O Turfe em Copa

O Turfe em Copa[1]

E assim, via-se ORROZ girando nas três raias. Na raia 1 parecia alado, feito de cristal; na raia 2 parecia empacado, prisioneiro de suas próprias visões; na raia 3, aquela dos seis mundos, fulgurava sob os raios do sol escaldante de Samsara e, cada vez que puxado pelas rédeas da reflexão, relinchava um ‘não’ acentuado pelo reluzir de um dente de ouro. Tudo isto, aos olhos dos sábios que secretamente sabem quem vencerá. Quanto aos mortais comuns, poderão arriscar seus palpites aqui.


 

[1] Aqui com o sentido de ‘fechar-se em copa, calar-se amuado’. – em http://www.dicio.com.br/copa/

As Fases da Sombra

ORROZ

Quando o sol se encontra no zênite, ou no nadir, ou quando se oculta atrás das nuvens de Samsara[1], diz-se entre os humanos que a sombra se foi.

Isto (a vida mundana) é como o frescor que reina

quando as nuvens aparecem no céu.

Todos os seres amam e choram.

Todos se debatem nas águas amargas do nascimento e da morte”[2].

“Oh Kashyapa! Não diga que existe uma árvore e que ela não tem sombra (na escuridão). Isto é meramente porque os olhos carnais não podem vê-la”[3].

Em todas essas fases da sombra, não se diga que a sombra se foi, mesmo quando o sol se encontra a pino e dispersa toda a escuridão ao redor. São fases nas quais, pode-se dizer, a sombra recai sobre si e só pode ser vista com os olhos da sabedoria, quando os cinco skandhas[4] estão à flor da pele. Aqui se explicam as caras e bocas, e como sabíamos quem fora o mestre de ORROZ que doravante, pergunta-se, seria uma pessoa nessas fases da sombra, nas quais é impossível perceber a presença de seu fiel alazão que prometeu segui-lo como a sombra segue o corpo?

Certamente. E por quê? Porque todos os seres, indistintamente, experimentam essas fases da sombra, cuja natureza só pode ser reconhecida pelos olhos da sabedoria. Com ORROZ não poderia ser diferente, e este ato encerra-se aqui.

 


 

[1] Mundo Tríplice da matéria, do espírito e do desejo.

[2] Sutra do Nirvana, Capítulo 2 – Sobre Cunda.

[3] Sutra do Nirvana, Capítulo 4 – Sobre Longa Vida.

[4] Cinco skandhas ou agregados que formam a consciência de um humano: tato (forma, matéria, rupa), sensação (sentimento), percepção (intuição), volição (compulsão), e têm-se consciência.

 

Sutra do Nirvana – Cap. 35 – Bodhisattva Rugido do Leão 3

“Existe um homem que é rico e possui grande fortuna. Ele teve somente um filho, o qual já morreu. Seu filho teve um filho, que agora está no estrangeiro. Esse homem, subitamente, morre. O neto, ao ouvir isto, volta e assume a propriedade. Ainda não se sabe onde a fortuna está. Mas, não há ninguém que obstrua ou defenda a posse (da propriedade). Por que não? Porque a dívida é uma (das posses). O caso é o mesmo com os Skandhas do Srotapanna.”

Skandhas: [Os Cinco Agregados que compõem um ser ou indivíduo, a saber: 1. A matéria (corporalidade); 2. As sensações (sentimentos); 3. As percepções; 4. As formações mentais (volição/compulsão); 5. A consciência].

Srotapanna: [isto é, uma pessoa que entrou para o fluxo do Dharma e renascerá no máximo 7 vezes].

Leia mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 35, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 3.

abstract of nirvana sutra chapter 35.mp3

SUTRA DO NIRVANA - CAPITULO 35

Click na imagem para leitura ou download

Destaques deste Capítulo:

A Estampa e o Barro. 3

A Extinção dos Cinco Skandhas. 5

Os Pilares do Samsara. 6

As Oito Analogias. 8

A Analogia Progressiva. 8

A Analogia Reversa. 9

A Analogia Real 9

A Não-Analogia. 10

A Analogia Precedente. 10

A retro Analogia. 11

A Analogia Retro-Precedente. 11

A Analogia Inter-Penetrante. 11

A Analogia da Luz. 12

A Prática da Via. 14

Como Praticar Preceitos, Samadhi e Sabedoria. 17

Como Praticar Preceitos. 17

Como Praticar Samadhi 18

Como Praticar Sabedoria. 18

Shila, Os Preceitos de Moralidade. 19

Os Pilares do Samsara

Rugido do Leão disse: “Não há espinhos no Vazio. Como podemos falar de extraí-los? Nada prende os skandhas. Como pode haver qualquer prisão?”

O Buda disse: “Oh bom homem! A cadeia das impurezas prende os cinco skandhas. Longe dos cinco skandhas, não há impurezas; longe das impurezas, não há cinco skandhas.

