A Consciência de Possuir a Natureza de Buda

O Buda disse a Kashyapa: “É assim, é assim, oh bom homem! Uma pessoa pode ser fiel e verdadeira com relação ao que os sutras dizem, ou pode ter praticado todos os Samadhis, mas até que ela tenha aprendido o Mahaparinirvana, ela dirá que tudo é não-eterno. Uma vez que uma pessoa tenha aprendido esse sutra, ela poderá ter ilusões, mas estará, por assim dizer, sem ilusões. Ele beneficia a humanos e celestiais. Por quê? Porque vemos claramente que o nosso próprio corpo possui a Natureza-de-Buda dentro dele.

Também, oh bom homem! É como no caso da mangueira. Quando suas flores aparecem, o que existe [naquele momento] é a fase de transformação. Quando ela dá os frutos e quando concede os maiores benefícios, falamos do eterno. Oh bom homem! Dessa forma, uma pessoa poderá ser verdadeira e fiel a todos os sutras, ou poderá ter praticado Samadhis, mas enquanto ela não der ouvidos a este Sutra do Grande Nirvana, tudo estará baseado no não-eterno. Quando uma pessoa dá ouvidos a este sutra, embora [ainda] possuindo ilusões, é como se ela não tivesse qualquer ilusão. Este é o porquê digo que ele beneficia a ambos, humanos e celestiais. Como? Porque aquela pessoa sabe claramente que possui a Natureza-de-Buda dentro dela. Isto é o Eterno.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 14: Sobre a Parábola dos Pássaros.

A Doutrina Máxima do Itinen Sanzen

“O Sutra de Lótus contém vinte princípios notáveis. Entre esses vinte, o mais vital é a revelação do capítulo Juryo (CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata) de que Shakyamuni atingiu a iluminação pela primeira vez em Gohyaku-Jintengo. As pessoas podem muito bem tentar imaginar o que o Buda quiz dizer com isto. Através desta revelação, ele ensinou que mortais comuns como nós, que estiveram submersos nos sofrimentos de nascimento e morte desde o tempo sem início e que jamais sequer sonharam alcançar a margem da iluminação, são, em essência, Budas originalmente dotados com as três propriedades iluminadas. Ou seja, ele ensinou a doutrina máxima do Itinen Sanzen. Nesta perspectiva, o senhor deve asseverar a supremacia do Sutra de Lótus entre todos os ensinos do Buda.”

Nitiren Daishonin, em “Ensino, Prática e Prova“, em 1275.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Para Ser Lótus – Fascículo IV

Conteúdo deste Fascículo:

O Doce Sabor da Chuva Universal

O Buda do Tempo Sem Começo

A Louvação dos Filhos do Buda

A Súplica dos Filhos do Buda

A Súplica dos Reis do Céu Brahma

A Lei da Causação

A Natureza de Buda Dentro de Nós

“Oh bom homem! Por exemplo, existe aqui um homem que está no meio de um grande oceano. Muito longe, inumeráveis centenas de milhares de yojanas de distância, ele vê um grande galeão, a torre do leme e o convés. Ele olha e pensa para si: ‘Aquilo é uma torre do leme ou é o céu?’ Ele olha por um longo tempo, seu pensamento torna-se fixo e ele vem a concluir que aquilo é uma torre do leme. O mesmo é o caso com o Bodhisattva dos dez estágios de residência, que vê dentro de si a natureza do Tathagata.

Por exemplo, há um príncipe aqui que é fisicamente fraco, que passou a noite jogando e agora está acordando. Ele tenta, mas não consegue ver claramente. O caso é como este. O Bodhisattva dos dez estágios de residência vê dessa maneira a natureza do Tathagata dentro de si. E, semelhantemente, o que ele vê não é claro.

Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, um oficial do governo, obrigado pela sua rotina típica de trabalho, chega em casa tarde da noite. Ocorre um ‘flash’ momentâneo de luz e ele vê um grupo de vacas. Então ele pensa: ‘Isso é um grupo de vacas, uma nuvem, ou um cavalo?’ Ele olha por um bom tempo e chega à conclusão de que são vacas. E ainda assim ele não pode se assegurar. O Bodhisattva dos dez estágios de residência vê a natureza do Tathagata dentro de si e, no entanto, não pode vê-la claramente. A situação é como esta.

Também, além disso, oh bom homem! Um Monge que observa os preceitos procura alguma água na qual não existam vermes. E, no entanto, ele vê um verme e pensa para si: ‘Essa coisa que se move na água é um verme ou um grão de pó?’ Ele encara aquilo por um bom tempo. Mesmo após ele ter compreendido que era um grão de pó, ele não está seguro. É assim. O mesmo é o caso com o Bodhisattva dos dez estágios de residência, que vê assim a natureza do Tathagata dentro de si. Nada é muito claro.

Também, além disso, oh bom homem! Por exemplo, um homem vê uma criança na escuridão, à distância. Ele pensa: ‘Isso é uma vaca, um homem, ou um pássaro?’ Ele fica contemplando aquilo por um bom tempo. Ele agora vê que aquilo é uma criança e, no entanto, ele não pode vê-la claramente. É assim. O mesmo se aplica ao Bodhisattva que está nos dez estágios de residência e que vê dentro de si a natureza do Tathagata. Nada é completamente claro.

Também, além disso, oh bom homem! Existe uma pessoa que, na escuridão da noite, vê a imagem de um Bodhisattva e pensa: ‘Isto pode ser a imagem de um Bodhisattva, do Mahesvara, do Grande Brahma ou de alguém num traje monástico?’ A pessoa contempla aquilo por um bom tempo e conclui que é a forma de um Bodhisattva e, no entanto, ela não o vê muito claramente. O mesmo é o caso com o Bodhisattva dos dez estágios de residência que vê dentro de si a natureza do Tathagata. Nada parece ser muito claro.

Oh bom homem! A Natureza-de-Buda que temos é a mais profunda e a mais difícil de ver. Somente o Buda pode vê-la bem. Ela não está ao alcance de Sravakas e Pratyekabudas. Oh bom homem! Assim o sábio deve ver e compreender a natureza do Tathagata.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

O Brilho e a Ignorância

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Você, o Buda, diz que a nata existe no leite. O que isto significa? Oh Honrado pelo Mundo! Se definitivamente existe nata no leite e se é verdade que ela não pode ser vista em razão do seu diminuto tamanho (concentração), como podemos dizer que a nata vem através das relações causais do leite? Quando as coisas não possuem o elemento raiz originalmente, podemos dizer que uma coisa seja nascida. Se ela já existe, como podemos dizer que a vida surge (vem à luz)? Este é o caso que se definitivamente existe nata no leite, deve haver leite em todas as gramas. Da mesma maneira, deve haver grama no leite também. Se a situação for que definitivamente não existe nata no leite, como poderia a nata vir de fora do leite? Se não houver o elemento raiz, mas ele aparecer mais tarde, como poderia acontecer de a grama não crescer no leite?”

“Oh bom homem! Não diga que existe definitivamente nata no leite ou que não existe nata no leite. Também, não diga que ela vem de fora (do leite). Se definitivamente existe nata no leite, como ela pode ser uma coisa diferente e ter um sabor diferente? Este é o porquê você não deve dizer que definitivamente existe nata no leite. Se não existe definitivamente nata no leite, por que  é que algo diferente não surge do leite? Se for colocado veneno no leite, a nata matará uma pessoa. Este é o porquê você não deve dizer que não existe definitivamente nata no leite. Além disso, se dissermos que a nata vem de fora, por que é que a nata não surge da água? Em razão disto, não diga que a nata vem de algum outro lugar. Oh bom homem! Como a vaca pasta na grama, seu sangue transforma-se em branco. Grama e sangue morrem e o poder das virtudes dos seres transforma-os e obtemos o leite. Esse leite vem da grama e do sangue, mas não podemos dizer que existam os dois (no leite). Tudo o que podemos dizer é que as condições (relações) o fazem acontecer. Isso nós podemos dizer. Da nata ao sarpirmanda, as coisas se passam assim. O caso [aqui] é o mesmo. Em razão disto, podemos dizer corretamente que existe o sabor da vaca. Esse leite acaba e, em conseqüência, surge a nata. Qual é a condição? É azedo ou morno. Em razão disto, podemos dizer que ela (a nata) vem das condições. A situação é a mesma com os outros, até o sarpirmanda. Em razão disto, não podemos dizer que definitivamente não exista nata no leite. Se ela vem de outro lugar, ela deveria existir separadamente do leite. Isto não pode ser. Oh bom homem! O mesmo é o caso com o brilho e a ignorância. [Sobre o que é] atado pelas ilusões, dizemos ignorância. Se estiver ligado a todas as boas coisas, poderá existir brilho. Este é o porquê dizermos que não pode haver duas coisas. Assim, Eu disse: ‘Existe uma grama nos Himalayas chamada pinodhni, a qual, se comida pela vaca, produz sarpirmanda’. O mesmo é o caso com a Natureza-de-Buda.

Oh bom homem! Os seres são estéreis na sorte e não se encontram com essa grama. O mesmo se aplica à Natureza-de-Buda. Como as impurezas os envolvem, os seres não podem vê-la. Por exemplo, a água de todo o grande oceano tem o mesmo sabor salgado, mas ela contém em si a melhor das águas, como no caso do leite. Também, os Himalayas são perfeitos em várias virtudes e produzem vários remédios, mas também há ervas venenosas. O mesmo se passa com os corpos de todos os seres. Existem as quatro serpentes venenosas, mas está presente também o grande rei do remédio todo-maravilhoso. A assim chamada Natureza-de-Buda não é algo que foi criado. Simplesmente, ela está encoberta pelas impurezas. Somente uma pessoa que as elimine completamente – seja ela um Kshatriya, Brâmane, Vaishya ou Sudra – vê a Natureza-de-Buda e atinge a Iluminação Insuperável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

O Dilema da Dualidade e Caminho do Meio

Então o Buda elogiou o Bodhisattva Kashyapa: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! Você alcançou a mais profunda e aguda das Sabedorias. Agora falarei sobre como se entra no Tathagatagarbha. Se o Eu vive, isso é o ensinamento do ‘ser’. Ele não se aparta do sofrimento. Se o Eu não existe, não poderá haver benefício, mesmo se praticarmos ações puras. Se dizemos que todas as coisas não possuem um Eu, isso nada mais é que a teoria do ‘não-ser’ [‘ucchedika-drsti’, ou seja, a visão do mundo de total negação de qualquer existência, que é a teoria do todo-vazio]. Se dizemos que o Eu existe, isso é a teoria do ‘ser-eterno’ [‘sasvata-drsti’ – uma visão errônea da vida que considera a existência como algo concreto e imutável]. Se dizemos que todas as coisas são não-eternas, isso é a visão do ‘não-ser’. Se dizemos que todas as coisas existem, isso é a visão do ‘ser-eterno’. Se dizemos que tudo é sofrimento, isso é o ‘não-ser’. Se dizemos que todas as coisas são felicidade, isso é o ‘ser eterno’. Se uma pessoa pratica a Via do ‘ser-eterno’ de todas as coisas, essa pessoa cai na heresia do ‘não-ser’. Uma pessoa que pratica a Via de acordo com a qual todas as coisas tornam-se extintas cai no ‘ser-eterno’. Isso é como a medida de um verme, que carrega suas patas traseiras adiante por ação das suas patas dianteiras.

O mesmo se passa com a pessoa que pratica o ‘ser-eterno’ e o ‘não-ser’. O ‘não-ser’ se apóia [depende do, está baseado] no ‘ser-eterno’. Em razão disto, aqueles dos outros ensinamentos que praticam o sofrimento (prática de austeridades) são chamados ‘não-bons’. Aqueles dos outros ensinamentos que praticam a felicidade são chamados ‘bons’. Aqueles dos outros ensinamentos que praticam o ‘não-Eu’ são aqueles da ilusão. Aqueles dos outros ensinamentos que praticam o ‘ser-eterno’ dizem que o Tathagata guarda (esconde) secretamente [verdades]. O assim chamado Nirvana não tem qualquer gruta ou casa para viver nela. Aqueles dos outros ensinamentos que praticam o ‘não-ser’ referem-se à propriedade; aqueles dos outros ensinamentos que praticam o ‘ser-eterno’ referem-se ao Buda, Dharma, Sangha e correta emancipação (ou seja, fazem distinção). Saiba que o Caminho do Meio do Buda nega os dois planos e fala do Dharma Verdadeiro. Mesmo os mortais comuns e os desluzidos (ignorantes) residem nele e não têm dúvidas. É como quando os fracos e os doentes tomam manteiga, e como resultado disto eles sentem leveza no espírito.

A Natureza do dual do ‘ser’ e ‘não-ser’ é indefinida. Por exemplo, as naturezas dos quatro elementos [terra, água, fogo e vento] não são as mesmas. Uma difere da outra. Um bom médico vê bem que cada uma se coloca em oposição à outra. Ele o vê mesmo através de uma fase unilateral (parcial) daquilo que acontece. Oh bom homem! O mesmo se passa com o Tathagata. Ele age como um bom médico em relação a todos os seres. Ele conhece a diferença entre a natureza interna e externa da ilusão, erradica-a, revela o fato que o Repositório Secreto do Tathagata é puro, que a Natureza-de-Buda é Eterna e imutável. Se uma pessoa diz ‘é’, ela deve estar atenta para que a sua Sabedoria não fique manchada; se uma pessoa diz ‘não-é’, isto não passa de uma falsidade. Se dizemos ‘é’, não podemos cair em contradição. Também, não se deve jogar com as palavras e disputar; somente buscar conhecer a verdadeira natureza de todas as coisas. Os mortais comuns jogam com as palavras e disputam, traindo a sua própria ignorância quanto ao repositório secreto do Tathagata. Quando vem a questão do sofrimento, o ignorante diz que o corpo é não-eterno e tudo é sofrimento. Além disso, eles não sabem que existe também a natureza da Felicidade no corpo. Se é feita alusão ao Eterno, os mortais comuns dizem que todos os corpos são não-eternos, e são como tijolos crus. Aquele com Sabedoria discrimina as coisas e não diz que tudo é não-eterno. Por que não? Porque os humanos possuem a semente da Natureza-de-Buda. Quando o não-Eu é mencionado, os mortais comuns dizem que não pode haver Eu no ensinamento Budista. Aquele que é sábio deve saber que não-Eu é uma existência temporária (um aspecto da dualidade) e não é verdade. Sabendo isso, não se deve ter qualquer dúvida. Quando o oculto Tathagatagarbha é estabelecido como sendo vazio e aquietado, os mortais comuns pensarão em cessação e extinção. Aquele que é sábio sabe que o Tathagata é Eterno e Imutável.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

O Verdadeiro Itinen Sanzen

“Quando chegamos ao capítulo Juryo (Capítulo 16 – A Duração da Vida do Tathagata) do ensino essencial, a crença de que Shakyamuni atingiu o Estado de Buda pela primeira vez na Índia é demolida e os efeitos (iluminação) dos quatro ensinos são identicamente demolidos. Quando os efeitos dos quatro ensinos são demolidos, suas causas são igualmente demolidas. ‘Causas’ neste contexto indicam a prática Budista (para atingir a iluminação) ou o estágio dos discípulos dedicados à prática. Assim, as causas e efeitos, na forma exposta tanto nos ensinos pré-Sutra de Lótus como no ensino teórico do Sutra de Lótus, são extirpadas, e as causas e efeitos dos Dez Mundos no ensino essencial são revelados. Esta é a doutrina da causa original e do efeito original. A mesma ensina que os nove mundos estão todos presentes no Estado de Buda sem início, e que o Estado de Buda existe nos nove mundos sem início. Esta é a verdadeira possessão mútua dos Dez Mundos, os verdadeiros cem mundos e mil fatores, o verdadeiro Itinen Sanzen.”

Nitiren Daishonin em A Essência do Capítulo Juryo.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Leia também Itinen Sanzen aqui no Cristal Perfeito.

Nirvana: O Sabor Único dos Três Tesouros

Então, o Buda disse a Kashyapa: “Oh bom homem! Não veja os Três Tesouros como todos os Sravakas e os mortais comuns. Neste Mahayana, não existe distinção entre os Três Tesouros. Por que não? A Natureza-de-Buda contém dentro dela o Dharma e a Sangha. Para ensinar Sravakas e mortais comuns, recorre-se à discriminação e os três diferentes aspectos são falados a respeito dos Três Tesouros. Seguindo o caminho (a maneira) do mundo, é pregada a distinção com relação aos Três Tesouros. Oh bom homem! O Bodhisattva pensará: ‘Este ‘Eu’ agora se refugia no Buda. Se este ‘Eu’ atinge a Iluminação e o Estado de Buda, não respeitarei, reverenciarei ou farei oferecimentos a todos os Budas. Por que não? Porque todos os Budas são iguais. Eles são tomados como refúgio por todos os seres. Se alguém deseja prestar respeito ao Corpo-do-Dharma e às Shariras [relíquias], deveria também prestar respeito às torres de todos os Budas. Por quê? Para conduzir todos os seres. Isto também fará com que os seres concebam um pensamento da torre em mim, para torná-los reverentes e fazerem oferecimentos. Esses seres farão do meu Corpo-de-Dharma o lugar onde eles se refugiarão. Todos os seres estão enraizados naquilo que não é verdadeiro e naquilo que é falso. Eu agora revelarei, passo a passo, o verdadeiro Dharma. Se existem pessoas que se refugiam nos Monges que não são do calibre certo, eu me tornarei o verdadeiro refúgio para elas. Se existem aqueles que vêem os Três Refúgios como distintos, eu me tornarei um lugar único onde eles possam se refugiar. Sendo assim, não pode haver qualquer distinção entre os Três Refúgios. Para alguém nascido cego, eu serei os seus olhos, e para os Sravakas e Pratyekabudas eu me tornarei o verdadeiro refúgio’. Oh bom homem! Tais Bodhisattvas promulgam os trabalhos do Buda para o benefício de inumeráveis seres (agentes) do mal e (também) para todas as pessoas sábias. Oh bom homem! Existe, como um exemplo, uma pessoa aqui que vai para o campo de batalha e pensa: ‘Eu sou o primeiro de todos eles. Todos os soldados dependem de mim’. Também, é como o príncipe que pensa: ‘Eu conquistarei todos os outros príncipes, executarei os trabalhos de um grande imperador, obterei um poder ilimitado e farei todos os outros príncipes prestarem homenagem a mim. Portanto, não me permito distrair com um único pensamento de auto-rendição’.

Tal como acontece com o príncipe do reino, assim também é com o ministro. Oh bom homem! O caso é o mesmo com o Bodhisattva-Mahasattva, e ele pensa: ‘Como os três se tornam um comigo’? Oh bom homem! Eu faço [em meus ensinamentos] com que as três coisas sejam Nirvana. O Tathagata é o insuperável. Por exemplo, a cabeça é a parte mais elevada do corpo de um homem, não os outros membros ou as mãos e pernas. O mesmo é o caso com o Buda. Ele é o mais respeitado, não o Dharma ou a Sangha. Com o propósito de ensinar o mundo, ele manifesta-se diversamente. É como subir uma escada. Esse sendo o caso, não considere os Três Refúgios como diferentes, como o fazem os mortais comuns e os ignorantes. Resida no Mahayana tão brava e decisivamente quanto uma espada afiada.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

O Remédio de Um Único Sabor

“Também, oh bom homem! Como um exemplo, existe um remédio nos Himalayas chamado ‘paladar agradável’. Seu sabor é muito doce. Ele cresce escondido sob o denso crescimento de plantas, e não podemos vê-lo facilmente. Mas a partir do seu aroma, podemos saber o paradeiro desse remédio. Em tempos passados houve um Chakravartin que, colocando tubos de madeira aqui e ali nos Himalayas, colheu esse remédio. Quando ele amadureceu, ele vazou e entrou nos tubos. Seu sabor era perfeito. Quando o rei (o Chakravartin) morreu, esse remédio tornou-se azedo, salgado, doce, amargo, picante, ou suave. Assim, aquilo que é único (no sabor), apresenta diferentes paladares de acordo com os diferentes lugares. O verdadeiro sabor do remédio permanece nas montanhas; é como a lua cheia. Qualquer mortal comum, estéril em virtudes, pode trabalhar duro, cavar e tentar, mas não pode obtê-lo. Somente um Chakravartin, elevado nas virtudes, ao aparecer no mundo pode chegar ao verdadeiro valor desse remédio devido a uma feliz concatenação circunstancial. O mesmo é o caso [aqui]. Oh bom homem! O sabor do Repositório Secreto do Tathagata é também como isto. Encobertos pelo vicejar das impurezas, vestidos na ignorância, os seres não podem esperar vê-lo (ou senti-lo). Falamos de um ‘Único Sabor’. Isso se aplica, por exemplo, à Natureza-de-Buda. Em razão da presença de impurezas, vários sabores aparecem, tais como os do inferno, da animalidade, dos espíritos famintos, dos devas, dos seres humanos, homens, mulheres, não-homens, não-mulheres, Kshatriya, Brâmanes, Vaishya e Sudra.

A Natureza-de-Buda é forte e vigorosa. Ela é difícil de destruir. Portanto, não há nada que possa matá-la. Se houvesse algo que pudesse realmente matá-la, a Natureza-de-Buda morreria. [Mas] nada pode de fato destruir essa Natureza-de-Buda. Nada dessa natureza jamais poderá ser cortado. ‘A natureza do Eu nada mais é que o Repositório Secreto do Tathagata’. Esse repositório nunca poderá ser esmagado, atirado ao fogo ou extinto. Embora não seja possível destruir ou vê-lo, podemos conhecê-lo quando atingimos a Iluminação Insuperável. Assim, nada existe de fato que possa matá-lo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

Sutra do Nirvana – Capítulo 4 – Longa Vida

« Older entries Newer entries »

%d blogueiros gostam disto: