Os Portais da Libertação I

Sutra Guirlanda de Flores
Avatamsaka Sutra

Naquela ocasião, oceânicas multidões reuniram-se no lugar de iluminação do Buda: ilimitados tipos e espécies estavam ao redor do Buda, preenchendo todos os lugares. Suas formas e séquitos eram diferentes uns dos outros. De onde quer que chegassem, aproximavam-se do Honrado pelo Mundo, sinceramente olhando para ele. Essas multidões em assembleia já tinham se livrado de todas as aflições e impurezas mentais, bem como de seus hábitos remanescentes. Eles tinham pulverizado as montanhas de barreiras múltiplas, e percebiam o Buda sem obstruções. Eles eram assim porque o Buda Vairochana em tempos passados, através de oceanos de eras, ao cultivar as práticas dos seres reluzentes (iluminantes), havia recebido-lhes e cuidado deles com as quatro práticas da salvação que são a generosidade, palavras gentis, ação benevolente e cooperação, e enquanto plantava raízes da benevolência na companhia de cada Buda naquelas eras, já havia tomado conta deles, lhes ensinado e desenvolvido através de vários meios habilidosos, estabelecendo-lhes no caminho da onipotência, onde eles adquiriram inumeráveis virtudes, grandes méritos, e todos já haviam adentrado completamente o oceano das habilidades nos meios de libertação e compromisso dos votos. As ações que perpetravam eram completamente puras, e também já tinham embarcado na via para a emancipação. Eles sempre viam o Buda, claramente iluminado, e através do poder da suprema compreensão, adentraram o oceano das qualidades do Estado de Buda. Encontraram os portais da libertação de todos os Budas, e transitavam livremente nos poderes espirituais.

Isto quer dizer que Oceano das Chamas Sutis, um Rei do Céu da Grande Liberdade, encontrou o portal da libertação através da tranquilidade e poder prático dos domínios do espaço e do cosmos. O Rei Celestial Luz do Nome da Liberdade, obteve o portal da libertação ao observar livremente todas as coisas. O Rei Celestial Olho das Puras Virtudes encontrou o portal da libertação da acão sem esforço ao saber que todas as coisas são não-nascidas, não perecem, e nem vêm o vão. O Rei Celestial Grande Inteligência Aprazível encontrou o portal da libertação através do oceano da sabedoria percebendo diretamente o real caráter de todas as coisas. O Rei Celestial Liberdade da Luz Imutável encontrou o portal da libertação através da grande concentração na prática de concessão de ilimitada paz e felicidade aos seres viventes. O Rei Celestial Olhos dos Adornos Sublimes encontrou o portal da libertação por causa da observação da verdade da nulidade e aniquilação de toda a ignorância e medo. O Rei Celestial Luz da Meditação Habilidosa encontrou o portal da libertação através da entrada em infinitos reinos (domínios) sem produzir qualquer atividade de pensamento sobre os existentes (ali). O Rei Celestial Grande Conhecimento Delicioso encontrou o portal da libertação ao ir a todos os lugares nas dez direções para pregar a verdade, embora sem se mover e sem depender de nada. O Rei Celestial Estandarte do Esplendor do Som Universal encontrou o portal da libertação por entrar no reino do Buda da tranquilidade e manifestação de grande luz em todos os lugares. O Rei Celestial Luz da Fama do Esforço Supremo encontrou o portal da libertação ao se estabelecer em sua própria iluminação, tendo ainda uma perspectiva infinitamente ampla.


Livro Um – Os Adornos Maravilhosos dos Líderes dos Mundos

 

Os Líderes dos Mundos

Sutra Guirlanda de Flores
Avatamsaka Sutra

Havia grandes seres reluzentes, tão numerosos quanto os átomos em Dez Mundos Búdicos, circundando-lhe. Seus nomes eram: Universalmente Meritório (Samantabhadra), Luz da Suprema Tocha da Virtude Universal, Estandarte do Leão da Luz Universal, Luz Sutil do Fulgor das Joias Universais, Estandarte do Oceano de Qualidades dos Sons Universais, Domínio (Reino) da Iluminação do Esplendor do Conhecimento Universal, Estandarte das Flores de um Diadema (Nó, Topete no topo da cabeça) das Joias Universais, Voz Agradável do Despertar Universal, Luz da Inesgotável Virtude da Pureza Universal, Marca da Luz Universal, Grande Brilho da Luz da Lua Refletida no Oceano, Tesouro Imaculado da Luz dos Oceanos de Sons como Nuvens, Nascido da Sabedoria e Adornado com Virtude, Grande Luz da Virtude Soberana, Admirável Diadema (Topete, Nó sobre a cabeça) do Lotus, Estandarte do Sol das Nuvens do Conhecimento Universal, Altamente Perseverante com Coragem Indestrutível, Estandarte da Luz das Chamas Fragrantes, Profundo e Belo Som da Grande Virtude Iluminada, Nascido da Sabedoria com a Luz da Grande Virtude. Esses e outros eram líderes, tantos quanto os átomos que há em Dez Mundos Búdicos.

Todos esses seres reluzentes haviam acumulado no passado as raízes da benevolência juntamente com o Buda Vairocana, e todos eram nascidos dos oceanos das raízes de benevolência do Buda. Eles já haviam aperfeiçoado os vários meios de transcendência, e seus olhos da sabedoria eram completamente límpidos. Eles observavam todos os tempos (presente, passado e futuro) com imparcialidade. Eram completamente purificados em todos os estados da concentração. Sua eloquência era oceânica, extensiva e inesgotável. Eles possuíam as qualidades do Estado de Buda, eram dignos e honoráveis. Eles conheciam as faculdades dos seres sencientes, e falavam-lhes de acordo com o potencial e necessidade (de cada um). Eles penetraram a matriz do Cosmos, seu conhecimento era não-discriminatório; eles experimentaram a libertação dos Budas, excedentemente profunda e imensamente vasta. Eram capazes de entrar em um estágio, de acordo com expediente técnico, e ainda manter as virtudes de todos os estágios, amparados pelo oceano de todos os votos, sempre acompanhados pela sabedoria, através do futuro. Eles haviam compreendido completamente o raramente atingido, vasto e secreto domínio de todos os Budas. Eram familiarizados com os ensinamentos igualitários de todos os Budas; eles já estavam pisando no solo do Buda da Luz Universal. Eles adentraram os portais dos ilimitados oceanos das concentrações. Eles manifestaram corpos em todos os lugares e participaram das atividades mundanas. Seu poder de memória era enorme, e abarcavam o oceano de todos os ensinamentos. Com inteligência, eloquência, e habilidade, eles giraram a Roda (da Lei), que nunca retorna. O vasto oceano das qualidades virtuosas de todos os Budas penetrou-lhes inteiramente os corpos. Eles foram de bom grado a todas as terras nas quais havia Budas. Já haviam feito oferecimentos a todos os Budas, ao longo de ilimitadas eras, alegre e incansavelmente. Em todos os lugares, quando os Budas atingiram a iluminação, eles estavam sempre lá, aproximando-se e associando-se com eles, sem nunca desistir. Sempre, através dos votos da benevolência e sabedoria universal, fizeram com que o corpo da sabedoria de todos os seres sencientes fosse preenchido. Eles haviam aperfeiçoado essas inumeráveis virtudes.


Livro Um – Os Adornos Maravilhosos dos Líderes dos Mundos

 

As Práticas e Votos do Bodhisattva Samantabhadra

Sutra Guirlanda de Flores
Avatamsaka Sutra

Primeiramente, o Bodhisattva Samantabhadra[1], tendo elogiado e exaltado os méritos e virtudes do Buda Vairocana, e dos muitos Bodhisattvas juntamente com Sudhana, dirigiu-se aos congregados da seguinte forma:

“Bons homens, mesmo que todos os Budas de todas as dez direções falassem continuamente durante tantos aeons quanto os minúsculos grãos de pó que há num incalculável número de Terras Búdicas, os méritos e virtudes do Buda jamais poderiam ser completamente descritos.

Aqueles que desejam alcançar esses méritos e virtudes devem cultivar dez grandes e amplas práticas e votos. Quais são as dez?

Primeiro, Prestar homenagem e respeito para com todos os Budas.

Segundo, Louvar todos os Budas.

Terceiro, Fazer abundantes oferecimentos.

Quarto, Arrepender-se dos pecados e maus karmas (ações).

Quinto, Alegrar-se (regozijar-se) com os méritos e virtudes dos outros.

Sexto, Solicitar ao Buda para ensinar.

Sétimo, Solicitar ao Buda que permaneça no mundo.

Oitavo, Seguir os ensinamentos do Buda em todas as ocasiões.

Nono, Confortar e beneficiar todos os seres viventes.

Décimo, Transferir todos os méritos e virtudes universalmente.”


 

[1] Esse Bodhisattva surge no Capítulo 28 – O Encorajamento do Bodhisattva Universalmente Meritório (Samantabhadra) – do Sutra de Lótus, onde disse ao Buda: “Se houver uma pessoa lendo ou recitando este Sutra, se andando ou parada, naquele momento eu montarei meu elefante branco real com seis presas e, junto com um séquito de Grandes Bodhisattvas, irei àquele local, manifestarei meu corpo, farei oferecimentos, protegê-la-ei e confortarei seu pensamento, e também farei oferecimentos ao Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.”

 


As Práticas e Votos do Bodhisattva Samantabhadra

 

O Corpo do Dharma do Tathagata

Talvez você escolha as linhas que dizem:

Se alguém me vê na forma,

Se alguém me procura no som,

Ele pratica uma via tortuosa,

E não pode ver o Tathagata.

Esse verso encontra-se na última parte do Sutra Diamante. O próprio Buda o disse, e assim o ‘me’ refere-se ao Buda Shakyamuni. Se alguém canta uma bela canção para o Buda e o procura daquela forma, ele não pode perceber o Corpo do Dharma do Tathagata. Numa passagem anterior do sutra o Buda indagou: “Se um corpo fosse tão grande quanto o Monte Sumeru, seria grande aquele corpo?”

Subhuti primeiro respondeu que seria muito grande, e depois disse: “É dito pelo Buda não haver corpo algum; porquanto é chamado um grande corpo”. O que é corpo algum? Não é um corpo. Se não é um corpo, o que é? Se não é um corpo, como pode ele ser chamado um grande corpo? Corpo algum refere-se ao Corpo do Dharma. O Corpo do Dharma do Buda é incomparável. Se você tem um corpo tão grande quanto o Monte Sumeru, ele ainda é comparável ao Monte Sumeru. Mesmo que ele seja maior que o Monte Sumeru, ainda pode ser comparado a ele. O Corpo do Dharma está para além das comparações. É incomparável. Há apenas um, e não dois. Não há uma segunda coisa. Aquele é um grande corpo. O corpo algum é o Corpo do Dharma, não o corpo da retribuição. No ensinamento do Buda, o Corpo do Dharma é o verdadeiro Buda. Assim é dito: “Esse oferecimento é feito para o puro Corpo do Dharma: Buda Vairocana”. O Buda Vairocana permeia todos os lugares. “Para o corpo de retribuição plenamente perfeito: Buda Rocana… para os milhões de corpos de transformação: Buda Shakyamuni”. O corpo de retribuição e os corpos de transformação não são Budas verdadeiros. Somente o Corpo do Dharma é o verdadeiro Buda. Assim o sutra diz: corpo algum é chamado um grande corpo. Corpo algum é o Corpo do Dharma.

Sutra Diamante – Capítulo 11 – A Supremacia das Bênçãos Incondicionadas.

Original

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