A Mendicância do Buda

O Buda era equitativo em sua mendicância e não favorecia ricos ou pobres. Seu discípulo Ananda seguia o seu exemplo e praticava a compaixão igualitária. “Ananda já sabia que o Tathagata, o Honrado pelo Mundo, havia admoestado Subhuti e o Grande Kashyapa chamando-lhes de Arhats, cujos corações não eram equáveis.”

Ele (Ananda) decidiu que ao longo de sua ronda de mendicância ele não prestaria atenção se seus doadores eram limpos ou sujos, ‘ksatriyas’ de reputação ou humildes ‘Tangcandalas’. Ele praticaria compaixão igualitária,  ao invés de procurar remediados e humildes, e daquela forma permitir que todos os seres viventes pudessem obter méritos imensuráveis.

A imparcialidade do Buda na mendicância é indicada pela rigorosa sequencia de porta-a-porta que ele seguia. Quando ele terminava a mendicância em uma casa, ele ia mendigar em outra ao lado daquela, e assim por diante para a próxima.

Após terminar a sua mendicância sequencial, ele retornava para o Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor de Órfãos e Solitários, onde ele se alimentava, retirava o seu robe e a tigela, e lavava os seus pés. O Buda percorria os caminhos com os pés descalços, e assim, após retornar e alimentar-se, ele lavava seus pés.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

A Mendicância de Subhuti e Kashyapa

O Buda repreendeu seus dois discípulos Subhuti e o Grande Kashyapa pela sua maneira de mendigar. Primeiro, ele repreendeu Subhuti por pensar: “Pessoas ricas possuem fortuna porque nas vidas passadas elas acumularam méritos e virtudes. Se eu não mendigar com eles e lhes dar a oportunidade de plantar futuras bênçãos, então na próxima vida eles serão pobres. Eles não continuarão a possuir fortuna e serem honrados”. Assim, Subhuti mendigava somente com os ricos. Entretanto, pessoas ricas comem boa comida. Embora ele disesse que era para ajudá-los a plantar bênçãos tal que pudessem continuar a possuir riquezas nas vidas futuras, eu acredito que na verdade Subhuti apreciava comer boas comidas e este é o porquê ele esmolava com os ricos. Isto é o que eu digo, mas talvez Subhuti não fosse como o restante de nós, que constantemente pensa em comer bem. É verdade que ele queria ajudá-los a continuar suas bênçãos.

Em segundo lugar, o Buda repreendeu o Grande Kashyapa porque, em sua árdua prática de ascetismo, ele não apenas tomava uma única refeição por dia, como mendigava somente com os pobres. Seu pensamento era: “Essas pessoas são pobres porque nas existências passadas elas não acumularam méritos e virtudes. Eles não praticaram boas ações quando tiveram dinheiro, e assim, nesta existência, são pobres. Vou ajudá-los a sair dessa situação permitindo-lhes plantar bênçãos diante dos Três Tesouros, e assim, na próxima existência, serão ricos e honrados”. Quanto mais pobre a casa, mais ele mendigava lá, mesmo ao ponto da pobre pessoa pegar a comida das suas próprias panelas no sentido de obter um oferecimento para ele. Eu acredito que em virtude do Patriarca Kashyapa praticar o ascetismo, ele queria submeter-se ao sofrimento, e não queria comer boas coisas. Ele sabia como as pessoas ricas comiam, e não queria ele mesmo comer bem. Há um provérbio Chinês que diz:

Ser econômico com roupas aumenta a vida.

Ser econômico com comida aumenta as bênçãos.

