O Que Pensamos Sobre o Céu

“Qual é o pensamento sobre o Céu? Existem lugares tais como o céu dos quatro guardiões e o céu da indiferença-não-indiferença. Se alguém possui a fé, ganha o céu dos quatro guardiões da terra. Eu, também, posso nascer lá. Se (alguém possui os) preceitos, erudição, doação e Sabedoria, alcança o céu dos quatro guardiões e o céu da indiferença-não-indiferença. Eu, também, posso nascer lá. Mas, eu não desejo nascer. Por que não? A impermanência reina lá no céu dos quatro guardiões e [também] no céu da indiferença-não-indiferença. Devido à impermanência, lá existe nascimento, envelhecimento, doença e morte. Por essa razão, eu não desejo nascer lá. Isto é como possivelmente um fantasma enganará o ignorante, mas não o sábio. O céu dos quatro guardiões e o céu da indiferença-não-indiferença são análogos a um fantasma. O ignorante é o mortal comum, mas eu não sou um mortal comum. Certa vez ouvi sobre o céu ‘Paramartha’. Isto se refere ao fato de que os Budas e Bodhisattvas são eternos e não mudam. Por ser Eterno, não há nascimento, envelhecimento, doença ou morte. Envidarei esforços e buscarei – para o benefício dos seres – o Céu ‘Paramartha’. Por quê? Porque o Céu ‘Paramartha’ pode decididamente permitir aos seres erradicar as ‘asvaras’ (impurezas), como no caso da árvore do pensamento, a qual certamente podemos dobrar conforme nossa vontade. Se possuo desde a fé até a Sabedoria, eu posso certamente alcançar esse Céu ‘Paramartha’, e para o benefício dos seres, deve-se pensar e falar bem desse Céu ‘Paramartha’. Esse é o pensamento do Bodhisattva-Mahasattva sobre o Céu. Oh bom homem! Isto é como dizemos que o Bodhisattva não é do mundo. O mundo não conhece, vê e compreende. Mas o Bodhisattva conhece, vê e compreende.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Como Pensamos Sobre Dana

“Como pensamos sobre o dana [doações caridosas]? O Bodhisattva-Mahasattva medita profundamente sobre esse dana que é causa da Iluminação Insuperável. [Ele pensa]: ‘Todos os Budas e Bodhisattvas realizam o dana. Eu, também, ajudarei e o praticarei’. Se não for realizado, não se pode adornar as quatro classes de pessoas da Sangha. Embora as doações não erradiquem completamente as impurezas, certamente elas extirpam aquelas (impurezas) do presente. Em razão da doação, todos os seres das dez direções, tão numerosos quanto às areias de inumeráveis, ilimitados Rios Ganges, sempre tecem elogios. Quando o Bodhisattva-Mahasattva doa comida aos seres, ele doa vida. Como uma recompensa por esse dana, ele sempre é (abençoado) e não muda quando atinge o Estado de Buda. Como ele dá felicidade, a paz o visita quando ele atinge o Estado de Buda. Quando o Bodhisattva faz doações, ele busca as coisas da maneira correta; ele nunca espolia outros através das suas doações. Em razão disto, quando ele atinge o Estado de Buda, ele é abençoado com a pureza do Nirvana. Quando o Bodhisattva faz doações, ele imagina coisas que os seres (necessitam e) não pedem e que, mesmo assim, lhes são dadas. Como resultado disto, no alvorecer do Estado de Buda, ele atinge a Auto-Soberania [‘aisvarya-atman’ – isto é, o Eu autonomo, livre e sem impedimentos]. Através da doação, ele dá força aos outros. Em razão disto, quando chega o Estado de Buda, ele ganha os dez poderes. Através da doação, ele permite aos outros obterem as palavras [as palavras das escrituras]. Por meio disto, quando o Estado de Buda vem, ele obtém as Quatro Sabedorias sem Obstruções. Todos os Budas e Bodhisattvas praticam essas doações e ganham a causa do Nirvana. (Ele pensa: ) ‘Eu, também, praticarei doações e engendrarei a causa do Nirvana’. Isto é como foi dito no ‘Zäke’ Vaipulya [isto é, possivelmente o ‘Sutra Gandavyuha’].”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Como o Bodhisattva Pensa Sobre os Preceitos

