Para Ser Lótus – Fascículo X

“Através desses ilimitados kalpas,
no sentido de salvar seres viventes,
expedientemente manifesto o Nirvana.
Mas, na verdade, eu nunca passo à extinção.
Eu permaneço aqui, sempre pregando a Lei.
Eu sempre estou exatamente aqui,
e usando o poder das penetrações espirituais,
faço com que os seres viventes em sua embriaguez,
embora próximos a mim, não me vejam”.

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Conteúdo deste Fascículo:

O Segredo e o Poder do Tathagata

Buda, Por que não o vemos?

A Revelação dos Méritos e Virtudes do Passado

Encontro-me em Ti

A Terra Pura do Buda

Os Três Tesouros

O Pensamento Único do Buda

Itinen Sanzen

O Voto do Bodhisattva em Doação de Flores e Incenso

“Também, além disso, oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, praticando o amor-benevolente, oferece flores, incenso, incenso em pasta, incenso em pó ou vários tipos de incenso, ele deveria sempre fazer esse voto: ‘Compartilharei com todos os seres o que ofereço agora, e rogo para que, através disto, todos os seres atinjam o samadhi do Buda-Flor, e que lhes permita colocar sobre suas cabeças o ornato maravilhoso dos sete elementos do Bodhi. Rogo para que todos os seres pareçam como a lua cheia e que a sua compleição seja maravilhosa e melhor. Rogo para que todos os seres pareçam um (sem distinções) e sejam adornados com uma centena de bênçãos. Rogo para que todos os seres ganhem qualquer cor que desejem ter. Rogo para que todos os seres encontrem um bom amigo da Via e ganhem o incenso do desimpedimento e acabem com todos os maus odores e impurezas. Rogo para que todos os seres estejam enraizados no bem e possuam gemas raras. Rogo para que, quando verem, sintam felicidade e não tenham apreensões ou tristezas; que sejam todos trajados nas boas ações, e que não tenham ansiedades. Rogo para que todos os seres sejam completamente realizados (perfeitos) no incenso dos preceitos e que a fragrância desse incenso preencha todas as dez direções. Rogo para que todos os seres sejam perfeitos nos preceitos que são inflexíveis, os preceitos da tenacidade, e os preceitos de todas as Sabedorias; que eles se apartem de todas as ações de violação-dos-preceitos, que ganhem um estado totalmente isento dos preceitos, os preceitos que são sem precedentes, os preceitos que não necessitam de mestre, os preceitos da não-ação, os preceitos imaculados, os preceitos da última-meta, do absoluto e do todo-igual. Haverá o imaculado shila [preceitos], não favorecimento, não vingança, nem bom, nem mau, tudo será igual, sem ódio e sem amor. Rogo para que todos os seres ganhem o mais supremo, o Mahayana, e não os preceitos do Hinayana. Rogo para que todos os seres sejam perfeitos no shilaparamita [moralidade transcendente] e também se igualem nos preceitos atingidos por todos os Budas. Rogo para que todos os seres possam ser cobertos com o incenso da doação, com os preceitos da proteção (defesa), paciência, esforço, meditação, e Sabedoria. Rogo para que todos os seres sejam realizados no lótus todo-maravilhoso do Grande Nirvana, e que a fragrância deste preencha as dez direções. Rogo para que todos os seres compartilhem das delicias insuperáveis do Grande Nirvana do Mahayana e que ajam como a abelha faz ao chamado de uma flor, levando com ela apenas a sua fragrância. Rogo para que todos os seres alcancem um corpo coberto com o incenso de inumeráveis virtudes’. Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva, definitivamente, sempre faz o voto da maneira acima descrita quando ele reside no coração de amor-benevolente e oferece flores e incenso.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Voto do Bodhisattva em Doação de Roupas

