Pérolas do Universo – Fascículo XV

“Embora exista a diferença do tempo, o corpo é um. O mesmo é o caso com a Natureza de Buda dos seres. ‘Se alguém diz que no ser existe uma Natureza de Buda separada, isto não é assim. Por quê? Porque o ser é a Natureza de Buda, e a Natureza de Buda é o ser. Através da diferença no tempo, temos a diferença do Puro e o não-Puro’.”

Leia mais em Pérolas do Universo, Fascículo 15.

Perolas do Universo 15

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Conteúdo deste Fascículo:

Sete Tipos de Pessoas às Margens do Ganges 3

Primeiro Tipo de Pessoas 4

Segundo Tipo de Pessoas 5

Terceiro Tipo de Pessoas 5

Quarto Tipo de Pessoas 6

Quinto Tipo de Pessoas 7

Sexto Tipo de Pessoas 7

Sétimo Tipo de Pessoas 8

A Parábola dos Cegos e o Elefante 9

A Vida, a Cor e a Fama do Bodhisattva 11

A Terra Sobre a Unha do Dedo 12

Inumeráveis Nomes para Uma Coisa 13

Um Significado para Inumeráveis Nomes 14

Inumeráveis Significados para Inumeráveis Nomes 15

Inumeráveis Nomes para Um Significado 16

Um Monge Chamado Kutei 16

A Virtude da Dúvida 17

O Aspecto Temporal dos Seres 18

Quando Falo da Minha Própria e Livre Vontade 19

Quando Falo Seguindo a Vontade de Outros 20

Quando Falo Seguindo Minha Própria Vontade e a de Outros  22

Aquele que Sempre Afunda 23

Aquele que Afunda e Flutua Novamente 24

Aquele que Flutua e Permanece 26

Aquele que Flutua e Olha Tudo ao Redor 28

Aquele que Olha Tudo ao Redor e Então se Vai 29

Aquele que Sai e Então Permanece Lá 30

Aquele que Alcança a Outra Margem  31

Sutra do Nirvana – Cap. 39 – Bodhisattva Rugido do Leão 7

“A sexta pessoa aspira atravessar o grande rio do nascimento e da morte. Desprovida de bem acumulado, ela afunda em meio às águas. Aproximando-se de um Bom Mestre da Via, ela adquire fé. Adquirir fé é vir à tona. Devido à fé, ela protege, recita, copia e fala extensivamente a respeito [do Dharma] para o benefício dos seres. Ela sente prazer na doação e pratica a Sabedoria. Nascida com a mente aguçada, ela baseia-se firmemente na fé e na Sabedoria, e sua mente não retroage. Não retroagindo, ela prossegue e finalmente alcança águas rasas. Chegando às águas rasas, ela permanece lá e não se move. Dizemos que ela permanece. Isto significa que o Bodhisattva, com o objetivo de salvar todos os seres, reside lá e medita sobre as impurezas. Ele é como a sexta pessoa às margens do Rio Ganges.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.

abstract of nirvana sutra chapter 39.mp3

Sutra do Nirvana - CAPITULO 39

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Destaques deste Capítulo:

Sete Tipos de Pessoas às Margens do Ganges. 4

Primeiro Tipo de Pessoas. 5

Segundo Tipo de Pessoas. 6

Terceiro Tipo de Pessoas. 7

Quarto Tipo de Pessoas. 7

Quinto Tipo de Pessoas. 8

Sexto Tipo de Pessoas. 8

Sétimo Tipo de Pessoas. 9

A Parábola dos Cegos e o Elefante. 14

A Vida, a Cor e a Fama do Bodhisattva. 28


Aquele que Alcança a Outra Margem

A Natureza de Buda

Foto de Diego Raphael – Sítio da Dôra em 20/03/2011

“Oh bom homem! Alcançar a outra margem pode ser comparado ao Arhat, o Pratyekabuda, o Bodhisattva, e o Buda. Isto é como a tartaruga devota, que pode movimentar-se tanto na água quanto na terra. Por que empregamos o exemplo da tartaruga? Porque ela realmente recolhe as cinco coisas [isto é, membros e cabeça]. É o mesmo com o Arhat até o Buda, que realmente recolhem os cinco sentidos orgânicos. Por isso se faz a comparação com a tartaruga

Dizemos água e terra. Água pode ser comparada ao mundo, e terra a abandonar o mundo secular. É o mesmo com essas pessoas sagradas, também. Elas de fato alcançam a outra margem, na medida em que meditam profundamente sobre as más impurezas. Por isso, a comparação é feita com o movimentar-se tanto na água como na terra.

