O Desabrochar do Lótus

Faça-o como uma doação,

Sempre que sentir a perda ou privação de algo[1].


[1]Assim eu ouvi em 29/12/2007, às 23:30 hs.

Leia também

Os Ensinos do Buda D’água

O Samadhi da Não-Distinção

O Samadhi da Não-Distinção

O que é meio hábil?

Meio Hábil é o Bodhisattva.

 

E quem é o Bodhisattva, afinal?

Tudo! Absolutamente tudo![1]

 


[1] Assim eu ouvi em 15/12/2007, às 05:00 hs.

Ler também Os Ensinos do Buda D’água.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 16/12/2007.

Os Ensinos do Buda D’água

A multidão de quinhentos Bodhisattvas nesta assembléia,

e os homens e mulheres de pura fé na assembléia dos quatro tipos de crentes,

que estão agora diante de mim ouvindo o Dharma,

em existências prévias,

eu exortei essas pessoas a ouvir e receber este Sutra,

que é a mais suprema Lei.

Eu os instrui e levei-os a residir no Nirvana,

e vida após vida, a receber e ostentar um Sutra como este.

Somente em milhões e milhões de miríades de kalpas,

inconcebíveis em número,

pode-se vir a ouvir O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

 

E somente em milhões e milhões de miríades de kalpas,

inconcebíveis em número,

os Budas, Honrados pelo Mundo,

fazem acontecer de este Sutra ser pregado.

Portanto, os praticantes após a extinção do Buda,

ao ouvir este Sutra,

não deveriam dar lugar às dúvidas,

mas, com um pensamento único,

deveriam proclamar extensivamente este Sutra,

tal que vida após vida eles possam encontrar-se com Budas[1] e rapidamente realizarem a Via do Buda”.

 


[1] Budas, neste contexto, são os Budas “vistos” pelo Bodhisattva Sem-Desprezo em quaisquer pessoas que encontrasse. Este capítulo sobre o Bodhisattva Sem-Desprezo segue uma longa exposição do Buda sobre a severa retribuição recebida por aqueles que insultam, falam mal ou caluniam o devoto do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa; e também sobre os benefícios auferidos por aqueles que o abraçam. Por quê? Entende-se que, sob o rigor da Lei, este sutra faz distinções entre os benefícios ou as retribuições, mas não faz distinções entre as pessoas e os seres em geral. Ao fazerem-se distinções entre os seres, fere-se o exato âmago deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, tornando impossível para quem as fazem agir como o Bodhisattva Sem-Desprezo. A prova disto está que mesmo os quatro tipos de crentes que desprezaram constantemente o Bodhisattva Sem-Desprezo, encontram-se agora na assembléia onde é pregado o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Um verdadeiro Mahasattva ou Bodhisattva do ensino de Lótus será capaz de fazer distinções entre as retribuições ou benefícios recebidos por cada um dos seres, bem como as causas e relações que cercam suas vidas. Não fará, entretanto, distinções entre os seres. Este é um ensino sutil. Esse Bodhisattva tratará equanimente todos os seres, encontrando e reverenciando os incontáveis Budas que repousam na natureza intrínseca de todos aqueles seres. Na verdade, só nos encontramos com este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa em razão das causas e relações estabelecidas com esse Bodhisattva Sem-Desprezo no passado. Representamos também a sua função neste mundo ao abraçarmos este profundo ensino. A essência da vida das pessoas e de todos os seres é inequivocamente boa porque possuem a natureza de Buda. Más poderão ser as causas ou relações que determinam a sua função existencial. Deve-se compreender a própria vida sob esta ótica, e nunca mais vir a pensar que é diferente. Assim eu ouvi: “Vá para o jardim e você encontrará o Buda D’água. Depois de encontrá-lo, você o verá por toda a parte”. (em 17/02/2006 – 03h00min)

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

Os Três Tesouros, O Grande Peixe e o Pescador Benevolente

“Grande Força, em razão dos quatro tipos de crentes, Monges, Monjas, Leigos e Leigas daquela época terem me injuriado odiosamente, durante duzentos kotis de kalpas eles não mais encontraram um Buda ou sequer ouviram o Dharma ou encontraram-se com a Sangha[1]. Durante mil kalpas eles sofreram grande tormento no Inferno Avichi. Tendo recebido a sua punição, eles novamente encontraram o Bodhisattva Sem-Desprezo, que ensinou-os e converteu-os ao Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 “Grande Força, o quê você pensa? Poderiam os quatro tipos de crentes na assembléia daquele tempo, que constantemente desprezaram este Bodhisattva, serem desconhecidos para você? Eles são nada mais que o Bodhisattva Bhadrapala e seu grupo de quinhentos Bodhisattvas presentes nesta assembléia, Leão da Lua e seu grupo de quinhentos Monges[2], e Sugatachetana e seu grupo de quinhentos Leigos, todos tendo alcançado o estágio de não regressão na busca pelo Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 


[1] Que são os três tesouros do Budismo: O Buda, a Lei e a Sangha.

