Sutra do Nirvana – Cap. 6 – A Virtude do Nome

O Brilho da Lua

“Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, os seres se deleitam ao olhar o brilho da lua. Este é o porquê chamamos a lua de ‘aquela que é agradável de ver’. Se os seres estiverem possuídos pela cobiça (avareza), a malevolência e a ignorância, não haverá prazer em vê-la. O mesmo se passa com o Tathagata. A natureza do Tathagata é pura, boa, limpa e imaculada. Isto é o que há de mais prazeiroso para contemplar. Os seres que estão em harmonia com o Dharma não exitarão (e sentirão prazer) em ver; aqueles com maus pensamentos não sentirão prazer em ver. Por essa razão dizemos que o Tathagata é como o Brilho da Lua.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

O Bodhisattva

O Bodhisattva é sempre gentil, paciente, estende a mão, ajuda e segue o seu caminho.

Em 28/06/2009.
Cachoeira da Serra – Jaboticatubas – MG

A Parábola do Bom Filho

“Também, além disso, oh bom homem! Isto é como o doutor que envida esforços e compartilha conhecimentos médicos básicos com o seu filho, dizendo que este é o remédio-raiz, este é para o sabor, aquele é para a cor etc., assim permitindo que o seu filho se torne familiarizado com as várias propriedades [dos remédios]. O filho presta atenção àquilo que o seu pai diz, esforça-se, aprende e vem a compreender todos os [diferentes] tipos de remédios. Chega o tempo em que seu pai morre. O filho se enternece, chora e diz: ‘o pai ensinou-me dizendo que este é o remédio-raiz, este é a haste, este é a flor e este é a cor’. O mesmo se passa com o Tathagata. No sentido de guiar-nos, ele impõe aos seres muitas restrições. Dessa forma, devemos tentar agir em concordância [com essas restrições] e não contrariá-las. Para aquelas pessoas dos cinco pecados mortais, para aqueles caluniadores do Dharma Maravilhoso, para os icchantikas e para aqueles que podem cometer tais ações (caluniosas) nos dias que virão, ele manifesta-se de acordo. Tudo isso é para os dias após a morte do Buda, para os Monges saberem que estes são pontos importantes nos sutras, estes são os aspectos pesados e leves dos preceitos, estas são as passagens do Abhidharma que são importantes ou não importantes. Isto é para permitir-lhes ser como o filho do doutor.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

Lua de Outono

“Empenhe-se no desenvolvimento da fé até o último dia da sua vida. Caso contrário, arrepender-se-á. Por exemplo, a viagem de Kamakura a Quioto leva doze dias. Se viajar durante onze dias e parar antes de completar o décimo-segundo dia, como poderá admirar a lua da linda capital? Em qualquer circunstância, aproxime-se do sacerdote que conhece a essência do Sutra de Lótus, continue aprendendo dele a verdade do Budismo e prossiga a sua viagem de fé.

Como passam depressa os dias! Isso nos faz perceber como são curtos os anos que deixamos. Os amigos admiram as flores de cerejeira nas manhãs de primavera e então partem, levados como as flores pelos ventos da impermanência, nada deixando senão os nomes. Embora as flores tenham sido dispersadas, as cerejeiras florescerão outra vez com a chegada da primavera, mas quando renascerão aquelas pessoas? Os companheiros com quem compusemos poemas admirando a lua, nas noites de outono, desapareceram com a lua atrás das nuvens passageiras. Somente suas imagens mudas continuam em nossos corações. A lua se pôs atrás das montanhas do ocidente, mas nós iremos compor poemas sob a mesma no próximo outono. Mas onde estão os nossos companheiros que faleceram? Mesmo quando o Tigre da Morte ruge próximo a nós, não o ouvimos. Quantos dias restam ainda ao cordeiro destinado ao sacrifício?”

Nitiren Daishonin em Carta a Niike, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Budismo, Religião e Física – Fascículo IV

Conteúdo deste Fascículo:

Religião? O quê é?

