A Solene Promessa do Buda

Em milhares de miríades de milhões de terras,

eu manifesto um corpo puro e sólido[1],

através de ilimitados milhões de kalpas,

pregando a Lei em prol dos seres viventes.

Se após a minha extinção,

houver alguém que possa pregar este Sutra,

eu enviarei por transformação os Quatro Tipos de Crentes,

Monges e Monjas,

bem como homens e mulheres,

com pureza de fé,

para fazerem oferecimentos ao Mestre da Lei.

Eu introduzirei seres viventes lá para ouvirem a Lei.

Se alguém desejar feri-lo,

com espadas, bastões, cacos ou pedras,

eu enviarei pessoas nascidas por transformação para ajudá-lo e protegê-lo.

Se o pregador da Lei estiver sozinho num lugar inabitado,

onde não exista nenhum som humano,

e estiver lendo e recitando este Sutra,

eu então me manifestarei num puro e radiante corpo[2].

Se ele esquecer uma simples passagem ou sentença,

eu o relembrarei tal que ele o recite continua e suavemente.

Quer pessoas de tais virtudes preguem para a Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes,

ou recitem o Sutra num lugar deserto,

todas elas verão a mim.

 

Se aquela pessoa estiver residindo num lugar vazio,

eu enviarei seres celestiais, reis dragões,

Yakshas, espíritos, e assim por diante,

para tornarem-se ouvintes na assembléia da Lei.

Esta pessoa se deleitará na pregação da Lei,

e a exporá em detalhes sem obstruções.

Em razão dos Budas estarem zelosos e atentos a ela,

essa pessoa poderá fazer a assembléia alegrar-se grandemente.

 

Aquele que se aproxima desse Mestre da Lei,

rapidamente ganhará a Via do Bodhisattva.

Aquele que acompanha esse Mestre no Estudo,

verá Budas incontáveis como as areias do Ganges”.

 


[1] Portanto, intangível (puro), incorruptível e inatacável (sólido).

[2] Reiterada mais adiante, onde o Buda afirma “todas elas verão a mim”, esta é uma promessa solene que nos alegra profundamente só em meditar sobre ela. Todavia, vivemos num mundo conturbado com as nossas mentes apegadas às ilusões da vida mundana. Vivendo em lugares densamente ocupados, em ambientes poluídos sonora e visualmente, cenários de violência, contendas e conflagrações intermináveis, poços da inveja e do ódio; ficamos cada vez mais privados de um lugar apropriado para a meditação e, conseqüentemente, privados da percepção da paz e da pureza de todas as coisas. Essa promessa do Buda, do Honrado pelo Mundo, nos instiga a almejar sair deste lugar atormentado e de sofrimentos sem fim que é o mundo que construímos com base na ambição e no desejo, e que é como uma casa em chamas.

Excerto do CAP. 10: Os Mestres da Lei, pág. 212.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 18/05/2008.

O Estabelecimento do Mestre da Lei

Aquele que prega este Sutra deve entrar no quarto do Tathagata,

vestir os robes do Tathagata,

sentar no trono do Tathagata e,

destemidamente, em assembléia,

expô-lo em detalhes.

Uma grande compaixão é o quarto do Tathagata,

gentileza e paciência são os robes do Tathagata,

o vazio de todos os Fenômenos é o trono do Tathagata.

Estabelecido nisto, aquela pessoa poderá pregar o Dharma[1].

Se, quando uma pessoa prega este Sutra,

alguém caluniá-lo com maledicências,

ou atacá-lo com espadas, bastões, cacos ou pedras,

aquela pessoa, relembrando-se do Buda,

resistirá a isso.

 


[1] As pessoas, para exporem este sutra, devem estar imbuídas do desejo sincero de salvar as outras pessoas (com grande piedade e compaixão), nutrir por elas um profundo respeito (tratando-as com gentileza e paciência), fazê-lo com consciência, desapego aos valores mundanos, e livre das ilusões que os mesmos representam (vacuidade de todos os fenômenos). Em sua escritura intitulada “A Origem de Urabon”, Nitiren Daishonin afirma: “Os espíritos famintos devoradores da Lei renunciam ao mundo para propagar o Budismo somente porque pensam que, se propagarem a Lei, as pessoas os respeitarão. Buscando a fama e a fortuna mundanas, gastam toda a sua presente existência tentando superar os outros em tudo. Eles não ajudam as pessoas e nem tentam salvá-las, nem mesmo os seus próprios pais. Tais indivíduos são denominados espíritos famintos devoradores da Lei, ou aqueles que usam a Lei para satisfazerem seus desejos”. Entenda-se como Lei este Sutra de Lótus, o qual ensina a natureza de Buda inerente a todas as pessoas sem distinção. Aqueles que desta Lei procuram obter benefícios pessoais e, considerando-se superiores, agem arrogantemente sem piedade ou compaixão, destroem o exato âmago deste Sutra de Lótus, podendo ser denominados “espíritos famintos e devoradores da Lei”.

