O Verso 6 do Bodhisattva Samantabhadra

Sutra Guirlanda de Flores
Avatamsaka Sutra

6. Diante dos ‘Faróis dos Mundos’ das dez direções,
que já realizaram o supremo Bodhi,
eu agora peço e rogo a todos eles,
que girem a insuperável, maravilhosa Roda-da-Lei.


As Práticas e Votos do Bodhisattva Samantabhadra

 

Resposta à Gislene Macedo

Gislene escreveu:

“No post – O Vazio Como ‘Não-É’ – Elemento – há essa parte que me inquieta: “Oh bom homem! Eu nunca brigo com o mundo. Por que não? Se o conhecimento mundano diz ‘é’, Eu digo ‘é’; se o conhecimento mundano diz ‘não-é’, Eu, também, digo ‘não-é’.” É aí que engancho porque, como assim essa aceitação?”

O Sutra diz a seguir:

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Você, o Buda, diz que se diz ‘é’ se o conhecimento mundano disser ‘é’, e se o conhecimento mundano disser ‘não-é’, diz-se ‘não-é’. Mas, o que vem a ser ‘é’ e ‘não-é’ do conhecimento mundano?”

O Buda disse: “Oh bom homem! Isso é como quando o mundo diz: ‘A matéria é não-eterna, sofrimento, vazio, e não-Eu’, e as coisas se passam assim até a consciência. Oh bom homem! Isto é o que o conhecimento mundano diz que é um ‘é’, e Eu, também, digo que é um ‘é’. Oh bom homem! O conhecimento mundano diz que a matéria nada tem do Eterno, Êxtase, do Eu e do Puro. Assim se diz do sentimento, percepção, volição, e consciência. Oh bom homem! Isto é onde o conhecimento mundano diz ‘não-é’. Eu, também, digo ‘não-é’.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

O Buda diz: “É como quando…”, significando que se trata de um exemplo. Portanto, creio que essas palavras do Buda, acima, referem-se ao aspecto do ‘Zêlo pelo Dharma Maravilhoso’. Há outros 9(nove) aspectos concernentes a ‘Não Brigar com o Mundo’, e estes estão no post: “Como a Utpala – O Lótus Azul”.

No post “A Qualidade Daquele Que Indaga” lê-se: “Também, ainda há dois tipos de pessoas. Um indaga sobre o que é difícil, e o outro responde bem. Você é o tipo de pessoa que indaga bem sobre o que é difícil; o Tathagata é aquele que responde bem. Oh bom homem! Através dessas questões bem colocadas, pode ocorrer o Giro da Roda-da-Lei, a morte da grande árvore dos 12 elos da causação, a passagem das pessoas através do imenso oceano do nascimento e da morte, o bom combate contra o Rei Marapapiyas, e a derrubada do estandarte vitorioso dos Papiyas.”

Então Gislene, obrigado pela pergunta.

Respeitosamente,

Marcos Ubirajara.

response to gislene macedo.mp3

A Qualidade Daquele Que Indaga

Então o Buda teceu elogios e disse: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! Há dois tipos de pessoas no mundo que são tão raros quanto a udumbara. Um é a pessoa que não comete más ações; o segundo é a pessoa que confessa completamente quando ela pecou. Essas pessoas são extremamente raras. Há ainda dois tipos de pessoas. Um beneficia os outros; o outro relembra bem os benefícios que recebeu. Para além disso, há dois tipos de pessoas. Um aceita novas normas (de conduta), e o outro olha para o que se passou e não esquece. Também, ainda há dois tipos de pessoas. Um faz o que é novo, e o outro pratica o que é antigo. Também, há outros dois tipos de pessoas. Um sente prazer em dar ouvido ao Dharma, e o outro sente prazer em falar do Dharma. Também, ainda há dois tipos de pessoas. Um indaga sobre o que é difícil, e o outro responde bem. Você é o tipo de pessoa que indaga bem sobre o que é difícil; o Tathagata é aquele que responde bem. Oh bom homem! Através dessas questões bem colocadas, pode ocorrer o Giro da Roda da Lei, a morte da grande árvore dos 12 elos da causação, a passagem das pessoas através do imenso oceano do nascimento e da morte, o bom combate contra o Rei Marapapiyas, e a derrubada do estandarte vitorioso dos Papiyas.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 32, sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 6.

