O Sutra de Lótus na China

Templo Budista na Montanha de Li Cheng (c. 919 - c. 967 AD), China

Templo Budista na Montanha de Li Cheng (c. 919 - c. 967 AD), China

Budismo Chinês

By Jayaram V

A escola de T’ien-t’ai ou do Lótus Branco (Fa-Hua): A escola do Lótus Branco teve por base os mais elevados ensinamentos do Buda, mas se comparada com a escola Avatamsaka, o fez a partir de uma perspectiva mais elaborada da realidade cósmica.

Foi fundada por um monge chinês chamado Chih-i (538-597 DC), que viveu na província Chekiang na China, e que formulou suas doutrinas com base no Saddharma-Pundarika Sutra, ou o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, um antigo texto Budista, que ele compreendia ser o veículo de todas as outras verdades.

De acordo com esta escola, a Verdade operava a partir de três níveis ou aspectos: Em um extremo ficava o vazio ou a vacuidade, o desconhecido ou a não substância, acerca da qual nada mais poderia ser especulado exceto falando em termos da negação. No outro extremo ficava a transitoriedade, ou a impermanência, que estava numa realidade inexistente, mas que se manifestaria temporariamente ou momentaneamente, devido à atividade dos sentidos, como uma espécie de ilusão ou como uma imagem sobre a tela. O terceiro nível é um estado médio, ou caminho médio, “médio” para a nossa compreensão, mas não necessariamente meio ou metade, “diferente” para a nossa compreensão, mas não necessariamente diferente ou distinto, uma vez que esse estado médio unifica os dois extremos e apresenta-os em fusão como uma Verdade Maior. Estes três níveis da verdade também não são separados ou diferentes entre si. Eles são os aspectos de uma mesma realidade que é universal, assim como onipresente.

A escola defendeu a prática da concentração e do insight (Chih e Kuan) para compreender a transitoriedade das coisas e atingir o estado de Buda, no qual os três aspectos da Verdade acima mencionados residem em perfeita harmonia. Chih-i tornou-se muito popular durante a sua vida, chamando a atenção do Imperador que doou as receitas de um distrito para a manutenção de seu monastério. A escola do Lótus Branco foi introduzida no Japão no século IX DC e tornou-se popular como Tendai ou Tendai Hokke.

Fonte dos textos: HINDUWEBSITE

Fonte da Imagem: Wikipedia, a enciclopédia livre.

Sobre Direitos da Imagem.

Veja também em Cristal Perfeito Santai (As Três Verdades).

Que os Jogos Olimpicos 2008 na China transcorram em clima de paz e harmonia entre os Povos.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo

O Samadhi do Daimoku do Sutra de Lótus

Naquela ocasião, o Bodhisattva Virtude da Flor disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, o Bodhisattva Som Maravilhoso possui raízes de benevolência profundamente plantadas. Honrado pelo Mundo, em qual samadhi reside este Bodhisattva, que o torna capaz de transformar-se e salvar os seres viventes”?

O Buda disse ao Bodhisattva Virtude da Flor: “Bom homem, este samadhi é chamado Manifestação de Todas as Formas Físicas. O Bodhisattva Som Maravilhoso, residindo neste samadhi, pode beneficiar incontáveis seres viventes”.

Quando este capítulo sobre o Bodhisattva Som Maravilhoso foi pregado, todos aqueles que tinham acompanhado o Bodhisattva Som Maravilhoso, oitenta e quatro mil ao todo, obtiveram o Samadhi da Manifestação de Todas as Formas Físicas. Incontáveis Bodhisattvas no mundo Saha também obtiveram este samadhi, bem como o dharani[1].

Naquela ocasião o Bodhisattva Mahasattva Som Maravilhoso, tendo feito oferecimentos ao Buda Shakyamuni e à torre do Buda Muitos Tesouros, retornou para a sua própria terra. As terras por onde ele passou tremeram de seis formas diferentes, preciosas flores de lótus choveram dos céus, e centenas de milhares de miríades de kotis de músicas tocaram.

