a partir do original em inglês de Burton Watson, que eu já conhecia. Baixei o arquivo, formatei, imprimi e encadernei. Isto aconteceu em 03/03/2004.

Mas, por que o Sutra? Porque decidi abandonar as idéias próprias, minhas e de outras pessoas do mundo secular. Por quê? Juntos, ou dentre todos os sábios do mundo secular, quem poderia salvar a vida daquela pessoa? E mais: o que é salvar uma vida? Seria devolver um náufrago e seu barco despedaçado às águas tormentosas de Samsara, o Mundo Tríplice? Estava cansado, e já sabia como tudo aquilo iria terminar. Mas senti conforto ao mergulhar na leitura dos ditos dourados do Buda.

Entre 03/03/2004 e 29/09/2004, fiz quatro leituras do Sutra de Lótus em sucessão, e muito concentradamente, grifando trechos importantes, os quais eu repassava para a Silvia entre as orações, com o intuito de ensinar-lhe o desapego às coisas do mundo, dando-lhe força e esperança em sua luta. Finalmente, em seus últimos dias, passei a recitar-lhe o Dharani do Rei da Medicina, que ela ouvia concentradamente, até tornar-se inconsciente.

Eis o Dharani:

“Naquela ocasião, o Bodhisattva Rei da Medicina disse ao Buda: ‘Honrado pelo Mundo, eu agora darei aos pregadores do Dharma um mantra dharani para a sua proteção’.

Ele então falou o mantra, dizendo:

An er. Man er. Mo mi. Mo mo mi. Zhi li. Zhe li di. She li. She li duo wei. Shan di. Mu di. Mu duo li. Suo li. E wei suo li. Sang Ii suo Ii. Cha yi. E cha yi. E chi ni. Shan di. She li. Tuo la ni. E lu qie pe suo. Bo zhe pi cha ni. Mi pi ti. E bian duo luo mi li ti. E tan duo bo li shu di. E jiu li. Mu jiu li. E luo li. Bo luo li. Suo jia cha. E san mo san li. Fo tuo pi ji li zhi di. Da mo bo li cha di. Seng qie nye jyu sha mi. Po she po she shu di. Man duo luo. Man duo luo cha ye duo. You lou duo. You lou duo qiao she liao. E cha luo. E cha ye duo ye. E po lu. E mo rao nuo duo ye.

‘Honrado pelo Mundo, este dharani, este mantra espiritual, este encantamento, foi recitado por Budas iguais em número às areias de sessenta e dois kotis de rios Ganges. Se alguém fizer mal a este Mestre da Lei, ele terá, por conseguinte, feito mal a estes Budas’.”

[Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, Capítulo 26 – Dharani].

Busquei assim proteção para o duro embate contra os demônios da morte.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

4 Comentários

  1. Gilson Fubá said,

    13/02/2012 às 17:17

    Bonito Marcos. Me senti com vontade de também narrar meus mergulhos na transcendência. Me veio à mente os primeiros dias da minha chegada ao Terreiro de Candomblé que participo. Estou lá há onze anos. Um abraço. espero a continuidade.

  2. muccamargo said,

    14/02/2012 às 9:41

    Olá Gilson!

    Por que não? Por que não trazer à luz o “concreto” transcendente que experimentamos, até cotidianamente? Espero que o faça. Quanto à essa história do Sutra de Lótus, muito será revelado aqui. Aguarde.

    Um grande abraço!

  3. marco aurelio da fonseca said,

    26/03/2012 às 13:26

    Marcos, bom dia.
    Mais uma vez aproveito esta oportunidade para lhe agradecer por esta concessao de beneficio que o senhor nos presenteou com seu significado maravilho ,somente um iluminado poderia compilar.

    E agora temos a oportunidade de contemplar seus comentários deste trabalho maravilhoso teu.

    Muita saúde paz e constantes duradouras alegrias para você.

    Marco Aurelio da Fonseca

  4. 10/07/2012 às 18:43

    Arigatougozaimassu,
    Srº Camargo obrigado por compartilhar suas histórias conosco.
    Grande abraço
    Arigatougozaimashita.


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