“Também, além disso, oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, com seu coração de amor-benevolente, oferece roupas, ele deveria sempre orar: ‘Compartilharei sempre com todos os seres aquilo que ofereço agora, e através disto permitirei a todos os seres ganharem a roupa do arrependimento, deixarem o Dharma-Maravilhoso cobrir seus corpos e despojarem as roupas de todas as visões distorcidas. Um robe será colocado sobre as partes do corpo (até) um pé e seis polegadas. O corpo que brilha é ouro; seu toque é suave e sem obstruções; sua cor é brilhante; sua pele é suave e delicada. A Luz Eterna é perene e incolor. Rogo para que todos os seres ganhem o corpo incolor, deixem todas as cores, e atinjam o Grande Nirvana’. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva oferece roupas, definitivamente, ele deveria fazer esse voto.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Voto do Bodhisattva em Doação de Veículos

“Também, além disso, oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, com o seu coração de amor-benevolente, oferece veículos, ele deveria sempre orar: ‘Compartilharei o que ofereço agora com todos os seres e, em razão disto, farei com que todos os seres se tornem perfeitos no Mahayana e residam nele. E eles não retroagirão deste veículo que será inabalável e adamantino. O que será buscado não será o veículo do Sravaka ou do Pratyekabuda, mas o Veículo do Buda, um veículo imbatível [indestrutível], um veículo que não é fraco e não está ausente em parte alguma, que não cai ou naufraga, o veículo insuperável, o veículo dos dez-poderes, o veículo da grande-virtude, o veículo incomparável, o veículo mais raro, o veículo difícil de encontrar, o veículo ilimitado, e o veículo onisciente’. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, com seu coração de amor-benevolente, oferece um veículo, ele deveria sempre fazer esse voto.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Voto do Bodhisattva em Doação de Bebidas

“Também, além disso, oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, com o coração de amor-benevolente, oferece bebida, ele deveria sempre fazer um voto: ‘Compartilho o que ofereço agora com todos os seres. Em razão deste ato, eles caminharão em direção ao rio do Mahayana e compartilharão da água dos oito sabores, tomarão o caminho da Iluminação Insuperável, se apartarão da sede dos Sravakas e Pratyekabudas, e ansiarão pelo insuperável Veículo do Buda. [Eu rogo] para que eles se apartem da sede das impurezas, e anseiem pela comida do Dharma, que eles deixem o amor do nascimento e da morte, acalentem pensamentos afetuosos para com o Mahayana Mahaparinirvana, tornem-se perfeitos no Corpo-do-Dharma, obtenham todos os samadhis e adentrem o grande mar da Sabedoria. Eu rogo para que todos os seres compartilhem do sabor da renúncia, abandonem a cobiça, e alcancem o silêncio e a quietude. Eu rogo para que todos os seres se tornem perfeitos nos incontáveis centenas de milhares de sabores do Dharma. Uma vez realizados no sabor do Dharma, eles verão a Natureza-de-Buda e, tendo visto o Natureza-de-Buda, farão cair a chuva do Dharma, e tendo feito cair a chuva do Dharma, a Natureza-de-Buda cobrirá tudo como o próprio espaço. Também, [eu rogo para que] todos os outros incontáveis seres atinjam o caráter único do sabor do Dharma do Mahayana. Esse não é o sabor de todos os Sravakas e Pratyekabudas. Eu rogo para que todos os seres obtenham a singularidade do doce sabor e que não haja qualquer diferença discriminativa dos seis tipos (amargo, azedo, doce, picante, salgado e adstringente). Rogo para que todos desejem unicamente buscar o sabor do Dharma, o sabor sem obstruções das ações Budistas e que não busquem outros sabores’. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva, com um coração de amor-benevolente, oferecer bebida, ele deveria fazer esse voto.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

Sutra do Nirvana – Cap. 15 – A Parábola da Lua

“Por exemplo, os seres se deleitam ao olhar o brilho da lua. Este é o porquê chamamos a lua de ‘aquela que é agradável de ver’. Se os seres estiverem possuídos pela cobiça (avareza), a malevolência e a ignorância, não haverá prazer em vê-la. O mesmo se passa com o Tathagata. A natureza do Tathagata é pura, boa, limpa e imaculada. Isto é o que há de mais prazeroso para contemplar. Os seres que estão em harmonia com o Dharma não hesitarão (e sentirão prazer) em ver; aqueles com maus pensamentos não sentirão prazer em ver. Por essa razão dizemos que o Tathagata é como o Brilho da Lua.”

