A Profecia de Asita

A Profecia

O rei viu que Asita estava chorando, e começou a temer por seu filho. Ele questionou o velho homem:

“Você diz, oh venerável ruão, que o corpo do meu filho difere pouco daquele de um Deus. Você diz que seu nascimento foi uma coisa maravilhosa, que no futuro a sua glória será suprema, e ainda assim você o olha com os olhos cheios de lágrimas. Então, sua vida será algo frágil? Ele nasceu apenas para trazer-me aflição? Deve este novo ramo muchar antes mesmo de explodir em flores? Diga, oh santo homem, diga logo; você sabe o grande amor que um pai nutre por seu filho.”

“Não se angustie, oh Rei,” respondeu o eremita. “O que eu lhe disse é verdadeiro: essa criança encontrará grande glória. Se choro, é por mim mesmo. O desfecho da minha vida se aproxima e ele nasce, ele que destruirá a maldade do renascimento. Ele renunciará o poder soberano, ele dominará as suas paixões, ele compreenderá a verdade, e as más visões desaparecerão no mundo ante a luz de sua sabedoria, assim como a noite foge ante as lanças do sol. Do oceano da maldade, das espumas dolorosas das doenças, dos vagalhões da velhice, das ondas iradas da morte, disto ele livrará o mundo do sofrimento, e juntos eles velejarão no grande barco da sabedoria. Ele saberá onde tem sua origem o veloz, maravilhoso e benevolente rio, o rio da retidão; ele revelará o seu curso, e aqueles que são torturados pela sede virão e beberão das suas águas. Àqueles atormentados pela tristeza, àqueles escravizados pelos sentidos, àqueles que vagueiam na floresta das existências como viajantes que perderam o seu caminho, ele apontará a estrada para a salvação. Àqueles que queimam nos fogos da paixão, ele será a nuvem que traz a chuva refrescante; armado com a verdadeira lei, ele irá para a prisão dos desejos onde todas as criaturas definham, e derrubará os portões da maldade. Por gozar de perfeita compreensão, ele decretará o mundo livre. Portanto, não se aflija, oh Rei. Só é digno de pena aquele que não ouvirá a voz do seu filho, e este é o porquê choro, eu que, a despeito das minhas austeridades, a despeito das minhas meditações, nunca conhecerei sua mensagem e sua lei. Sim, é digno de pena mesmo aquele que ascenderá aos mais elevados jardins do céu.”

Asita

Imagem via DhammaWiki. Click na imagem para ir ao site de origem.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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