A Admoestação de Suddhodana

No dia seguinte, o Mestre foi cidade afora, esmolando sua comida de casa em casa. Ele logo era reconhecido, e o povo de Kapilavastu exclamava:

“Que estranha visão! O Príncipe Siddhartha, que outrora percorrera essas ruas trajado em robes magníficos, agora perambula de porta em porta, esmolando por comida, nos trajes humildes de um monge.”

E eles corriam para as janelas; ascendiam aos terraços, e grande era sua admiração pelo pedinte.

Uma das donzelas de Gopa ouviu os comentários quando estava deixando o palácio. Ela perguntou o motivo e a ela foi dito. Ela imediatamente correu de volta para a sua senhora.

“Seu marido, o Príncipe Siddhartha”, disse ela, “está perambulando pela cidade, como um monge mendicante!”

Gopa deu um salto. Ela pensou: “Ele que outrora, por todas as suas lindas jóias, foi radiante em luz, agora veste roupas grosseiras, agora tem como único adorno o brilho divino da sua pessoa”. E murmurou: “Quão belo ele deve estar!”

Ela ascendeu ao terraço do palácio. Circundado por uma multidão de pessoas, o Mestre vinha se aproximando. Um majestoso esplendor emanava da sua pessoa. Gopa estremeceu de alegria, e com uma voz cheia de fervor, ela cantou:

“Macio e brilhante é seu cabelo, resplandecente como o sol é sua fronte, radiante e sorridente é seu semblante! Ele espreita como um leão através da luz dourada!”

Ela foi ao Rei.

“Meu senhor”, disse ela, “seu filho está esmolando nas ruas de Kapilavastu. Uma multidão de admiradores segue-o, porque ele está mais belo do que nunca.”

Suddhodana ficou muito perturbado. Ele deixou o palácio, e aproximando-se do seu filho, disse-lhe:

“O que você está fazendo? Por que você esmola por sua comida? Certamente, você deve saber que lhe espero no palácio, você e seus discípulos.”

“Devo esmolar”, respondeu o Bem-Aventurado; “Devo obedecer a lei.”

“Somos uma raça de guerreiros”, disse o Rei; “nenhum Shakya jamais foi pedinte.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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