Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável

Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável’

PI, quando você fala conhecimento, pode dar a impressão de que se trata de algum grau de desenvolvimento intelectual, ou algo que se possa encontrar em obras literárias mundanas, ou até mesmo nos sutras.

PI, esse conhecimento que conduz à Sabedoria Insuperável vem por si próprio. É fruto da observação, meditação e apreensão dos ensinamentos budistas. A raiz desse conhecimento está na da pessoa que procura um Bom Mestre da Via, acata e respeita as injunções que lhe são impostas, e pratica a meditação, seja essa meditação ativa ou passiva (silenciosa). Tudo isto acontece se a pessoa tiver uma grande . Por quê? Porque a prática requer esforços continuados, para os quais, nem sempre, se obtém uma resposta na forma de benefícios conspícuos. Portanto, .

O cultivo de uma genuína requer Coragem. Por quê? Porque a Prática da Via Sagrada abre os olhos da pessoa, e apura os seus demais sentidos, expondo-lhe uma verdade nunca dantes conhecida, e que pode desfazer as muitas ilusões que acalentam os sonhos daquela pessoa. Todavia, e dentro das Quatro Nobres Verdades, a Prática da Via expõe-lhe o caminho para uma Felicidade verdadeira e duradoura.

Por que Paciência? Porque essa Sabedoria vem por si própria. E aqui, oportunamente, gostaria de citar uma passagem do Sutra do Grande Nirvana, a qual diz respeito à consecução do Brilho da Sabedoria.

O Brilho da Sabedoria

“Oh bom homem! A pessoa sábia pensa profundamente sobre o mundo. Ela vê: ‘Ele não é um lugar para se refugiar, para adquirir Emancipação, quietude, amor, não é a outra margem, e nada tem do Eterno, Êxtase, do Eu, e do Puro. Se eu procurar o mundo avidamente, como posso afastar-me dele? Isto é como com um homem que, abominando a escuridão, busca a luz e, no entanto, volta novamente para a escuridão. A escuridão é o mundo; a luz é o Supramundano. Se eu aderir ao mundo, mergulharei na escuridão e me afastarei da luz. Escuridão é ignorância, e luz é o Brilho da Sabedoria. A causa do Brilho da Sabedoria é a imagem onde não se sente qualquer expectativa de deleitar-se nas coisas mundanas. Toda a cobiça nada mais é que o laço da impureza. Agora buscarei avidamente a luz da Sabedoria, e não o mundo’. A pessoa sábia medita assim. Essa é a imagem onde não se busca (nada) para si.”

Sutra do Nirvana, CAP. 44 – O Bodhisattva Kashyapa 5.

 

Selo Comemorativo

Os Dezesseis Corações

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa, pode um Srotaapanna ter o segunite pensamento: ‘Obtive o fruto (a fruição) do Srotaapanna.’ ?”

Subhuti disse: “Não Honrado pelo Mundo. E por quê? O Srotaapanna significa Alguém que Entrou no Fluxo, e no entanto ele ainda não penetrou nada. Ele não penetrou as formas, sons, odores, sabores, objetos tangíveis, ou dharmas. Por essa razão ele é chamado Srotaapanna.”

Comentário:

Sabendo que a maioria das pessoas não teriam compreendido ainda a doutrina da prajna da marca real, o Buda Shakyamuni apresentou um outro exemplo.

Um Srotaapanna é o primeiro estágio de um Arhat. A certificação para a primeira fruição do Arhatship, que está dentro do Pequeno Veículo, vem quando as oitenta e oito categorias de visões errôneas são erradicadas. É chamada a Posição da Via da Visão. Através dos dezesseis corações pode-se erradicar as oitenta e oito categorias de visões errôneas e certificar-se para a verdade.

Visões errôneas são o resultado da cobiça e do amor que surge ao ver situações. Antes que se veja algo, não se tem cobiça ou amor concernente àquilo, mas uma vez que se veja a coisa, a cobiça e o amor por ela surge. A produção da cobiça e do amor com relação a esses estados é denominada visão errônea. As oitenta e oito categorias de visões errôneas são erradicadas através dos dezesseis corações que são aspectos das Quatro Nobres Verdades do sofrimento, a acumulação (causa do sofrimento), a extinção (do sofrimento), e a Via (para extinção do sofrimento).

Dentro do domínio do desejo estão oito desses corações:

  1. Paciência com Relação aos Dharmas Envolvidos no Sofrimento.
  2. Sabedoria com Relação aos Dharmas Envolvidos no Sofrimento.
  3. Paciência com Relação aos Dharmas Envolvidos na Acumulação.
  4. Sabedoria com Relação aos Dharmas Envolvidos na Acumulação.
  5. Paciência com Relação aos Dharmas Envolvidos na Extinção.
  6. Sabedoria com Relação aos Dharmas Envolvidos na Extinção.
  7. Paciência com Relação aos Dharmas Envolvidos na Via.
  8. Sabedoria com Relação aos Dharmas Envolvidos na Via.

Os domínios da forma e da não-forma têm oito corações:

  1. Paciência Subsequente com Relação ao Sofrimento.
  2. Sabedoria Subsequente com Relação ao Sofrimento.
  3. Paciência  Subsequente com Relação à Acumulação.
  4. Sabedoria Subsequente com Relação à Acumulação.
  5. Paciência Subsequente com Relação à Extinção.
  6. Sabedoria Subsequente com Relação à Extinção.
  7. Paciência Subsequente com Relação à Via.
  8. Sabedoria Subsequente com Relação à Via.

Os dezesseis corações estão todos localizados nos domínios onde existe apego às marcas. No décimo-quinto dos dezesseis corações, ‘Paciência Subsequente com Relação à Via’, as visões errôneas são erradicadas. Aquele ponto é classificado como Inclinação Para a Primeira Fruição, e é chamada Via da Não-Interrupção. Quando se atinge completamente o décimo-sexto coração, ‘Sabedoria Subsequente com Relação à Via’, isto é certificação para a primeira fruição do Arhatship. É chamada Via da Libertação, pois naquele ponto a delusão é completamente decepada e a libertação é obtida.

Sutra Diamante – Capítulo 9 – Uma Marca Que Não é Marca.

Original

O Desejo de Bimbisara

Então o Bem-Aventurado falou-lhes das Quatro Nobres Verdades. Quando ele terminou, o Rei Bimbisara aproximou-se dele e, na frente de todos, corajosamente proferiu essas palavras:

“Creio no Buda, creio na Lei, creio na comunidade dos santos (Sangha – constituindo os Três Tesouros).”

O Bem-Aventurado concedeu ao rei licença para sentar ao seu lado, e o rei falou novamente:

Em toda minha vida tive cinco grandes esperanças: esperava que algum dia eu fosse rei; esperava que algum dia o Buda viesse ao meu reinado; esperava que algum dia meu olhar repousasse sobre seu semblante; esperava que algum dia ele me ensinasse a lei; esperava que algum dia eu professasse a minha fé nele. Hoje, todas essas esperanças estão realizadas. Eu creio em você, meu Senhor, eu creio na Lei, eu creio na comunidade dos santos.”

Ele levantou-se.

“Oh Mestre, digne-se a tomar sua refeição em meu palácio, amanhã.”

O Mestre aceitou. O rei saiu; sentiu grande felicidade.

Muitos daqueles que haviam acompanhado o rei seguiram seu exemplo, e passaram a professar sua fé no Buda, na Lei e na comunidade dos santos (Sangha).

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

As Quatro Nobres Verdades

Todos os cinco prenderam a respiração para melhor ouvi-lo. Ele fez uma pausa, e então continuou:

“Oh Monges! Direi a vocês a verdade sobre o sofrimento. Sofrimento é nascimento, sofrimento é velhice, sofrimento é doença, sofrimento é morte. Vocês estão atados àquilo que odeiam: sofrimento; vocês estão apartados daquilo que amam: sofrimento; vocês não obtêm aquilo que desejam: sofrimento. Apegam-se aos corpos, às sensações, formas, imagens (impressões), percepções: sofrimento, sofrimento, sofrimento.

Oh Monges, direi a vocês a verdade sobre a origem do sofrimento. A sede pela existência leva do nascimento ao nascimento; a luxúria e o prazer se sucedem. Somente o poder pode satisfazer a luxúria. A sede pelo poder, a sede pelo prazer, a sede pela a existência; eis, oh Monges, a origem do sofrimento.

Oh Monges, Direi a vocês a verdade sobre a extinção do sofrimento. Sasciem sua sede através da aniquilação do desejo. Afastem o desejo. Renunciem o desejo. Libertem-se do desejo. Ignorem o desejo.

Oh Monges, direi a vocês a verdade sobre o caminho que conduz à extinção do sofrimento. É o caminho sagrado, o Nobre Caminho Óctuplo: fé correta, intenção correta, fala correta, ação correta, vida (conduta) correta, esforço correto, pensamento correto, meditação correta.

Oh Monges, (agora) vocês sabem a verdade sagrada sobre o sofrimento; ninguém antes de mim a havia descoberto; meus olhos abriram, e o sofrimento foi revelado para mim. Eu compreendi a verdade sobre o sofrimento; vocês, oh Monges, devem agora compreendê-la. Oh Monges, (agora) vocês sabem a verdade sagrada sobre a origem do sofrimento; ninguém antes de mim a havia descoberto; meus olhos abriram, e a origem do sofrimento foi revelada para mim. Eu compreendi a verdade sobre a origem do sofrimento; vocês, oh Monges, devem agora compreendê-la. Oh Monges, (agora) vocês sabem a verdade sagrada sobre a extinção do sofrimento; ninguém antes de mim a havia descoberto; meus olhos abriram, e a extinção do sofrimento foi revelada para mim. Eu compreendi a verdade sobre a extinção do sofrimento; vocês, oh Monges, devem agora compreendê-la. Oh Monges, (agora) vocês sabem a verdade sagrada sobre o caminho que conduz à extinção do sofrimento; ninguém antes de mim o havia descoberto; meus olhos abriram, e o caminho que conduz à extinção do sofrimento foi revelado para mim. Eu compreendi a verdade sobre o caminho que conduz à extinção do sofrimento; vocês devem agora compreendê-lo, oh Monges.”

Os cinco discípulos ouviram com enlevo as palavras do Bem-Aventurado. E Ele falou novamente:

“Oh Monges, enquanto eu não tive um completo entendimento dessas Quatro Nobres Verdades, eu sabia que, nem nesse mundo e nem no mundo dos Deuses, nem no mundo de Mara e nem no mundo de Brahma, em meio a todos os seres, humanos, Deuses, eremitas ou brâmanes, eu não havia atingido o supremo estado de Buda. Mas, oh Monges, agora que tenho uma completa compreensão dessas Quatro Nobres Verdades, Eu sei que tanto neste mundo como no mundo dos Deuses, tanto no mundo de Mara como no mundo de Brahma, em meio a todos os seres, humanos, Deuses, eremitas ou brâmanes, Eu atingi o supremo estado de Buda. Estou liberto para sempre: para mim não haverá novo nascimento.”

Assim falou o Bem-Aventurado, e os cinco Monges alegremente aclamaram-no e glorificaram-no.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Aquele que Flutua e Olha Tudo ao Redor

“Oh bom homem! Um homem monta um cavalo, e ele tanto o ama quanto o açoita. É assim. É também o mesmo com a mente que esquenta. Devido ao desejo, a vida é obtida, e devido ao abandono [a renúncia], medita-se. Por essa razão, é uma coisa do ‘é’. Embora seja uma coisa criada, ela representa o Caminho Correto. Aqueles que adquirem o aquecimento são de 73 tipos, e os 10 do mundo do desejo. Essas pessoas são todas trajadas em impurezas. Vão de um décimo até nove décimos. Como no caso do mundo do desejo, as coisas vão do primeiro dhyana até o céu da irreflexão-não-irreflexão. Dizemos que há 73 tipos. Essa pessoa, ao adquirir o aquecimento, nunca corta as raízes do bem, comete os cinco pecados mortais, ou as quatro graves ofensas.

Há dois tipos dessas pessoas. Um se associa com um Bom Amigo, e o outro com um mau amigo. Aquele que se associa com um mau amigo flutua por um tempo, mas afunda novamente. Aquele que se associa com um Bom Amigo olha tudo ao redor. Olhar ao redor se refere à ‘altura-superior’ [‘murdhana’ – esse dharma superior é uma fruição da prática semelhante ao pico superior de uma montanha, que ao mesmo tempo é o ponto mais alto, mas também é crucial para a queda ou retroação. É um estágio da prática na categoria Hinayana – por Kosho Yamamoto]. A natureza desse estágio ainda é da classe dos cinco skandhas, e ainda está relacionada às Quatro Verdades. Portanto, pode-se ver tudo ao redor. Após o estágio da ‘altura-superior’, a pessoa atinge o da ‘cognição’ [isto é, um estágio da prática no qual se obtém cognição da natureza das Quatro Verdades, e a partir do qual alguém não retroage mais. Há vários graus nesse estágio – por Kosho Yamamoto]. Este é o caso com o estágio da cognição, também. A natureza é dos cinco skandhas, mas está relacionado com as Quatro Verdades. Essa pessoa, a seguir, alcança o laukikagradharma [‘primeira raiz do bem do mundo’], que é da natureza dos cinco skandhas e tem relações causais com as Quatro Verdades. A pessoa, gradativamente, ganha a ‘cognição do sofrimento’. A natureza da Sabedoria efetiva (põe em prática) a relação causal da Primeira Verdade. Ao colocar em prática a relação causal da Verdade da Cognição, a pessoa corta as impurezas e atinge o [nível do] Srotapanna. Este é o quarto estágio da visão de tudo ao redor nas quatro direções. As quatro direções são nada mais que as Quatro Verdades.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

one who comes up and looks all around.mp3

Quando Falo Seguindo a Vontade de Outros

“O que são aqueles (sutras) que Eu falei seguindo a vontade dos outros? O homem rico, Patala, veio a mim e disse: ‘Oh Gautama! Você conhece um fantasma ou não? Alguém que conheça fantasmas é um grande fantasma. Se não, essa pessoa não é Pleno-Conhecedor’.

Eu disse: ‘Oh homem rico! Como você pode chamar alguém que conheça um fantasma de fantasma’?

O homem rico disse: ‘Bem falado, bem falado! Alguém que conheça um fantasma é um fantasma’.

O Buda disse: ‘Oh homem rico! Havia um candala no estado do Rei Prasenajit, em Sravasti, cujo nome era Baspacandala. Você ouviu falar dele ou não’?

O homem rico disse: ‘Eu já o conheço há muito tempo’.

O Buda disse: ‘Se você o conhece há longo tempo, poderia ser que você [mesmo] fosse um candala’?

O homem rico disse: ‘Eu já o conheço há longo tempo, mas este meu corpo não pode ser aquele de um candala’.

‘Oh homem rico! Você agora sabe que embora você conheça um candala, você não é um candala. Como pode ser que Eu seja um fantasma porque conheço um fantasma? Oh homem rico! Eu realmente conheço um fantasma, alguém que age como um fantasma, as retribuições de um fantasma, e as habilidades de um fantasma. Eu conheço a matança, o matador, as retribuições cármicas da matança, e a emancipação da matança. Eu também conheço as visões distorcidas da vida, as pessoas de visões distorcidas, as retribuições cármicas das visões distorcidas, e a emancipação das visões distorcidas. Oh homem rico! Caso você chame alguém que não é um fantasma de fantasma, e alguém que não mantenha visões distorcidas da vida de alguém que é dotado das visões distorcidas da vida, você ganhará inumeráveis pecados’.

O homem rico disse: ‘Oh Gautama! Se as coisas são como você diz, ganharei um grande pecado. Agora doarei a você tudo o que possuo. Por favor, seja bom o bastante para que o Rei Prasenajit não seja informado disto’.

O Buda disse: ‘Pode não ser que as relações causais desse pecado necessariamente impeçam você de perder a sua riqueza. Todavia, em conseqüência disto, você cairá nos três reinos do infortúnio’.

Ao ouvir a menção dos reinos do infortúnio, o homem rico ficou amedrontado e disse ao Buda: ‘Oh Sagrado! Agora perdi a minha cabeça e cometi um grande pecado. Você, Sagrado, é o Pleno-Conhecedor! Você deve saber como tornar-se emancipado. Como faço para escapar dos mundos do inferno, dos espíritos famintos, e dos animais’?

Eu então falei a ele sobre as Quatro Verdades. O homem rico, ao ouvir isto, atingiu a fruição do Srotapanna. O arrependimento brotou, e ele implorou o perdão do Buda: ‘Fui um ignorante. Disse que o Buda era um fantasma, a despeito do fato de que você não o é. Deste dia em diante, tomarei refúgio nos Três Tesouros’.

O Buda disse: ‘Bem falado, bem falado, oh homem rico!’

O caso é assim. Isto é falar em resposta à vontade dos outros’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

when I speak following the will of others.mp3

Esforço

“Quinto, há esforço. Por esforço entende-se que alguém pensa concentradamente sobre as Quatro Nobres Verdades. Mesmo se a cabeça daquela pessoa estivesse no fogo, ela não abandonaria isto [a ponderação sobre as Quatro Nobres Verdades]. Isto é esforço.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 38, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

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