the quality of those who asks.mp3

O Impresumível Giro da Roda da Lei

“Oh bom homem! Por exemplo, existe uma situação onde obtemos a consciência visual através da combinação harmoniosa dos olhos, cores, luz e pensamento. Oh bom homem! Os olhos não pensam: ‘Eu farei a consciência surgir’. As cores (que juntamente com a luz são estímulos externos), pensando, nunca dizem: ‘Eu farei a consciência visual surgir’. Nem a consciência diz: ‘Eu surgirei por mim mesma’. Oh bom homem! Essa harmonização das relações causais das leis [isto é, dos dharmas] é drsti [visão]. Oh bom homem! O mesmo é o caso com o Tathagata. Através da combinação harmoniosa das relações causais dos seis paramitas, obtemos drsti [visão]. Oh bom homem! É o mesmo com o Tathagata. Ele perscruta as profundezas de todas as coisas por meio dos seis paramitas e os 37 elementos em prol da Iluminação. Também, nós a chamamos de Giro da Roda-da-Lei, como se ela (a Iluminação), usando a garganta, a língua, os dentes, os lábios e a boca, e através da fala e da voz, falasse do Dharma para Kaundinya e os outros. Este é o porquê não se diz que o Tathagata gira a Roda-da-Lei. Oh bom homem! Aquilo que não é girado é Dharma, Dharma é o Tathagata. Oh bom homem! Através do uso do sílex (pederneira), por meio do atrito, por meio do uso das mãos, usando o capim seco do outono, obtemos o fogo. Mas o sílex não diz: ‘Eu fiz o fogo surgir’. O atrito, as mãos e o capim seco também não pensam: ‘Eu fiz o fogo surgir’. Nem o fogo diz: ‘Eu surgi por mim mesmo’. O mesmo se passa com o Tahagata. Através dos seis paramitas, para falar a Kaundinya, ai ocorre o giro da Roda-da-Lei. Mas o Tathagata, também, não pensa e diz: ‘Eu giro a Roda-da-Lei’. Oh bom homem! Falamos do ‘não-advento’ [não-surgimento, não-ação]. Este é o correto giro da Roda-da-Lei. Este giro da Roda-da-Lei é o Tathagata.

Oh bom homem! Um exemplo: a partir da nata, da água, da batedeira, de um pote e das mãos de uma pessoa a bater, obtemos a manteiga. A nata não pensa para si: ‘Eu virarei manteiga’. Nem mesmo a mão da pessoa pensa para si: ‘Eu farei manteiga’. E a manteiga, também, não pensa para si: ‘Surgirei por mim mesma’. Por meio da ocorrência conjunta de várias relações causais, a manteiga vem a ser. O mesmo se passa com o Tathagata. Ele não pensa e diz: ‘Girarei a Roda-da-Lei’. Oh bom homem! Esse não-advento [não-deliberação das nossas ações; espontaneidade] é senão o giro da Roda-da-Lei. Esse giro da Roda-da-Lei é em si (e ao mesmo tempo) o Tathagata.

Oh bom homem! Através da combinação de coisas tais como corpo (semente), terra, água, fogo, vento, a fertilidade do solo e a estação, um broto (rebento) surge. Oh bom homem! A semente também não diz: ‘Eu evocarei o broto’. Nem o trabalho (o agricultor) em si pensa e diz: ‘Eu evocarei o broto’. Nem o broto diz: ‘Eu surgirei’. O mesmo é o caso com o Tathagata. Até o fim, ele não pensa e diz: ‘Eu faço girar a Roda-da-Lei’. Esse giro da Roda-da-Lei [‘Dharmacakra-pravartana’] é o Tathagata.

