Sutra do Nirvana – Cap. 46 – Kaundinya 2

“Oh você! Se alguém alcançasse o Caminho através da penitência [prática de austeridades], todos os animais deveriam atingi-lo. Esse é o porquê alguém primeiro subjuga a mente e não o corpo. Por isso, Eu digo no meu sutra que se deve derrubar a floresta, mas não a árvore. Por quê? Da floresta, adquire-se medo, mas não da árvore. Se uma pessoa deseja ajustar o seu corpo, ela deve primeiro ajustar a mente. A mente é a floresta, e o corpo é a árvore. Assim devemos comparar as coisas.”

Este que foi o 46º e último Capítulo do Todo-Maravilhoso Sutra Mahayana do Grande Parinirvana.

SUTRA DO NIRVANA - CAPITULO 46

Click na imagem para leitura on-line ou download.

Destaques deste Capítulo:

Os Dois Lados e o Intermédio. 19

O Portal do Grande Castelo. 21

As Oito Maravilhas de Ananda. 28

Por que Dominar a Mente.  37

United States, Boston – Massachusetts

Nesses lugares estão pessoas que visitam Cristal Perfeito. Faça-lhes uma visita de cortesia!

Click na imagem e arraste.

Se for da sua vontade, click no botão abaixo e diga:

Where are you? (Onde estás?)

.

O Melhor das Habilidades

O Bem-Aventurado estava caminhando há longo tempo. Estava cansado. Chegando a um pequeno bosque, ele entrou e sentou aos pés de uma árvore. Estava prestes a cair no sono quando um grupo de trinta homens jovens entrou no bosque. Ele os viu.

Com base em suas palavras e comportamento, era evidente que eles procuravam por alguém. Finalmente, eles dirigiram-se ao Buda.

“Você viu uma mulher passar por aqui?”, eles indagaram. “Não. Quem são vocês?” (respondeu o Bem-Aventurado).

“Somos músicos. Vagamos de cidade em cidade. Frequentemente temos nos apresentado diante de reis, pois nossas habilidades são muito admiradas. Trouxemos uma jovem conosco hoje, para nosso prazer e diversão, mas enquanto estávamos dormindo lá, à beira da estrada, ela roubou tudo o que pudesse carregar e fugiu. É ela que estamos procurando.”

“O que é melhor?”, perguntou o Buda: “que vocês sigam em busca dessa mulher, ou que vocês sigam em busca de si mesmos?”

Os músicos riram do Mestre.

“Toque o seu alaúde”, ele então disse a quem estava rindo mais alto.

O músico tocou. Ele era habilidoso; era fácil acreditar que reis se deleitassem ao seu tocar. Quando ele terminou, o Mestre disse:

“Dê-me seu alaúde.”

E tocou. Os músicos ouviram com espanto. Eles jamais imaginaram que notas tão doces pudessem ser arrancadas de um alaúde. Até o vento aquietou-se, e as deusas da floresta deixaram seus retiros verdejantes para melhor ouvi-lo.

O Bem-Aventurado parou de tocar.

“Mestre”, disseram os músicos, “pensávamos que éramos habilidosos em nossa arte, mas somos ignorantes dos seus mais básicos princípios. Digne-se a ensinar-nos tudo o que você sabe.”

O Bem-Aventurado respondeu: “Vocês suspeitam, agora, que o vosso conhecimento de música é superficial, embora pensassem que haviam dominado a arte. Assim vocês pensam que conhecem a si mesmos, mas vosso conhecimento é apenas superficial. Vocês sinceramente solicitaram-me que ensinasse a vocês tudo o que sei sobre música, no entanto riram quando disse-lhes para seguirem em busca de si mesmos!”

Os músicos não estavam rindo mais.

“Nós o compreendemos, Mestre”, eles clamaram, “nós o compreendemos! Iremos à busca de nós mesmos.”