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Destaques deste Capítulo:

A Parábola da Lua

A Eterna Lua-Cheia

O Verdadeiro Aspecto do Carma Original

A Parábola do Bom Filho

O Brilho da Lua

O Voto do Bodhisattva em Doação de Comidas

“Esse Bodhisattva-Mahasattva sempre faz um voto quando ele, benevolentemente, oferece comida: ‘Eu agora ofereço isto, o compartilho com todos os seres e pretendo que, através das relações causais dessa ação, todos os seres atinjam a comida da Grande Sabedoria e, com esforços, transfiram o mérito disto para o insuperável Mahayana. Rogo para que todos os seres ganhem a comida da Boa Sabedoria e que eles não procurem a comida dos Sravakas e Pratyekabudas. Rogo para que todos os seres obtenham a comida da Alegria do Dharma e não busquem a comida do desejo. Rogo para que todos os seres obtenham a comida do Prajnaparamita [Sabedoria Transcendente] em abundância e que eles tenham a melhor raiz da bondade desobstruída, a qual crescerá enormemente. Rogo para que todos os seres compreendam e atinjam a fase do Vazio, realizem o corpo sem impedimentos e tornem-se como o espaço. Rogo para que todos os seres sempre sejam extremamente piedosos para o benefício daqueles que recebem, e se tornem um campo de bênçãos’. Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva, quando praticando o coração do amor-benevolente, deve firmemente orar assim com relação a qualquer comida que ele ofereça.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Coração do Bodhisattva

“Também, além disso, oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva pratica a doação, o seu coração gentil vê todos os seres igualmente, como se fossem seus filhos únicos. Ainda quando em doação, seu coração compassivo se agita, como quando um pai e uma mãe olham seu próprio filho que está doente. Quando em doação, seu coração sente alegria, como quando o pai e a mãe veem a doença da sua criança ser curada. Quando a doação é feita, a sua mente está desapegada daquilo que é dado, como quando um pai e uma mãe veem seu filho já crescido e vivendo por si próprio.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

A Prática do Amor-Benevolente

E para o benefício de Kashyapa, ele disse num gatha:

“Se não se sente a ira,
mesmo contra um simples ser,
e roga-se para dar felicidade a esses seres,
isto é Amor-Benevolente.
Se sente-se compaixão
por todos os seres,
isto é a semente sagrada.
Interminável é a recompensa.
Mesmo que os Rishis (Grandes Sábios) dos cinco-poderes preenchessem essa terra
e dessem a Mahesvara (Grande Lorde) elefantes, cavalos
e suas várias posses,
a recompensa ganha não seria igual
a uma décima-sexta parte de um [impulso de] amor-benevolente
que seja praticado.”

“Oh bom homem! A prática do amor-benevolente é verdadeira e não provém de um pensamento falso. É claramente a verdade. O amor-benevolente dos Sravakas e Pratyekabudas é aquele que é falso. Com todos os Budas e Bodhisattvas, o que existe é o verdadeiro, e não o que é falso. Como sabemos isso? Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via do Grande Nirvana, ele medita sobre a terra e [mentalmente] a transforma em ouro, e medita sobre o ouro e o transforma em terra, terra em água, água em fogo, fogo em água, terra em vento (ar), e vento em terra. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Ele medita sobre seres reais e transforma-os em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Oh bom homem! Saiba que as quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva vêm de um pensamento verdadeiro e não são o que é falso.