Quando ele chegou à sua terra, cercado pelos oitenta e quatro mil Bodhisattvas, ele apresentou-se ao Buda Sabedoria do Rei da Constelação Pura Flor e disse: “Honrado pelo Mundo, estive no mundo Saha onde beneficiei os seres viventes. Eu vi o Buda Shakyamuni e a torre do Buda Muitos Tesouros, saudei-os, e fiz-lhes oferecimentos. Eu também vi o Bodhisattva Manjushri, o Príncipe do Dharma, bem como o Bodhisattva Rei da Medicina, o Bodhisattva que Adquiriu o Poder do Esforço Diligente, o Bodhisattva Doador Intrépido, e outros, e possibilitei a oitenta e quatro mil Bodhisattvas obterem o Samadhi da Manifestação de Todas as Formas Físicas”.

Quando este capítulo sobre o trânsito do Bodhisattva Som Maravilhoso foi pregado, quarenta e dois mil seres celestiais obtiveram a compreensão da verdade do não-nascimento e não-extinção de todos os fenômenos. O Bodhisattva Virtude da Flor obteve o Samadhi da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa[2].


[1] Este samadhi também chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, e que permite manifestar todos os tipos de corpos, é o mesmo que no passado permitiu ao Bodhisattva Alegremente Visto Por Todos os Seres manifestar quaisquer formas físicas, após a exposição do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa pelo Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua. Este Bodhisattva Virtude da Flor do presente Capítulo 24, foi no passado o Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua do Capítulo 23, e será o Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua do Capítulo 23 do futuro e que retransmitirá esse samadhi para o Bodhisattva Alegremente Visto por Todos os Seres do futuro, hoje Bodhisattva Rei da Medicina. Este Bodhisattva Som Maravilhoso, transposto do remoto passado graças aos poderes transcendentais do Buda, que já serviu e fez oferendas a um imensurável número de Budas e que há muito plantou raízes de virtude e encontrou centenas, milhares, dezenas de milhares, milhões de nayutas de Budas iguais em número às areias do rio Ganges; é o próprio Buda Shakyamuni do presente, dando consistência do princípio ao fim. Este poder manifestado pelo Buda Shakyamuni é a Verdadeira Possessão Mútua, e este samadhi e dharani chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa – Myoho-Rengue-Kyo – é a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. Os oitenta e quatro mil Bodhisattvas que acompanham o Bodhisattva Som Maravilhoso são os oitenta e quatro mil caracteres do Sutra Lótus. Cada um desses caracteres, sendo um Bodhisattva, possui a natureza inerente de Buda, significando que o samadhi desse Bodhisattva Som Maravilhoso abrange todo o sutra. Mais ainda, a entonação do mantra-dharani chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa (Myoho-Rengue-Kyo) corresponde a entoar o Sutra de Lótus em sua íntegra.

[2] “Flor de Lótus da Lei Maravilhosa” é o próprio título deste sutra que em sânscrito se denota por ‘Saddharma-Pundarîka’. Quando acrescido da palavra “(Sutra) da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”, torna-se ‘Saddharma-Pundarîka Sotaram’, que em caracteres chineses se traduz por ‘Myoho-Rengue-Kyo’.

Extraído do CAP. 24: O Bodhisattva Som Maravilhoso.

O Daimoku do Sutra de Lótus

A Manifestação do Som Maravilhoso do Daimoku do Sutra de Lótus

A Revelação do Corpo Incorruptível do Daimoku do Sutra de Lótus

O Sutra do Cálice Vazio do Cristal Perfeito

Cristal = Dharma = Lei;
Perfeito = Sad = Correto = Maravilhoso;
Cristal Perfeito = Sadharma = Dharma Correto = Lei Maravilhosa;

Cálice = Flor do Lótus;
Vazio = Branco = Ausente;
Cálice Vazio = Lótus Branco = Pundarika.

Cálice Vazio do Cristal Perfeito = Flor de Lótus da Lei Maravilhosa = Sadharma Pundarika = Mundo do Buda.

Se é de Cristal Perfeito,
esse Cálice não possui contornos,
abarcando todos os fenômenos,
todas as Leis!

Em Um Olhar Sem Distinções.

