Impermanência

“Sempre, desde minha infância, tenho estudado com um pensamento em mente. A vida de um ser humano é pateticamente fugaz. O homem dá seu último suspiro sem esperança de encontrar uma outra existência. Nem mesmo o orvalho levado pelo vento basta para descrever essa transitoriedade. Ninguém, sábio ou tolo, jovem ou idoso, pode escapar da morte. O meu único desejo, portanto, tem sido a resolução deste mistério eterno. De resto, tudo é secundário.”

Nitiren Daishonin: Resposta a Myoho-Ama, em 1278.
As Escrituras de Nitiren Daishonin

Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos foi meu grande Mestre de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, entre os anos de 1974 e 1976. Ensinou-me a interpretar “secção de choque” como “tempo de sobrevôo” de uma partícula em relação ao alvo. Isto quebrou a estrutura rígida do meu pensamento. Ela, a forma, é uma fantasia que se desfaz sob a chuva do Dharma.

Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos

Físico brasileiro nascido em Campinas em 1914, que desenvolveu o primeiro reator nuclear do Brasil e construiu o acelerador de partículas Betatron (1945-1951), além de participar dos estudos brasileiros em torno da energia atômica, que resultaram na construção do primeiro reator nuclear do país. Filho de um fotógrafo e dono de um estúdio cinematográfico, que depois de sair de Campinas, passou por Ribeirão Preto e depois se fixou em São Paulo onde fez concurso para a Caixa Econômica e virou funcionário público aos 47 anos. Terminou sua educação primária em São Paulo, no Ginásio do Estado (1931), enquanto trabalhava num cartório à tarde, entregando escrituras e como consertador de rádios em casa e à noite. Também deu aulas particulares e ganhava um bom dinheiro com eletrônica e com essas aulas. Destinado a seguir a carreira de engenheiro, entrou na Escola Politécnica de São Paulo (1933) para fazer o curso de engenharia eletricista, mas optou por ser físico, influenciado (1934) pelo professor Gleb Wataghin, principalmente depois que foi criada a Faculdade de Filosofia e a área de matemática e física da Poli uniu-se a ela. Foi para Cambridge com 24 anos, com uma bolsa do British Council, onde se tornou amigo de Edmundo Barbosa da Silva, estudante de Oxford e futuro colega na Comissão de Energia Atômica junto ao Conselho Nacional de Pesquisas. De volta ao Brasil trabalhou como pesquisador e cientista da marinha brasileira, especialmente no desenvolvimento de sonares, cujo laboratório funcionava nas dependências do departamento de física da Faculdade de Filosofia, até o fim da II Guerra (1945), quando recebeu a medalha de Mérito Naval, e tornou-se professor da Faculdade de Filosofia da USP, de onde saiu para a Unicamp (1966), e em cujo Instituto de Física terminou de construir (1951) o acelerador de partículas Betatron. Nos anos seguintes participou ativamente do IEA (1956-1961), presidiu a CNEN (1961-1964), continuou seu trabalho no IPEN (1964-1968) e tornou-se professor na recém-criada Unicamp (1966-1971). Em colaboração com o professor Crodowaldo Pavan, escreveu Energia atômica e o futuro do homem (1968) e seguiu (1972) sua carreira docente como professor titular de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, e orientador de pesquisas no curso de pós-graduação do IPEN. Nas suas pesquisas sobre raios cósmicos objetivava estudar a natureza dos chuveiros penetrantes de raios cósmicos. Nos chuveiros cósmicos apareciam partículas, depois identificadas como mésons, que tinham um grande poder de penetração, sem perder parte apreciável de sua energia. Juntamente com Gleb Wataghin e Paulus Aulus Pompéia descobriram que esses chuveiros são muito penetrantes, e o trabalho foi publicado no exterior. Casado (1947) com Lúcia Toledo de Souza Santos.