Oh bom homem! Os sete tipos de seres no Rio Ganges possuem o nome da tartaruga. Mas eles não se separam da água. Assim, no caso desse Todo-Maravilhoso (Sutra do) Grande Nirvana, lá surgem sete diferentes nomes, desde o icchantika até todos os Budas. Mas esses não se separam da água da Natureza de Buda. Oh bom homem! Com esses sete seres, seja no que concerne ao Dharma Maravilhoso, ao não-Dharma Maravilhoso, aos meios, à Via da Emancipação, à Via Gradual, à causação ou resultado, todos (eles) são a Natureza de Buda. Eles são as palavras do Tathagata que vêm da sua própria e livre vontade.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

Quando Falo da Minha Própria e Livre Vontade

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Aquele que Sai e Então Permanece Lá

“Dizemos que uma pessoa se vai e então permanece lá. Isto pode ser comparado ao Anagamin que, tendo compartilhado da comida, permanece lá. Há dois tipos desse Anagamin. Um é aquele que agora atingiu a fruição do Arhatship e, praticando ainda mais a Via, ganha mais a fruição do [estagio do] Arhat. O outro é aquele que adere avidamente ao Samadhi do Silêncio do mundo da forma e não-forma. Essa pessoa é chamada Anagamin. Ela não ganha um corpo do mundo do desejo.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

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Aquele que Olha Tudo ao Redor e Então se Vai

“Dizemos que a pessoa olha tudo ao redor e então se vai. Esse é o Sakrdagamin. Sua mente é totalmente orientada para a Via, ele pratica a Via, e no sentido de cortar a cobiça, a ira, a ignorância e a arrogância, ele, como o peixe ‘timi’, olha ao redor, e então se vai à busca de comida.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

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Aquele que Flutua e Olha Tudo ao Redor

“Oh bom homem! Um homem monta um cavalo, e ele tanto o ama quanto o açoita. É assim. É também o mesmo com a mente que esquenta. Devido ao desejo, a vida é obtida, e devido ao abandono [a renúncia], medita-se. Por essa razão, é uma coisa do ‘é’. Embora seja uma coisa criada, ela representa o Caminho Correto. Aqueles que adquirem o aquecimento são de 73 tipos, e os 10 do mundo do desejo. Essas pessoas são todas trajadas em impurezas. Vão de um décimo até nove décimos. Como no caso do mundo do desejo, as coisas vão do primeiro dhyana até o céu da irreflexão-não-irreflexão. Dizemos que há 73 tipos. Essa pessoa, ao adquirir o aquecimento, nunca corta as raízes do bem, comete os cinco pecados mortais, ou as quatro graves ofensas.

Há dois tipos dessas pessoas. Um se associa com um Bom Amigo, e o outro com um mau amigo. Aquele que se associa com um mau amigo flutua por um tempo, mas afunda novamente. Aquele que se associa com um Bom Amigo olha tudo ao redor. Olhar ao redor se refere à ‘altura-superior’ [‘murdhana’ – esse dharma superior é uma fruição da prática semelhante ao pico superior de uma montanha, que ao mesmo tempo é o ponto mais alto, mas também é crucial para a queda ou retroação. É um estágio da prática na categoria Hinayana – por Kosho Yamamoto]. A natureza desse estágio ainda é da classe dos cinco skandhas, e ainda está relacionada às Quatro Verdades. Portanto, pode-se ver tudo ao redor. Após o estágio da ‘altura-superior’, a pessoa atinge o da ‘cognição’ [isto é, um estágio da prática no qual se obtém cognição da natureza das Quatro Verdades, e a partir do qual alguém não retroage mais. Há vários graus nesse estágio – por Kosho Yamamoto]. Este é o caso com o estágio da cognição, também. A natureza é dos cinco skandhas, mas está relacionado com as Quatro Verdades. Essa pessoa, a seguir, alcança o laukikagradharma [‘primeira raiz do bem do mundo’], que é da natureza dos cinco skandhas e tem relações causais com as Quatro Verdades. A pessoa, gradativamente, ganha a ‘cognição do sofrimento’. A natureza da Sabedoria efetiva (põe em prática) a relação causal da Primeira Verdade. Ao colocar em prática a relação causal da Verdade da Cognição, a pessoa corta as impurezas e atinge o [nível do] Srotapanna. Este é o quarto estágio da visão de tudo ao redor nas quatro direções. As quatro direções são nada mais que as Quatro Verdades.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