O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis

“Chega, Shariputra. Não é necessário falar mais. Por que é assim? Como a insuperável Lei alcançada pelo Buda é a mais rara e difícil de compreender, somente os Budas podem dominar o conhecimento acerca do Verdadeiro Aspecto de todas as Leis[1], isto é: os aspectos da aparência, natureza, entidade (substância), poder, influência (função), causas (inerentes), relações, efeitos (latentes), retribuições (efeitos manifestos), e consistência do princípio ao fim[2]”.


[1] Desta primeira grande admoestação do Buda, denotada até pelo tom de suas palavras, depreende-se que mesmo discípulos como Shariputra, considerado o maior em sabedoria, e sendo assim uma pessoa dos 2(dois) veículos, poderão compreender o que está para ser revelado. Todavia, mais adiante, o Buda o adverte: “Com relação às Leis pregadas pelos Budas, deve-se dar lugar ao grande poder fé”.

[2] Uma interpretação para os aspectos enumerados é: 1. Aparência: É o mais importante dos dez aspectos, através do qual se revelam os demais, e corresponde ao aspecto físico do ser. Em termos do Santai (Três Verdades da Transitoriedade, Não-Substancialidade e Caminho-Médio), corresponde ao aspecto transitório, ou à impermanência de todos os fenômenos; 2. Natureza: espírito ou o aspecto não-substancial incorporado aos seres viventes; 3. Entidade: Caminho-médio, significando a não-dualidade de matéria (corpo) e vacuidade (não-substância), mas a sua unicidade no Ser; 4. Poder: Potencial de transformação que um ser possui, podendo exercê-lo sobre si mesmo e sobre o ambiente no qual vive. Pode ser traduzido como Sujeito (Ti – Buda Shakyamuni) ou sabedoria subjetiva. Esse potencial transforma-se em uma força transformadora através da ação; 5. Influência: A influência pode ser entendida como a resposta do ambiente à presença do Ser, ou a Realidade Objetiva (Kyo – Buda Muitos Tesouros) que sustenta a vida de um Ser. Esses aspectos de Poder e Influência podem ser compreendidos também a partir do princípio Budista da inseparabilidade entre o Ser e o Meio-Ambiente, chamado “Esho-Funi”. 6. Causa Inerente: É o conjunto de causas boas e más que existem inerentemente num Ser vivente. Essas causas diferem entre os seres e podem ou não se manifestar; 7. Relação: Uma causa externa ou circunstância de vida que pode criar as condições para a manifestação de uma Causa Inerente; 8. Efeito Latente: Está associado à Causa Inerente, existindo sempre como um resultado potencial para as causas inerentes da vida de um Ser; 9. Efeito Manifesto: Na presença de uma Relação ou Causa Externa, uma Causa Inerente produz um Efeito Manifesto como um resultado concreto. Esses quatro aspectos podem ser entendidos como a Lei da Causalidade, ou Lei Mística da Causa e Efeito, ou Saddharma-Pundarîka que literalmente significa Lei Maravilhosa do Lótus (causa e efeito simultâneos); 10. Consistência do Princípio ao Fim: Significa que em termos dos mundos das dez direções (dez estados de vida), há uma perfeita consistência entre os nove aspectos da vida de um Ser; isto é, um Ser no estado de Fome apresenta os nove aspectos (aparência, natureza, entidade, etc.) do estado de Fome. Uma outra tradução encontrada para este aspecto é “Não é Diferente”, significando exatamente essa perfeita consistência e integridade. O que temos então? O Ser (o mortal comum) ladeado pelos Budas Shakyamuni e pelo Buda Muitos Tesouros, em meio a todos os seres de todos os mundos das dez direções, iluminados pela Lei Mística da Causa e Efeito. Objetivamente, esta é a realidade do mundo do Buda, ou seja, a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos em sua integridade. Se existe um objeto para espelhar essa realidade, este objeto deve incorporá-la de forma totalizante e integral. Todavia, essa visão totalizante, integral e simultânea das características sempre manifestas de todos os fenômenos somente os Budas compartilham e o fazem na sua iluminação. De forma conclusiva, ainda que essa realidade pudesse ser descrita em termos da racionalidade humana, e as distinções empregadas com este fim são meramente meios hábeis para descrever essa realidade, ela só pode ser penetrada pelos olhos do Buda.

Extraído de CAP. 02: MEIOS HÁBEIS

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