As Jóias Mahaprajapati

Maya tinha uma irmã, Mahaprajapati, que em beleza e virtude era quase igual a ela. O príncipe foi entregue aos cuidados de Mahaprajapati, e ela cuidava das suas vontades tão ternamente como se ele fosse seu próprio filho. E como o fogo soprado por um vento auspicioso, como a lua (emergente), rainha das estrelas no céu luminoso, como o sol nascente sobre as montanhas do Oriente, Siddhartha cresceu em força e estatura.

Todos agora se deleitavam em trazer-lhe preciosos presentes. Davam-lhe brinquedos que encantariam (qualquer) uma criança da sua idade: pequenos animais, cervos e elefantes, cavalos, vacas, pássaros e peixes, e pequenas carruagens; e eram brinquedos feitos não de madeira ou barro, mas de ouro e pedras preciosas. E traziam-lhe materiais caros e gemas raras, colares de pérolas e braceletes de jóias.

Certo dia, enquanto ele estava brincando num jardim não longe da cidade, Mahaprajapati pensou: “É tempo de ensinar-lhe a usar colares e braceletes”, e ordenou aos criados trazerem as jóias que lhe haviam sido dadas. Ela colocou-as em torno de seus braços e pescoço, mas foi como se ele nada usasse. O ouro e as pedras preciosas pareciam banais e sem vida, tão brilhante era a luz que ele irradiava. E a Deusa que vivia em meio às flores daquele jardim veio a Mahaprajapati e disse:

“Se a terra fosse feita de ouro, um simples raio de luz emanado desta criança, o futuro Guia do mundo, seria suficiente para empanar o seu esplendor. A luz das estrelas e a luz da lua, e mesmo a luz do sol, são ofuscados pela sua refulgência. E você deseja vestir-lhe jóias, bugigangas grosseiramente confeccionadas por joalheiros e ourives? Oh mulher! Remova aqueles colares, tire aqueles braceletes. Eles só servem para serem usados por escravos; dê-lhes aos escravos. Essa criança terá seus pensamentos; eles são gemas de uma água mais pura.”

Mahaprajapati deu ouvido às palavras da Deusa. Desprendeu os braceletes e colares, e não cansava de admirar o príncipe.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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