Oh bom homem! Os pilares suportam uma casa. Longe da casa não há pilares, e sem quaisquer pilares, não há casa. É o mesmo com os cinco skandhas dos seres. Quando existe impureza, falamos de dependência (servidão). Quando não há impureza, falamos de Emancipação. Oh bom homem! O punho contém a palma (da mão). Os três fatores da dependência, junção e dispersão, nascimento e morte, não são coisas diferentes. O mesmo é o caso com os cinco skandhas dos seres. Quando existe impureza, temos dependência; quando não se tem impureza, existe Emancipação.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 35, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 3.

the pillars of samsara.mp3

A Extinção dos Cinco Skandhas

“Quando alguém se aproxima do Buda, dos discípulos do Buda, e dos Bons Mestres da Via, e quando ouve os 12 tipos de sutras, em razão dessa audição do Dharma, surge um domínio do bem. Quando ele vê o domínio do bem, ele adquire grande Sabedoria. Grande Sabedoria é a visão correta. Quando ele ganha essa visão, se arrepende da vida do nascimento e da morte. Em conseqüência desse arrependimento, nenhuma alegria surge [com relação ao Samsara, nascimento e morte]. Quando ele não sente essa alegria, ele destrói verdadeiramente a mente cobiçosa. Quando ele destrói a mente cobiçosa, ele pratica bem o Nobre Caminho Óctuplo. Quando ele pratica o Nobre Caminho Óctuplo, ele emerge do nascimento e da morte. Quando não há nascimento e morte, ele ganha a Emancipação. Quando o fogo não se junta com o combustível, isso é extinção. Quando não há mais nascimento e morte, dizemos que atravessamos a extinção. Isto é a extinção dos cinco skandhas.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 35, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 3.

the extinction of the five skandhas.mp3

Naufrágio nas Profundezas de Samsara

Gentle Giant – Wreck – Tradução Livre de Marcos Ubirajara, adaptada para o contexto do Budismo

“O embicar do navio do mar para o céu, heyeheh, assim vai…
Apenas um grito de lamento e um choro desesperado, heyeheh, assim vai…
Suas vidas passam diante de si antes que morram, heyeheh.

O mar boceja ao redor como um redemoinho do inferno em ebulição, heyeheh, assim vai…
E as almas (tragadas) desaparecem com o dobre daquele sino, heyeheh, assim vai…
Os braços do mar vão arrastando-os para baixo, heyeheh, assim vai…
Perdidos nas aflições e pecados, eles naufragam, heyeheh.

Como é estranho quando você pensa que o mar era o seu caminho;
e uma morte sem sentido é o preço que pagam.
Por suas vidas serem feitas da profundidade,
para manter os seus em conforto e segurança,
todos os seus e lugares onde vivem,
nunca mais serão vistos novamente,
nunca serão afagados em seu último abraço.
E o beijo (da morte) tem um gosto de sal amargo.

Agora tudo que resta é o cruel e profundo mar, heyeheh, assim vai…
E os destroços das coisas que eram, heyeheh, assim vai…
Nenhuma pedra marca o lugar daquela sepultura aquosa, heyeheh, assim vai…
Juntos morrem, tanto os fracos como os fortes, heyeheh, assim vai…”

…. Os braços do mar …. etc, etc.

“The ship’s rising up from the sea to the sky heyeheh Hold on
Just one sorry scream and a desperate cry heyeheh Hold on
Their lives pass before them before they die heyeheh –

The sea yawns around like a boiling hell heyeheh hold on
And souls disappear with the toll of that bell heyeheh hold on
The arms of the sea they are dragging them down heyeheh hold on
And sorrows and sins they are lost as they drown heyeheh –

How strange when you think that the sea was their way;
And a meaningless death is the price they pay
For their living was made from the deep
To their people in comfort and keep
Keep all their people and places there
Never to be seen again, never to be loved and their last embrace –
And the kiss has a salt bitter taste

Now all that remains is the deep cruel sea heyeheh hold on
And wreckage of things that used to be heyeheh hold on
No stone marks the place of that watery grave heyeheh hold on
Together they die both the weak and the brave heyeheh hold on“
The arms of the sea…. etc.

 

Ventos de Samsara

Tudo o que possuis, todavia,
irá embora feito balões de gás que escapolem
das mãos de uma criança encantada no parque,
à mercê dos ventos de Samsara.

Coragem! Solte teus balões,
e conhecerás o Fruto da Via.

Marcos Ubirajara,
em 07/10/2008, às 16:40 hs.