one who comes up and looks all around.mp3

Aquele que Flutua e Permanece

Almsbowl as used by bhikkhus for going on alms...

Tigela de donativos dos Monges ao esmolar. Imagem via Wikipedia

“O segundo tipo de pessoa compreende profundamente que ela não é perfeita na ação. Sendo não perfeita, ela se associa com um Bom Mestre da Via. Associando-se com um Bom Amigo, ela sente prazer em procurar aprender o que ela ainda não ouviu. Ao ouvi-lo, ela sente prazer em agir da maneira ensinada. Tendo recebido [essas instruções], ela sente prazer em meditar. Ao pensar bem a respeito, ela passa a viver de acordo com o Dharma. Como ela persiste no Dharma, o bem aumenta. Como o bem aumenta, ela não afunda mais. Isto é ‘permanência’.

Quem da Sangha são aqueles que correspondem a essa descrição? Eles são esses cinco Monges como Shariputra, Mahamaudgalyayana, Ajnatakaundinya e outros, os cinco Monges do grupo dos Yasas, e esses outros como Aniruddha, Kumarakashyapa, Mahakashyapa, Dasabalakashyapa, a Monja Kisagotami, a Monja Utpala, a Monja Superior, a Monja Verdadeiro-Significado, a Monja Manas, a Monja Bhadra, a Monja Pureza, a Monja Não-Retroação, o Rei Bimbisara, o homem rico Ugra, o homem rico Sudatta, Mahanama, o homem pobre Sudatta, o filho do homem rico Upali, o homem rico Jo, a Monja Destemida, a Monja Supratistha, a Monja Amante-do-Dharma, a Monja Valorosa, a Monja Céu-Conquistado, a Monja Sujata, a Monja Corpo-Perfeito, a Monja Vaca-Conquistada, a Monja Deserto, a Monja Mahasena. Todos esses Monges, Monjas, Leigos e Leigas podem bem ser chamados de ‘residentes’ [isto é, aqueles que permanecem].

Por que dizemos ‘permanece’? Porque essa pessoa sempre vê realmente a boa luz. Assim, quer o Buda tenha aparecido ou não no mundo, essa pessoa nunca faz maldades. Esse é o porquê dizemos ‘permanece’. Isto é como no caso no qual o peixe ‘timi’ busca a luz, não afunda e se esconde. Com todos esses seres, as coisas se procedem assim. Esse é o porquê Eu digo nos sutras:

‘Se uma pessoa realmente discerne os significados,
e com um pensamento intensivo busca
a fruição de um Shramana,
e se uma pessoa realmente exprobra todas as existências,
essa pessoa é alguém que vive
em concordância com o Dharma.

Se uma pessoa faz oferecimentos a inumeráveis Budas
e pratica a Via por inumeráveis kalpas,
e se abençoada com prazeres mundanos,
essa pessoa é alguém que reside no Dharma.

Se uma pessoa faz amizade com um Bom Mestre da Via,
ouve o Dharma Maravilhoso,
e se tem um bom pensamento em sua mente,
vive de acordo com a Via,
e busca a luz e pratica a Via,
aquela pessoa atinge a Emancipação
e vive em paz’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

one who comes up and abides.mp3

Aquele que Afunda e Flutua Novamente

“Oh bom homem! Eu digo: ‘O icchantika é alguém que afunda eternamente, mas há icchantikas que não caem na classe daqueles que afundam eternamente’. Quem são esses? Isto é como no caso onde, em prol do ‘é’, a pessoa pratica doação, shila [preceitos de moralidade], e o bem. Esse é alguém que não está eternamente afundado.

