O Verdadeiro Aspecto do Carma Original

“Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, através da lua-cheia, todas as coisas aparecem. Em todos os lugares como nas cidades, aldeias, montanhas, pântanos, sob as águas, lagos, poços e recipientes de água, a lua manifesta-se. Os seres podem viajar uma centena ou uma centena de milhar de yojanas, e a lua sempre os acompanha. Os mortais comuns e os ignorantes pensam erroneamente e dizem: ‘Eu vejo tudo isso no castelo da cidade, na casa e aqui no pântano. É a verdadeira lua ou não é a verdadeira?’ Cada pessoa pensa acerca do tamanho da lua e diz: ‘É como a boca de uma chaleira’. Ou uma pessoa diz: ‘É como uma roda’. Ou alguém pode dizer: ‘É algo em torno de 45 yojanas’. Todos vêem a luz da lua. Alguns a vêem tão redonda quanto uma bacia de ouro. A natureza dessa lua é somente uma, mas diferentes seres a vêem de formas diferentes. Oh bom homem! O mesmo é o caso com relação ao Tathagata. Ele aparece no mundo. Humanos e deuses podem pensar: ‘O Tathagata está agora diante de nós e vive’. O surdo e o mudo vêem o Tathagata como alguém surdo e mudo. Diversas são as linguagens que os seres falam. Cada um pensa que o Tathagata fala como ele ou ela, ou pensa: ‘Na minha casa, o Tathagata recebeu oferecimentos’. Ou uma pessoa pode ver o tamanho do Tathagata como sendo muito grande e imensurável; ou alguém pode vê-lo como muito pequeno; ou uma pessoa pode confundi-lo com um Sravaka ou um Pratyekabuda; ou vários tirthikas podem pensar e dizer: ‘O Tathagata está agora na minha linha de pensamento [seguindo minha linha de pensamento] e está praticando a Via’. Ou uma pessoa pode pensar: ‘O Tathagata apareceu somente para mim’. A verdadeira natureza do Tathagata é como aquela da lua. Isto significa dizer que ela é o Corpo-de-Dharma, o Corpo do não-nascimento, ou aquele do expediente. Ele responde ao chamado do mundo, sendo inumeráveis as suas manifestações. O Carma Original manifesta-se de acordo com as diferentes localidades. Isto é como no caso da lua. Por essa razão, o Tathagata é Eterno e Imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 15: Sobre a Parábola da Lua.

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