Excerto do CAP. 10: Os Mestres da Lei, pág. 211.

A Iluminação na Forma Presente

“Além disso, Sempre-Vigoroso, se um bom homem ou uma boa mulher, após a passagem do Tathagata à extinção, receber e ostentar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, seja lendo, recitando, explicando-o para outros ou copiando-o, eles obterão mil e duzentas virtudes meritórias da mente. Com suas mentes purificadas, ouvindo não mais que um simples verso ou uma simples sentença deste Sutra, compreenderão ilimitados, incomensuráveis significados. Tendo compreendido esses significados, serão então capazes de expor uma simples sentença ou um simples verso ao longo de um mês, quatro meses ou até um ano. Todas as Leis eles pregarão em concordância com a real intenção e o real significado, e nunca contradirão o Verdadeiro Aspecto daquelas Leis. Se pregarem através de textos mundanos, expondo princípios morais, governamentais, ou seguindo uma carreira profissional para a sua sobrevivência, estarão sempre de acordo com a verdadeira Lei. Nos três mil grandes sistemas de mil mundos, todos os seres viventes dos seis caminhos, seus processos mentais, suas atividades mentais, as frívolas convicções em suas mentes, tudo isso eles conhecerão completamente. Embora não tenham ainda ganhado a sabedoria sem falhas, ainda assim as suas mentes serão tão puras como descrito. Todos os pensamentos destas pessoas, cálculos ou pronunciamentos, estarão de acordo com a Lei Búdica, nunca serão falsos, e estarão de acordo com o que foi pregado nos Sutras dos Budas anteriores[1]”.

 


[1] Com os benefícios da mente, essa pessoa na sua forma presente “conhecerá as Leis superiores, medianas e inferiores. Se ela ouvir não mais que um verso, compreenderá ilimitados significados e os pregará em plena concordância com a Lei”, entendendo as características de todos os fenômenos. Essa pessoa, dotada dos benefícios dos demais órgãos sensoriais do corpo e da mente aqui descritos, é reputada pelo Buda como “Mestre da Lei”, pois, “o quê esta pessoa diz é a Lei dos Budas anteriores, e em razão de ela expor em acordo com esta Lei, ela o faz destemidamente na assembléia”. O Buda ainda afirma “Embora ele ainda não tenha atingido a sabedoria sem falhas, ele já possuirá as marcas acima descritas”. Ao conjunto de benefícios auferidos pelo Mestre da Lei, e expostos acima, podemos nos referir como atingir a iluminação na forma presente.

Extraído do CAP. 19: Os Méritos e Virtudes do Mestre da Lei.

Flor de Lotus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

As Três Grandes Distinções e o Mestre da Lei

“Se uma pessoa, após a minha passagem à extinção,

puder reverentemente manter este Sutra,

suas bênçãos serão ilimitadas,

como acima descrevi[1].

Porque então, ela completará todas as formas de oferecimentos,

e construirá torres votivas às relíquias adornadas com os sete tesouros,

torres altas e amplas, alcançando os Céus Brahma,

ornamentadas com milhões e milhões de sinos cravejados de jóias,

emitindo sons maravilhosos ao vento.

E também, ao longo de ilimitados kalpas,

aquela pessoa fará oferecimentos, a esta torre,

de flores, incenso, contas,

trajes celestiais e todas as variedades de música.

Ela queimará óleos fragrantes em lamparinas,

reluzindo brilhantemente todo o seu redor.

Numa era de maldade, durante o crepúsculo da Lei,

aquela pessoa poderá manter este Sutra,

e poderá então, como mencionado acima,

realizar todos aqueles oferecimentos.

Se uma pessoa puder manter este Sutra,

será como se, na presença do próprio Buda,

ela usasse sândalo cabeça-de-boi para construir aposentos para a Sangha,

como um oferecimento a eles.

Esses trinta e dois salões,

medindo oito árvores tala na altura,

repletos de finas iguarias, indumentárias e aposentos,

onde centenas de milhares possam se acomodar,

serão amplamente adornados com jardins,

bosques, lagos para banho,

trilhas e grutas para a meditação dhyana.