Dados biográficos de Marcelo Damy de Souza Santos obtidos no site Netsaber

Foto obtida do portal do IFGW – Instituto de Fisica Gleb Wataghin da Unicamp

Nota de falecimento:

Regis Olivetti

Enviado em 02/12/2009 às 9:49

Faleceu (domingo – 29/11/2009) o nosso querido mestre Marcelo Damy, grande figura humana. Fique com Deus, pois Deus privilegiou a família por noventa e cinco anos de sua profícua vida. Descanse em paz.

muccamargo

Enviado em 02/12/2009 às 9:59

Prezado Regis,
É com imenso pesar que recebo essa notícia. Com isso, ficamos mais sós. Mas, pensando de forma não egoística, ele estava por merecer o seu descanso, na paz que ele sempre irradiou das profundezas dos seus olhos. Fomos privilegiados demais por termos nos aproximado de Marcelo Damy como seus pupilos. Esse é o místico sentimento de alegria que tenho agora. Enfim, que ele doravante resida na Paz do Dharma Maravilhoso de todos os Budas.
Obrigado por informar-me.

Marcos Ubirajara.

As Quatro Inversões do Dharma

Então, todos os Monges disseram ao Buda: “Não somente praticamos a meditação sobre o altruísmo, mas ainda outras meditações, a saber: todas aquelas relativas ao Sofrimento, à Impermanência, e ao Altruísmo. Oh Honrado pelo Mundo! Uma pessoa quando embriagada, a mente gira, e todas as montanhas, rios, castelos, palácios, o sol, a lua e as estrelas parecem girar também. Oh Honrado pelo Mundo! Qualquer pessoa que não pratique a meditação sobre a Impermanência e o Altruísmo não pode ser chamada de sábia. Devido à indolência, reciclamos entre o nascimento e a morte. Oh Honrado pelo Mundo! Em razão disto, praticamos tais meditações.”

Então o Buda disse a todos os Monges: “Ouçam-me bem, ouçam-me bem! Agora vocês mencionam o caso de uma pessoa embriagada. Isto se refere ao conhecimento, mas não à significação. O que eu entendo por significação? A pessoa embriagada vê o sol e lua, que não se movem, mas ela pensa que sim. O mesmo é o caso com os seres. Como o peso de todas as ilusões e da ignorância recai sobre [a mente], a mente vira de cabeça para baixo e passa a entender o Eu como não-Eu, o Eterno como Impermanente, a Pureza como Impureza, e a Felicidade como Sofrimento. (Com a mente) sobrecarregada pelas ilusões, esses pensamentos surgem. Embora esses pensamentos surjam, o significado não é compreendido. Isto é como no caso da pessoa embriagada que vê o que não se move como se estivesse se movendo. O ‘Eu’ significa o Buda; ‘Eterno’ significa o Dharmakaya; ‘Felicidade’ significa Nirvana, e ‘Puro’ significa Dharma. Monges, por é que se diz que aquele que tem a idéia de um Eu é um arrogante e orgulhoso girando no Samsara? Monges, embora vocês digam ‘nós também meditamos (cultivamos) sobre a impermanência, o sofrimento, e o não-eu’, esses três tipos de cultivo não possuem um valor ou significado real. Agora eu explicarei as três formas excelentes de cultivar o Dharma. Pensar no sofrimento como felicidade e pensar na felicidade como sofrimento é uma perversão do Dharma; pensar o impermanente como eterno e pensar o eterno como impermanente é uma perversão do Dharma; pensar o não-eu [anatman] como eu [atman] e pensar o Eu como não-eu é uma perversão do Dharma; pensar o impuro como puro e pensar o puro como impuro é uma perversão do Dharma. Aqueles que têm esses quatros tipos de perversões são pessoas que não conhecem o correto cultivar dos dharmas. Monges, vocês dão lugar à idéia de Felicidade referenciada aos fenômenos associados com o sofrimento; à idéia de Eternidade referenciada aos fenômenos associados com a impermanência; à idéia do Eu referenciada aos fenômenos destituídos do Eu; e à idéia da Pureza referenciada aos fenômenos que são impuros. Ambos, o mundano e também o supramundano, têm o Eterno, a Felicidade, o Eu, e a Pureza. Ensinamentos mundanos [dharmas] têm letras e são sem significado; os ensinamentos Supramundanos têm letras e significado. Por quê? Porque as pessoas mundanas têm essas quatro perversões, elas são inaptas para compreender o verdadeiro significado. Por quê? Tendo essas idéias perversas, seus pensamentos e visões são distorcidos. Através dessas quatro perversões, as pessoas mundanas vêem sofrimento na Felicidade, impermanência no Eterno, não-Eu no Eu, e impureza na Pureza. Elas são chamadas perversões/inversões. Em razão dessas perversões/inversões, as pessoas mundanas conhecem as letras, mas não o significado. O que é o significado/referente? Não-Eu é Samsara, o Eu é o Tathagata; impermanência são os sravakas e pratyekabudas, o Eterno é o Dharmakaya do Tathagata; sofrimento são todos os tirthikas [seres deludidos, não-Budistas], Felicidade é Nirvana; o impuro são todos os dharmas compostos [samskrta], o Puro é o Dharma Verdadeiro que o Buda e os Bodhisattvas têm. Isto é chamado não-perversão/não-inversão. Não sendo invertido, se saberá ambos, a letra e o significado. Se desejamos nos livrar das quatro perversões/inversões, deveremos conhecer o Eterno, a Felicidade, o Eu, e a Pureza dessa maneira (acima descrita).”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 03: Sobre Ofensas.