“Como o Bodhisattva pensa sobre os preceitos [shila – preceitos morais]? O Bodhisattva pensa: ‘Existem os preceitos. Não devem ser transgredidos. São não-‘asvara’, não podem ser destruídos, e nem confundidos. Embora não possuam forma ou cor, podem ser protegidos. Embora nada exista [neles] que possa ser tocado ou sentido, certamente pode-se encontrar um meio de sermos perfeitos neles. Nada é falho. São aquilo que todos os Budas e Bodhisattvas elogiam. São a causa do Vaipulya e do Grande Nirvana’. Oh bom homem! Como um exemplo, todas essas coisas como a grande terra, navios, grinaldas (coroas), grandes clãs familiares, o grande oceano, águas fluviais, casas, espadas, pontes, bons médicos, remédios maravilhosos, agada (antídotos para venenos), cintamani [jóia de satisfação dos desejos], pernas, olhos, atitude gentil dos pais: todas essas coisas não podem ser saqueadas ou danificadas. O fogo não pode queimá-las nem a água arrastá-las. São uma escadaria que leva às altas montanhas ou um grande estandarte de todos os Budas e Bodhisattvas. (Ele pensa: ) ‘Residindo neste ‘shila’ (preceitos), atinge-se o [nível de] Srotapanna. Eu sei que posso, mas não o faço. Por que não? Porque se eu atingir o Srotapanna, não poderei salvar todos os seres. Agora, se eu residir neste ‘shila’ e atingir a Suprema Iluminação, também poderei fazê-lo (salvar todos os seres). Isto é o que desejo ter. Por quê? Se eu ganhar a Suprema Iluminação, estarei apto a, de fato, falar sobre o Dharma-Todo-Maravilhoso e socorrer os seres’. Esta é a maneira de o Bodhisattva-Mahasattva pensar sobre os preceitos.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Sutra do Nirvana – Cap. XIX – Ações Sagradas 1

“Oh Kashyapa! Como um Bodhisattva reside no ensinamento do Sutra Mahayana do Grande Nirvana e medita sobre o sofrimento de separação daquilo que se ama? O sofrimento da separação daquilo que se ama é a raiz de todos os sofrimentos, sobre o qual é dito:

‘Da ganância se obtém a apreensão;
da ganância se obtém o medo.
Se acaba-se com a mente gananciosa,
por que sentir ainda qualquer apreensão ou medo’?”

Leia mais em …


Destaques deste Capítulo:

Contra Quem Luta o Bodhisattva

Meditando Sobre Cores

O Grande Rei Senyo

Os Oito Modos de Sofrimento

Nascimento e Envelhecimento

As Doenças

A Morte

A Separação Daquilo que se Ama

O Encontro Com Aquilo Que se Odeia

Não Ser Capaz de Obter o Que se Deseja

Urgir com a Queima dos Cinco Skandhas

A Parábola das Irmãs Inseparáveis

O Vendedor de Comida

O Sofrimento do Envelhecimento

O Sofrimento da Doença

O Sofrimento da Morte

O Sofrimento da Separação Daquilo Que se Ama

O Sofrimento do Encontro com Aquilo Que se Odeia

O Sofrimento de Não Ser Capaz de Obter o Que se Deseja

O Sofrimento é Real, a Felicidade Não

Como o Bodhisattva Pensa Sobre a Sangha

“De que maneira o Bodhisattva pensa sobre a Sangha? Todos os Budas e todos os Sacerdotes Sagrados (a Sangha) vivem em concordância com o Dharma e obedientemente praticam o Dharma que é Correto. Não se pode vê-la, agarrá-la, destruí-la, ou causar-lhe danos. Ela (a Sangha) não pode ser concebida e é um bom campo de prosperidade [‘punya-ksetra’ – um campo de mérito e bênçãos] para todos os seres. Embora seja um campo de prosperidade, não há de se tê-la na mão [agarrá-la]. Tudo é puro e imaculado; é não-‘asvara’ (impureza) e não-criada; é vasta e ilimitada. A mente é domada e leve, é toda-igual, e é una. Não há exaltação. Tudo é eterno e imutável. Isto é como pensar sobre a Sangha.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Como o Bodhisattva Pensa Sobre o Dharma

“Como o Bodhisattva-Mahasattva pensa sobre o Dharma? O bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva pensa: ‘O Dharma pregado por todos os Budas é Todo-Maravilhoso e Supremo’. Baseando-se nesse Dharma, os seres chegam à fruição da vida presente. Somente esse Dharma Maravilhoso não conhece o tempo. Aquilo que o Olho-do-Dharma vê não é o que os olhos carnais vêem. E nenhuma analogia pode equiparar-se [expressá-lo]. O Dharma não é algo nascido, e não morre; não permanece, nem se extingue. Não há começo e nem fim. Não é criado e não é mensurável [não pode ser contado ou calculado]. Para os sem-teto, torna-se sua casa; para os sem-refúgio e sem-teto, ele é um refúgio. Para alguém sem luz, ele é luz. Para alguém que ainda não chegou à outra margem, ele permite-lhe alcançar a outra margem; para alguém que não possui fragrância, ele torna-se exalante fragrância. Não pode ser visto. Não se move; não muda. Apartando-se eternamente de todos os prazeres, o que existe é paz e felicidade. É o Inexcedível e Todo-Maravilhoso.

Não é matéria [‘rupa’] e está separado da matéria. E ainda é matéria. O mesmo se aplica aos demais [‘cinco skandhas’] até a consciência. Não é consciência e está separado da consciência. E [ainda] é consciência. Não é ação e está separado da ação. Não é ligação, nem ruptura das ligações. Não é substância e está separado da substância, e ainda é substância. Não é o mundo e está separado do mundo, e ainda é o mundo. Não é ‘é’ e está separado do ‘é’, e ainda é o ‘é’. Não é ‘entrada’ e está separado da ‘entrada’, e ainda é ‘entrada’. Não é causa e está separado da causa, e ainda é causa. Não é efeito e está separado do efeito. Não é falso e nem verdadeiro, e está separado de tudo que é verdadeiro, e ainda é verdadeiro. Não é algo nascido, não morre, e está muito distante do nascimento e extinção, e ainda é extinção. Não possui forma que possa ser vista e não é não-forma, e está separado de tudo que pode ser visto, e ainda é forma. Não é um ensino e nem um não ensinamento, e ainda é o professor. Não é medo e nem paz, e está separado de todos os temores, e ainda é paz. Não é paciência [‘ksanti’] e não é não-paciência, e está muito distante da paciência, e ainda é paciência. Não é tranqüilidade [‘samatha’], e não é não-tranquilidade, está distante de toda a tranqüilidade, e ainda é tranqüilidade. É o topo [‘murdhana’] de todas as leis (dharmas), e separa-se de todas as impurezas. É puro, não tem forma para descrevê-lo, e está distante de todas as formas. É o último estágio de todos os inumeráveis seres. Está distante das chamas ardentes de todos os nascimentos e mortes. Isto é onde os Budas se comprazem. É o Eterno, e não há mudança. Este é o pensamento do Bodhisattva sobre o Dharma.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Como o Bodhisattva Pensa Sobre o Buda

