Nirvana: O Sabor Único dos Três Tesouros

Então, o Buda disse a Kashyapa: “Oh bom homem! Não veja os Três Tesouros como todos os Sravakas e os mortais comuns. Neste Mahayana, não existe distinção entre os Três Tesouros. Por que não? A Natureza-de-Buda contém dentro dela o Dharma e a Sangha. Para ensinar Sravakas e mortais comuns, recorre-se à discriminação e os três diferentes aspectos são falados a respeito dos Três Tesouros. Seguindo o caminho (a maneira) do mundo, é pregada a distinção com relação aos Três Tesouros. Oh bom homem! O Bodhisattva pensará: ‘Este ‘Eu’ agora se refugia no Buda. Se este ‘Eu’ atinge a Iluminação e o Estado de Buda, não respeitarei, reverenciarei ou farei oferecimentos a todos os Budas. Por que não? Porque todos os Budas são iguais. Eles são tomados como refúgio por todos os seres. Se alguém deseja prestar respeito ao Corpo-do-Dharma e às Shariras [relíquias], deveria também prestar respeito às torres de todos os Budas. Por quê? Para conduzir todos os seres. Isto também fará com que os seres concebam um pensamento da torre em mim, para torná-los reverentes e fazerem oferecimentos. Esses seres farão do meu Corpo-de-Dharma o lugar onde eles se refugiarão. Todos os seres estão enraizados naquilo que não é verdadeiro e naquilo que é falso. Eu agora revelarei, passo a passo, o verdadeiro Dharma. Se existem pessoas que se refugiam nos Monges que não são do calibre certo, eu me tornarei o verdadeiro refúgio para elas. Se existem aqueles que vêem os Três Refúgios como distintos, eu me tornarei um lugar único onde eles possam se refugiar. Sendo assim, não pode haver qualquer distinção entre os Três Refúgios. Para alguém nascido cego, eu serei os seus olhos, e para os Sravakas e Pratyekabudas eu me tornarei o verdadeiro refúgio’. Oh bom homem! Tais Bodhisattvas promulgam os trabalhos do Buda para o benefício de inumeráveis seres (agentes) do mal e (também) para todas as pessoas sábias. Oh bom homem! Existe, como um exemplo, uma pessoa aqui que vai para o campo de batalha e pensa: ‘Eu sou o primeiro de todos eles. Todos os soldados dependem de mim’. Também, é como o príncipe que pensa: ‘Eu conquistarei todos os outros príncipes, executarei os trabalhos de um grande imperador, obterei um poder ilimitado e farei todos os outros príncipes prestarem homenagem a mim. Portanto, não me permito distrair com um único pensamento de auto-rendição’.

Tal como acontece com o príncipe do reino, assim também é com o ministro. Oh bom homem! O caso é o mesmo com o Bodhisattva-Mahasattva, e ele pensa: ‘Como os três se tornam um comigo’? Oh bom homem! Eu faço [em meus ensinamentos] com que as três coisas sejam Nirvana. O Tathagata é o insuperável. Por exemplo, a cabeça é a parte mais elevada do corpo de um homem, não os outros membros ou as mãos e pernas. O mesmo é o caso com o Buda. Ele é o mais respeitado, não o Dharma ou a Sangha. Com o propósito de ensinar o mundo, ele manifesta-se diversamente. É como subir uma escada. Esse sendo o caso, não considere os Três Refúgios como diferentes, como o fazem os mortais comuns e os ignorantes. Resida no Mahayana tão brava e decisivamente quanto uma espada afiada.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

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