[2] Esses Monges são como o Grande Peixe que, enredado nas malhas dos ensinos provisórios, debatendo-se, acaba por agarrar-se na singela linha do Pescador Benevolente. Dando à praia, esse Pescador Benevolente, com a ajuda do seu filho, cuidará de libertá-lo das amarras e grilhões que o ferem e aprisionam, devolvendo-lhe às águas para recuperar-se da sua fadiga e ferimentos. Por mais que o Grande Peixe desejasse demonstrar a sua gratidão dando à praia novamente para fazer oferecimentos ao Pescador Benevolente e seu filho, este lhe devolveria sempre às águas para, junto dos demais, levar adiante a sua função existencial. Perguntado sobre seu nome, o Grande Peixe respondeu: “Monge. Meu nome é Monge”. O Grande Peixe é aquele Monge que caluniou o Bodhisattva Sem-Desprezo; a tênue e singela linha é o ensino do Grande Veículo, difícil de encontrar; e o Pescador Benevolente é o advento do Buda neste mundo, cujo propósito é libertar todos os seres viventes das amarras e grilhões dos ensinos inferiores. (em 30/05/2006 – 03h30min).

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

O Médico Excelente

“É como se existisse um bom médico, sábio e bem versado nas artes medicinais, inteligente e habilidoso na cura de uma infinidade de doenças. Este homem também tem muitos filhos, talvez dez, vinte ou mesmo cem. Então, solicitado pela clientela distante, ele viaja para um longínquo país estrangeiro. Neste ínterim, as crianças tomam algum veneno, que lhes faz rolar no chão em delírio”.

 “Apenas então seu pai retorna para casa. Em razão de terem tomado veneno, alguns dos filhos perderam os sentidos, enquanto outros não. Vendo seu pai à distância, ficaram todos muito felizes. Eles curvaram-se para ele, ajoelharam e depois lhe informaram: ‘Seja bem-vindo em paz e segurança. Em razão de nossa tolice, tomamos algum veneno por engano. Rogamos que nos recupere, cure-nos, e devolva-nos nossas vidas’”.

 “Vendo seus filhos em tal agonia, o pai consultou suas receitas médicas e então procurou por finas ervas, boas na cor, no aroma e no sabor. Ele então as moeu, peneirou-as, misturou-as e deu aquele composto para seus filhos tomarem. E disse-lhes: ‘Este é um excelente remédio de boa cor, aroma e sabor. Tomem-no. Sua agonia será aliviada, e não sofrerão mais tormento’. Alguns entre as crianças não haviam perdido seu sentido. Vendo aquele fino remédio com sua boa cor e aroma, imediatamente tomaram-no e sua doença foi curada completamente”.

“Embora os outros que haviam perdido os seus sentidos tenham se alegrado com a chegada do seu pai, tendo indagado sobre o seu bem-estar e procurado a cura para a sua enfermidade, recusaram-se a tomar o remédio. Qual a razão? O veneno havia penetrado-lhes tão profundamente que eles tiveram a perda dos seus sentidos, e assim diziam que o remédio de boa cor e aroma não era bom[1]”.

 “O pai então pensou: ‘quão lamentáveis são estas crianças! O veneno confundiu seus pensamentos. Embora tenham se alegrado em ver-me e me solicitado que os recuperasse e curasse, ainda assim recusam um remédio tão bom como este. Devo agora utilizar-me de um meio hábil para induzi-los a tomar este remédio’. Imediatamente ele disse: ‘Saibam que já estou velho e fraco, e minha morte está próxima. Deixarei aqui este bom remédio para seu benefício. Não tenham preocupações de que ele não os curará’. Tendo instruído-lhes dessa maneira, ele então retornou para aquele longínquo país estrangeiro e de lá enviou um mensageiro para anunciar: ‘Seu pai morreu’”.

 “Quando as crianças ouviram que seu pai havia morrido, seus corações encheram-se de dor, e eles pensaram: ‘se nosso pai estivesse aqui, ele seria compassivo, sentiria piedade de nós, e teríamos um salvador e protetor. Agora ele abandonou-nos ao morrer num outro país, deixando-nos órfãos, e sem ninguém em quem confiar’. Constantemente sofrendo, suas mentes então despertaram. Eles compreenderam que aquele remédio possuía boa cor, aroma e sabor. Tomaram-no imediatamente, e sua doença por envenenamento foi completamente curada. O pai, ouvindo que seus filhos tinham sido completamente curados, então retornou e todos eles viram-no[2]”.

 “Bons homens, o que pensam, poderíamos dizer que este bom médico cometeu a ofensa do falso testemunho”?

 “Não, Honrado pelo Mundo”.


[1] Naqueles filhos que se encontravam fora de si, surgiu o obstáculo da dúvida. Esse remédio é a fé na verdade subjacente aos ensinos deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. O Buda lhe confere atributos físicos como cor, fragrância e sabor apenas como um meio hábil para explicar a excelência do remédio.

[2] Semelhante fato ocorre com as pessoas que procuram os verdadeiros ensinos do Buda, os encontram neste Sutra, mas continuam atribuladas com as questões mundanas. Enquanto isto ocorre, o Buda permanece oculto. Isto significa que o único Buda que uma pessoa pode “ver” é aquele que reside no espaço vazio sob si mesma, em seu próprio âmago. Neste sentido, “desejar ver o Buda” significa desejar “tornar-se um receptáculo da Lei” (Corpo de Dharma) ou desejar “vir a ser Buda” (o Bodhisattva). Este é o verdadeiro e único portal do Grande Veículo, da Via recíproca que, em uma direção, faz penetrar a sabedoria do Buda e, na direção recíproca, representa o advento do Buda neste mundo (03/12/2005 – 05h30min).

Extraído do CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata.

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