“Muito bem”, disse o Buda. “Vocês aprenderão a lei de mim. Então, como o Rei Padmaka, que sacrificou seu corpo para salvar seu povo, vocês darão a sua inteligência (o melhor de suas habilidades) para salvar a humanidade.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Lei em Propagação

A cada dia o número de discípulos aumentava, e logo o mestre tinha sessenta monges prontos para propagar a sabedoria. Ele disse-lhes:

“Oh discípulos! Estou liberto de todas as obrigações, humanas e divinas. E vocês, também, agora estão livres. Tomem o seu caminho, oh discípulos, sigam, por piedade do mundo, para a felicidade do mundo, sigam. É para vocês que Deuses e humanos deverão o seu bem-estar e a sua alegria. Ponham-se na estrada, sozinhos. E ensinem, oh discípulos, ensinem a gloriosa lei, a  lei gloriosa no início, gloriosa no meio e gloriosa no fim; ensinem o espírito da lei; ensinem a letra da lei; para todos que ouçam, proclamem a vida perfeita (correta), (a vida) pura, (a vida) santa. Há alguns que não estão cegados pelo pó da terra, mas não encontrarão salvação se não ouvirem a lei em proclamação. Assim, sigam, oh discípulos, vão e ensinem-lhes a lei.”

Os discípulos espalharam-se, e o Bem-Aventurado tomou a estrada para Uruvilva.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A História do Eremita e a Lebre

O Bem-Aventurado ainda estava no Parque do Cervo quando um homem jovem chamado Yasas chegou. Yasas era filho de um rico mercador de Benares. Ele havia levado uma existência mundana, mas aprendera a fatuidade dessas coisas, e agora buscava a paz sagrada das florestas. O Bem-Aventurado viu Yasas; falou-lhe, e Yasas anunciou que estava pronto para trilhar o caminho da santidade.

O pai de Yasas veio para o Parque do Cervo à procura do seu filho. Ele desejava desencorajar-lhe, fazê-lo afastar-se do caminho da santidade. Mas ele ouviu as palavras do Buda; suas palavras lhe impressionaram, e ele acreditou nele (o Buda). A mãe e a esposa de Yasas também professaram a sua crença na verdade da lei, mas ao passo que Yasas juntou-se aos Monges, seu pai, sua mãe e sua esposa retornaram para suas casas em Benares.

Quatro amigos de Yasas, Vimala, Subahu, Purnajit e Gavampati, estavam brincando ante a decisão que ele havia tomado. Eles disseram:

“Deixe-nos ir ao Parque do Cervo e procuraremos por Yasas. Nós o convenceremos do seu engano, e ele retornará conosco.”

Ao entrarem na floresta, eles encontraram o Buda instruindo seus discípulos. Ele estava dizendo:

“Certa vez havia um eremita que residia numa ravina distante nas montanhas. Ele vivia miseravelmente e solitário. Suas roupas eram feitas de cascas; bebia somente água, e nada comia além de raízes e frutos silvestres. Sua única companheira era uma lebre. Essa lebre podia falar como um ser humano, e ela gostava de conversar com o eremita. Ele auferia grandes benefícios de seus ensinamentos, e esforçava-se seriamente para atingir a sabedoria. Certo ano houve uma seca terrível: as fontes da montanha secaram, e as árvores não floriram ou frutificaram. O eremita não mais encontraria alimento ou água; cansou de seu retiro nas montanhas e, um dia, ele deixou de lado o seu robe de eremita. A lebre o viu e disse: “Amigo, o que você está fazendo?” , ‘Você pode ver por si mesma’, respondeu o eremita. ‘Não tenho mais utilidade para este robe’. “O quê!”, exclamou a lebre, “você está para deixar a ravina?” ‘Sim, irei para o meio do povo. Receberei esmolas, e eles me darão alimento, não apenas raízes e frutos’. Ante essas palavras, a lebre ficou assustada; ficou como uma criança abandonada por seu pai, e chorou, “Não vá, amigo! Não me deixe só! Além disso, muitos dos que foram viver nas cidades estão arruinados! A vida solitária na floresta é a única digna de louvor”. Mas o eremita estava determinado: ele havia decidido ir, e iria. Então a lebre disse-lhe: “Você deixará as montanhas? Então vá! Mas faça-me este favor: espere mais um dia, apenas um dia. Fique aqui hoje, e amanhã você poderá fazer como desejar”. O eremita pensou: ‘Lebres são boas forrageiras; elas sempre têm provisões secretamente guardadas. Amanhã, esta (lebre) poderá trazer-me algo para comer’. Assim, ele prometeu não deixar (a ravina) até o dia seguinte, e a lebre saiu em disparada de alegria. O eremita era um daqueles que cultuavam Agni (um dos mais importantes deuses Védicos. Ele é o deus do fogo e aceitante dos sacrifícios) com grande reverência, e tinha o cuidado de manter sempre um fogo ardente na ravina. ‘Não tenho comida’, disse para si, ‘mas ao menos posso manter-me aquecido até que a lebre retorne’. Ao amanhecer do dia seguinte, a lebre reapareceu com as mãos vazias. A face do eremita não escondia o seu desapontamento. A lebre curvou-se para ele e disse: “Nós, animais, não temos nem sentido e nem juízo; perdoa-me, digno eremita, se fiz algo errado”. E subitamente ela saltou nas chamas. ‘O que você está fazendo?’ gritou o eremita. Ele saltou no fogo e resgatou a lebre. Então a lebre disse-lhe: Eu não teria que ver você falhar em seu dever, eu não teria que ver você deixar este retiro. Não há mais qualquer alimento a ser obtido. Entreguei meu corpo às chamas; pegue-o, amigo; alimente-se da minha carne e fique na ravina”. O eremita ficou profundamente comovido. E respondeu: ‘Não pegarei a estrada para a cidade; permanecerei aqui, mesmo que morra de fome’. A lebre ficou feliz; olhou para o céu e murmurou esta oração: “Indra, sempre amei a vida de solidão. Digne-se a ouvir-me, e faça a chuva cair”. Indra ouviu a oração. A chuva caiu torrencialmente, e em breve o eremita e sua amiga encontraram toda a comida que queriam na ravina.”