O Grande Kashyapa tinha cento e vinte anos quando tomou refúgio com o Buda. Vida após vida ele havia sido frugal, e nesta vida, em razão de ele não gostar de comer comida de rico, ele mendigava somente com os pobres, exatamente o oposto de Subhuti. Ambos os métodos são extremos, e não estão de acordo com o Caminho Médio, e é por essa razão que o Sutra Surangama diz que o Buda repreendeu-lhes e chamou-lhes de Arhats.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

Fruição Através dos Meios

“Dizemos ‘fruição através dos meios’. No outono, as pessoas do (mundo) secular colhem cereais e dizem uns aos outros que eles estão ganhando a fruição dos meios que eles colocaram em ação. A fruição dos meios é chamada fruição das ações cármicas. Essa fruição tem duas causas, a saber: 1) causa próxima [direta], e 2) causa distante [indireta]. A causa próxima é a assim chamada ‘semente’; a causa distante é água, adubo, o ser humano, e os esforços. Essa é a fruição [que surge] da colocação dos meios em ação.

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

fruition by means.mp3

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Quando Falo Seguindo Minha Própria Vontade e a de Outros

“Como Eu falo seguindo minha própria vontade e aquela dos outros? Quando todo mundo diz que o sábio diz ‘é’, Eu também digo ‘é’. Quando eles dizem que o sábio diz ‘não-é’, Eu também digo ‘não-é’. Quando o sábio do mundo diz que divertir-se nos cinco desejos acaba no não-eterno, no sofrimento, não-Eu, e desintegração; Eu também o digo. Quando o sábio do mundo diz que divertir-se nos cinco desejos não acaba no Eterno, no Eu, e no Puro; Eu também o digo. As coisas se estabelecem assim. Isto é o que é chamado falar seguindo a própria vontade e também aquela dos outros.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

when I speak following my own will and that of others.mp3

Quando Falo da Minha Própria e Livre Vontade

“O que significa dizer que Eu falo da minha própria e livre vontade? 500 Monges colocaram uma questão a Shariputra: ‘Oh grande! O Buda fala sobre a causa do corpo. O que isto pode ser’?

Shariputra disse: ‘Oh grandes! Quando vocês mesmos alcançarem a Emancipação Correta, vocês próprios saberão. Por que vocês colocam essa questão’? Um Monge respondeu: ‘Oh grande! No tempo em que eu ainda não havia atingido a Emancipação Correta, eu pensava que a ignorância era a causa do corpo. Como eu assim pensava para mim mesmo, alcancei o Arhatship’. Uma pessoa disse: ‘Oh grande! Quando eu ainda não havia atingido a Emancipação Correta, eu pensava para mim mesmo que a ignorância e o desejo eram a causa do corpo. Como eu assim pensava para mim mesmo, atingi a fruição do Arhatship’. E alguém disse: ‘Coisas como a ação, consciência, corpo-e-mente, as seis esferas, toque, sentimento, desejo, apego, existência, nascimento, comida e bebida, e os cinco desejos são a causa do corpo’. Então, todos os 500 Monges, cada um dizendo o que compreendeu, foram ao Buda, tocaram os seus pés, circundaram-no três vezes, prestaram-lhe homenagem, recuaram para um lado, e cada um reportou o que tinha em sua mente para o Buda.

Shariputra disse ao Buda: Oh Honrado pelo Mundo! De todas essas pessoas, quem é aquele que fala da maneira correta? E quem não está certo?’

O Buda disse a Shariputra: ‘Bem falado, bem falado! Cada Monge diz nada mais do que é correto’.

Shariputra disse: ‘Oh Honrado pelo Mundo! O que está em vosso pensamento’?

O Buda disse: ‘Oh Shariputra! Eu disse para o benefício dos seres que os pais são a causa do corpo’.

O caso é assim. Todos esses sutras são o que Eu falei da minha própria vontade.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

when I speak of my own free will.mp3

A Virtude da Dúvida

“Oh bom homem! Esses assuntos de controvérsias são coisas que pertencem ao mundo do Buda. Eles não são aquilo que Sravakas e Pratyekabudas possam sondar. Se uma pessoa pode realmente adquirir um pensamento dúbio, essa pessoa pode extirpar inumeráveis impurezas, tão imensas quanto o Monte Sumeru. Quando um humano adquire um pensamento fixo, isto é o que chamamos apego.”

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Como nos apegamos?”