Oh bom homem! Como um exemplo: através da conjunção de um tambor, do vazio, do couro e de uma baqueta, obtemos o som de um tambor. O tambor não pensa e diz: ‘Eu evocarei o som’. O mesmo acontece com a baqueta. Nem o som diz: ‘Surgirei’. Oh bom homem! O mesmo se passa com o Tathagata. Até o fim, ele não pensa e diz: ‘Eu giro a Roda-da-Lei’. Oh bom homem! Giro da Roda-da-Lei significa ‘não-feito’. Não-feito é o giro da Roda-da-Lei. O giro da Roda-da-Lei é o Tathagata.

Oh bom homem! Giro da Roda-da-Lei é o que acontece no mundo do Buda-Honrado-pelo-Mundo. Não é algo que possa ser compreendido por Sravakas e Pratyekabudas. Oh bom homem! O espaço não é ser-nascido, nem surgido, nem-feito, nem construído, e nem o que é criado. O mesmo se passa com o Tathagata. Ele não é ser-nascido, nem surgido, nem construído, e nem o que é criado. Assim como para a natureza do Tathagata, é a Natureza-de-Buda. Ela não é um ser-nascido, nem surgido, nem feito, nem construído, e nem o que é criado. ”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

Interessante ler: O Giro da Roda da Lei

O Voto dos Mahasattvas, O Rugido do Leão

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo olhou para os oito bilhões de Nayutas de Bodhisattvas Mahasattvas. Todos aqueles Bodhisattvas eram Avaivartikas que giraram a irreversível Roda da Lei e que tinham obtido todos os Dharanis. Eles imediatamente levantaram-se dos seus assentos, vieram para diante do Buda, e com o pensamento único e as palmas das mãos unidas, pensaram: “Se o Honrado pelo Mundo ordenasse-nos a manter e pregar este Sutra, seguiríamos a instrução do Buda e vastamente proclamaríamos esta Lei”. Eles ainda pensaram: “O Buda agora se encontra em silêncio e não dará ordens. O que faremos”?

Então, todos os Bodhisattvas reverentemente atenderam ao desejo do Buda, e desejando cumprir seus próprios votos do passado, foram diretamente para diante do Buda e emitiram o rugido do leão proclamando este voto: “Honrado pelo Mundo, após a extinção do Tathagata, circularemos através das dez direções para induzir os seres viventes a copiar este Sutra, receber, manter, ler, recitar e expor o seu significado, praticar de acordo com a Lei e conservá-lo apropriadamente em seus pensamentos. Tudo isso faremos através do poder transcendental do Buda. Somente rogamos que o Honrado pelo Mundo, embora residindo em uma outra direção, conceda-nos de longe a sua proteção”.

Excerto do CAP. 13: Exortação para Abraçar o Sutra, pág. 246.

A Lei da Causação

“Quanto às minhas próprias e vossas causas e condições anteriores,
eu agora direi: todos vocês, ouçam bem!”.

(CAP. 06: Concessão de Profecias)

“Naquela ocasião, o Tathagata Vitória da Sabedoria da Grande Penetração, tendo recebido a súplica dos Reis do Céu Brahma das dez direções, bem como dos dezesseis príncipes, girou três vezes a Roda da Lei de doze partes, que não pode ser girada por Shramanas, Brahmans, Seres Celestiais, Maras, Brahmas, ou quaisquer outros seres do mundo. Ele disse: ‘Este é o sofrimento. Esta é a origem do sofrimento. Esta é a extinção do sofrimento. Este é o caminho para a extinção do sofrimento’”.

