Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos foi meu grande Mestre de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, entre os anos de 1974 e 1976. Ensinou-me a interpretar “secção de choque” como “tempo de sobrevôo” de uma partícula em relação ao alvo. Isto quebrou a estrutura rígida do meu pensamento. Ela, a forma, é uma fantasia que se desfaz sob a chuva do Dharma.

Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos

Físico brasileiro nascido em Campinas em 1914, que desenvolveu o primeiro reator nuclear do Brasil e construiu o acelerador de partículas Betatron (1945-1951), além de participar dos estudos brasileiros em torno da energia atômica, que resultaram na construção do primeiro reator nuclear do país. Filho de um fotógrafo e dono de um estúdio cinematográfico, que depois de sair de Campinas, passou por Ribeirão Preto e depois se fixou em São Paulo onde fez concurso para a Caixa Econômica e virou funcionário público aos 47 anos. Terminou sua educação primária em São Paulo, no Ginásio do Estado (1931), enquanto trabalhava num cartório à tarde, entregando escrituras e como consertador de rádios em casa e à noite. Também deu aulas particulares e ganhava um bom dinheiro com eletrônica e com essas aulas. Destinado a seguir a carreira de engenheiro, entrou na Escola Politécnica de São Paulo (1933) para fazer o curso de engenharia eletricista, mas optou por ser físico, influenciado (1934) pelo professor Gleb Wataghin, principalmente depois que foi criada a Faculdade de Filosofia e a área de matemática e física da Poli uniu-se a ela. Foi para Cambridge com 24 anos, com uma bolsa do British Council, onde se tornou amigo de Edmundo Barbosa da Silva, estudante de Oxford e futuro colega na Comissão de Energia Atômica junto ao Conselho Nacional de Pesquisas. De volta ao Brasil trabalhou como pesquisador e cientista da marinha brasileira, especialmente no desenvolvimento de sonares, cujo laboratório funcionava nas dependências do departamento de física da Faculdade de Filosofia, até o fim da II Guerra (1945), quando recebeu a medalha de Mérito Naval, e tornou-se professor da Faculdade de Filosofia da USP, de onde saiu para a Unicamp (1966), e em cujo Instituto de Física terminou de construir (1951) o acelerador de partículas Betatron. Nos anos seguintes participou ativamente do IEA (1956-1961), presidiu a CNEN (1961-1964), continuou seu trabalho no IPEN (1964-1968) e tornou-se professor na recém-criada Unicamp (1966-1971). Em colaboração com o professor Crodowaldo Pavan, escreveu Energia atômica e o futuro do homem (1968) e seguiu (1972) sua carreira docente como professor titular de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, e orientador de pesquisas no curso de pós-graduação do IPEN. Nas suas pesquisas sobre raios cósmicos objetivava estudar a natureza dos chuveiros penetrantes de raios cósmicos. Nos chuveiros cósmicos apareciam partículas, depois identificadas como mésons, que tinham um grande poder de penetração, sem perder parte apreciável de sua energia. Juntamente com Gleb Wataghin e Paulus Aulus Pompéia descobriram que esses chuveiros são muito penetrantes, e o trabalho foi publicado no exterior. Casado (1947) com Lúcia Toledo de Souza Santos.

Dados biográficos de Marcelo Damy de Souza Santos obtidos no site Netsaber

Foto obtida do portal do IFGW – Instituto de Fisica Gleb Wataghin da Unicamp

Nota de falecimento:

Regis Olivetti

Enviado em 02/12/2009 às 9:49

Faleceu (domingo – 29/11/2009) o nosso querido mestre Marcelo Damy, grande figura humana. Fique com Deus, pois Deus privilegiou a família por noventa e cinco anos de sua profícua vida. Descanse em paz.

muccamargo

Enviado em 02/12/2009 às 9:59

Prezado Regis,
É com imenso pesar que recebo essa notícia. Com isso, ficamos mais sós. Mas, pensando de forma não egoística, ele estava por merecer o seu descanso, na paz que ele sempre irradiou das profundezas dos seus olhos. Fomos privilegiados demais por termos nos aproximado de Marcelo Damy como seus pupilos. Esse é o místico sentimento de alegria que tenho agora. Enfim, que ele doravante resida na Paz do Dharma Maravilhoso de todos os Budas.
Obrigado por informar-me.

Marcos Ubirajara.

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