O Buda disse: “Oh bom homem! Essa pessoa pode muito bem seguir o que os outros dizem, ou ela mesma olhar para os sutras. Ou pode particularmente ensinar aos outros, mas ser incapaz de abandonar o que a sua mente adere. Isto é apego.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

the virtue of doubt.mp3

Inumeráveis Nomes para Uma Coisa

“Oh bom homem! O Tathagata, por conta da terra (lugar), por conta da estação, por conta das outras linguagens, por conta dos seres, das qualidades das raízes dos seres, com relação a uma coisa, fala de duas maneiras. No caso de um nome, ele usa inumeráveis nomes; para um significado, ele apresenta inumeráveis nomes; com respeito a inumeráveis significados, ele fala de inumeráveis nomes.

Como ele fala de inumeráveis nomes quando se refere a uma coisa? Isto é como no caso do Nirvana, o qual é chamado Nirvana, não-nascimento, não-aparecimento, não-ação, não-criado; também [é chamado] refúgio, vihara [lugar de residência], Emancipação, luz, uma lâmpada, a outra margem, destemor, não-retroação, a casa da paz, quietude, amorfia; também, o não-dual, a ação única, frio, não-escuridão, o desobstruído, não-contenda, o não-impuro, vasto e grande; também, amrta [Imortalidade] e felicidade. As coisas são assim. Isto é como dizemos que uma coisa possui inumeráveis nomes.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 40 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 1.

innumerable names to one thing.mp3

A Terra Sobre a Unha do Dedo

Então, o Honrado pelo Mundo pegou uma pequena porção de terra e a depositou sobre a unha do seu dedo, dizendo a Kashyapa: “Qual é maior? Esta porção de terra, ou aquela das dez direções?”

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! A terra na unha do seu dedo não pode ser comparada à terra das dez direções.”

“Oh bom homem! Abandona-se o corpo e se obtém um corpo novamente; descarta-se o corpo dos três reinos do infortúnio [isto é, os reinos do inferno, dos espíritos famintos e dos animais] e obtém-se outro corpo. E quando todos os sentidos orgânicos são perfeitos, ganha-se vida num País Central (Lugar Central – ‘Middle Country’), ganha-se a fé correta, e pratica-se bem a Via. Ao praticar bem a Via, uma pessoa de fato pratica a Via Correta. Ao praticar a Via Correta, atinge-se a Emancipação, e então entra-se verdadeiramente no Nirvana. Estes são como a terra sobre a unha do meu dedo. Uma pessoa descarta o próprio corpo, e obtém um (corpo) dos três reinos do infortúnio. Descarta o corpo dos três reinos do infortúnio, e ganha (outro) corpo dos três reinos do infortúnio. Alguém que não seja perfeito em todos os seus sentidos orgânicos, ganha vida num lugar fora-do-caminho [lugar remoto], adquire uma visão de cabeça para baixo da vida, segue um caminho tortuoso, e não atinge a Emancipação e o Nirvana. Estes podem ser comparados à terra das dez direções.

Oh bom homem! Alguém que defenda os preceitos sempre faz esforços, não comete as quatro graves ofensas, não comete os cinco pecados mortais, não usa as coisas que pertencem à Sangha, não se torna um icchantika, e não se afasta das raízes do bem. Essas pessoas que acreditam neste Sutra do Nirvana podem ser comparadas à terra sobre a unha do meu dedo. Aqueles que violam os preceitos, aqueles que são indolentes, aqueles que cometem as quatro graves ofensas, aqueles que cometem os cinco pecados mortais, aqueles que usam as coisas da Sangha, aqueles que se tornam icchantikas, aqueles que cortam todas as raízes do bem, e aqueles que não acreditam neste sutra são tão numerosos quanto a terra nas dez direções. Oh bom homem! O Tathagata conhece bem as qualidades dos seres da alta, média e baixa [posições]. Devido a isso, dizemos que o Buda é perfeito no poder de ser capaz de ver através da raiz de todas as coisas.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 40 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 1.

the earth on the fingernail.mp3

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