 

Ela poderá, com fé e compreensão,

receber, manter, ler, recitar e escrever,

ou requisitar a outros escreverem,

e fazer oferecimentos a este Sutra,

espalhando flores, incenso e pós perfumados,

e constantemente queimar óleos fragrantes em lamparinas,

feitos de sumana, champaka e atimuktaka.

Aquele que fizer tais oferecimentos obterá ilimitados méritos e virtudes.

Assim como o espaço vazio é infinito,

assim serão suas bênçãos[2].

 

Muito maior é o mérito daquele que mantém este Sutra,

mas que também pratica a doação, observa preceitos,

que é paciente e deleita-se no samadhi dhyana,

que nunca é odioso ou mal-falado,

e que é reverente nas torres e templos,

humilde para com os Monges, livre de arrogância,

e sempre meditando sobre a sabedoria.

Essa pessoa poderá refrear a ira quando indagado sobre questões difíceis,

e será complacente quando fizer explanações.

Aquele que puder desenvolver tais práticas terá ilimitados méritos e virtudes[3].

 

Se virmos um Mestre da Lei dotado de virtudes como estas,

deveríamos espalhar flores celestiais e oferecer-lhe trajes celestiais,

curvarmos com as nossas cabeças aos seus pés,

e considerá-lo como se fosse um Buda.

Deveríamos ainda pensar:

‘Tão logo ele chegue ao Bodhimanda,

atingirá a sabedoria sem falhas e incondicional,

e beneficiará amplamente seres celestiais e humanos’.

Onde quer que tal pessoa esteja,

andando, sentada ou reclinada,

ou pregando mesmo que um simples verso,

deveríamos construir uma torre,

maravilhosamente fina e adornada,

e fazer-lhe todos os tipos de oferecimentos.

O discípulo do Buda, residindo neste lugar,

o considerará como se fosse o Buda,

sempre perseverando nisto,

andando, sentando ou reclinando”.

 


[1] Primeira distinção dos benefícios. Refere-se a escolher este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os demais ensinos.

[2] Segunda distinção dos benefícios. Refere-se a quem elege o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os outros ensinos e ainda o propaga e lhe faz oferecimentos.

[3] Terceira distinção dos benefícios. Refere-se aos que elegem o Sutra de Lótus dentre os outros ensinos, o promovem, fazem-lhe oferecimentos e se conduzem exemplarmente como descrito.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Mestre da Lei
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 15/09/2007.

Fuga de Samsara

Em milhares de miríades de milhões de terras,

eu manifesto um corpo puro e sólido[1],

através de ilimitados milhões de kalpas,

pregando a Lei em prol dos seres viventes.

Se após a minha extinção,

houver alguém que possa pregar este Sutra,

eu enviarei por transformação os Quatro Tipos de Crentes,

Monges e Monjas,

bem como homens e mulheres,

com pureza de fé,

para fazerem oferecimentos ao Mestre da Lei.

Eu introduzirei seres viventes lá para ouvirem a Lei.

Se alguém desejar feri-lo,

com espadas, bastões, cacos ou pedras,

eu enviarei pessoas nascidas por transformação para ajudá-lo e protegê-lo.

Se o pregador da Lei estiver sozinho num lugar inabitado,

onde não exista nenhum som humano,

e estiver lendo e recitando este Sutra,

eu então me manifestarei num puro e radiante corpo[2].

Se ele esquecer uma simples passagem ou sentença,

eu o relembrarei tal que ele o recite continua e suavemente.

Quer pessoas de tais virtudes preguem para a Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes,

ou recitem o Sutra num lugar deserto,

todas elas verão a mim.

 

Se aquela pessoa estiver residindo num lugar vazio,

eu enviarei seres celestiais, reis dragões,

Yakshas, espíritos, e assim por diante,

para tornarem-se ouvintes na assembléia da Lei.

Esta pessoa se deleitará na pregação da Lei,

e a exporá em detalhes sem obstruções.

Em razão dos Budas estarem zelosos e atentos a ela,

essa pessoa poderá fazer a assembléia alegrar-se grandemente.

 

Aquele que se aproxima desse Mestre da Lei,

rapidamente ganhará a Via do Bodhisattva.

Aquele que acompanha esse Mestre no Estudo,

verá Budas incontáveis como as areias do Ganges”.

 


[1] Portanto, intangível (puro), incorruptível e inatacável (sólido).