Após um momento de silêncio, o Bem-Aventurado acrescentou:

“Naquela ocasião, oh Monges, a lebre era eu. Quem era o eremita? Ele era um dos jovens mal-intencionados que acabaram de entrar no Parque do Cervo. Sim, você era ele, Vimala!”

Ele levantou-se de seu assento.

“Assim como eu lhe impedi de seguir o mal caminho quando eu era uma lebre vivendo na ravina, Vimala, assim lhe mostrarei o caminho para a santidade, agora que tornei-me o Buda Supremo, e seus olhos verão, seus ouvidos ouvirão. Porque você já está corado de vergonha por ter tentado impedir o seu melhor amigo de encontrar a salvação!”

Vimala caiu aos pés do Bem-Aventurado. Professou sua fé nele, e foi recebido em meio aos discípulos. Então Subahu, Purnajit e Gavampati decidiram aceitar a palavra sagrada.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Os Primeiros Homens Sagrados no Mundo

Kaundinya foi o primeiro dos cinco Monges a aproximar-se do Bem-Aventurado. Ele disse: “Eu ouvi, oh Mestre, e se você considerar-me digno, serei seu discípulo.”

“Você compreendeu-me, Kaundinya?”, indagou o Bem-Aventurado.

“Tenho fé no Buda e gostaria de seguir o Buda”, disse Kaundinya. Gostaria de seguir aquele que tem a sabedoria, aquele que conhece os mundos, que é um Santo; Gostaria de seguir aquele que doma tanto os seres (humanos) quanto doma búfalos selvagens, cujas palavras são atendidas tanto por Deuses quanto por humanos; eu gostaria de seguir aquele que é o Buda Supremo. Eu tenho fé na lei e gostaria de seguir a lei. O Bem-Aventurado a expôs; ela ficou claramente estabelecida; ela leva à salvação, e o sábio deve reconhecer o seu poder benéfico. Gostaria de viver em concordância com os seus preceitos, em concordância com os seus preceitos sagrados, com os seus preceitos que o sábio elogiará.”

“Você compreendeu, Kaundinya”, disse o Bem-Aventurado. “Aproxime-se. A lei está bem pregada. Leve uma vida santa, e acabe com o sofrimento.”

Então Vashpa veio ao Buda para professar a sua fé, e foi seguido por Bradrika, Mahanaman e Asvajit. Naquela ocasião, então, havia seis santos no mundo.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Newer entries »

%d blogueiros gostam disto: