A Vilania de Devadatta e Sua Punição

Ajatasatru emitiu uma proclamação banindo Devadatta do reinado, e ordenando aos habitantes fecharem suas portas a ele, caso ele buscasse refúgio em seus lares.

Então, Devadatta foi para as proximidades de Cravasti, onde ele esperava ser recebido pelo Rei Prasenajit, mas foi-lhe negada uma audiência desdenhosamente, e foi-lhe dito para deixar o reinado. Frustrado em suas tentativas para atrair seguidores, ele finalmente partiu para Kapilavastu.

Ele entrou na cidade ao anoitecer. As ruas estavam escuras, quase desertas; ninguém o reconhecia quando ele passava, pois como poderia esse monge magro e miserável, esgueirando-se nas sombras das paredes, ser indentificado como o orgulhoso Devadatta? Ele foi direto ao palácio onde a Princesa Gopa vivia em solidão.

Ele foi admitido em sua presença.

“Monge”, disse Gopa, “por que você deseja ver-me? Você me trouxe uma mensagem de felicidade? Você vem com ordens de um esposo que eu reverencio profundamente?”

“Seu marido? Ele pouco se importa com você! Pense no tempo em que ele impiedosamente lhe abandonou!”

“Ele deixou-me em prol da salvação do mundo.”

“Você ainda o ama?”

“Meu amor macularia a pureza da sua vida.”

“Então odei-o com todo o seu coração.”

“Respeito-lhe com todo o meu coração.”

“Mulher, ele rejeitou-lhe; vingue-se!”

“Cale-se, monge. Sua palavras são maldosas.”

“Você não me reconhece? Sou Devadatta, aquele que lhe ama.”

“Devadatta, Devadatta, eu sabia que você era falso e mau; eu sabia que você seria um monge infiel, mas nunca suspeitei da profundidade da sua vilania.”

“Gopa, Gopa, Eu amo você! Seu marido desprezou-lhe, ele foi cruel. Vingue-se. Ama-me!”

Gopa enrubesceu. De seus olhos gentis caíram lágrimas de vergonha.

“É você que me despreza! Seu amor já seria um insulto se fosse sincero, mas você mente quando diz que me ama. Você raramente notou-me nos dias da minha juventude, quando eu era bela! E agora que você me vê, uma mulher velha, desgastada pelos meus deveres austeros, me fala do seu amor, do seu amor vil! Você é o mais desprezível dos homens, Devadatta! Suma! Vá-se embora!”

Em sua ira, ele saltou sobre ela. Ela estendeu sua mão para proteger-se, e ele caiu ao chão. Conforme ele rolava, o sangue jorrava de sua boca.

Ele fugiu. Os Shakyas ouviram que ele estava em Kapilavastu; fizeram-lhe deixar a cidade sob uma escolta de guardas, e ele foi levado para o Buda que decidiria o seu destino. Ele fingiu estar arrependido, mas havia imergido suas unhas num veneno mortal, e conforme se prostrou diante de Mestre, ele tentou arranhar seu tornozê-lo. O Mestre o empurrou com o dedo do pé; então o chão abriu-se; violentas chamas irromperam, e tragaram o infame Devadatta.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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