A Natureza de Nossas Vidas

“Jamais pense que os 80.000 ensinos do Buda Shakyamuni, assim como todos os Budas e Bodhisattvas do universo, existem fora da sua vida. Mesmo que estude o Budismo, se não perceber a natureza de sua própria vida, não se pode afastar do sofrimento da vida e da morte. Se procura o caminho fora de si mesmo e tenta praticar as mais variadas formas de exercícios e de bondades, isto é igual a um pobre que calcula dia e noite a fortuna do seu vizinho e não obtém um tostão sequer para si.”

Nitiren Daishonin: Sobre Atingir o Estado de Buda, em 1255.
As Escrituras de Nitiren Daishonin – Vol. I

Ode ao Bodhisattva Guanshiyin

“Contemplador Verdadeiro, Contemplador Puro,
Contemplador com Ampla, Grande Sabedoria,
Contemplador Compassivo, Contemplador Amável,
devemos constantemente contemplá-lo com reverência!

Indestrutível luz pura,
sol da sabedoria que penetra a escuridão,
que pode impedir as calamidades do vento e do fogo,
como brilhas em todos os mundos!

Sua substância compassiva: como o trovão dos preceitos.
Sua intenção amável: como uma maravilhosa grande nuvem.
Ele faz chover o doce orvalho e a chuva do Dharma,
que extingue as chamas da aflição.

Em meio a uma contenda, quando visado com acusações,
ou quando alguém está aterrorizado no campo de batalha,
se ele evoca o poder do Bodhisattva Contemplador dos Sons do Mundo,
todos esses muitos inimigos se dispersarão e se retirarão.

Maravilhoso é o seu som, Contemplador dos Sons do Mundo.
Um som puro, um som como o da maré,
um som para além de todos os sons mundanos,
nós sempre o manteremos em pensamento.

Em pensamento após pensamento não teremos dúvida:
o Contemplador dos Sons do Mundo é puro e sábio.
Em tempos de sofrimento, agonia, perigo, e morte,
ele é nosso refúgio e protetor.

Repleto de todos os méritos e virtudes,
com seus olhos compassivos e amáveis contemplando os seres viventes,
ele é dotado de imensas bênçãos, ilimitadas como o oceano.
Portanto, deveríamos reverentemente adorá-lo”

Excerto do CAP. 25: O Portal Universal do Bodhisattva Guanshiyin (O Contemplador dos Sons do Mundo), pág. 399.

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