Parábola da Fonte Límpida

“Oh bom homem! Não diga que os seres não têm a Natureza de Buda apenas em razão da mente retroativa. Por exemplo, duas pessoas ouvem: ‘Numa outra terra, existe uma montanha feita dos sete tesouros. Na montanha, existe uma fonte límpida, cuja água é doce. Caso uma pessoa encontre essa fonte, ela acabará com a pobreza, e qualquer um que beba a sua água obterá longa vida. Mas, o caminho até lá é longo e escarpado. Então, ambos desejam ir até lá. Uma das pessoas vai equipada com vários utensílios de viagem, enquanto a outra vai despreparada, não portando sequer as rações de alimentos. Elas estão caminhando juntas, quando ao longo do caminho encontram um homem que tem abundância de tesouros, completos nas sete raridades. Os dois vão a essa pessoa e indagam: ‘Existe alguma montanha dos sete tesouros naquela terra’? O homem responde: ‘Realmente, existe essa terra, isto não é falso. Eu já obtive os tesouros. Degustei a água. A única coisa a preocupar é que o caminho é escarpado, e há muitos ladrões, cascalhos e espinhos; plantas aquosas (suculentas) são raras. Milhares de milhões (de pessoas) vão, mas poucos são os que chegam ao fim’. Ao ouvir isto, um dos homens arrepende-se e diz: ‘O caminho é longo e há mais que um problema. Incontáveis são aqueles que vão e poucos chegam ao fim. Como posso esperar encontrar esse lugar? No presente, tenho o que necessito ter. Se me apegar ao que tenho, não perderei minha vida. Se a vida estiver em jogo, como poderei pensar em longevidade’? O outro homem também diz: ‘As pessoas, de fato, vão; eu também irei. Se eu realmente alcançar aquele lugar, terei as raridades e o doce sabor da água. Se eu não puder, deixarei minha vida terminar lá’. Ora, um se arrepende após ter começado e retorna, enquanto o outro segue, alcança a montanha e as raridades, e saboreia a água que ele deseja degustar. Carregando tudo o que ele obteve, ele volta para onde ele vive, serve seus pais e seus ancestrais.

Então, aquele arrependido após ter começado a viagem, e que voltou, vê isto e é acometido de uma febre. ‘Ele foi e agora voltou. Como posso ficar aqui’? E, equipando-se, reinicia a viagem novamente.

Os sete tesouros podem ser comparados ao Grande Nirvana, a água doce à Natureza de Buda, as duas pessoas a dois Bodhisattvas que inicialmente aspiram ao Bodhi, o caminho escarpado ao nascimento e à morte, o homem que eles encontraram no caminho ao Buda-Honrado-pelo-Mundo, os ladrões aos quatro Maras, os cascalhos e espinhos às impurezas, a falta de plantas aquosas a não-prática da Via do Bodhi, aquele que retorna ao Bodhisattva retroativo, e aquele que segue sozinho a um Bodhisattva não-retroativo.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 34, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 2.

parable of the clear spring.mp3

Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

2 comentários

    1. Sim, End! O importante é caminhar. E tal é a benevolência desse Dharma, que mesmo aqueles que caminham de volta, cansados e temerosos, permanecem na Via.

      Obrigado pela visita!

      Marcos Ubirajara.

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