Dharmapala

“Você pertence à raça Shakya; Eu, no curso de minhas existências prévias, havia buscado a suprema sabedoria; Eu aprendi a beleza da caridade; Eu conheci a alegria do auto-sacrifício. Quando eu era a criança Dharmapala, a rainha, minha mãe, estava brincando comigo certo dia, e esqueceu de cumprimentar meu pai, o Rei Brahmadatta, conforme ele passou por nós. No sentido de puni-la, ele ordenou a um dos guardas a cortar as minhas mãos, por pensar que machucaria minha mãe muito mais ver-me sofrer, do que o sofrimento dela em si. Minha mãe implorou-lhe e ofereceu suas mãos (em meu lugar), mas ele era inexorável, e foi obedecido. Eu estava sorrindo, e ao ver-me sorrir, logo surgiu um sorriso na face de minha mãe. Meu pai então ordenou ao guarda cortar meus pés. Isto foi feito, e ainda eu continuava a sorrir. Num acesso de fúria, ele gritou: ‘Corte sua cabeça!’ Minha mãe ficou aterrorizada; ela prostrou-se diante dele: ‘Corte a minha cabeça’, ela implorou, ‘mas poupe o seu filho, oh Rei!’ O Rei estava prestes a ceder quando eu falei numa voz infantil: ‘Mãe, é para sua salvação que ofereço a minha cabeça. Quando eu estiver morto, deixe meu corpo ser colocado numa lança e exposto à vista; deixe-o ser comida para os pássaros do ar’. E, conforme o carrasco agarrou-me pelos cabelos, eu acrescentei: ‘Oh, que eu possa tornar-me o Buda e libertar todos os que nascem e que morrem em todos os mundos!’

E agora, Rei Suddhodana, finalmente atingi a sabedoria; Eu sou o Buda; Eu conheço o caminho que leva à libertação. Não me perturbe em minha tarefa. Fique desperto (atento), seja rápido na apreensão; siga o caminho sagrado da virtude. Ele (o Buda) repousa na paz de quem leva uma vida de santidade, Ele repousa na terra e nos outros mundos.”

O Rei Suddhodana chorou com admiração. O Buda continuou:

“Aprenda a distinguir a verdadeira virtude da falsa virtude; aprenda a distinguir o verdadeiro caminho daquele que é falso. Ele repousa na paz de quem leva uma vida de santidade, Ele repousa na terra e nos outros mundos!”

O rei caiu aos seus pés; acreditou nele, completamente. O Bem-Aventurado sorriu, e então entrou no palácio e sentou-se à mesa de seu pai.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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