Kashyapa, o Buda Brilho da Luz

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este princípio, falou em versos dizendo:

“Declaro aos Monges que,
através do meu olho Búdico,
vejo que Kashyapa numa era futura,
há incontáveis kalpas desta,
tornar-se-á um Buda e que,
no futuro, ele fará oferecimentos,
reverenciará e adorará três trilhões de Budas,
Honrados pelo Mundo.
E, em prol da sabedoria do Buda,
ele cultivará a pura conduta Brahman.
Fará oferecimentos ao supremamente Honrado,
Duplamente Realizado,
e então cultivará e praticará a sabedoria insuperável.
Em sua última encarnação ele tornar-se-á um Buda.

Sua terra será pura,
com o chão feito de lápis-lazúli,
e com muitas árvores de jóias perfilando os caminhos;
e suas estradas serão demarcadas por cordas de ouro,
deleitando a todos que verem-nas.
Uma fina fragrância sempre se fará sentir,
de flores raras que por lá se espalharão,
sendo adornada com toda a sorte de artigos raros.
A terra será lisa e plana,
sem montanhas ou ravinas.

A assembléia dos Bodhisattvas será em número incontável,
suas mentes serão gentis.
Tendo ganhado grandes poderes espirituais,
eles reverentemente manterão em observância os sutras do Grande Veículo do Buda.

A assembléia dos Ouvintes,
já sem falhas e em sua última encarnação,
Filhos do Rei do Dharma,
também será para além de todas as contas.
Tão imensa será que,
mesmo através do Olho Celestial,
seu número não poderá ser estimado.

Seu tempo de vida como um Buda será de doze kalpas menores,
e sua Lei Pura permanecerá no mundo por vinte kalpas menores.
Sua Lei adulterada perdurará também por vinte kalpas menores.

O Honrado pelo Mundo, chamado Brilho da Luz,
terá uma história como esta”.

CAP. 06: A Concessão de Profecias, pág. 136.

Kashyapa
Estatua de Kashyapa, feita em madeira, datada de 1700, Coréia.

Detalhes sobre a estátua, veja em The Metropolitan Museum of Art.

Nara e Kyoto

Nara, que foi a capital do Império Japonês no século 8, permanece sendo um dos grandes centros históricos do Budismo do Leste Asiático. Tanto dentro como ao redor do parque histórico de Nara estão pagodes, antigos santuários Budistas e Xintoístas, jardins formais, o importante Museu Nacional de Nara, e o não menos importante Templo Todaiji com a sua imensa estátua do Buda em bronze.

Todaiji
Templo de Todaiji em Nara.

Todaiji
O Grande Buda de bronze em Todaiji.

Imagens obtidas de Wikipedia, a enciclopédia livre.

A Beleza da antiga Kyoto reside nos seus numerosos templos Zen datando do período Hieian, e nos famosos jardins dos templos Tenryuji e Ryoan-ji. O Zen é uma tradição viva e estudantes ocidentais são aceitos em alguns templos de Kyoto, bem como em muitos dos mais antigos monastérios no norte da ilha do Japão.

Tenryuji
Templo de Tenryuji em Kyoto.

Imagem obtida de Japanese Lifestyle

O Legado do Sutra de Lótus

Na grande assembléia, vendo os dois Tathagatas sentados na posição do lótus aberto sobre o trono de leão no interior da Torre de Tesouro, todos tiveram esse pensamento: “Os Budas encontram-se sentados tão altos e distantes. Gostaríamos que o Tathagata usasse o poder das suas penetrações espirituais e permitisse-nos a todos residir no espaço vazio[1]”.

O Buda Shakyamuni então, usou seus poderes espirituais e alçou toda a assembléia no espaço vazio. Com uma poderosa voz ele dirigiu-se à Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes, dizendo: “Quem, neste mundo Saha, poderá amplamente expor este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa? Agora é o tempo apropriado, porque o Tathagata em breve entrará no Nirvana. O Buda deseja legar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”.


[1] O Buda diz em sua preleção sobre “entrar no quarto do Tathagata, vestir o robe do Tathagata e tomar o assento do Tathagata”, que essa última condição (tomar o assento do Tathagata) significa residir no espaço vazio.

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 223.

A Abertura da Torre de Tesouro

Então, o Buda Shakyamuni, vendo que em suas emanações estavam todos reunidos ali, cada qual sentado num trono de leão, e ouvindo que todos os Budas juntos desejavam que a Torre de Tesouro fosse aberta, imediatamente alçou-se do seu assento ao espaço vazio. Todos os presentes na Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes levantaram-se, juntaram as palmas das suas mãos e em pensamento único contemplaram o Buda.

Então, o Buda Shakyamuni, usando o seu indicador direito, abriu a porta da Torre dos sete tesouros, emitindo um grande som como o de uma tranca sendo removida de um grande portão de uma cidade. Dessa forma, todos os presentes na assembléia puderam ver o Tathagata Muitos Tesouros sentado sobre o trono de leão dentro da Torre de Tesouros, seu corpo íntegro e incorruptível como se estivesse em meditação (Samadhi) Dhyana. Eles também lhe ouviram dizer: “Excelente! Excelente! Buda Shakyamuni! Pregue logo o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa! Eu vim aqui para ouvir este Sutra”!

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 222.

Manjushri, o Príncipe do Dharma

Quando o Buda projeta esse raio de luz,

eu e os outros nesta assembléia vemos,

dentro daqueles reinos e terras[1],

as muitas maravilhas especiais.

O poder espiritual dos Budas e a sua sabedoria são muito raros,

emitindo uma única e pura luz,

eles podem iluminar ilimitadas terras.

Vendo isto, todos têm obtido aquilo que nunca tivéramos antes.

Discípulo do Buda, Manju,

por favor, elimine as dúvidas da assembléia.

 

A multidão dos quatro tipos de crentes, com alegria,

olha para você, humano, e para mim.

Por que o Honrado pelo Mundo emitiu tal resplandecente luz?

Discípulo do Buda, responda agora,

elimine nossas dúvidas, para que possamos exultar.

Que benefício está para ser ganho a partir da emissão dessa luz brilhante?

Que Lei maravilhosa o Buda alcançou quando ele tomou o assento do Dharma?

Ele deseja pregá-la agora?

Ou ele fará profecias?

As manifestações das terras Búdicas,

adornadas com muitas jóias e purificadas,

bem como a visão dos Budas não prenuncia pequenas coisas.

Manju, como seria de se esperar,

a assembléia dos quatro tipos de crentes, dragões e espíritos,

olha para você, humano, com esperança;

o que está para ser pregado?”

 

Naquele momento, Manjushri dirigiu-se ao Bodhisattva e Mahasattva Maitreya e a todos os grandes senhores, dizendo: “Bons homens, em minha opinião, o Buda, o Honrado pelo Mundo, agora deseja pregar a grande Lei, fazer cair a grande chuva da Lei, tocar a grande concha da Lei, bater o grande tambor da Lei, e proclamar a grande doutrina da Lei”.

CAP. 01 – Introdução, pag. 16

O Buda Shakyamuni disse a Sabedoria Acumulada: “Bom homem, espere mais um momento. Há um Bodhisattva chamado Manjushri com o qual você deve reunir-se e discutir a Lei Maravilhosa. Então, você poderá retornar à sua terra”.

CAP. 12 – Devadatta, p. 235

O Príncipe do Dharma Manjushri, vendo as flores de lótus, perguntou ao Buda: “Honrado pelo Mundo, qual é a razão deste presságio, esses muitos milhares de miríades de flores de lótus, suas hastes de ouro de Jambunada, suas folhas de prata, seus pistilos de diamante e seus cálices de kumshuka”?

CAP. 24 – O Bodhisattva Som Maravilhoso, p. 377


[1] Tornam-se igualmente iluminados. Adquirem a mesma iluminação do Buda ou visão do Buda. Nesta visão, o Bodhisattva Maitreya do presente revela-se ser o discípulo Ávido da Fama do passado, e o Bodhisattva Manjushri era então o Mestre da Lei Luz Maravilhosa como será visto adiante.