Aos Que Aspiram à Emancipação

A questão central que se coloca aos que aspiram à emancipação é se estamos prontos para enfrentar e derrotar os exércitos de Mara[1]: os exércitos da paixão e do desejo, os exércitos da ira e das aflições do mundo tríplice. Derrotá-los e fugir dos domínios de Samsara, que é como uma casa em chamas. São ditos dourados do Buda:

“Se, quando eu me reúno com seres viventes,
ensino-lhes apenas o Caminho do Buda,
aqueles de pouca sabedoria ficarão perplexos;
e confusos, eles não aceitarão o ensinamento.
Eu sei que esses seres viventes nunca cultivaram boas raízes.
Eles estão fortemente apegados aos cinco desejos e,
em conseqüência da estupidez e da ansiedade,
tornam-se aflitos.

Em razão de todos os seus desejos,
eles caem nos três maus caminhos,
girando nos seis mundos inferiores,
e sofrendo toda a espécie de dor e miséria”.

 

CAP. 02: Meios Hábeis, pág 48.

 


[1] Mara é o poderoso inimigo interior, aquele que conhece nossos mais recônditos pensamentos e desejos. Também chamado de Demônio do Sexto Céu, nos impele a girar nos seis mundos inferiores, quais sejam os mundos do inferno, da fome, da animalidade, da ira, da tranqüilidade e da alegria.

O Paradoxo de Zenon no Budismo

Realizar metade do caminho para um objetivo, mesmo que o faça todos os dias, jamais levará uma pessoa à consecução do mesmo”. Eis o paradoxo de Zenon [1].

Contribuir para a realização do trabalho do Buda não confere distinção a uma pessoa. Pelo contrário, remete-a à condição de igualdade em relação a todos os seres e fenômenos.

Esse é o grande triunfo do ser sobre os aspectos transitórios da experiência individual: os aspectos da distinção, da honra, do orgulho desmedido, da lisonja e dos méritos tangíveis. Todos estes, só fazem retroceder ao cárcere aberto de Samsara.

No outro sentido, dessa mesma direção, pode-se experimentar o aspecto da pureza do ser e da verdadeira libertação.

Se escolheres trilhar a Grande Via, o Caminho dos Sábios, não retrocedas, não olhes para trás. Busque a realização em sua totalidade, todos os dias. Eis o saber que não se esgota.

Marcos Ubirajara.

Em 12/06/2008, às 00:00 hs.

[1] Zênon de Eléia (século V a.C.), ou seja, próximo à época de Buda, especializou-se em paradoxos. Aliás, paradoxo era sua filosofia. Assim, embora não exista um “Paradoxo de Zenon”, o mais famoso de todos, um paradoxo de movimento, recebeu esse nome. – Filosofia e Idéias

Paradoxo de Zenon
Troféu Medalha de Ouro à Qualidade do Brasil, Rio de Janeiro-RJ, 1987.

O Outro Sentido
O outro sentido, em André do Mato Dentro-MG, junho de 2006.

Os Desígnios do Lorde Buda

“Portanto, Rei da Constelação Flor, eu confio a você este capítulo: ‘Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina’. Após a minha passagem, nos últimos quinhentos anos, propague-o extensivamente no continente Jambudvipa. Não permita que ele se extinga, permitindo desse modo que demônios, entidades demoníacas, todos os dragões celestiais, yakshas, kumbhandas, e assim por diante, ocupem o seu caminho[1]”.

 


[1] Eis uma das mais severas admoestações do Buda no que se refere à propagação do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa na era posterior. Neste caso, o Buda faz uma alusão específica a este capítulo sobre os feitos passados do Bodhisattva Rei da Medicina em retribuição à gratidão pela obtenção do samadhi em que se podem manifestar todas as formas físicas, que foi inteiramente devida ao fato do Bodhisattva Alegremente Visto Por Todos os Seres (presente Bodhisattva Rei da Medicina) ter ouvido o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Excerto do CAP. 23: Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina.

Jambudvipa no Budismo

A cosmologia budista divide o bhūmaṇḍala (circunferência da Terra) em três níveis distintos: Kāmadhātu (domínio do desejo), Rūpadhātu (domínio da forma ou da matéria), e Ārūpyadhātu (domínio do espírito). Esses três domínios também são chamados de Mundo Tríplice ou Samsara. No Kāmadhātu está localizado Monte Sumeru que se diz estar circundado por quatro ilhas-continentes (veja a construção de Angkor Wat). “A ilha austral, ou mais ao sul, é chamada Jambudvīpa”. Os outros três continentes, da narrativa Budista em torno do Monte Sumeru, não são acessíveis aos seres humanos a partir de Jambudvīpa. Jambudvīpa possui a forma de um triângulo com um dos seus vértices voltado para o sul. No seu centro encontra-se uma gigantesca árvore Jambu (maçã-rosa), da qual o continente herda seu nome, que significa “Ilha Jambu”.

Jambudvīpa é a região onde vivem os humanos, e é o único lugar onde um ser pode tornar-se iluminado por nascer como um ser humano. É no Jambudvīpa que ele, como ser humano, pode receber o dom do Dharma e de vir a compreender as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo e, finalmente, realizar a libertação do ciclo de vida e da morte.

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre.

« Older entries

%d blogueiros gostam disto: