O Sonho de Maya

O Sonho de Maya

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No momento em que a primavera nascia, um sonho veio a Maya enquanto ela dormia. Ela viu um jovem elefante descendo dos céus. Tinha seis grandes presas; era tão branco quanto a neve sobre o topo da montanha. Maya o viu entrar em seu útero, e milhares de Deuses subitamente apareceram diante dela. Eles louvaram-na com canções imortais, e Maya compreendeu que nunca mais sofreria de inquietação, ódio ou ira.

Então, ela despertou. Estava feliz; era uma felicidade que ela jamais sentira antes. Levantando-se, ela vestiu-se de cores brilhantes e, seguida pelas suas mais belas acompanhantes, passou através dos portões do palácio. Caminhou nos jardins até chegar a um pequeno bosque, onde encontrou um lugar à sombra. Então, ela enviou duas de suas acompanhantes ao Rei Suddhodana com a seguinte mensagem:

“Que o Rei deveria vir para o bosque; a Rainha Maya deseja vê-lo e o aguardará lá.”

O Rei prontamente atendeu ao seu pedido. Ele deixou o salão onde, com a ajuda dos seus conselheiros, ele vinha administrando justiça aos habitantes da cidade.

Ele caminhou em direção ao bosque, mas, no momento em que estava prestes a entrar, um estranho sentimento lhe acometeu. Seus membros fraquejaram, suas mãos tremiam, e lágrimas brotaram de seus olhos. E ele pensou:

“Nunca, nem mesmo no calor da batalha quando enfrentava meus mais bravos inimigos, me senti tão profundamente abalado como neste momento. Por que não posso entrar no bosque onde a rainha me aguarda? Alguém pode explicar essa minha agitação?”

Momento em que uma poderosa voz trovejou no céu:

“Sinta-se feliz, Rei Suddhodana, o mais digno dos Shakyas! Aquele que busca a Suprema Sabedoria está prestes a vir ao mundo. Aquele que escolheu pertencer à sua família em razão da sua fama, boa sorte e virtude, e que escolheu para sua mãe a mais nobre de todas as mulheres, sua esposa, a Rainha Maya. Sinta-se feliz, Rei Suddhodana! Aquele que busca a Suprema Sabedoria, de bom grado será seu filho!”

O Rei sabia que os Deuses estavam falando, e regozijou-se. Recobrando a sua serenidade, ele entrou no bosque onde Maya o aguardava.

Ele a viu, e calmamente, sem arrogância, indagou-lhe:

“Por que mandou procurar-me? O que você deseja?”

A rainha contou-lhe do sonho que teve, e então disse-lhe:

“Meu senhor, há brâmanes que são experts na interpretação de sonhos. Procure-os. Eles saberão se o palácio foi visitado por deuses ou demônios, e se devemos regozijar ou lamentar.”

O rei concordou com a rainha, e brâmanes familiarizados com o mistério dos sonhos foram convocados ao palácio. Quando ouviram a história de Maya, falaram dessa maneira:

“Uma grande alegria deve ser sentida, oh Rei, oh Rainha. Vocês terão um filho, distinto pela graça Divina. Se, um dia, ele renunciar à realeza, deixar o palácio, deixar o amor de lado; se, movido pela compaixão para com os mundanos, ele escolher a vida errante de um monge, ele merecerá os mais elevados louvores, merecerá os mais magníficos oferecimentos. Ele será adorado pelos mundanos, pois ele lhes dará aquilo que eles anseiam. Oh mestre, oh mestra, vosso filho será um Buda!”

Os brâmanes se retiraram. O rei e a rainha entreolharam-se, e suas faces tornaram-se radiantes de felicidade e paz. Suddhodana então ordenou que esmolas fossem distribuídas aos pobres em Kapilavastu; que comida fosse oferecida aos famintos, bebida aos sedentos, e que as mulheres recebessem flores e perfumes. Maya tornou-se objeto de veneração do povo; os doentes lotavam o seu caminho, e quando ela estendia a sua mão direita, eles eram curados. O cego viu, o surdo ouviu, o mudo falou, e quando moribundos tocavam uma folha da grama que ela havia recolhido, recuperavam imediatamente a sua saúde e energia. E sobre a cidade, uma melodia incessante era trazida pelo vento, flores raras choviam do céu, e cânticos de gratidão alçavam o ar ao redor das muralhas do palácio.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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