Oh bom homem! Há instâncias onde quatro boas coisas evocam maus resultados. Quais são as quatro? Elas são: 1) ler e recitar os sutras de modo a estar acima dos outros, 2) observância das proibições e preceitos em prol do lucro, 3) doar porque (aquilo) pertence a outros, 4) instigar a própria mente, e meditar em prol de alcançar o estado mental de Irreflexão-não-Irreflexão. Essas quatro (coisas) evocam maus resultados. Este é o porquê falamos de alguém que pratica e acumula essas (coisas), que ele afunda e flutua novamente. Por que dizemos que ele afunda? Porque ele aprecia as três existências [isto é, kamadhatu, rupadhatu, e arupadhatu – que são os mundos do desejo, da forma, e do espírito (não-forma)]. Por que dizemos que ele flutua? Porque ele vê a luz. A luz corresponde à sua audição [do Dharma], observância dos preceitos, doação, e sentar em meditação.

Por que dizemos que a pessoa afunda? Porque ela cresce em más visões e adquire arrogância.

Por isso, Eu digo no sutra:

‘Se os seres buscam todas as existências (dos três mundos)
e cometem ações boas e más pela existência,
essas pessoas perderão o caminho para o Nirvana.
Este é o porquê dizemos que
a pessoa temporariamente flutua mas afunda novamente.
Ela veleja no oceano escuro do nascimento e da morte,
pode ganhar Emancipação
e acabar com as impurezas.
Mas a pessoa sofre novamente pelas más retribuições.
Isto é flutuar temporariamente
somente para afundar novamente’.

Oh bom homem! Isto é como no caso do Grande Peixe que flutua sobre a água por um tempo, quando ele vê a luz, mas como seu corpo é pesado, afunda-se novamente. Isto é como as coisas se procedem com a segunda pessoa mencionada acima.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

one who sinks and comes up again.mp3

Aquele que Sempre Afunda

Relics of Nagarjuna, 500 Arhats, Kasyapa Buddh...

Relíquias de Nagarjuna, 500 Arhats, Kasyapa, Relíquias do Tibet - Exposição em Guadalajara - México. Image by Wonderlane via Flickr

“Oh bom homem! Neste Todo-Maravilhoso Rio do Grande Nirvana, vivem sete tipos de seres. Há desde o primeiro – que sempre afunda – até o sétimo. Dentre esses, alguns afundam e alguns flutuam.

Falamos de alguém que sempre afunda. Isto se refere a alguém que ouve isto ser dito: ‘Este Sutra do Grande Nirvana estabelece que o Tathagata é Eterno, Imutável, e é Êxtase, o Eu, e o Puro; que ele não entra definitivamente no Nirvana; que todos os seres possuem a Natureza de Buda; que o icchantika, os caluniadores dos Sutras Vaipulya, aqueles que cometeram os cinco pecados mortais, aqueles culpados das quatro ofensas graves, todos realizarão a Via da Iluminação; que o Srotapanna, o Sakrdagamin, o Anagamin, o Arhat, e o Pratyekabuda infalivelmente alcançarão a Iluminação Insuperável’. Ao ouvir isto, essa pessoa não acredita, mas pensa para si: ‘Esse Sutra do Nirvana é algo que pertence aos tirthikas e não é um Sutra Budista’. Essa pessoa, então, se afasta da Via, e não dá ouvido ao Dharma Maravilhoso. Às vezes, pode acontecer de ouvir [o Dharma], mas ela não pode ter um bom pensamento. Ela pode pensar, mas não um bom pensamento. Como não tem um bom pensamento, persiste no mal. Persistir no mal tem seis formas, as quais são: 1) o mau, 2) o não-bom, 3) o dharma impuro, 4) a valorização do ‘é’, 5) preocupar-se de forma acalorada [isto é, tornar-se infernalmente quente com a preocupação], 6) receber más retribuições. Isto é afundar.

Por que é afundar? Quando uma pessoa não tem uma boa mente, quando ela sempre comete o mal, quando ela não pratica a Via, chamamos isso de ‘afundamento’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

one who always sinks.mp3

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