“Porque dizemos Tathagata, Merecedor-de-Ofertas, Todo-Iluminado e assim por diante, até ‘Bagaba’; e atribuímos-lhe tantos epítetos (títulos honoríficos) de inumeráveis virtudes? Oh bom homem! O Bodhisattva, ao longo de inumeráveis kalpas passados, respeitou seus pais, os honrados [‘upadhyaya’ – mestres Budistas responsáveis pelos ritos, regras e disciplina numa comunidade monástica], todos os mestres, idosos e anciãos; e sempre praticou dana, por inumeráveis kalpas, para o benefício dos seres; observou os preceitos morais, praticou a paciência, envidou esforços, praticou meditação, atingiu a Sabedoria, tem sido repleto de grande amor-benevolente e compaixão, e é perfeito na alegria-simpática (intenção amável) e na equanimidade. Em razão disto, o Bodhisattva agora possui as 32 marcas da perfeição e as 80 características menores de excelência. E também, o Bodhisattva, ao longo de inumeráveis asamkhyas de kalpas, praticou esforços, fé, concentração (pensamento único), meditação, Sabedoria [‘panca-indriya’ – os cinco sentidos orgânicos ou raízes], respeitou e fez oferecimentos aos mestres e anciãos; sempre cuidadoso com os alimentos para o bem do Dharma. O Bodhisattva ostenta, lê e recita os doze tipos de escrituras e, para o benefício de todos os seres, trabalha pela emancipação, pela paz e felicidade, não se importando nem um pouco consigo próprio. Por quê? Porque o Bodhisattva sempre cultiva a idéia [atitude mental, estado mental] de escapar do mundo, renunciar à vida doméstica, (cultiva) as idéias do não-criado, não-disputa, não-impureza, não-vínculo, não-apego, não-proteção, não-indefinível, não-nascimento-e-morte, não-cobiça, não-ira, não-ignorância, não-arrogância, não-ilusão, não-sofrimento, pensamento ilimitado, pensamento amplo, pensamento do Todo-Vazio, a mente vazia, a mente não-vazia, a mente não-treinada, a mente não-protegida, a mente descoberta, a mente não-secular, a mente que está eternamente em meditação, a mente sempre-praticante, a mente sempre-emancipada, a mente que busca não-recompensa, a mente sem desejos, a mente que deseja fazer o bem, a mente não-falante, a mente aliviada, a mente não-permanente, a mente desimpedida [livre, sem restrições], a mente da impermanência [mente desperta para a impermanência dos fenômenos], a mente honesta, a mente não-lisonjeira, a mente do puro bem e que não anseia por mais ou menos [isto é, a mente satisfeita], a mente não-difícil, a mente que não é do mortal comum, que não é dos Sravakas, que não é do Pratyekabuda, que é boa conhecedora, a mente do conhecimento-limitado [que sabe que uma existência tem seu próprio limite], a mente que conhece o mundo do nascimento e da morte, a mente que conhece o mundo eterno, a mente do mundo sem impedimentos. Em razão disto, ele (o Bodhisattva) agora possui os dez poderes, os quatro destemores, a grande compaixão, os três estados mentais, e o Eterno, o Êxtase, o Eu, e o Puro. Este é o porquê o chamamos de ‘Tahagata’ até ‘Bagaba’. Essa é a maneira do Bodhisattva-Mahasattva pensar sobre o Buda.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Para Ser Lótus – Fascículo XIII

O Buda disse ao Bodhisattva Universalmente Meritório: “Se um bom homem, ou uma boa mulher, alcançar as Quatro Leis, ele obterá o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa após a extinção do Tathagata. Primeira Lei, ele é o objeto da proteção e de preocupação do Buda. Segunda Lei, ele detém as raízes das virtudes. Terceira Lei, ele penetra o conjunto de concentrações corretas. Quarta Lei, ele concentra-se na intenção de salvar todos os seres viventes ”.

“Se um bom homem ou uma boa mulher alcançar dessa forma estas Quatro Leis, é certo que ele obterá este Sutra após a extinção do Tathagata”.

Leia mais em…

Conteúdo deste Fascículo:

O Bodhisattva Som Maravilhoso

O Samadhi do Bodhisattva Som Maravilhoso

Ode ao Bodhisattva Guanshiyin

O Presente Universal

O Voto do Rei Adorno Maravilhoso

Méritos que Conduzem ao Sutra de Lótus

O Voto de Samantabhadra, o Universalmente Meritório

A Prática da Conduta de Samantabhadra

Lord

“Dizemos ‘bagaba’ [‘bhagavat’ – ‘Lord’]. ‘Baga’ significa ‘destruir’; ‘ba’ significa ‘impureza’. Como ele erradica as impurezas, ele á chamado ‘bagaba’. Ele também é assim chamado porque realiza bem o Dharma Maravilhoso; porque compreende bem todos os ensinamentos [dharmas]; porque possui grande virtude e eleva-se acima de todos os outros; porque tem grande fama, sendo conhecido em todas as dez direções; porque faz diversos grandes oferecimentos; porque, há inumeráveis asamkhyas de kalpas, ele acabou com a dualidade de gênero. Oh bom homem! Qualquer pessoa, homem ou mulher, que assim pense sobre o Buda, sempre vê o Buda-Honrado-pelo-Mundo enquanto caminhando, parando, sentando, deitando na cama, dia ou noite, no brilho ou na escuridão.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

Buda

“Por que dizemos Buda? Ele é desperto. Desperto por si. Ele também desperta completamente os outros. Oh bom homem! Por exemplo, se alguém está ciente de que há um ladrão presente, o ladrão nada pode fazer. O mesmo se passa aqui. O Bodhisattva-Mahasattva é desperto com relação a todas as inumeráveis impurezas. Estando desperto para todas as impurezas, ele torna todas as impurezas incapazes de fazer algo. Portanto, é Buda. Por conta desse despertar, ele é não-nascido, sem idade, imune a doenças e imortal. Portanto, é Buda.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 23 – Sobre Ações Puras 3.

« Entradas antigas