As Três Verdades

O Verdadeiro Aspecto do Carma Original

“Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, através da lua-cheia, todas as coisas aparecem. Em todos os lugares como nas cidades, aldeias, montanhas, pântanos, sob as águas, lagos, poços e recipientes de água, a lua manifesta-se. Os seres podem viajar uma centena ou uma centena de milhar de yojanas, e a lua sempre os acompanha. Os mortais comuns e os ignorantes pensam erroneamente e dizem: ‘Eu vejo tudo isso no castelo da cidade, na casa e aqui no pântano. É a verdadeira lua ou não é a verdadeira?’ Cada pessoa pensa acerca do tamanho da lua e diz: ‘É como a boca de uma chaleira’. Ou uma pessoa diz: ‘É como uma roda’. Ou alguém pode dizer: ‘É algo em torno de 45 yojanas’. Todos vêem a luz da lua. Alguns a vêem tão redonda quanto uma bacia de ouro. A natureza dessa lua é somente uma, mas diferentes seres a vêem de formas diferentes. Oh bom homem! O mesmo é o caso com relação ao Tathagata. Ele aparece no mundo. Humanos e deuses podem pensar: ‘O Tathagata está agora diante de nós e vive’. O surdo e o mudo vêem o Tathagata como alguém surdo e mudo. Diversas são as linguagens que os seres falam. Cada um pensa que o Tathagata fala como ele ou ela, ou pensa: ‘Na minha casa, o Tathagata recebeu oferecimentos’. Ou uma pessoa pode ver o tamanho do Tathagata como sendo muito grande e imensurável; ou alguém pode vê-lo como muito pequeno; ou uma pessoa pode confundi-lo com um Sravaka ou um Pratyekabuda; ou vários tirthikas podem pensar e dizer: ‘O Tathagata está agora na minha linha de pensamento [seguindo minha linha de pensamento] e está praticando a Via’. Ou uma pessoa pode pensar: ‘O Tathagata apareceu somente para mim’. A verdadeira natureza do Tathagata é como aquela da lua. Isto significa dizer que ela é o Corpo-de-Dharma, o Corpo do não-nascimento, ou aquele do expediente. Ele responde ao chamado do mundo, sendo inumeráveis as suas manifestações. O Carma Original manifesta-se de acordo com as diferentes localidades. Isto é como no caso da lua. Por essa razão, o Tathagata é Eterno e Imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

A Eterna Lua-Cheia

“Oh bom homem! Do outro lado dessa lua-cheia, temos a meia-lua; se deste lado temos a meia-lua, do outro lado a lua-cheia é vista. As pessoas do Jambudvipa, quando vêem a lua-nova, dizem que é o primeiro dia, e têm no pensamento a idéia de um novo mês. Vendo a lua-cheia, eles dizem que é o décimo-quinto dia do mês e criam a noção de lua-cheia. Mas essa lua não tem, para dizer a verdade, nem enchimento e nem esvaziamento. Oh bom homem! O mesmo é o caso com o Tathagata. No Jambudvipa, ele manifesta-se nascendo e entrando no Nirvana. Seu primeiro aparecimento (nascimento) é o primeiro dia do mês. Todos dizem que esse menino é recém-nascido. Ele caminha sete passos. Isso é como a lua no segundo dia. Ou ele mostra-se estudando. Isto é como a lua no terceiro dia. Ele demonstra a renúncia. Isto é como a lua do oitavo dia. Ele emite a luz toda-maravilhosa da Sabedoria e subjuga um incontável número de seres e os exércitos de Mara. Isto pode ser comparado com a lua-cheia do décimo quinto dia. Ou ele manifesta os 32 sinais de perfeição e as 80 características menores de excelência. Assim ele adorna-se e manifesta-se entrando no Nirvana. Ele (o Nirvana) é como o eclipse da lua. Assim, o que cada um dos seres vê não é o mesmo. Alguns vêem a meia-lua, outros a lua-cheia, e ainda outros um eclipse. Mas essa lua, por sua natureza, não conhece crescimento (enchimento) ou eclipse. Ela é sempre Lua-Cheia. O corpo do Tathagata é assim. Por essa razão, dizemos eterno e imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

A Parábola da Lua

O Buda disse a Kashyapa: “Como um exemplo: existe um homem aqui que, como ele vê que a lua ainda não saiu, diz que a lua foi embora, e nutre o pensamento de que a lua sucumbiu. Mas essa lua, pela sua natureza, jamais sucumbe. Quando ela aparece no outro lado do mundo, as pessoas do outro lado dizem que a lua nasceu. Por quê? Uma vez que o Monte Sumerú obstrui [a visão], a lua não pode revelar-se. A lua está sempre lá. Ela, por natureza, não nasce ou sucumbe. O mesmo é o caso com o Tathagata, o Merecedor de Ofertas, o Todo-Iluminado. Ele manifesta-se nos três mil grandes sistemas de mil mundos, e dá a entender que possui pais no Jambudvipa (que nasce) ou que entra no Nirvana no Jambudvipa (que morre). O Tathagata, por natureza, não entra no Nirvana. Mas todos os seres dizem que ele verdadeiramente entra no Parinirvana. O caso é análogo ao da sucumbência da lua. Oh bom homem! O Tathagata, por natureza, não possui a natureza do nascimento e da morte. Para socorrer os seres, ele manifesta-se nascendo e morrendo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

O Preceito do Cálice de Diamante

“Os cinco caracteres do Myoho-Rengue-Kyo, o âmago do ensino essencial do Sutra de Lótus, contém todos os benefícios acumulados pelas práticas benéficas e atos meritórios de todos os Budas por todo o passado, presente e futuro. Deste modo, como que esta frase não incluiria os benefícios obtidos através da observação de todos os preceitos do Buda? Uma vez que o praticante abrace este preceito perfeitamente dotado, ele não pode quebrá-lo mesmo que tente. É, portanto, denominado Preceito do Cálice de Diamante.”

Nitiren Daishonin, em Ensino, Prática e Prova, em 1275.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Interessante ler O Sutra do Cálice Vazio de Cristal Perfeito.

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