Também, além disso, oh bom homem! Por que é chamado pensamento verdadeiro? Porque ele acaba completamente com todas as impurezas. Oh bom homem! Ora, uma pessoa que pratique amor-benevolente erradica toda a cobiça; alguém que pratique a compaixão erradica a ira; alguém que pratique a intenção-amável (alegria-simpática) erradica a infelicidade; alguém que pratique equanimidade erradica a cobiça, a ira e todos os aspectos das coisas que os seres têm. Por essa razão, chamamos isto de pensamento verdadeiro.

Também, além disso, oh bom homem! As quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva-Mahasattva constituem a raiz de todas as boas ações. Oh bom homem! Se um Bodhisattva-Mahasattva não vê um ser oprimido pela pobreza, não poderá haver qualquer surgimento da compaixão. Se a mente compassiva não surge, não surgirá qualquer pensamento de doação. Através das relações causais da doação, ele concede aos seres paz e felicidade. Trata-se de bebida, comida, veículos, roupas, flores, incenso, camas, casas e lâmpadas.

Quando a doação é feita dessa maneira, não existe apego na mente e nenhuma cobiça surge. Ele definitivamente transfere o mérito disto para a Iluminação Insuperável. A mente não para no tempo. Acaba-se com o pensamento falso para sempre; aquilo que é feito não é por medo, por fama ou por lucro. Não visa o mundo dos humanos ou dos deuses; qualquer prazer que seja ganho não suscita a arrogância; não visa recompensas; a doação não é feita para enganar os outros; não busca a riqueza ou o respeito. Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação [distinção] é feita quanto a saber se o destinatário tem observado os preceitos morais ou os têm transgredido, se ele é um verdadeiro campo de prosperidade ou um mau campo de prosperidade, se é instruído ou iletrado.

Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação é feita entre o certo e o errado do repositório; nenhuma diferença é vista entre o tempo ou o lugar certo ou errado. Não se pensa sobre se existe fome ou fartura das coisas e felicidade. Nenhuma discriminação é feita quanto à causa ou o resultado (efeito) disto, ou preocupação quanto àquilo que é certo [meritório] ou não com relação ao destinatário (repositório), ou se ele é rico ou não. Também, o Bodhisattva não se dá o trabalho de olhar qualquer diferença como se o destinatário é uma pessoa que dá ou alguém que recebe, o que é dado ou cedido, ou a recompensa por aquilo que é dado. A única coisa que se faz é que a doação seja realizada sem cessação.

Oh bom homem! Se o Bodhisattva olhasse para a observância ou infração dos preceitos, ou os seus resultados, não poderia haver qualquer doação até o fim. Se não há doação, não pode haver realização do danaparamita [doação transcendente]. Se não há danaparamita, não pode haver qualquer chegada à Iluminação Insuperável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

Para Ser Lótus – Fascículo IX

“Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é supremo dentre os ensinamentos do Tathagata. Em meio a todos os ensinamentos ele é o mais profundo, e somente é concedido em última instância, como é o caso daquela pérola brilhante que o poderoso rei há muito a detém e finalmente a concede. Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o tesouro secreto de todos os Budas, Tathagatas. Dentre todos os Sutras ele é o mais elevado. Na longa noite do tempo ele foi guardado e nunca descuidadamente exposto. Hoje, pela primeira vez, eu o estou pregando para você”.

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Conteúdo deste Fascículo:

O Voto dos Sábios, Sobre Ostentar o Corpo do Buda

O Voto dos Mahasattvas, O Rugido do Leão

Cultivando Pensamentos Pacíficos

Os Grandes Mestres dos Últimos Dias da Lei

O Ato Derradeiro do Honrado pelo Mundo

Compreendendo o Vazio

O Gestual dos Bodhisattvas da Terra

Os Líderes dos Bodhisattvas da Terra

As Virtudes Douradas dos Grandes Bodhisattvas

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