“E assim, extensivamente ele discorreu sobre a Lei das doze causas e relações, ou Lei da causação: ‘A ignorância causa a ação. A ação causa a consciência. A consciência causa o nome e a forma. O nome e forma causam os seis sentidos orgânicos. Os seis sentidos orgânicos causam o contato. O contato causa a sensação. A sensação causa o desejo. O desejo causa o apego. O apego causa a existência. A existência causa o nascimento. O nascimento causa a velhice e a morte; a aflição e a dor; o sofrimento e a angústia. Quando a ignorância é extinta, as ações são extintas. Quando as ações são extintas, então a consciência é extinta. Quando a consciência é extinta, então o nome e a forma são extintos. Quando o nome e a forma são extintos, então os seis sentidos orgânicos são extintos. Quando os seis sentidos orgânicos são extintos, então o contato é extinto. Quando o contato é extinto, então a sensação é extinta. Quando a sensação é extinta, então o desejo é extinto. Quando o desejo é extinto, então o apego é extinto. Quando o apego é extinto, então a existência é extinta. Quando a existência é extinta, então o nascimento é extinto. Quando o nascimento é extinto, então a velhice e a morte; a aflição e a dor; o sofrimento e a angústia são extintos’”.

“Quando o Buda pregou esta Lei, em meio à grande assembléia de seres celestiais e humanos, seiscentas miríades de milhões de Nayutas de seres humanos, em razão de não mais se apegarem a quaisquer coisas do mundo fenomenológico, tiveram seus pensamentos libertos de todas as falhas. Todos eles atingiram uma profunda e sutil concentração Dhyana, as Três Compreensões, os Seis Poderes das Penetrações, e tornaram-se dotados das oito Emancipações. Na segunda, terceira e quarta vezes que ele expôs esta Lei, bilhões de Nayutas de seres viventes, em número como as areias do rio Ganges, também em razão de não mais se apegarem a quaisquer coisas do mundo fenomenológico, tiveram seus pensamentos libertos de todas as falhas. Daquele momento em diante, a assembléia de Ouvintes tornou-se ilimitada, incontável e inconcebível em número”.

Excerto do CAP. 07: A Parábola da Cidade Fantasma, pág. 163.

O Portal

Naquela ocasião, o Buda disse a Práticas Superiores e a todos os grandes Bodhisattvas na assembléia: “Os poderes espirituais de todos os Budas são ilimitados, incomensuráveis e inconcebíveis como esses. Se, utilizando-me desses poderes espirituais, eu pregasse a respeito das virtudes meritórias deste Sutra durante ilimitados, incomensuráveis centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas de kalpas, eu não terminaria de fazê-lo. Em essência, todas as Leis do Tathagata, todos os poderes espirituais superiores do Tathagata, todos os repositórios secretos do Tathagata e todas as profundas doutrinas do Tathagata são todas proclamadas e reveladas neste Sutra”.

“Portanto, todos vocês, após a passagem do Tathagata à extinção, deveriam com um pensamento único recebê-lo, ostentá-lo, lê-lo, recitá-lo e explicá-lo, copiá-lo e praticá-lo como ensinado. Aqueles que receberem-no, ostentarem-no, lerem-no, recitarem-no, explicarem-no, copiarem-no e praticarem-no como ensinado, qualquer que seja a terra onde estejam, naquele lugar onde o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa for ostentado, seja num jardim, numa floresta ou sob uma árvore; nos aposentos da Sangha; na casa dos governantes, num palácio ou salão, nas montanhas, vales ou selvas; em todos esses lugares dever-se-ia construir uma torre e fazer-lhe oferecimentos”.

 “Por que razão? Saibam que este lugar é o Portal através do qual os Budas alcançam o Anuttara-Samyak-Sambodhi, onde todos os Budas giram a Roda-da-Lei, e onde todos os Budas entram no Nirvana”.

 

Extraído do CAP. 21: Os Poderes Espirituais do Tathagata.

O Portal
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 28/10/2007.

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