Manjushri
Manjushri em escultura japonesa em bronze.

Sanskrito:  Mañjuśrī
Chinês:
  文殊, 文殊師利
Japonês:
  Monju, Monjushuri
Tibetano:
  Jampelyang
Coreano:
  Munsu
Vietnamita:
  Văn-thù-sư-lợi

Imagem obtida de Wikipedia, a enciclopédia liver.

A Purificação das Terras Búdicas

Então, o mundo Saha foi transformado numa terra de pureza, tendo lápis-lazúli[1] como solo e adornado com árvores de jóias. Seus oito caminhos foram demarcados com cordas de ouro. Nele não mais havia cidades, vilas, oceanos, rios, córregos, montanhas, talvegues, florestas ou matas. Preciosos incensos eram queimados e flores de Mandarava cobriam completamente o chão. Acima dele esvoaçavam mantos de jóias e em estandartes pendiam sinos cravejados de jóias. Somente aqueles na assembléia permaneceram. Todos os demais foram removidos para uma outra região.

Então, todos os Budas, cada qual trazendo consigo um grande Bodhisattva como assistente, chegaram ao mundo Saha e assentaram-se sob uma árvore de jóias. Cada árvore de jóias media quinhentas Yojanas na altura e era adornada com galhos, folhas, flores e frutos. Sob cada árvore de jóias estava um trono de leão medindo cinco Yojanas na altura e adornado com grandes jóias. Então, cada um dos Budas sentou-se na postura de lótus, cada qual no seu próprio trono.

Dessa forma, aos poucos, as terras de três milhões de grandes mundos foram preenchidas, quando ainda nem haviam chegado todas as emanações do Buda Shakyamuni de uma única direção.

Então o Buda Shakyamuni, desejando acomodar as suas emanações, em cada uma das oito direções, transformou duzentas miríades de milhões de Nayutas de terras, purificando-as todas. Elas tornaram-se sem infernos, espíritos famintos, animais ou Asuras. Os seres celestiais e humanos foram removidos para outras terras[2]. Todas as terras por ele transformadas tinham o solo de lápis-lazúli e eram adornadas com árvores de jóias tendo quinhentas Yojanas de altura, decoradas com galhos, folhas, flores e frutos. Sob cada árvore encontrava-se um rico trono de leão com cinco Yojanas de altura e decorado com vários tipos de gemas preciosas. Não havia oceanos, rios ou córregos; nem as montanhas Mucilinda ou Mahamucilinda; nem as montanhas do Círculo de Ferro ou do Grande Círculo de Ferro; e nem o Monte Sumeru ou quaisquer outros tipos de montanhas. Todas aquelas terras tornaram-se terras do Buda. A rica terra era lisa e plana, inteiramente coberta com dosséis bordados de jóias e estandartes pingentes. Preciosos incensos eram queimados e preciosas flores celestiais cobriam o chão.

 


[1] Lápis-lazúli ou Lazurita: cristal isométrico, dodecaédrico de cor azul-violeta, do grupo dos feldspatóides.

[2] O Buda Shakyamuni purificou as terras das 8 (oito) direções tornando-as terras Búdicas. Para isso, as transformou, tornando-as livres dos baixos estados, nomeadamente: inferno, fome, animalidade e ira. Livrou-as igualmente dos estados ilusórios ou intermediários, a saber: tranqüilidade (humanidade) e alegria, correspondendo a seres humanos; e erudição (ouvinte) e absorção (pratyekabuda), estes correspondendo aos seres celestiais. Este capítulo sobre “O Aparecimento da Torre de Tesouro” é, em essência, o início da pregação da Verdadeira Lei, tendo esta sido pronunciada e testemunhada pelo Buda Muitos Tesouros. Por essa razão são purificadas as terras Búdicas das oito direções, pois, o que está para ser pregado é “um ensino para instruir Bodhisattvas”. As emanações do Buda que se encontravam naquelas terras das oito direções, estavam a pregar ensinos provisórios, através dos meios hábeis, para conduzir os seres a este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Os capítulos anteriores a este podem ser vistos como meros expedientes ou meios hábeis também. Agora, o Buda irá revelar a Verdade diretamente para uma assembléia de Bodhisattvas, agora Mahasattvas. Os Budas que são suas emanações, e que vêm dessas terras já purificadas, chegam ao mundo Saha acompanhados apenas de um Grande Bodhisattva, pois, a entrada de um Buda neste mundo pode unicamente acontecer através do Portal do Bodhisattva ou do Grande Veículo. Esse poder de purificar os mundos das oito direções é que fará com que o Buda profetize a iluminação de Devadatta (um ser do estado de inferno) no capítulo seguinte. A compreensão deste poder é que torna a pessoa uma verdadeira devota deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 218.

lazurita
Cristal lapidado de lápis-lazúli ou lazurita

Informações e imagens do lápis-lazúli obtidas do Atlas de Minerais e de Rochas – Museu Heinz Ebert – UNESP

Ver em Cristal Perfeito: O Solo de Cristal das Terras Búdicas.

As Cavernas de Yung-kang e Lung-men

Yung-kang é um dos mais fascinantes lugares Budistas pela surpreendente simplicidade de seus imensos Budas esculpidos na pedra e a delicada ornamentação de seus relêvos narrativos. O trabalho das cavernas-santuários foi iniciado pelo imperador da primeira dinastia Wei, por volta de 460 DC, como uma resposta à perseguição aos Budistas ocorrida nos vinte anos prévios. Nas décadas seguintes, nos penhascos de rocha calcária de Lung-men, durante os séculos 5 e 6, a monumental escultura da dinastia Wei alcançou uma perfeição espiritual e estética jamais repetida. Os Budas gigantes de Yung-kang lembram protótipos indianos. Em Lung-men, os motivos de um Budismo primitivo e do Budismo Mahayana convergem para uma linguagem graciosa, serena e autenticamente Chinesa.

As cavernas de Lung-men
A Grande Caverna Fengxian.

As cavernas de Lung-men
O Grande Buda da Caverna Fengxian.

Imagens obtidas de Sacred Destinations.

O Solo de Cristal das Terras Búdicas

Naquele momento o Buda emitiu um raio de luz do seu tufo de cabelos brancos que tornou visíveis os Budas das terras na direção leste, iguais em número aos grãos de areia de quinhentas miríades de milhões de Nayutas de rios Ganges. Todas aquelas terras Búdicas tinham o solo de cristal, e eram adornadas com árvores e mantos de jóias. Incontáveis milhares de miríades de milhões de Bodhisattvas preenchiam-nas. Eles eram cobertos com dosséis e mantos de jóias. Os Budas naquelas terras, com um grande e maravilhoso som, estavam pregando a Lei. Também eram vistos ilimitados milhares de miríades de milhões de Bodhisattvas preenchendo aquelas terras e pregando a Lei para as multidões. Assim foi também na direção sul, oeste, norte, nas quatro direções intermediárias, bem como acima e abaixo, em toda a parte onde a luz do tufo de cabelos brancos resplandeceu.

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 218.

Terras Búdicas
Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 01/06/2008.

Ver em Cristal Perfeito: A Purificação das Terras Búdicas.

Diante da Ira e da Provocação

Aquele que vê o Buda em seu opressor, encontra-se no estado de Buda.
Aquele que lhe aponta o caminho, encontra-se no estado de Bodhisattva.
Aquele que percebe que a causa da provocação encontra-se em si próprio e age para removê-la, é um Pratyekabuda.
Aquele que medita e investiga a verdadeira razão das ofensas, é um Ouvinte.

Porém, aquele que encontrar-se no estado de alegria, perdê-la-a;
e aquele que encontrar-se no estado de tranqüilidade, perdê-la-a.

Aquele que encontrar-se no estado de ira, encontrará o parceiro ideal para trilhar os caminhos do inferno.

Campinas, 18 de Julho de 1989.

Veja também no blog Samsara: Elogios e Acusações.

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