[2] Reiterada mais adiante, onde o Buda afirma “todas elas verão a mim”, esta é uma promessa solene que nos alegra profundamente só em meditar sobre ela. Todavia, vivemos num mundo conturbado com as nossas mentes apegadas às ilusões da vida mundana. Vivendo em lugares densamente ocupados, em ambientes poluídos sonora e visualmente, cenários de violência, contendas e conflagrações intermináveis, poços da inveja e do ódio; ficamos cada vez mais privados de um lugar apropriado para a meditação e, consequentemente, privados da percepção da paz e da pureza de todas as coisas. Essa promessa do Buda, do Honrado pelo Mundo, nos instiga a almejar sair deste lugar atormentado e de sofrimentos sem fim que é o mundo que construímos com base na ambição e no desejo, e que é como uma casa em chamas.

Extraído do CAP. 10: Os Mestres da Lei.

Flor de Lotus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 24/06/2007.

O Mensageiro do Tathagata

“Rei da Medicina, saiba que esta pessoa renunciou a retribuição devida à pureza do seu Karma e, após a minha extinção, por piedade aos seres viventes, nascerá num mundo de maldade para vastamente proclamar este Sutra”.

 “Se este bom homem ou boa mulher, após a minha extinção, puder secretamente expor mesmo que seja uma simples sentença do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para uma única pessoa, saiba que esta pessoa é um mensageiro do Tathagata, enviado pelo Tathagata para realizar o trabalho do Tathagata[1]”.

 “Quanto mais não é verdadeiro no caso de alguém que possa em meio a uma grande assembléia expor-lhe extensivamente para as pessoas”.

 “Oh! Rei da Medicina, se uma má pessoa de mente doentia aparecesse diante do Buda, caluniando-o e ofendendo-o constantemente pelo tempo de um kalpa, sua ofensa seria relativamente leve se comparada às ofensas de uma pessoa que fale mesmo que uma única má palavra injuriando aquele que lê ou recita o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. A ofensa desta pessoa seria muito mais grave[2]”.

 “Oh! Rei da Medicina, saiba que aquele que lê e recita o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa recebe os adornos do Buda como se fossem seus próprios adornos. Ele carregará o Tathagata em seus ombros. Onde quer que ele vá, ele será bem-vindo com obediência. Com pensamento único, e com as palmas das mãos unidas, farão reverência, oferecimentos, honras e elogios a ele. Ele receberá os mais finos oferecimentos das pessoas, oferecimentos de flores, incenso, contas, incenso em pó, incenso em pasta, incenso para queimar, pálios de seda, estandartes, vestimentas, comidas finas e música. Jóias celestiais espalhar-se-ão sobre ele, e tesouros das mais finas jóias celestiais lhes serão oferecidos”.

 “Qual é a razão? Quando esta pessoa pregar alegremente a Lei, aqueles que ouvirem-na por não mais que um instante encontrarão diretamente o Anuttara-Samyak-Sambodhi final”.

 


[1] Realizar o trabalho do Tathagata tem o sentido de veicular a entrada do Buda neste mundo. Isto só é possível através do Grande Veículo ou Veículo do Bodhisattva. Mais adiante, o Buda afirma: “Este sutra abre o portal dos meios hábeis da Lei”; ou seja, este Sutra dota o Bodhisattva das habilidades do próprio Buda.

[2] Isto, evidentemente, não exclui o devoto. Portanto, abraçar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa significa abandonar a idéia de que existam pessoas boas ou más, principalmente entre aqueles que o abraçam ou que com esse venham estabelecer alguma relação através do próprio devoto. Ofender essas pessoas constitui grave ofensa. Este é um dos profundos significados de: “entrar no quarto do Tathagata, vestir os robes do Tathagata, sentar no trono do Tathagata”. O Buda ainda afirma: “o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender”. Em toda a sua extensão está revelada a verdade: em cada capítulo, em cada verso, em cada palavra ou frase, em cada caractere. É sutil e revelador em cada som que produz encantando seres de todas as espécies. Essa grave ofensa significa insultar o Sutra de Lótus na sua íntegra, insultar todos os Budas do Universo e todos os seres viventes de todos os mundos nas 10(dez) direções. Por isso, essa ofensa supera aquela que uma pessoa poderia fazer a 1(um) Buda. A pessoa que, após a extinção do Tathagata, compreender o profundo significado deste capítulo sobre “O Mestre da Lei”, é o próprio Mestre da Lei; e é também o seu repositório, Rei da Medicina.

Extraído do CAP. 10: Os Mestres da Lei.

O Mestre da Lei
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Serra da Cantarela – 10/06/2007.

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